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Previdência paulista: Em sessão tumultuada, governo Doria transfere votação para após o Carnaval
Foto: Lúcia Rodrigues? Viomundo
Política

Previdência paulista: Em sessão tumultuada, governo Doria transfere votação para após o Carnaval


20/02/2020 - 16h14

Por Lúcia Rodrigues, especial para o Viomundo

O plano do governo João Doria (PSDB) era que a Assembleia Legislativa (Alesp) votasse nessa quarta-feira (19/02),  o segundo turno da reforma da previdência paulista.

Porém, depois de quase cinco horas de sessão tumultuada por ataques e provocações por parte de parlamentares da base governista, a discussão foi transferida para o próximo dia 3 de março.

Um dos momentos mais agressivos foi o gesto do deputado bolsonarista Frederico D’Avila (PSL).

Ele foi para a frente da galeria onde estavam os servidores estaduais e, com as duas mãos, simulou fuzilá-los.

Frederico D’Avila é o mesmo que, no final do ano passado, tentou homenagear o ditador chileno Augusto Pinochet na Assembleia Legislativa.

Da tribuna da Casa, o líder do PT, Teonílio Barba, antecipou que o partido irá ao Conselho de Ética contra ele.

“É herdeiro da chibata, do processo escravocrata. Por isso, ameaçou atirar em vocês [servidores públicos]. Vamos fazer uma representação contra ele [na Comissão de Ética]”, enfatizou Barba.

Já o deputado Arthur  Mamãe Falei (Patriota) foi um dos que mais criaram confusão.

Entrou em atrito até com deputados conservadores, como o veterano Campos Machado (PTB), que rebateu os ataques acusando-o de ser cabeça de vento.

As agressões do bolsonarista Douglas Garcia (PSL)  foram abafadas pelas vaias dos servidores públicos nas galerias.

Parasita, picareta e vendido foram os adjetivos mais utilizados contra Garcia, que há dois anos tentou organizar um desfile carnavalesco homenageando o coronel torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra.

A colega de partido, Janaina Paschoal (PSL),também foi vaiada aos gritos de golpista. Ela reagiu, mas sua fala não foi escutada nas galerias, que continuou o coro.

Outro que tumultuou a sessão por diversas vezes foi o presidente da Casa,  Cauê Macris (PSDB).

Chamou a galeria de estádio de futebol. Mandou expulsar manifestante da área.

Suas atitudes irritaram os servidores públicos, que fizeram ecoar gritos de “ditador, ditador, ditador”.

Deputadas do PT, PSOL e PCdoB acusaram-no de machista.

Ironicamente, a defesa do tucano partiu de outra mulher, a líder do PSDB, Carla Morando, esposa do prefeito de São Bernardo do Campo acusado de envolvimento em corrupção.

Morando atacou as colegas para defender  Cauê.

A presidente da Comissão de Direitos Humanos, deputada Beth Sahão (PT), antecipou da tribuna que pretende entrar na justiça contra a tucana.

“Eu não aceito as palavras que foram proferidas pela líder do PSDB. Nós vamos representar na justiça e a senhora [Carla] vai ter de provar que as deputadas Bebel, Márcia Lia, Leci (Brandão), Mônica (Seixas), Isa (Penna) e esta deputada, que vos fala, não prestam”, reagiu ao microfone, arrancando aplausos da galeria.

“Cauê Macris é um presidente autoritário, a serviço do governo Doria, só está aqui porque o pai [Vanderlei Macris, ex-presidente da Alesp], articulou para ele. O que ocorreu aqui é um verdadeiro show de horrores. O rebaixamento [do debate] é promovido pelo presidente da Assembleia”, criticou o deputado Carlos Giannazi (PSOL).

“Uma matéria como esta [da reforma da previdência] não pode ser discutida a toque de caixa”, ressaltou a professora Bebel.

O petista Paulo Fiorilo também criticou a pressão exercida pelo governo sobre os deputados, para conseguir aprovar o texto da reforma em primeira votação.

“É o Partido das Emendas”, frisou o deputado Campos Machado, dando a entender que os parlamentares que votaram contra a aposentadoria dos servidores receberam recursos do governo Doria para emendas.

Ele afirmou ainda que todos os prefeitos que não são da oposição foram assediados para pressionar os deputados a votarem contra o funcionalismo público.

Edna Macedo (Republicanos) foi uma das poucas parlamentares da base governista a contrariar as orientações do Palácio dos Bandeirantes.

“Não sou conivente com esse pacote de maldades que o governo quer fazer. Empresas devem milhões e milhões. É justo os servidores pagarem o pato? Negativo. Eu voto e votarei contra.”

“Parece que ele [Doria] quer ser presidente [da República], mas não vai ser presidente nem do quarteirão onde mora”, alfinetou Edna, arrancando aplausos dos presentes,que puxaram o grito de fora Doria nas galerias.

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1 comentário

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Valdir carrasco

22 de fevereiro de 2020 às 14h57

Resumindo: governantes cafajestes fazem isto: perdoam: dívidas de empresários para com a Previdência e fazem trabalhadores pagarem o pato assaltando seus ganhos trabalhistas. Temos que começar a matar filhos da puta que votam a favor disso. Democraticamente não tem jeito não, pois cafajestice é doença incurável.

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