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A língua afiadíssima de João Pedro Stédile


11/12/2010 - 22h34

por Luiz Carlos Azenha

A convite do Igor, do MST, passamos um sábado agradabilíssimo na Escola Nacional Florestan Fernandes, em Guararema, no interior de São Paulo. Eu e as colegas Conceição Lemes e Conceição Oliveira testemunhamos o encontro nacional dos amigos do Movimento dos Sem Terra.

Um lugar muito bacana, onde acompanhamos um debate sobre os principais temas contemporâneos: os venenos nos alimentos, a (inexistente) reforma urbana, a inclusão social de negros e indígenas.

João Pedro Stédile fez um balanço de 2010 e estava com a língua afiadíssima:

“O PIB da felicidade do paulistano é se vangloriar: passei duas horas num puta congestionamento”.

“Vinte e cinco por cento de todo o veneno usado na agricultura é disseminado por aviões [prática proibida em vários países]. Mata tudo. Mata passarinho, mata inseto, até anjo já morreu”.

“Das terras aráveis brasileiras, 75% são utilizadas por três produtos. É cana para o etanol que abastece os automóveis. É milho e soja para as vacas europeis. E nós ficamos com a merda [da poluição causada pelo monocultivo da cana]”.

“Tome leite do MST que você cresce mais [sobre a produção de leite em Andradina, no interior de São Paulo]. Vai com uma gota de ideologia. A ABIN ainda não descobriu isso, mas é assim que a gente está produzindo esquerdistas”.

Durante o encontro, Stédile anunciou a paridade de gênero nos cargos de coordenação do MST e a decisão de que todo militante  do movimento deverá obrigatoriamente estar matriculado em algum curso de formação.

Mais tarde, o deputado Paulo Teixeira (PT-São Paulo) brincou com Stédile: “Quando ele morrer, daqui há 60 anos, vai ser preciso um caixão para enterrar a língua”. Teixeira informou que, ao contrário do que temiam os presentes, não deverá haver votação da reforma do Código Florestal na próxima terça-feira, em Brasília. Tudo indica que o assunto será adiado para 2011.

Clique aqui para ouvir a entrevista que fizemos com o Stédile antes da eleição, na qual ele expõe a moderníssima pauta do MST.

Fiquem com as fotos da Conceição Oliveira:



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24 comentários

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Rogerio Chaves

13 de dezembro de 2010 às 15h32

Azenha, primeiro um reparo, quem falou sobre a língua do Stedile foi Ivan Valente, não o Paulinho Teixeira.
Legal seu registro com fotos. É bom informar aos seus navegantes que a construção da escola foi feita pelos próprios trabalhadores rurais sem-terra, em regime de brigadas, a partir da produção de tijolos no próprio local em que foram utilizados e com a ajuda técnica de arquitetos e engenheiros voluntários.
Muita coisa a gente tem que aprender com o MST: visão de futuro , integração dos jovens nas atividades, formação permanente, conhecimento e respeito pela América Latina e África, identificação dos principais inimigos do povo brasileiro, respeito pelas crianças, persistência, entre outros pontos importantes.

Responder

Hans Bintje

13 de dezembro de 2010 às 14h09

As Conceições ficaram muito bonitinhas na foto…

…mas a escolha do título da matéria foi infeliz. Menos "língua afiada" e mais ação!

Que tal escrever mais sobre "a produção de leite em Andradina, no interior de São Paulo"?

É assunto de interesse deste leitor, basta lembrar a minha origem.

Afinal, quais são os produtos agrícolas que estão sendo comercializados, será que existe alguma agrofloresta para agricultura familiar?

Da Embrapa ( http://www.cenargen.embrapa.br/publica/trabalhos/… ):

"A técnica denominada agrofloresta ou sistema agroflorestal (SAF) é interessante para a agricultura familiar por reunir vantagens econômicas e ambientais. A utilização sustentável dos recursos naturais aliada à uma menor dependência de insumos externos que caracterizam este sistema de produção, resultam em maior segurança alimentar e economia, tanto para os agricultores, como para os consumidores.

Nos sistemas agroflorestais de alta diversidade convivem na mesma área plantas frutíferas, madeireiras, graníferas, ornamentais, medicinais e forrageiras. Cada cultura é implantada no espaçamento adequado ao seu desenvolvimento e as suas necessidades de luz, de fertilidade e porte (altura e tipo de copa) são cuidadosamente combinadas.

