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Suécia adota estratégia alternativa e mantém restaurantes e escolas abertas — com 178 mortos nos últimos três dias
O calendário de eventos em Estocolmo permanece aberto. Foto Divulgação
Política

Suécia adota estratégia alternativa e mantém restaurantes e escolas abertas — com 178 mortos nos últimos três dias


03/04/2020 - 17h48

Os casos na Suécia afetam principalmente a região de Estocolmo

Da Redação

A Suécia teve 178 mortes por coronavírus nos últimos três dias. 

O país confirmou 6.078 casos.

O país tem 469 pacientes internados em UTI, 8% dos casos ativos.

Apesar disso, o governo vem adotando medidas graduais contra a pandemia — os restaurantes seguem abertos e as pessoas, nas ruas.

Aqui, os dados oficiais da pandemia no país. Aqui, uma fonte alternativa.

A pandemia de coronavírus não mantém os suecos em casa

Da Associated Press

ESTOCOLMO (AP) – As ruas de Estocolmo estão tranquilas, mas não desertas. As pessoas ainda se sentam em cafés ao ar livre no centro da capital da Suécia.

Os fornecedores ainda vendem flores. Os adolescentes ainda conversam em grupos nos parques. Alguns ainda se cumprimentam com abraços e apertos de mão.

Após um longo e escuro inverno escandinavo, a pandemia de coronavírus não mantém os suecos em casa, mesmo que os cidadãos de muitas partes do mundo estejam abrigados e não encontrem lojas ou restaurantes abertos, nas poucas ocasiões em que podem se aventurar.

As autoridades suecas aconselharam o público a praticar o distanciamento social e a trabalhar em casa, se possível, e instaram os maiores de 70 anos a se auto-isolarem como precaução.

No entanto, comparada com a estratégia adotada em outras partes do mundo, a resposta ao vírus permite liberdade pessoal.

Ficar em bares foi proibido na Suécia, mas os clientes de restaurantes ainda podem ser servidos nas mesas, em vez de ter de levar comida para casa.

Escolas de ensino médio e universidades estão fechadas, mas pré-escolas e escolas primárias ainda estão abertas.

“A Suécia é uma exceção no cenário europeu, pelo menos”, disse Johan Giesecke, ex-epidemiologista-chefe do país e agora consultor da Agência de Saúde Sueca, um órgão do governo. “E acho que isso é bom.”

Outras nações européias “adotaram ações políticas”, em vez de ditadas pela Ciência, afirmou Giesecke.

Ainda não está claro quanto tempo durará o estado excepcional da Suécia.

O primeiro-ministro Stefan Lofven, alertando sobre “muitas semanas e meses difíceis pela frente”, anunciou sexta-feira que a partir de domingo as reuniões seriam limitadas a 50 pessoas, em vez de 500.

O governo observou que casamentos, funerais e celebrações da Páscoa seriam afetados.

Ainda assim, para reduzir a propagação do vírus na Alemanha e no Reino Unido, grupos maiores que dois são atualmente proibidos, a menos que sejam compostos por pessoas que já moram juntas.

Autoridades na Itália e na França introduziram limites cada vez mais restritivos às atividades públicas e, eventualmente, autorizaram multas — alegando que muitas pessoas ignoravam as recomendações de distanciamento social.

Por enquanto, o governo sueco sustenta que pode confiar que os cidadãos vão se responsabilizar pelo bem maior e permanecerão em casa se sentirem algum sintoma de COVID-19.

Muitos suecos estão de fato mantendo a distância recomendada.

Victoria Holmgren, 24 anos, elogiou o modo como o governo sueco lidou com a crise de saúde pública como “muito bom”.

“E é em parte porque acho que não conseguiria ficar dentro de casa o dia inteiro”, disse Holmgren.

Mas alguns cientistas criticaram a abordagem da Agência de Saúde Pública da Suécia como irresponsável, durante uma pandemia mundial que já matou mais de 21.000 pessoas na Europa.

Em uma carta aberta ao governo, cerca de 2.000 acadêmicos pediram maior transparência e justificativa para a estratégia adotada.

Sten Linnarsson, professor do Instituto Karolinska, uma importante universidade médica da Suécia, disse que a preocupação se concentra nas “no curso que o governo sueco adotou nessa epidemia, e especialmente porque realmente há uma falta de evidências científicas que justifique essa política”.

Linnarsson comparou a estratégia a deixar aceso um incêndio na cozinha, com a intenção de apagá-lo mais tarde.

“Isso não faz nenhum sentido. E o perigo, é claro, é que queime toda a casa”, disse ele.

