A estratégia da CUT para romper o bloqueio midiático

Tempo de leitura: 3 min

30/07/2010 – 13:02:37
Mídia alternativa: debate marca lançamento de rádio e TV web da CUT

do Brasil Metal Diário

As discussões sobre estratégias de comunicação e os caminhos para furar o bloqueio da imprensa marcaram o segundo dia do encontro da Direção Nacional da Central Única dos Trabalhadores, nesta quinta-feira (29), na região central de São Paulo.

Secretário de Relações Internacionais da CUT, João Felício, coordenou a mesa e lembrou aos presentes no plenário que os sindicatos não podem mais falar excluvisamente para si próprios. “Nossos inimigos são muito mais ousados e possuem maior capacidade para desinformar ou encaminhar ações que acabam dificultando o processo de comunicação. Precisamos encontrar outras formas de dialogar com a sociedade e, especialmente, com os trabalhadores.”

A seguir, o jornalista e professor da (USP) Universidade de São Paulo, Bernardo Kucinski, traçou um panorama da estrutura de comunicação que o movimento sindical encontra neste período de eleições e quais ações os trabalhadores podem adotar para dialogar com a sociedade sobre suas propostas

Jornalismo decente – Para ele, diante do bloco bloco homogêneo formado pela grande mídia, que defende conceitos presentes no neoliberalismo como a eliminação de todos os obstáculos para a movimentação financeira, é preciso veicular uma campanha pelo “jornalismo ficha limpa” durante as eleições 2010. “Minha proposta é que alguns jornalistas, conhecidos pela qualidade, respeito aos leitores e pela integridade, subscrevam um manifesto contendo alguns compromissos como o respeito à verdade dos fatos e o tratamento equânime”, disse.

Kucinski defende ainda a criação de uma rede de observatórios da imprensa, que integre aqueles já existentes no Brasil – inclusive aquele mantido pela CUT, e a publicação de uma portaria do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) lembrando aos meios de comunicação de massa que são outorga do Estado e estão obrigados estatutariamente à neutralidade e isenção política.

Ele prevê que os canais comerciais irão buscar mecanismos para aprofundar o apoio ao candidato José Serra como forma de compensar a diferença de tempo favorável à candidata Dilma Rousseff no horário político obrigatório. Assim, defende, “a mídia de maior potencial de ganha é a internet, que independe do capital financeiro e dos grandes meios de comunicação”.

Avaliação dos congressistas
– De acordo com o professor, os movimentos sociais devem forçar a entrada dos temas sociais na agenda dos candidatos e da mídia, recorrendo a atos políticos ou ações que forcem os jornais a reportá-los. É preciso também demonstrar o caráter antisocial e antinacional dos governos do PSDB. “Em São Paulo, por exemplo, os desastres causados pelo apressamento de obras da Linha 4 do Metrô, os escândalos do Detran, da polícia militar e do DEM, em Brasília, serão escondidos pela grande mídia”, aposta.

Outras sugestões foram o convite aos candidatos para um debate no ambiente sindical onde ficariam claras as diferentes concepções em relação aos temas que interessam os trabalhadores, e a elaboração, por meio do DIAP (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), de uma avaliação dos congressistas que agoram concorrem a reeleição ou a outros cargos públicos.

Justiça x Democracia

O advogado e ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh acredita que há uma dicotomia no país. “Nunca houve tanta liberdade no Brasil, porém, nunca observamos todos os espaços de discussão nas mãos da mídia conservadora”, criticou.

Ele aproveitou ainda para critica o papel que o legislativo desempenha e tem acirrado no período de campanha. “A legislação vigente está procurando criminalizar os movimentos sociais e o processo eleitoral. Os debates na Justiça Eleitoral não consagram a democracia”, afirmou.

Plano nacional de comunicação da CUT

Como forma de romper o bloqueio da grande mídia, a secretária nacional de comunicação da CUT, Rosane Bertotti, e o secretário de comunicação da CUT/SP, Daniel Reis, apontaram as ações que a CUT desenvolve e os projetos que pretende implementar.

Rosane ressaltou que a estratégia para dialogar com a sociedade deve ser permanente e destacou dois pontos importantes  presentes em uma pesquisa encomendada pela central. “Enquanto, por um lado, sempre que se fala em central sindical o primeiro nome que aparece é a CUT, por outro, ainda há grande desconhecimento sobre o papel que desenvolvemos.”

Para superar esse ponto negativo, a dirigente apresentou o Plano Nacional de Comunicação, focado na democratização da informação e na construção do diálogo com os trabalhadores.