O sistema é planejado para permitir colheitas desde o primeiro ano de implantação, de forma que o agricultor obtenha rendimentos provenientes de culturas anuais, hortaliças e frutíferas de ciclo curto, enquanto aguarda a maturação das espécies florestais e das frutíferas de ciclo mais longo. Assim, o maior número de produtos disponíveis para a comercialização em diferentes épocas do ano e ao longo do tempo, incrementa a renda e aproveita melhor a mão-de-obra familiar."

Responder

Luis Armidoro

13 de dezembro de 2010 às 08h24

Caros Azenha e amigos do blog:

Nas fotos, eu vi o Deputado Ivan Valente. Ele e João Stedile honram nos República

Responder

Geysa Guimarães

12 de dezembro de 2010 às 16h37

Aprecio qualquer texto pró- Stédile, os heróis me fascinam. Ainda mais com essas fotos ótimas e a dupla Con-Con, Conceição Lemes e Conceição Oliveira.
Ei, Azenha, por que você e o Stédile se esconderam da câmera?

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Alan

12 de dezembro de 2010 às 16h28

O governo Lula teve uma proeza que os governos anteriores não tiveram: o governo Lula tratou os movimentos sociais com diálogo,negociação,e políticas públicas. O governo de FHC por outro lado tratou os movimentos sociais com descaso,repressão e criminalização. Como foi declarado pela Dilma o MST não deve ser tratado como caso de polícia,mas sim com políticas públicas.

Responder

Gerson Carneiro

12 de dezembro de 2010 às 15h22

Lindas.
Parecem duas menininhas passeando no bosque.
O Azenhão é o lobo mau, e deve estar escondido atrás de alguma árvore.

Responder

assalariado.

12 de dezembro de 2010 às 12h41

Uma politizada neste texto seria dizer que a lingua afiada do texto se curvou a capitulação da reforma agrária minima necessária perante ao atual governo de esquerda(?),ou seja, faltou dizer a quantas anda a questão do que foi feito/ deixou de ser feito,de reforma agrária/ urbana e assentamentos neste 8 anos da social democracia petista que,na verdade,como disse Plinio não fez reforma agrária,fez sim,assentamentos que, são duas coisas distintas,não se esqueçam…

Saudações Socialistas.

Responder

edson fachin

12 de dezembro de 2010 às 11h57

bom dia , parece que todos os artigos aqui postados,só leem os que estao de acordo,será que nao ha alguem contrario?
MST: durante o governo que esta saindo,ficou meio calmo,será que houve acordo? perderam a oportunnidade de fazer com que o PT realmente se importa com o pobre sem terra…ou não há pobres neste movimento, onde estão os sem terra aliás, eu acho que vi uns acampamentos na beira das BRs…
É sinto muito, o governo continua o mesmo…

Responder

Gregório de Mattos

12 de dezembro de 2010 às 11h22

Quero deixar meu testemunho sobre o leite do MST: É BOM MESMO!!!

Responder

Gerson Carneiro

12 de dezembro de 2010 às 06h50

O MST peca apenas quando dá margem à divulgação de imagens como a derrubada de pés de laranja na fazenda da grilheira Cutrale. Não sei se é uma outra "ala" do MST mas aquele tipo de ação, assim como a invasão do Congresso, acaba sendo um gol contra. Se perguntar para a população em geral o que é o MST, citarão apenas esses episódios.

A revolução deve ser exatamente nos moldes apresentados no texto: através de Educação, e politização.

Responder

    Mauro Silva

    12 de dezembro de 2010 às 09h47

    Caro Gerson
    Ainda acho que aquilo foi uma tremenda armação contra o MST.
    A rigor, nada foi provado (que foi ato de sem-terra), fora as acusações dos jornalões, PIG em geral e polícia paulista, esses alinhados ideológicamente ao nazi-udenismo demo-tucano.

    Salvador J. Fereira

    12 de dezembro de 2010 às 12h00

    Mauro, gostaria que alguem pudesse informar como e por quem foi filmado, de altura superior a 20 metros, o trador derrubando pés de laranja. Quem avisou ou chamou quem justamente para aquele ato?
    Quem estaria na verdade, dirigindo aquele trator?
    Foi mostrado o "piloto"? (tratorista).
    Não lí ainda nada que se refere á essa filmagem justamente "no ato do crime".