O atual epidemiologista chefe da Suécia, Anders Tegnell, argumentou que, mesmo que as políticas comparativamente permissivas do país sejam uma anomalia, elas são mais sustentáveis ​​e eficazes na proteção da saúde pública do que movimentos “drásticos” — como o fechamento de escolas por quatro ou cinco meses.

A Suécia, uma nação de 10 milhões, teve um total de 4.947 casos confirmados de coronavírus e 282 mortes até a tarde de quinta-feira, de acordo com um registro da Universidade Johns Hopkins.

Como em outros lugares, principalmente os Estados Unidos, os testes têm sido suficientemente escassos para colocar alguma dúvida sobre a precisão da contagem.

(A vizinha Noruega teve 4.898 casos confirmados e 46 mortes até quinta-feira, enquanto a Dinamarca teve 3.542 casos e 123 mortes e a Islândia 1.220 casos e 2 mortes. O vizinho nórdico da Suécia ao leste, Finlândia, teve 1.518 casos diagnosticados e 17 mortes.)

“O objetivo é diminuir a quantidade de novas pessoas infectadas, para que os serviços de saúde tenham uma chance razoável de cuidar deles. E é isso que todos fazemos em todos os países da Europa”, disse Tegnell.

“Nós apenas escolhemos métodos diferentes para fazer isso”.

Susanna Moberg, professora aposentada de 63 anos, disse que confia no governo e também acredita que a experiência da Suécia com o vírus não será tão terrível quanto a da Itália, que tem de longe o maior número de mortes relacionadas ao vírus do mundo, com 13.915.

“Eu não estou tão preocupada. Ainda não tenho 70 anos. Eu e meus filhos não estamos doentes, então iremos a um restaurante no domingo ”, disse Moberg.

“Dissemos: Todo mundo está bem, e o restaurante está aberto. Então, vamos lá para comemorar. Não podemos ficar em casa o dia inteiro, a semana toda”.

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Zé Maria

04 de abril de 2020 às 17h42

Suecos estão subestimando o COVID-19 (SARS-COV-2),
como já o fizeram os Italianos e os Norte-Americanos.

“Novo coronavírus [COVID-19] se multiplica
1.000 vezes mais na garganta que o vírus da SARS
Monitoramento dos primeiros pacientes na Alemanha
revela os mecanismos de propagação da doença”
Reportagem: Manuel Ansede, no El País:

https://t.co/Yy8GLsfomK
https://twitter.com/elpais_brasil/status/1246452467778248704

Uma análise exaustiva de nove jovens infectados na
Alemanha começa pelo menos a revelar a forma de
propagação do coronavírus SARS-CoV-2.

O novo agente patogênico se multiplica muito mais
e em muito menos tempo que seu irmão mais velho,
o primeiro vírus da Síndrome Respiratória Aguda Grave
(SARS, na sigla em inglês), outro coronavírus que apareceu
na China em 2002 e matou quase 800 pessoas antes que
uma campanha internacional interrompesse a epidemia.

A carga viral do novo coronavírus é mil vezes superior.

O monitoramento dos nove [primeiros] pacientes,
feito pelo médico [alemão] Clemens Wendtner,
mostra que o vírus não se multiplica só nos pulmões,
como a SARS de 2002, mas também se replica
de maneira incrivelmente ativa na garganta
durante a primeira semana com sintomas.

A equipe de Wendtner, da Clínica Schwabing,
de Munique, analisou amostras da garganta,
dos pulmões, da saliva, das fezes, da urina
e do sangue dos pacientes para entender
o comportamento do novo coronavírus.

Nas pessoas com um quadro leve, que foram
quase todas, os pesquisadores isolaram vírus
ativos na garganta e nos pulmões só até o
oitavo dia após o início dos sintomas.

O pico de carga viral ocorreu antes do quinto dia.

No vírus da SARS de 2002, esse pico, com um milésimo
de intensidade, ocorria entre 7 e 10 dias após o início
dos sintomas. A diferença é crucial, porque a potente
e rápida proliferação dos vírus na garganta de pessoas
com sintomas muito leves as transforma em
bombas-relógio para a propagação da doença.

Os modelos matemáticos, alimentados com os
padrões de movimento de centenas de milhões
de chineses registrados pelas empresas de
telecomunicações, já revelaram que até 86%
dos contágios no início da pandemia foram
provocados por pessoas que tinham sintomas
leves ou totalmente indetectáveis.

A China, a Coreia do Sul e outros países asiáticos
recomendam o uso generalizado de máscaras
para evitar que esses portadores invisíveis
transmitam o vírus. A OMS só aconselha o uso
de máscaras se a pessoa tiver tosse ou espirros.

