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Os refúgios fiscais como ameaça à democracia


30/06/2011 - 11h41

por Luiz Carlos Azenha

Deveria ser refúgio ou santuário fiscal, não “paraíso”, definição que surgiu da confusão entre haven e heaven.

Seja como for, os esconderijos de dinheiro sujo não são a exceção, mas a regra do capitalismo em que vivemos.

Diz o excelente Treasure Islands, Tax Havens and the Men that Stole de World, de Nicholas Shaxson.

Do autor eu já tinha lido Poisoned Wells: The Dirty Politics of African Oil, livro obrigatório para quem quer entender a África.

Quais são os maiores refúgios fiscais do mundo?

Caimã? Liechtenstein? Jersey?

Não. Pela ordem, Estados Unidos, Reino Unido e Suiça.

Um único escritório em Wilmington, capital do estado de Delaware, é sede de 217 mil empresas.

O Reino Unido exerce controle indireto sobre uma teia de refúgios fiscais que garantem às grandes corporações sonegação de impostos em todo o mundo.

E os países pobres pagam o preço mais caro, com o encolhimento da base fiscal: “Hoje o 1% no topo dos países em desevolvimento controla de 70 a 90% de toda a riqueza financeira e imobiliária. O Boston Consulting Group avaliou em 2003 que mais da metade de toda a riqueza controlada pelos mais ricos está offshore. ‘O problema não é que esses países não tem bens’, uma autoridade do Banco Central dos Estados Unidos afirmou. ‘O problema é que está tudo em Miami'”.

Outro trecho: “As duas maiores fontes de investimento na China em 2007 não foram o Japão, os Estados Unidos ou a Coreia do Sul, mas Hong Kong e as ilhas Virgens Britânicas. Da mesma forma, a maior fonte de investimento estrangeiro na Índia, acima dos 43%, não foram os Estados Unidos, Reino Unido ou China, mas o refúgio das ilhas Maurício, uma estrela em ascensão do sistema offshore”.

Shaxson argumenta convincentemente que os refúgios fiscais, como espaço político capturado por banqueiros, advogados e contadores, servem de ferramenta para que o mundo das finanças solape instituições democráticas e submeta o interesse público ao dos banqueiros. Como, aliás, temos visto didaticamente nos últimos dias, na Grécia.





28 comentários

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FrancoAtirador

01 de julho de 2013 às 18h09

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Os paraísos fiscais beneficiam as elites ricas do mundo

Nesta entrevista Nicholas Shaxson, autor de um livro indispensável para entender as finanças offshore,
afirma que os paraísos fiscais
“isentam os ricos e as grandes empresas das restrições, dos riscos e das obrigações que a democracia exige de cada um de nós”
e salienta que “a Grã-Bretanha está no centro de uma rede de paraísos fiscais que abastece a City de Londres [a Wall Street Britânica] de capital e lhe fornece um gigantesco volume de negócios”.

Um escândalo mundial – o Offshore Leaks – está a revelar, desde o início de abril, a promiscuidade entre os mundos da política institucional, das finanças e da economia offshore, a grande rede dos chamados “paraísos fiscais”.

Nesta entrevista realizada por Christophe Ventura, publicada originalmente em julho de 2012, no site francês “Memoire des luttes”, o jornalista de investigação e escritor Nicholas Shaxson ajuda a entender o que está em jogo.

Autor de um livro produzido a partir de uma investigação profunda no mundo paralelo das finanças ocultas – Treasure Islands: Uncovering the Damage of Offshore Banking and Tax Havens –, Nicholas Shaxson lança uma nova luz sobre o papel da City de Londres e da rede formada pelas ex-colónias do Império Britânico na ‘galáxia offshore’.

Christophe Ventura: No seu livro, você indica quantias exorbitantes (ativos bancários, investimentos diretos de multinacionais no exterior, evasão fiscal etc) que transitam pelo sistema internacional dos paraísos fiscais. Segundo você, “mais de metade do comércio internacional (…) passa por ele”. Mas, na verdade, o que é um paraíso fiscal?

