VIOMUNDO

Diário da Resistência


Política

Rafael Correa: “Aqui já não mandam as oligarquias”


17/02/2013 - 23h42

Rafael Correa passa por cima de adversários e vence com quase 60% dos votos

Com metade das urnas apuradas, Conselho Nacional Eleitoral confirma vitória esmagadora do presidente equatoriano. ‘A revolução cidadã está consolidada’, avaliou

Por Tadeu Breda, enviado especial ao Equador, na Rede Brasil Atual

Publicado em 17/02/2013, 23:20, Última atualização às 23:20

Quito – “Uma linda vitória popular.” Assim o presidente do Equador, Rafael Correa, definiu o grande triunfo eleitoral que obteve hoje (17) depois que os equatorianos se dirigiram às urnas para escolher seu governante para os próximos quatro anos. Não houve surpresas. Com metade das urnas apuradas, o candidato do partido Alianza País conseguiu 56,8% dos votos válidos – número semelhante ao que previam as pesquisas de opinião. O resultado parcial foi divulgado pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) por volta das 21 horas de domingo. E, de acordo com as leis equatorianas, descartam a realização de segundo turno.

“Minhas primeiras palavras são de agradecimento aos equatorianos por terem aprovado nossa mensagem”, reconheceu o presidente, afirmando que os resultados foram contundentes. “A revolução cidadã venceu logo no primeiro turno e provavelmente também conseguiremos uma grande maioria na Assembleia.” Rafael Correa acredita que sua vitória esmagadora consolida de uma vez por todas seu projeto para o Equador. “Fez muita diferença nestas eleições a consolidação de nosso partido, Alianza País”, analisou. “Agora temos um movimento organizado, com grande capacidade de mobilização. Nossos militantes, dirigentes locais e os Comitês da Revolução Cidadã são as trincheiras que construíram nosso triunfo.”

O apoio que Rafael Correa recebeu da população na jornada eleitoral de domingo foi ainda maior do que a votação que conseguira nas eleições de 2009, quando foi reeleito pela primeira vez já segundo as normas estabelecidas pela nova Constituição. Na ocasião, o presidente contou com 51% dos votos válidos – o que também lhe deu a vitória no primeiro turno. Desta vez, a confiança de Rafael Correa numa vitória esmagadora era tanta que, já na sexta-feira (15), ele abdicou da licença que havia pedido à Assembleia Nacional para dedicar-se exclusivamente à campanha e retomou suas funções.

Hoje, assim que as urnas foram fechadas, às 17 horas, e os canais de televisão começaram a transmitir as pesquisas de boca de urna, Rafael Correa estava pronto para receber os cumprimentos de seus familiares, ministros e apoiadores políticos. O Palácio de Carondelet já havia sido previamente preparado com telões para receber jornalistas e convidados. As primeiras comemorações ocorreram na Sala de Banquetes da sede presidencial equatoriana. Depois de receber beijos e abraços, Rafael

Correa se dirigiu à sacada para acenar e dizer algumas palavras às centenas de eleitores que lotavam a Plaza Grande, no centro de Quito, festejando a continuidade da revolução cidadã. Só então o presidente foi ao Salão Amarelo, onde respondeu a algumas perguntas da imprensa nacional e internacional que se espremia para ouvi-lo.

Rafael Correa aproveitou a ocasião para dedicar o início de seu novo e último mandato aos policiais e militares assassinados durante a tentativa de golpe de Estado que sofreu em 30 de setembro de 2010. “Morreram defendendo o presidente e a democracia”, anotou. “Por todos eles, suas famílias e suas memórias, continuaremos com essa revolução. Saibam que jamais falharemos com vocês.” Depois de conversar com os jornalistas, o presidente reeleito concedeu uma entrevista exclusiva às televisões públicas do país e logo após se dirigiu ao comitê de seu partido, Alianza País, na zona norte de Quito, para seguir com as comemorações juntos aos militantes.

“Aos que resolveram não nos apoiar neste domingo, digo que as estradas, os hospitais, as escolas são para todos e para todas”, comentou o presidente em tom de ironia. “Podemos ter cometido muitos erros, seguramente, mas conseguimos o principal: aqui já não mandam as oligarquias, os banqueiros, os meios de comunicação, o Fundo Monetário Internacional (FMI) ou os países hegemônicos. Com esta revolução, quem manda no Equador é o povo.”

PS do Viomundo: A questão agora é saber o tamanho da maioria da Alianza País no Congresso.

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18 comentários

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renato

18 de fevereiro de 2013 às 19h03

Parabens, Presidente Correa, e tome cuidado para
não ser assassinado.
Que Deus te Guarde!