“Assusta e tem implicações”, afirma a virologista
espanhola Margarita del Val sobre o novo estudo,
do qual não participou.
“Já sabíamos como o vírus é contagioso.
Aqui demonstram o porquê”, explica.
O novo coronavírus e o vírus da SARS de 2002
utilizam uma mesma porta de entrada no
organismo humano, a proteína ACE2,
que se expressa na superfície das células
dos pulmões. É como uma fechadura que
os vírus abrem com uma chave: sua proteína S.

A análise alemã, publicado nesta quarta-feira
na revista científica Nature, sugere que uma
mutação nesta chave permite que o novo
coronavírus abra outra porta, a das células
da garganta.

“Este estudo também traz boas notícias:
não encontraram vírus ativos nem no sangue
nem na urina nem nas fezes”, informa Del Val,
do Centro de Biologia Molecular Severo Ochoa,
em Madri.
Os exames de sangue dos nove pacientes
mostraram que metade deles apresentava
anticorpos contra o vírus após sete dias de
sintomas, e todos os tinham após 14 dias.
Entretanto, conforme observam os cientistas
alemães, “os níveis de anticorpos neutralizantes
não sugerem uma estreita correlação com o
curso clínico da doença”. A aparição dos anticorpos
– gerados pelo corpo humano para se defender do invasor –
não implica a eliminação imediata do vírus.

Os autores do estudo alertam que as futuras vacinas
focadas em instigar a produção de anticorpos terão
que “induzir respostas muito fortes para serem efetivas”.

Margarita del Val acredita que isto será um impulso à
estratégia do virologista espanhol Luis Enjuanes,
cuja equipe no Centro Nacional de Biotecnologia
trabalha para obter uma vacina a partir de uma
versão atenuada do vírus, capaz de desencadear
uma resposta imunológica completa sem causar
a doença.

Alguns tipos de glóbulos brancos do sangue produzem anticorpos para lutar contra os vírus que circulam fora das células humanas. Outros glóbulos brancos, denominados linfócitos-T citotóxicos, destroem as próprias células infectadas, transformadas em autênticas fábricas de novos vírus. Uma vez dentro de uma célula humana, um coronavírus pode produzir até 100.000 cópias de si em apenas em 24 horas.

“Com uma vacina como a do grupo de Luis Enjuanes ficaria aberta a possibilidade de que se induza também a uma imunidade celular que pudesse agir sobre as fábricas de novos vírus, as células infectadas, ao mesmo tempo em que os anticorpos neutralizam as partículas de vírus infeccioso circulante”, explica Del Val. Outro caminho para desenvolver vacinas é utilizar apenas determinadas proteínas do vírus, mas a estimulação do sistema imunológico poderia ser insuficiente, conforme adverte a virologista. Para ela, as novas conclusões também obrigam a “avaliar com cautela” o uso de transfusões diretas de plasma sanguíneo de pacientes recuperados como tratamento experimental dos doentes. “Seria preciso usar os plasmas com a maior concentração de anticorpos possível”, aponta.

Perda de olfato
Quatro dos nove pacientes de Munique comunicaram
uma perda do olfato e do paladar muito mais forte
e duradoura que a típica de um resfriado comum.
Por isso, há algumas semanas órgãos médicos
de vários países recomendam o isolamento preventivo
nesta época de pandemia das pessoas que perderem
o olfato de maneira repentina e sem causa aparente.

Segundo o novo estudo, este sintoma poderia estar
relacionado com a intensa multiplicação do vírus
nas células do trato respiratório superior, do nariz
à garganta.

A análise dos nove pacientes alemães sugere que
o vírus ataca o corpo humano em “duas ondas”,
nas palavras de Margarita del Val.
A primeira, concentrada na garganta e com
sintomas leves ou indetectáveis, facilitaria
a disseminação explosiva do vírus.

Na segunda fase, só presente numa minoria dos doentes,
a multiplicação do vírus se concentraria nos pulmões,
de maneira similar à SARS de 2002, com pneumonias
que podem chegar a ser letais.

Dois dos nove pacientes alemães chegaram a apresentar
indícios preliminares de pneumonia. Em sua saliva,
o vírus se manteve em níveis altos até nos dias 10º e 11º.
Segundo os autores, estes resultados sugerem que,
nos casos leves, os médicos poderiam dar alta hospitalar
aos pacientes a partir do décimo dia se a presença do
RNA viral na saliva for baixa.

Para evitar o “pequeno risco residual de contágio”,
os pesquisadores recomendam o isolamento domiciliar
destas pessoas até a cura total.

https://brasil.elpais.com/ciencia/2020-04-03/novo-coronavirus-se-multiplica-1000-vezes-mais-na-garganta-que-o-virus-da-sars.html

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