Nicholas Shaxson: Podemos explicar facilmente o que é um paraíso fiscal com duas palavras: “fuga” e “outro lugar”. Os paraísos fiscais possibilitam sonegar impostos, certamente, mas também fugir às leis penais, à regulação financeira, às obrigações de transparência, etc. Numa palavra, às responsabilidades civis e sociais. Eles isentam os ricos e as grandes empresas das restrições, dos riscos e das obrigações que a democracia exige de cada um de nós. A tributação é apenas um aspeto da questão.
A expressão “outro lugar” é igualmente crucial. Quem pretende fugir às suas responsabilidades, precisa colocar o seu dinheiro (o próprio ou da sua empresa) em outro lugar. Daí a palavra “offshore”, literalmente, em Inglês “fora do país”. Assim, por exemplo, a legislação das Bahamas é concebida para atrair dinheiro não dos habitantes do arquipélago, mas de estrangeiros.

CV: Qual é a função dos paraísos fiscais na arquitetura das finanças internacionais?

NS: Os paraísos fiscais servem vários objetivos.
Os seus apologistas dizem que eles permitem corrigir as “deficiências” do sistema financeiro internacional: graças a eles, o capital move-se mais rápido pela economia e enfrenta menos obstáculos.
Uma imagem muitas vezes usada é a de grãos de areia numa máquina: os paraísos fiscais forneceriam o óleo que lubrifica o motor.
Mas se você olhar mais de perto, tem uma perspetiva completamente diferente. Quais são esses “obstáculos” que supostamente desaceleram as finanças globais e as tornam menos “eficientes”?
São os impostos, a regulação financeira e as obrigações de transparência – todas elas, coisas que têm uma boa razão de existir!
Não se vê muito bem, por exemplo, como o sigilo bancário pode ser “eficiente”: ele é talvez bem conveniente para pessoas privadas, mas prejudica o sistema como um todo.

CV: Você descreve um dos mecanismos a que recorrem as multinacionais: a “manipulação dos preços de transferência”. Do que se trata?

NS: Os preços de transferência são um recurso usado pelas multinacionais para reduzir o valor dos seus impostos. Basicamente, permite transferir as receitas de uma empresa para um paraíso fiscal – onde elas não são tributadas – e os custos para um país de forte tributação – onde eles permitem redução de impostos. Como procede uma multinacional? Manipulando os preços dos bens e serviços que as suas subsidiárias comerciam. Tomemos, por hipótese, o caso de uma máquina fabricada na França e vendida ao Equador, por meio das Bermudas. O preço de venta no Equador é de 2 mil dólares; os custos de produção, mil dólares. A filial das Bermudas paga à filial francesa 1.001 dólares pela máquina, que é faturada em seguida à filial equatoriana por 1.998 dólares. A companhia francesa obtém, portanto, um dólar de lucro (1001-1000 = 1); a subsidiária equatoriana, 2 dólares (2000 – 1998 = 2), o que gera muito pouca receita tanto para o Estado francês como para o Estado equatoriano. Já a filial das Bermudas realiza ela um lucro de 997 dólares (1998 – 1001 = 997), que não é tributado. E pronto! Aí está como desaparece uma nota fiscal! A realidade é, naturalmente, mais complexa, mas o procedimento básico é esse.

CV: O que é o Círculo Mágico Offshore?

NS: Esse é o nome dado a um pequeno grupo de escritórios de advocacia que dominam o setor financeiro “offshore”. Eles têm escritórios em múltiplos paraísos fiscais ao redor do mundo e são mestres na arte de elaborar montagens financeiras transnacionais, muito frequentes hoje em dia.

CV: Você analisa a geografia política dos paraísos fiscais à escala internacional e apresenta ao leitor os vários grupos de “jurisdições de sigilo”. Na sua opinião, há uma “teia de aranha” formada por três círculos, dos quais o mais importante e agressivo gravita em torno da City de Londres. Você desenvolve a ideia de que o sistema de paraísos fiscais teria uma filiação à história colonial britânica, mas também francesa. Do que se trata? Como funciona esse novo império financeiro? Qual é o papel atual da City de Londres no mundo “offshore”?