    Mauro Silva

    12 de dezembro de 2010 às 14h19

    Então Salvador: naquela ocasião acusei esse fato.
    Parece com aqueles casos escrabosos de jornalismo marrom da pior espécie que, para aumentar audiência, paga-se àlgum bandido para assassinar alguém, e o "jornalista" que estava "passando por ali" filma tudo.
    Considerando que essa laia não vale merda nenhuma, não descarto que até mesmo algum acionista tenha dirigido o trator (3 laranjeiras? mixaria …) e tenha pago (é mais barato que os pés de laranja, o aluguel do trator e o motorista com adicional noturno) meia dúzia de jornalistas-vigaristas do tipo breno bosta para criar a onda no melhor estilo goebels.
    Como diria um camarada, "tá faltando trouxa no mercado, para tanto safado"!

    José Ruiz

    12 de dezembro de 2010 às 10h57

    Oi Gerson, a população cita esses episódios porque é programada para isso, literalmente. O que a mídia faz é a demonização de pessoas, movimentos e idéias que contrariem seus interesses… A bem da verdade, o MST nunca vai conseguir alguma coisa acampado na beira da estrada, tem mais é que partir prá cima mesmo… na questão citada, a fazenda era destinada à reforma agrária e irregularmente ocupada (invadida) pela cutrale… é uma completa inversão de valores dizer que o mst é bandido da história…

Tania R Guimaraes

12 de dezembro de 2010 às 00h37

Quem sabe se um dia se podera voar sem polir nao?

Responder

Julio_De_Bem

11 de dezembro de 2010 às 23h38

E qual seria a proposta que Stédile, que é um homem que admiro, teria para os milhares de trabalhadores pilotos da aviação agrícola? Por que se for pra ficar reclamando de tudo pra olhar somente para o próprio umbigo, e esquecer que pra se tornar piloto agrícola é preciso um sacrifício financeiro de TODOS pilotos por muito tempo, prejudicando inclusive a família. E ainda somos obrigados a aturar coisas que não se pode nem comentar de patrões coronéis (MT do gilmar dantas principalmente). Sendo um legítimo esquerdista, como ele se diz, deve pensar sim na luta dele, sem esquecer que há também pessoas de de bem que levantam 5h da manha pra trabalhar exaustivamente ate a noite, pousando em pistas deploráveis, aviões com pouca manutenção e desviando de fios de luz que aparecem de um dia pro outro.

Responder

    Leo V

    12 de dezembro de 2010 às 01h52

    Então também não poderemos fazer crítica a guerras. Afinal, e os milhares de militares que dão duro, se sacrificam e que ganham seu pão nisso?

    Pedro

    12 de dezembro de 2010 às 02h25

    Caro Júlio, com esse argumento poderíamos validar o desmatamento predatório na Amazônia ou a produção de cocaína na Bolívia. O que Stédile critica é o uso desse tipo de veneno no Brasil. Para as pessoas que trabalham com esse tipo de coisa podem ser achados outros empregos.

    Quem realmente ganha com o uso de veneno pelo avião provavelmente só viu o aparelho uma vez, assim como quem é realmente beneficiado com o desmatamento na Amazônia e a plantação de coca na Bolívia está bem longe.

    francisco p.neto

    12 de dezembro de 2010 às 02h51

    Quando se extinguiram a pena de morte, nos países que as tinham, os carrascos devem ter feito os mesmos questionamentos que você fez Júlio.
    Quer dizer então que para manter empregos de pilotos agrícolas, justifica-se os crimes ambientais?

    Julio_De_Bem

    12 de dezembro de 2010 às 14h48

    Comparação extremamente tosca – pra não dizer outra coisa – com o que relacionei acima. A questão que eu trouxe é simples. Que visão tem Stédile para os trabalhadores da aviação agrícola? Por que a polícia acoberta os abusos que ocorrem nas grandes fazendas do MT? Pra relatar um caso, um amigo que foi chamado pra trabalhar em uma fazenda de um certo senhor feudal do MT, incansavelmente trabalhou por 4 meses, morando num barraquinho de madeira com uma cama proximo aos tonéis de uréia. No dia antes de receber, todos os recibos de vôo que ele tinha foram incinerados, ele foi ao patrão e, no que começou a falar, o homem sacou a pistola e disse que ele tinha 3 minutos pra sair da fazenda. O rapaz trabalhador se mandou, entrou em contato com a polícia e numa conversa "em off" foi recomendado a se mandar e não prestar queixa. Ele tinha escolha ? sozinho em outro estado, no meio do mato. Se mandou de volta pro RS.

