VIOMUNDO

Diário da Resistência

Sobre


Beatriz Kushnir: Otavinho me falou pessoalmente em “ditabranda” semanas antes de o jornal publicar a palavra
Reprodução
TV

Beatriz Kushnir: Otavinho me falou pessoalmente em “ditabranda” semanas antes de o jornal publicar a palavra


06/10/2020 - 20h00

Da Redação

O livro Cães de Guarda, da historiadora Beatriz Kushnir, em breve terá uma terceira edição.

É um trabalho pioneiro no tratamento do colaboracionismo com a ditadura militar.

Hoje, quando a Rede Globo e a Folha de S. Paulo se dizem defensoras da democracia, escondem de seus telespectadores e leitores detalhes nefastos de seu colaboracionismo com os ditadores entre 1964-1985.

A Globo e a Folha não só promoveram o golpe, como tiraram proveito econômico dele.

No livro, Beatriz descreve como Roberto Marinho acoitou censores dentro de sua emissora e como Octavio Frias de Oliveira emprestou um jornal para a ditadura divulgar mentiras, fake news.

Numa recente publicação polêmica, o diário conservador paulistano tascou o nome Jair Rousseff no título de um editorial, juntando um apoiador da tortura e uma torturada na mesma frase.

Essas frequentes polêmicas são parte do marketing da Folha, que descobriu que era lucrativo enfrentar a ditadura enfraquecida, nos anos 80, e conquistou a classe média.

Durante a polêmica Jair Rousseff, o colunista Janio de Freitas fez uma ácida crítica ao jornal, mas afastou o então diretor Octávio Frias Filho da ditabranda.

Janio atribuiu o termo a um editorialista, que teria criado a palavra sem anuência de Otavinho.

Ele escreveu:

Da ditadura ainda tão presente ao presente ameaçado de sua volta: o editorial “Jair Rousseff”, no sábado (22), trouxe de volta a muitos leitores o tratamento de “ditabranda” certa vez aplicado, também em editorial, aos anos de tortura e assassinato nos quartéis.

Deste erro afrontoso adveio outro equívoco traumatizante nas relações entre o jornal e imensa parte da então centenas de milhares de leitores. Difundiu-se que Otavio Frias Filho, já diretor de Redação, foi o autor do editorial. Ou, em versão mais arriscada, quem determinou o uso do termo.

O que houve não era novidade, um editorialista revestindo com a autoridade do jornal o que, pode-se presumir por outros motivos, era ou é um conceito seu. Do jornal que publicara, e continuou publicando, tantas revelações de crimes de militares e da ditadura em geral, é que tal conceito não era.

A exemplo de Octavio pai, Otavio Filho guardou silêncio a respeito do editorial. Não há dúvida de que a imputação incabível o feriu. E acirrou indisposições suas com algumas figuras públicas e com posições à esquerda. Equívoco contra equívoco. Injustiça contra injustiça.

Agora a historiadora Beatriz Kushnir vem a público informar que ouviu da boca do próprio Otavinho o termo ditabranda semanas antes do editorial ter sido publicado, em encontro pessoal no Rio de Janeiro.

Mais uma importante contribuição de Beatriz à História. Vale a pena ouvir a íntegra da entrevista.





2 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

Morvan

09 de outubro de 2020 às 15h34

O PT, mais uma vez, exerce seu direito como partido (talvez o único a poder assim ser chamado, programática e praticamente): lança candidato, o qual não é um mero, é a apregoação, o manifesto de uma ideia. Que todos se lancem, definam e defendam seus ideais, assim como o faz o PT. As pessoas precisam entender o que significa uma eleição em dois turnos; o porquê de sua criação. De como o escrutínio em turnos respalda e filtra candidaturas, propostas. Depois, para quem ficou, vêm as alianças, decurso natural da democracia. Quando um partido não defende a si mesmo, ao processo, ali se registra a derrocada de todo o arcabouço de legitimidade e educação política, tão premente em nosso meio.

Responder

alexandre

08 de outubro de 2020 às 22h30

uma vez golpista sempre golpista, como tudo de ruim que traz esta frase do lupicinio

Responder

Deixe uma resposta

Apoie o VIOMUNDO - Crowdfunding
Blogs & Colunas
Mais conteúdo especial para leitura