NS: A Grã-Bretanha está no centro de uma rede de paraísos fiscais que abastece a City de Londres de capital e lhe fornece um gigantesco volume de negócios. O primeiro círculo da teia é constituído pelo que é chamado de dependências da Coroa – Jersey, Guernsey e Ilha de Man –, cuja atividade principal são transações com os países da Europa, África, ex-URSS e Médio Oriente. O segundo círculo inclui territórios britânicos no exterior, incluindo as Ilhas Cayman e Bermudas, voltados principalmente para as Américas do Norte e do Sul. Estas entidades (dependências da Coroa e territórios ultramarinos do Reino Unido) são parcialmente britânicos, parcialmente autónomos. A Grã-Bretanha se coloca na sua defesa, assegura a sua “boa governança” e os seus governantes são nomeados pela rainha; em troca, a sua política interna é independente. Além desses dois círculos, outros paraísos fiscais mantêm relações estreitas com a City de Londres, mas cortaram todos os laços institucionais com a antiga potência colonial. É o caso de Hong Kong, por exemplo. Essa rede de paraísos fiscais envolve o planeta: cada link “captura” o capital que transita pela sua esfera geográfica e envia-o para a City.

CV: E os Estados Unidos?

NS: Particularmente desde os anos 1970, os EUA têm adotado, de forma deliberada, uma legislação que assegura aos fundos estrangeiros o sigilo bancário e vários benefícios fiscais; isso atrai ao país biliões de dólares de capitais flutuantes, provenientes do exterior. Certas infraestruturas “offshore” existem num ou noutro Estado norte-americano, mas as mais importantes estão diretamente disponíveis a nível federal. Os Estados Unidos também dispõem de uma pequena rede de satélites, tais como o Panamá ou as Ilhas Virgens norte-americanas, mas essa rede nem se compara à britânica.

CV: Ao mergulhar o leitor na história da evasão fiscal e financeira, você indica que o “verdadeiro Big Bang” teve lugar no final dos anos 1950, com a emergência dos eurodólares – dólares detidos fora dos Estados Unidos – e do euromercado. Pode explicar-nos melhor?

NS: É uma longa história, muito emocionante. Resumindo, a City de Londres ofereceu aos bancos um novo ambiente, não regulamentado, que lhes permitiu, desde os anos 1950, contornar a regulamentação financeira estrita praticada nas fronteiras nacionais. Em última análise, graças a esta área “offshore”, Wall Street pôde crescer extraordinariamente e recuperar todo o seu poder político: ela tem o controle sobre o aparelho de Estado dos Estados Unidos e convenceu o Legislativo de que a única forma de avançar é a que foi escolhida por Londres.

CV: Você propõe enfrentar o “sistema offshore” e apresenta, para isso, diversas propostas específicas. Elas dizem respeito aos países ocidentais (incluindo o Reino Unido), assim como aos do Sul, ao tema das reformas tributárias e ao da luta contra a corrupção. Como seria, a seu ver, um sistema financeiro regulado pelas sociedades?

NS: O sistema de Bretton Woods, praticado nos vinte e cinco anos que se seguiram à Segunda Guerra Mundial, é o melhor exemplo de finanças bem regulamentadas. Sob a sua égide, diversos países tinham introduzido controles de capital e controles de câmbio. Os intercâmbios financeiros e a especulação internacional eram severamente enquadrados. As taxas de imposto sobre o rendimento eram muito altas. Alguns hoje consideram esse período como a idade de ouro do capitalismo: o comércio era relativamente livre, mas não as finanças. Houve um forte crescimento económico, poucas crises financeiras, e redução das desigualdades. É interessante notar que, recentemente, o FMI reconheceu que o controle do capital não era talvez uma ideia tão má…

CV: O que um Estado nacional pode fazer para lutar eficazmente contra os efeitos nocivos das finanças “offshore”?