Responder

Jotace

18 de fevereiro de 2013 às 18h13

Parabéns para o povo equatoriano que tem escolhido para seu líder a Rafael Correa, um Presidente digno, corajoso, patriótico. Enquanto isso, pelo menos até o momento, aqui no Brasil estamos nos defrontando com a perspectiva de haver como sempre apenas candidatos obedientes à Casa Grande, envolvidos com banqueiros e congressistas corruptos, transando com multinacionais, grandes meios de comunicação, FMI, e se comportando como humildes vassalos frente a outras grandes nações. Jotace

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Fabio Passos

18 de fevereiro de 2013 às 18h13

Mais uma grande vitória das forças progressistas contra o atraso.

Chupa, PiG!

O povo está colocando as oligarquias decrépitas pra correr em todo o continente.

Responder

Julio Silveira

18 de fevereiro de 2013 às 12h30

Mais um pro PIG e a direitona brasileira chamarem de Ditador.
Toda vez que o povo reelege sucessivamente representantes populares começam logo com o chaveco de que democracia sadia tem que ter alternância. Quando estão no poder querem vitalicidade, e quando o povo elege contrariando seus interesses, e lógica, começam logo a tramar golpes em nome da “democracia”.

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    Fabio Passos

    18 de fevereiro de 2013 às 18h16

    E os golpistas ainda pensam que ninguém percebe. rsrs

    Na rede, o PiG é motivo de chacota.

Elias

18 de fevereiro de 2013 às 12h25

Fora de pauta: Alguém tem alguma dúvida que Yoani Sanchez, recém chegada ao Brasil, será entrevistada num Roda Viva próximo? Imaginem o que a direita midiática irá explorar a cubana dissidente.

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    Willian

    18 de fevereiro de 2013 às 15h39

    Por que a blogosfera não tenta uma entrevista?

augusto2

18 de fevereiro de 2013 às 12h23

O imperio ficou louco, com a entrevista de Correa a julien assange ja faz muitos meses, alias. La pelas tantas, o equatoriano dentro do contexto da pergunta disse que os latino americanos agora chegaram com facilidade a um ‘Consenso sin Washington”. O australiano riu com gosto e isso é imperdoavel.

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Horridus Bendegó

18 de fevereiro de 2013 às 11h04

HUAHUAHAUHAUHAUAHAU, CHUPA PIG DA CASA GRANDE!

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Luis Menegew

18 de fevereiro de 2013 às 10h47

O Equador de Correa se tornou a mais consistente cabeça de ponte chinesa na América Latina. A quantidade de dólares chineses que entrou no país e que ajudaram a eleger o presidente desde a sua moratória de 2008 foi abissal. Como contrapartida, os chineses têm tudo, claro. Já desbancaram de muito as empresas brasileiras de serviços que vêm atuando por lá. Tanto amor chinês assim só existe porque os EUA ainda têm poder bélico, e podem confrontar. Se, ou quando, esse poder americano acabar veremos a Pax Chinesa reinar. Sai de baixo! Ou você está achando que não?

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    Luis Menegew

    18 de fevereiro de 2013 às 11h48

    Ia esquecendo. O Equador já se prepara para ser um grande exportador de cães para a China.

Paulo Roberto Álvares de Souza

18 de fevereiro de 2013 às 10h15

Seguramente estamos vivendo novos tempos. O povo vai resgatando o poder que é só seu e elegendo seus dirigentes com ampla maioria, consolidando a cada dia a democracia. Viva a América Latina!

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Teco

18 de fevereiro de 2013 às 09h29

Aos poucos a nossa América do Sul vai limpando às sujeiras deixadas pela
América do Norte. Pelas urnas.Não por golpes como o do Paraguai. Vivenciar
esta mudança é muito bom. Viva o Brasil, abaixo o brazil tuco/demo.

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Roberto Locatelli

18 de fevereiro de 2013 às 09h12

Rafael Correa: “aqui já não mandam as oligarquias”.

Cristina Kirchner: “Meu vice não teme as corporações”.

Está na hora de Dilma ir mais à esquerda.

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    Mardones

    18 de fevereiro de 2013 às 10h01

    Está na hora do PT fazer isso. Dilma é apenas representante de uma corrente dentro do PT. E esta corrente é de centro e não de esquerda, como já mostrou desde o início de seu governo. Aliás, a título de exemplo, Rui Falcão defende abertamente o controle social da mídia – por meio de regulamentação da CF – já a Dilma é adepta do controle remoto de carteirinha.

    MariaC

    18 de fevereiro de 2013 às 15h23

    Ao menos aos bancos Dilma tira com uma e dá com a outra mão.Leia-se investimentos a rendimentos de milhares %

Mateus Silva Ferreira

18 de fevereiro de 2013 às 07h58

Esperemos que isso também aconteça novamente daqui a dois anos, mas no discurso de vitória, Dilma diga que a democracia chegará aos meios de comunicação!

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