Planalto parte para o confronto após tarifa dos EUA e anuncia retaliação

Tempo de leitura: 3 min
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Governo acusa Washington de agir por motivação política, responsabiliza família Bolsonaro pela escalada e diz que recorrerá à OMC

Por Ana Gabriela Sales, no GGN

A confirmação de que os Estados Unidos vão impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros gerou uma reação imediata e contundente do Palácio do Planalto.

Em nota oficial, o governo Lula (PT) classificou a decisão unilateral de Washington como um “marco lastimável” na história das relações bilaterais e anunciou que acionará a Lei de Reciprocidade e a Organização Mundial do Comércio (OMC).

A barreira alfandegária, decorrente de uma investigação comercial baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, entrará em vigor no dia 22 de julho.

O Palácio do Planalto rechaçou os argumentos técnicos apresentados pela Casa Branca, apontando que a medida tem caráter político e ideológico.

Nos bastidores, interlocutores da Presidência avaliam que o governo de Donald Trump agiu de má-fé e utilizou justificativas frágeis para atender a interesses eleitorais da oposição brasileira.

Retaliação legal e comercial

A principal linha de defesa de Brasília será a aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica.

Sancionada em 2025, a legislação permite ao Executivo adotar contra medidas tarifárias e suspender concessões comerciais, de investimentos e de propriedade intelectual contra países que impuserem barreiras unilaterais ao comércio nacional.

“O governo do Brasil seguirá adotando medidas para reduzir os danos causados à economia e à renda dos brasileiros“, informou a Secretaria de Comunicação Social (Secom) em nota.

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“O Brasil iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC“, diz outro trecho da nota.

A diplomacia brasileira argumenta que não há justificativa econômica para a sanção. O Itamaraty destaca que, nos últimos 15 anos, os EUA acumularam um superávit comercial de US$ 424,5 bilhões com o Brasil.

Além disso, em 2025, 76% das importações vindas dos EUA entraram no mercado brasileiro livres de impostos.

Defesa do Pix e soberania jurídica

O governo brasileiro também saiu em defesa das políticas públicas e das decisões do Judiciário que foram atacadas pelo relatório norte-americano.

A Casa Branca argumenta que o Pix prejudica as bandeiras americanas de cartão de crédito e que as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) contra desinformação em plataformas digitais configuram censura comercial.

“O PIX é um patrimônio do nosso povo e referência internacional de infraestrutura pública digital. No Brasil, não vamos abdicar de proteger nossas famílias e nossas crianças contra a ganância de um punhado de tecno-oligarcas“, rebateu o Planalto.

A nota acrescenta que “são descabidas as alegações contra o PIX e a regulação de plataformas digitais, bem como são absurdas as acusações sobre desmatamento“.

Politização e racha interno

A imposição das tarifas aprofundou a polarização política no Brasil. O governo federal acusou abertamente a oposição e, nominalmente, a família de Jair Bolsonaro (PL) de colaborar de forma ativa para a construção do tarifaço com o objetivo de desgastar a gestão atual.

“É triste constatar que o lamentável desfecho das investigações baseadas na Seção 301 faz parte do enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro. São falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros“, diz o texto divulgado pela Secom.

Em contrapartida, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, usou as redes sociais para culpar a gestão petista pela falta de acordo.

“O presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé. […] No último ano, Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso“, publicou Rubio.

Enquanto o Planalto prepara a ofensiva jurídica e comercial, técnicos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) analisam a lista de exceções publicada pelos EUA.

O mercado prevê prejuízos bilionários à indústria nacional de manufaturados, como calçados, máquinas agrícolas e equipamentos elétricos, que não foram poupados do imposto de 25%.

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Comentários

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Ernesto Leme Guevara.

No bom português: SE o Flavio Bolsonaro ganhar ele acaba com o PIX para favorecer os EUA. O que é de graça hj, pix, será taxado, cobrado do povo, acabado e extinto.
O governo tem que deixar bem claro isso na propaganda que o TariFlávio quer acabar com o Pix para favorecer empresas americanas Visa, Mastercard e outras prejudicando milhoes de brasileiros que usam um serviço gratuito de transferência de dinheiro.
O pai dele acabou com vários bons programas de governos anteriores que geravam muito emprego para as pessoas. Nenhuma novidade. Eles so sabem destruir.
Eles insistem no mesmo erro que deu errado lá atras.
Insistem em golpes.
O bozo tá preso por causa disso e logo logo ele vai ter um dos filhos dele na cadeia junto com ele.
Se golpes fossem dar certo já teriam dado e o bozo e vários generais nao estariam presos.
Foi uma tremenda estupidez ter investido num golpe. Não deu certo e ainda por cima terminou preso e inelegível.
A insistência insana nisso (golpear a democracia, agora com uma potência estrangeira) já mostra de que cabeça torta sai essa idéia juvenil. Infantil mesmo.
Talvez o povo se canse disso e já resolva a parada no 1° turno. Talvez nem vá para o segundo turno.
Se aparecer mais 1 podre do Flavio ele estará liquidado.
Milliciano é o que ?
É uma bisonhice insistir em golpes. E bota bisonhice nisso.

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