NS: Não há receita mágica. A primeira coisa a ser feita é compreender bem o papel dos centros “offshore” na economia mundial. É necessário criar uma consciência nova. Em seguida, tomar uma série de medidas específicas – descrevo algumas no meu livro. Deve-se, por exemplo, estabelecer um sistema em que as multinacionais são tributadas em função da sua atividade económica real, em vez da sua forma jurídica artificial e complicada. Em tal sistema, a sua atividade nos paraísos fiscais não seria levada em conta. Se as multinacionais se retirarem dos paraísos fiscais, eles vão perder uma grande parte da proteção política de que desfrutam há anos.

CV: A construção europeia, que tem como dois princípios fundamentais “a livre circulação dos capitais” e “a livre concorrência” não favorece também a “concorrência fiscal” e, portanto, a criação de novos paraísos fiscais dentro das suas próprias fronteiras (Luxemburgo, Holanda, Irlanda etc. ), ao lado dos “tradicionais” como a Suíça?

NS: Certamente. Todo o mundo sabe que a Suíça é um paraíso fiscal, mas há outros na Europa: Luxemburgo, em particular, claro, o Reino Unido. A Áustria, a Holanda e a Irlanda também desempenham um papel importante. Sempre que a União Europeia tenta resolver o problema, ela enfrenta obstáculos políticos – e isso, desde que existe.

CV: Os países emergentes como a China, a Índia e outros não vão também procurar aproveitar as facilidades das finanças “offshore”?

NS: Os paraísos fiscais beneficiam as elites ricas de vários países do mundo. Eles causam, sem dúvida, muito mais danos nos países em desenvolvimento do que nos países ricos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). E, sim, é verdade: as elites chinesas apoiam fortemente Hong Kong (e o seu colaborador próximo, as Ilhas Virgens Britânicas), apesar das consequências desastrosas para o resto da população do país.

CV: Nas conclusões do livro, você se dirige também aos média. Qual é a sua mensagem para os jornalistas e especialistas?

NS: Um consenso conseguiu impor-se. E afirma que o sistema é “eficiente” e os paraísos fiscais são uma boa coisa. Comece por questionar esse pressuposto. O assunto é tão complexo que muitas vezes, para explicar como as coisas funcionam, os jornalistas recorrem a “especialistas” – na maioria das vezes, os profissionais do “Big Four”, as quatro grandes empresas de auditoria. O problema é que essas empresas de auditoria têm como fonte das suas receitas ajudar os seus clientes a sonegar impostos e outras obrigações fiscais. O seu ponto de vista é, portanto, enviesado a favor do sistema. Sempre que jornalistas recorrem a eles, a sua visão de mundo perniciosa dissemina-se e coloniza cada vez mais as consciências.

CV: Você considera que é possível atribuir, aos centros “offshore”, alguma responsabilidade nas dificuldades da zona do euro, do sistema bancário europeu e da Grécia?

NS: Aqueles que, nos paraísos fiscais, fazem as leis, são sempre separados daqueles que sofrem as suas consequências. Nunca há qualquer consulta democrática real quando essas leis são adotadas. O problema é que este não é apenas um ato deliberado. As coisas vão mais longe. Trata-se da própria essência dos paraísos fiscais. As suas leis são feitas por pessoas iniciadas por iniciados: pessoas que não prestam contas a ninguém, ao contrário do que a democracia exige.
Os paraísos fiscais são máquinas legais de uso privado, quase cabines secretas.
As conclusões a serem tiradas da recente crise financeira, como da próxima, deveriam ser bastante óbvias.