O programa baseado em ações estratégicas a partir da Internet e que integrará internet, rádio, TV e redes sociais, porém, depende da colaboração de todos os cutistas. “A comunicação deve estar ligada a uma ação política para se ramificar e multiplicar nos movimentos sociais. Sem um trabalho articulado da rede CUT, com participação das CUTs estaduais e dos ramos, não será possível garantir a visão plural e diversificada que desejamos”, disse, antes de divulgar o vídeo com os projetos do novo site, rádio e TV Web da Central que estarão no ar já em agosto.

Ampliar a rede – Daniel Reis lembrou da iniciativa da Rede Brasil Atual, que inclui a Revista do Brasil, o programa de rádio Jornal Brasil Atual (98,9 FM) e a página www.redebrasilatual.com.br .Também destacou o lançamento da TVT, uma emissora com programação produzida e voltada aos trabalhadores que entra no ar no dia 13 de agosto.

Contudo, da mesma forma que Rosane, Daniel afirmou a necessidade da estrutura cutistas estar integrada ao processo. “Temos a necessidade clara e óbvia de ampliar a rede e isso depende tanto da informação gerada pelos estados, quanto pela divulgação de nosso trabalho”, apontou.

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Comentários

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ferrera13

Penso que a "Lei dos Medios" ataca este problema. Isso ocorre hoje porque não há regulamentação no setor.

Carlos

"De acordo com o professor, os movimentos sociais devem forçar a entrada dos temas sociais na agenda dos candidatos e da mídia,…"
"elaboração, por meio do DIAP (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), de uma avaliação dos congressistas que agoram concorrem a reeleição ou a outros cargos públicos."

Importante também elaboração, pelo DIAP, de questionário sobre PECs e projetos em tramitação no Congresso, a ser apresentado aos candidatos – os que tentam reeleição ou que se candidatam pela primeira vez.

anarquista1965

Acho que a CUT deveria intensificar a propagação do inequívoco fato de que o Sr. José Serra não possui diploma de Economia.

Sugiro pegarem certidões negativas nos Conselhos Estadual (SP) e Nacional de Economia e estamparem na primeira página do Jornal da CUT.

O Sr. Serra se diz economista e se registrou como tal no TSE.

E o Paulo Henrique Amorim já consultou os dois citados Conselhos de Economia e obteve certidões negativas.

Logo, em tese, ele incorreu no crime de falsidade ideológica e na contravenção penal de exercício ilegal de profissão.

De posse destas duas certidões negativas de graduação em Economia,´será possível a qualquer cidadão, constituindo um advogado, fazer uma representação criminal contra ele em qualquer Delegacia de Polícia de São Paulo, já que ele não possui mais o foro privilegiado do STJ.

Este repugnante e mentiroso tucano não pode ficar impune.

    Klaus

    E sobre o doutado da Dilma, vc acha a mesma coisa?

    anarquista1965

    A Dra. Dilma pelo menos já admitiu que não tem doutorado, mas ela possui diploma de Economia. Está registrado lá no Conselho de Economistas do Rio Grande do Sul. Lá você consegue uma certidão POSITIVA. Logo, ela não exerce ilegalmente a profissão de economista nem incorreu em falsidade ideológica. Apenas mentiu e confessou que mentiu. E o Sr. José Serra Chirico, por que não exibe o diploma dele ou assume logo que não o tem? Não é nenhum demérito. O Lula não tem e é o presidente mais popular da história. Isto posto, repito, cabe à Polícia Civil paulista investigar as supostas práticas de falsidade ideológica e exercício ilegal de profissão contra este repugnante e mentiroso cidadão. E ponto final. Abraços. Salam Ayek!

Vera Silva

Estive no site Rede Brasil Atual e gostei muito. É ágil, as notícias entram rapidamente, mesmo na droga da banda nada larga da Oi. Vou ser assídua.
Este é o caminho. Como se dizia: quem quer, faz…

LuizCarlosDias

Acho certo, assim como dep federal Fulano-PT
Jornalista da folha Fulano de tal-psdb

    Klaus

    Quais os jornalistas que o amigo colocaria como Fulano de Tal – PT?

Nelson Menezes

As guerras são vencidas por aqueles que detem e dominan as informações, portanto todo cuidado é pouco

Marat

Gostei do termo "Jornalista Ficha Limpa"… poucos daqui de SP teriam tal honra!!! Agora, jornalista ficha-suja, há aos borbotões e nem é o caso de nomeá-los aqui. A grande maioria dos navegantes já sabe…

Jairo_Beraldo

Sabedores do velho costume que o homem médio só lê as manchetes dos periódicos, mania que vem desde a época em que os jornais eram expostos nas bancas de revistas, e para não comprar um exemplar, a mídia comprometida com as ideias da direita, continua fazendo das suas. Usa o mesmo expediente. Coloca em letras garrafais uma chamada absolutamente fora da realidade. Só a compreende se ler a matéria completa. Se ficar só no texto da manchete, "saberá" de uma notícia totalmente diferente.

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