    Agora, querer comparar meu comentário com validação da depredação da Amazônia, ou – estou pasmo – com a inconformidade de carrascos de condenados a morte que já nao podem mais matar, é de um extremismo que beira o ridículo, uma vez que tudo que eu gostaria de saber é. Uma vez extinguida a aviação agrícola (que muitos não sabem….apagam muitos incendios nas regiões onde muitos especialistas aqui nunca botaram os pés ou viram na TV), o que fazer com pessoas que gastaram na média 100mil reais para se formar. Pergunta simples, pois como combatemos a grande mídia e alguns políticos que só olham para os que são ricos, não podemos deixar de ser críticos também a quem admiramos e que por ventura, podem também trilhar um caminho igual ao dos combatidos. Até onde sei, isso é democracia.

    Mário SF Alves

    12 de dezembro de 2010 às 16h52

    Júlio,
    Desculpe-me, mas não entendi bem sua preocupação. A questão central do MST é com o latifúndio improdutivo, com a grilagem de terras públicas e com a estrutura feudal na distribuição da terra no Brasil. Aqui ainda impera uma estrutura fundiária das mais desumanas, anti-sociais e antieconômicas do planeta. Esta abominação desconcertada com o mundo civilizado é mantida por força de lobby, pressão e representação política dos grileiros, dos latifundiários [detentores de poder sobre latifúndios improdutivos], de parte do poder econômico e político, das grandes corporações dos venenos e transgênicos e da resistência cega das antigas e decadentes aristocracias agrárias em nosso País.
    Embora não revelem, a ordem destes eternos usurpadores da boa ordem social é manter o Brasil como um imenso feudo, a qualquer custo. Ainda que isso significasse jamais romper com o subordinamento internacional do País, e à custa do infortúnio decorrente da histórica e insuportável marginalização de seus filhos.
    Não vejo, portanto, a raiz da dúvida. A não ser, claro, que o agro-negócio ao qual você se insere “profissionalmente”, seja todo ele anti-social e constitucionalmente condenável. O que não é verdade. As aspas vão por conta da precariedade evidente na relação de trabalho de parte de sua categoria e deve ser superada.
    Aliás, a propósito do agro-negócio, e das políticas agrícola e agrária, eu não consigo entender o porquê de o MST e a Via Campesina não defenderem e mesmo exigirem como indispensável o zoneamento agrícola ou agro-ecológico do Brasil. Será que isto seria ante-revolucionário?
    Seja como for, se a luta por superação desse abominável entrave tem o nome de utopia, então que viva a utopia!
    Att., Mário.

    Gerson Carneiro

    12 de dezembro de 2010 às 06h41

    Se existem pilotos de aviação agrícola trabalhando em condições tão deploráveis como meu caro Julio_De_Bem afirma, a mim parece ser mais um motivo para tirar os tais pilotos dessas condições.

    Cabe aos referidos pilotos se organizarem para a buscar alternativas. Quem sabe até junto ao MST.

    Até quando os pilotos agrícolas serão obrigados "a aturar coisas que não se pode nem comentar de patrões coronéis" (aturar, com ou sem MST) ?

edv

11 de dezembro de 2010 às 23h19

Fica a impressão positiva de que os 8 anos de Lula fizeram bem ao MST.

Responder

    Mário Pinheiro

    12 de dezembro de 2010 às 01h08

    Stédile, o movimento de trabalhadores do campo, lutam por um deteminado paradigma na produção e distribuição de alimentos agrícolas.Por uma produção social agrícola movimentada por cidadãos conscientes, compromissados em levar ao mercado produto limpo, livre de venenos químicos. Lamentável o cidadão piloto estar,honestamente, trabalhando para o segmento da agroindústria que, alienada das preocupações quanto a saúde da população, espalha o veneno nas plantações ,voltada apenas para seus interesses imediatos. Achamos que a população não envolvida diretamente na produção agrícola extensiva que se utiliza de agrotóxicos está com o movimento.Quanto a Stédile, a história prova a contribuição que esse líder dá por um Brasil bem melhor.O cidadão piloto prejudicado em suas relações de trabalho com seus contratantes deve procurar o seu sindicato.


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