Tradução de Inês Castilho para Outras Palavras

(http://www.esquerda.net/artigo/os-para%C3%ADsos-fiscais-beneficiam-elites-ricas-do-mundo/27466)

Mais detalhes em:

“Offshore leaks” desvenda fraude fiscal global
(http://www.esquerda.net/artigo/offshore-leaks-desvenda-fraude-fiscal-global/27375)

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Heloisa Villela: Empresas que sonegam ajudam a solapar a democracia - Viomundo - O que você não vê na mídia

01 de julho de 2013 às 15h09

[…] Refúgios fiscais como as ilhas Virgens britânicas são os maiores investidores na China! […]

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E já que vocês querem ler sobre lavagem de dinheiro… | Viva Marabá Pará Brasil

11 de dezembro de 2011 às 17h45

[…] Assunto chato? Bem, é melhor você repensar, considerando que Shaxson acha que os refúgios fiscais são uma ameaça à democracia! […]

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Lavagem de dinheiro, uma especialidade das corporações midiáticas « Ficha Corrida

11 de dezembro de 2011 às 11h05

[…] Assunto chato? Bem, é melhor você repensar, considerando que Shaxson acha que os refúgios fiscais são uma ameaça à democracia! […]

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E já que vocês querem ler sobre lavagem de dinheiro… | Viomundo - O que você não vê na mídia

10 de dezembro de 2011 às 23h05

[…] Assunto chato? Bem, é melhor você repensar, considerando que Shaxson acha que os refúgios fiscais são uma ameaça à democracia! […]

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ZePovinho

01 de julho de 2011 às 16h11

A GRÉCIA NÃO É AQUI, MAS A LÓGICA FINANCEIRA ESTÁ PRESENTE. E CORRÓI.

Nos últimos 12 meses, o juro da dívida pública custou R$ 213,9 bi ao Brasil. Para honrar seus credores, o Estado fez um arrocho de gastos e conseguiu reservar R$ 119,6 bi do total da receita de impostos, compondo assim o superávit primário, todavia insuficiente para suprir a pantagruélica bocarra rentista . O rombo não pago, R$ 94,3 bi, ou 2,5% do PIB, foi acrescido ao saldo da dívida que desse modo não cessa de aumentar, mesmo quando o governo gasta menos do que arrecada. Sempre é bom cotejar valores etéreos das finanças com unidades de medida mais terrenas. Uma delas é o custo do Bolsa Família, o maior programa social de transferência de renda do mundo. Um ano de Bolsa Família custa R$ 17 bi aos cofres públicos. Beneficia 53 milhões de brasileiros. Vamos sentar para não cair de susto: o juro da dívida pública pago nesses 12 meses permitiria multiplicar por doze vezes e meia o benefício médio do Bolsa Família, o que propiciaria a cada lar inscrito no programa uma renda de R$ 1.400 reais por mês, contra média de R$ 155,00 atuais. Não é uma proposta.Mas uma ilustração do que se sacrifica desviando tal volume de recursos para um universo proporcionalmente insignificante de privilegiados. Infelizmente, a tendência é que esses paradoxos e discrepâncias se acentuem. Não porque o governo seja perdulário, como dardeja a ortodoxia militante dentro e fora da mídia. Mas, entre outras coisas, porque o nível de juro com que o país ingressou na crise mundial já era absurdo. Qualquer variação para cima, agora, realimenta uma dinâmica autodestrutiva, mantidas as ferramentas convencionais de política econômica. Harmonizar o controle da inflação, por exemplo (que, segundo a ortodoxia, requer um juro real de 8% até dezembro, contra 7% atuais) e, ao mesmo tempo, conter o tsunami de capitais especulativos que desembarcam no país, virou um jogo de perde-perde . Perde-se com a alta dos juros, de um lado e também com a valorização da moeda brasileira pela indigestão de dólares atraídos pelos juros siderais. Deixa-se de gerar empregos e riquezas para conter a inflação. Ao mesmo tempo, exporta-se empregos e produção deslocando-se demanda para produtos importados, barateados pela distorção cambial. Este ano, o superávit primário foi de R$ 45,452 bi de janeiro a maio. O valor é 87,6% superior ao registrado um ano antes. A Grécia não é aqui. Mas há várias tragédias embutidas nesses números -talvez o fato de nos habituarmos a eles seja a maior delas.
(Carta Maior; 6º feira, 301/07/ 2011)

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José Maria Medeiros

01 de julho de 2011 às 10h48

So acabaram com cpmf porque rico pagava tambem.

Responder

    Antonio

    01 de julho de 2011 às 12h25

    Só acabaram porque a maioria dos pagadores eram ricos. Pobre pagava muito pouco. Não era valor nem de cafézinho.

“Os esconderijos de dinheiro sujo não são a exceção, mas a regra do capitalismo” « cadoz

01 de julho de 2011 às 09h41

[…] vi o mundo em 30 de junho de 2011 às 11:41 […]

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operantelivre

01 de julho de 2011 às 08h26

Embora não tenha entendido todo o funcionamento da máfia, isto me reforça a importância da participação do Estado para além da normatização e fiscalização. É preciso comprometimento do Estado com a grana mesmo, para proteger-nos nesta guerra suja. Por isto sou favorável à participação do BNDES, efetivamente na economia. E curiosamente os compradores de países odeiam o BNDES. Por que será?

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João PR

01 de julho de 2011 às 03h31

O capitalismo, em sua fase atual, não coaduna com democracia.
Os grandes capitalistas escondem do povo suas maracutaias, e a população paga a conta.
Seria interessante, caros Azenha e Conceição, um artigo explicando como funciona o Federal Reserve, que é controlado pela banca privada (os Rotschields da vida), para que pudéssemos ter a exata noção de como o dólar (moeda mundial) é manipulado pelos banqueiros dos EUA.
Fica a sugestão.

Responder

Moacir Moreira

30 de junho de 2011 às 21h22

A solução seria estatizar toda a economia e mandar os banqueiros para a cadeia, mas o problema é que o crime organizado conta com o apoio das autoridades que também deveriam ir para a cadeia.

Em suma, vai faltar cela especial no Brasil, se o combate ao crime organizado internacional for levado adiante.

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ZePovinho

30 de junho de 2011 às 21h20

http://resistir.info/eua/roberts_29jun11.html

……………….E os acarneirados (sheeple) americanos pensam que têm "liberdade e democracia".

Washington confia no medo para encobrir os seus crimes. Uma maioria de americanos agora teme e odeia muçulmanos, pessoas acerca das quais nada sabem excepto a propaganda racista que encoraja americanos a acreditar que há muçulmanos escondidos sob as suas camas a fim de assassiná-los no seu sono.

Os neocoservadores, naturalmente, são os alimentadores do medo. Quanto mais temerosos e acarneirados, mais procuram segurança na polícia do estado neocon e mais vista grossa fazem aos crimes de Washington na agressão aos muçulmanos.

Segurança uber alles. Isso tornou-se o lema de um povo americano outrora livre e independente, o qual já foi admirado mas hoje é desprezado.

Na América a ilegalidade agora está completa. Mulheres podem ter abortos, mas se derem à luz um bebé morto são presas por assassínio. http://www.opednews.com/populum/linkframe.php?lin

Os americanos são um povo tão aterrorizado e abusado que uma mulher idosa com 95 anos a morrer de leucemia e a viajar para uma última reunião com membros da família foi forçada a remover a sua fralda de adulto a fim passar na segurança do aeroporto. http://www.nwfdailynews.com/news/mother-41324-sea… Só uma população totalmente acovardada permitiria tais abusos da dignidade humana…………

Responder

    Antonio

    01 de julho de 2011 às 12h44

    No início, para tomar as terras da América, eles devem ter tido medo dos Índigenas (Apaches, Cheroquis, Comanches, Moicanos) e os dizimaram. Depois foram os comunistas, dos quais tomaram um cacete. Hoje são os mulçumanos, que eles matam como ratos, sem distinguir velhos, crianças, mulheres, homens civis, no Afeganistão e no Iraque. De que eles terão medo amanhã, antes da nova guerra contra os novos assassinos da democracia, da vida, da família e da liberdade ianque? Os povos do mundo precisam criar vergonha na cara e parar esses sangrentos, que vivem de fazer guerra e matar como num videogame.

ZePovinho

30 de junho de 2011 às 21h17

Paul Craig Roberts,o "esquerdista" que foi do Partido Republicano e secretário do tesouro de Ronald Reagan:
http://resistir.info/eua/roberts_29jun11.html

Um mundo esmagado pela hipocrisia ocidental

As instituições ocidentais tornaram-se caricaturas hipócritas.

O Fundo Monetário Internacional e o Banco Central Europeu estão a violar seus estatutos a fim de salvar bancos privados franceses, alemães e holandeses. O FMI tem poderes só para fazer empréstimos relativos a balanças de pagamentos, mas está a emprestar ao governo grego por razões orçamentais proibidas a fim de que o governo grego possa pagar aos bancos. O BCE está proibido de salvar governos de países membros, mas faz isso de qualquer forma a fim de que os bancos possam ser pagos. O parlamento alemão aprovou o salvamento, o qual viola disposições o Tratado Europeu e da própria Lei Básica da Alemanha. O caso está no Tribunal Constitucional da Alemanha, facto não mencionado nos media dos EUA.

O presidente George W. Bush nomeou um imigrante, o qual não se impressionou com a Constituição dos EUA e nem com a separação de poderes, para o Departamento da Justiça (sic) a fim de alcançar a disposição de que o presidente tem "poderes unitários" que o elevam acima da lei estabelecida nos EUA, de tratados e do direito internacional. De acordo com decisões legais deste imigrante, o "executivo unitário" pode violar com impunidade o Foreign Intelligence Surveillance Act, o qual impede espionar americanos sem autorização obtida junto ao Tribunal FISA. O imigrante também dispôs que Bush podia violar com impunidade as leis estatuídas dos EUA contra a tortura bem como as Convenções de Genebra. Por outras palavras, os "poderes unitários" ficcionais transformam o presidente num César…………………………………..

…………………………Nos nossos tempos pós orwellianos, todos os que resistem ou mesmo criticam os EUA são criminosos. Exemplo: Washington considera Julian Assange e Bradley Manning como criminosos, porque disponibilizaram informação que revelava os crimes cometidos pelo governo de Washington. Qualquer um que simplesmente discorde de Washington é considerado uma "ameaça" e Obama pode ter tais "ameaças" assassinadas ou presas como "terrorista suspeito" ou como alguém "proporcionando ajuda e apoio a terroristas". Conservadores e liberais americanos, que outrora apoiavam a Constituição dos EUA, são todos favoráveis à trituração da Constituição a fim de ficarem "a salvo de terroristas". Eles aceitam mesmo tais intrusões como escanerizações pornográficas (porno-scans) e apalpações sexuais a fim de estarem "seguros" nos voos em aviões.

O colapso da lei é geral. O Tribunal Supremo decidiu que é "liberdade de expressão" para a América ser dominada pelas corporações, não pela lei e certamente não pelo povo. Em 27 de Junho, o Tribunal Supremo dos EUA avançou com o estado fascista que os seus "conservadores" estão a criar ao decidir que o Arizona não pode financiar publicamente candidatos a eleições a fim de nivelar o campo de jogo, actualmente desequilibrado pelo dinheiro corporativo. O "conservador" Tribunal Supremo dos EUA considera o financiamento público de candidatos como inconstitucional, mas não o financiamento da "liberdade de expressão" por parte de interesses nos negócios que compram o governo a fim de dominar o país. O Tribunal Supremo dos EUA tornou-se um funcionário corporativo e legitima o domínio das corporações. Mussolini chamou a este domínio, imposto aos americanos pelo Tribunal Supremo dos EUA, fascismo.

O Tribunal Supremo também decidiu em 27 de Junho que a Califórnia violou a Constituição dos EUA ao proibir a venda de vídeo jogos violentos a crianças, apesar da evidência de que jogos violentos treinam os jovens para comportamentos violentos. Para o Tribunal Supremo está correcto que soldados, cujas vidas estão em causa, serem proibidos sob as penas da lei de beberem cerveja antes dos 21 anos, mas os idiotas do Tribunal apoiam convencer crianças a serem assassinos, desde que seja no interesse dos lucros corporativos, em nome da "liberdade de expressão".

Responder

francisco niteroi

30 de junho de 2011 às 17h46

azebha e leitores
procurei os livros citados e não encontrei em português.
não foram traduzidos?

Responder

reinaldo carletti

30 de junho de 2011 às 16h16

e depois, o mundo soube que, o mega-traficante escobar, foi morto porque ameacou tirar os seus "investimentos" de wall street.
reinaldo carletti

Responder

Daniel

30 de junho de 2011 às 14h56

Olá, adorei o texto, mas infelizmente não consegui compreender tudo. Será que você não poderia detalhar melhor como funciona esse mercado "offshore" e qual o papel dos paraísos fiscais na economia global?
Obrigado e parabéns pelo blog!

Responder

    operantelivre

    01 de julho de 2011 às 08h21

    Endosso as palavras do Daniel. Fiquei com algumas lacunas para entender a maracutaia.

Avelino

30 de junho de 2011 às 14h45

Caro Azenha
São paraisos fiscais, ilegais e legalmente com sede nos EUA. Mas o interessante é atacar a Líbia e condenar Gadaffi.
Por falar nisso, não seria interessante que bancos, como por exemlo Bradesco, Itau e outros disponibilizassem os nomes dos brasileiros que tem conta nos paraisos (para caixas 2, 3 etc etc) fiscais?!
Saudações

Responder

    Werner_Piana

    02 de julho de 2011 às 22h03

    deveria haver uma lei que determinasse transparencia de quem tem dinheiro fora do país…

ZePovinho

30 de junho de 2011 às 14h35

É o surgimento de uma superclasse mundial,que não é brasileira,americana,européia,africana ou asiática:é pirata.
Agora fica fácil de entender porque tantos brasileiros não estão nem aí para o Brasil.Eles são da superclasse mundial.

Responder

Weyll

30 de junho de 2011 às 14h33

Das obras do metrô de Salvador -"o menor metrô do mundo" – desapareceu um bilhão de reais. Só deus sabe em que paraiso está essa grana. Resultado: nem o metrô inaugura por falta de verba, nem a "justiça" deixa a operação Castelo de Areia rastrear o dinheiro.

Responder

Polengo

30 de junho de 2011 às 13h06

O capitalismo permite que o logro seja escondido/legalizado/maquiado/e até mesmo louvado, principalmente em questões monetárias.

Responder

ZePovinho

30 de junho de 2011 às 13h02

Obrigado,Azenha!!!Seu interesse contínuo por esse tema ajuda muito!!

Responder

Manoel Bezerra

30 de junho de 2011 às 12h11

Excelente e apropriada matéria, Azenha. Os tentáculos dos tais "paraísos fiscais" são enormes. O Nicholas Saxon não é mero palpiteiro, mas um profundo conhecedor deste tema.
Manoel Bezerra – Recife

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João PR

30 de junho de 2011 às 11h59

Fico pensando aqui com meus botões: se ninguém mexe neste "vespeiro" é porque o sistema só funciona com gente escondendo dinheiro (do tráfico, corrupção, entre outros) nestes "paraísos" fiscais.
Enquanto isto, na Grécia, o povo tá na rua contra o arrocho que vem por lá.
Certa vez li um livro (Os protocolos dos sábios do Sião) apócrifo. Não creio em grandes conspirações, mas que o capitalismo mundial é controlado por uma meia dúzia de pessoas, isto é.
Enquanto não for tornado público estes "segredos" que estão nos paraísos fiscais, teremos o povo sofrendo (como na Grécia) e uma meia dúzia enriquecendo muito.

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