VIOMUNDO

Diário da Resistência

Sobre


Nova cidade símbolo da pandemia, Guayaquil tem disparada de mortos em casa sem teste para coronavírus; cuidado, cenas fortes
Reprodução
Política

Nova cidade símbolo da pandemia, Guayaquil tem disparada de mortos em casa sem teste para coronavírus; cuidado, cenas fortes


02/04/2020 - 15h02

Uma reportagem da alemã Deutsche Welle sobre o Equador

Da Redação

O Equador tem 3.163 casos de coronavírus, com 120 mortos.

Para um país de apenas 16 milhões de habitantes, uma enormidade.

O porto de Guayaquil assumiu o posto de hot spot da América Latina, por causa do registro de um grande número de mortes em casa, de pessoas que ainda não foram testadas para o coronavírus.

A província de Guayas, onde fica Guayaquil, concentra o maior número de casos no país. Ela está sob o controle das Forças Armadas desde 23 de março.

Cidades com grande concentração de pessoas e relação com o Exterior se tornaram o ponto de entrada do coronavírus nas Américas: Nova York, Guayaquil e São Paulo são exemplos.

A disparada de casos em Nova Orleans, na Luisiana, está sendo atribuída aos festejos do Mardi Gras, o Carnaval local, que atrai grande número de turistas.

Em Guayaquil, houve colapso no resgate dos corpos daqueles que morreram fora dos hospitais, com cenas tétricas reproduzidas nas redes sociais.

O governo neoliberal de Lenín Moreno está sob suspeita de esconder os números verdadeiros da pandemia — mas pode ser apenas incompetência ou falta de organização estatal.

Diferentemente de Jair Bolsonaro, o presidente equatoriano suspendeu o trabalho até 12 de abril e as aulas até o final deste mês. O transporte de passageiros também foi suspenso.

Em rede nacional de TV, Moreno apelou: “Por favor, não minimizem a gravidade. Segundo os investigadores científicos, com toda segurança temos hoje dezenas de milhares de contágios e centenas de vidas perdidas para o vírus”.

Com a alta taxa de pobreza no país, as autoridades têm dificuldade em convencer as pessoas a ficarem em casa.

Um vídeo que circula nas redes sociais mostra várias pessoas denunciando corpos não retirados e gente caída nas ruas.

Parte do problema é causado não apenas pelo aumento do número de mortos, mas pelo medo de contágio.

Cadáveres em situação de emergência

Dimitri Barreto, no El Comercio

O homem esperou seis dias pelo corpo de seu filho.

No hospital, há cenas de dor.

Assim como nos bairros, onde pneus foram queimados nas ruas para que ambulâncias ou carroças possam pegar corpos que ficam dias em casas.

As mortes em Guayaquil no contexto da covid-19 tornaram-se uma dupla tragédia para famílias, autoridades e a sociedade como um todo.

O governo sustenta que, em circunstâncias normais, antes da pandemia de coronavírus, Guayaquil registrou 828 mortes em um mês; 46% em casa.

Mas na última semana de março, de 23 a 30, 308 cadáveres foram coletados em residências no principal porto do Equador.

E no final de março, havia outros 113, todos ainda para determinar a causa de morte.

E o plano para enfrentar as diferentes mortes em uma emergência sanitária?

O Manual do Comitê Internacional do Comitê da Cruz Vermelha sobre o gerenciamento de cadáveres em desastres pode ser um guia: a rápida recuperação dos corpos é uma “prioridade”, porque reduz a “carga psicológica de outros”.

Recuperação?

Sim, que o Estado assuma, com estas prioridades:

1. “Coordenação imediata” entre as autoridades locais, provinciais e nacionais.

2. Identificação de recursos.

3. Implementação.

4. Entrega de “informações precisas” às famílias e à comunidade sobre o manuseio dos corpos.

Coordenação entre governos local e central? Informações precisas? Famílias?

As instruções da OMS para lidar com cadáveres nesta conjuntura da covid-19 contemplam um critério essencial: “Aplique princípios de sensibilidade cultural”.

E acrescenta: “Se a família do paciente deseja ver o corpo após sua remoção da sala de isolamento ou área relacionada, isso pode ser permitido”, com proteção.

Seis dias atrás, o Ministério da Saúde publicou um protocolo para o tratamento de cadáveres no Equador.

Não define como abordar as famílias, mas define os procedimentos de saúde e envolve governos, o Distrito Metropolitano, as Forças Armadas…

Cavalheiros, mesmo em tempos de emergência, é preciso demonstrar humanidade.

Ajude o VIOMUNDO a sobreviver

Nós precisamos da ajuda financeira de vocês, leitores, por isso ajudem-nos a garantir nossa sobrevivência comprando um de nossos livros.

Rede Globo: 40 anos de poder e hegemonia

Edição Limitada

R$ 79 + frete

O lado sujo do futebol: Tudo o que a Globo escondeu de você sobre o futebol brasileiro durante meio século!

R$ 40 + frete

Pacote de 2 livros - O lado sujo do futebol e Rede Globo

Promoção

R$ 99 + frete

A gente sobrevive. Você lê!


2 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

Hugo Neves

02 de abril de 2020 às 23h18

Esse é o retrato da america latina, paises pobres, sem estrutura, tendo que enfrentar uma guerra no seu continente contra um inimigo mortal. Vejam o prenuncio do fim, e Trump e Bolsonaro querem impor uma guerra contra a Venezuela que pode se alastrar para outros paises americanos e vai se alastrar.
Cenario de guerra sem guerra. Com guerra deve ser mais ou menos igual. Vejam o que e quem os bolsonaristas apoiam.
Bozo e eguedes só no embromeichion. Grana que é bom nada. Vai dá o natal e a grana ainda nao saiu.

Responder

Zé Maria

02 de abril de 2020 às 23h08

A situação em Guayaquil está pior do que em Bergamo

Responder

Deixe uma resposta

Apoie o VIOMUNDO - Crowdfunding
Loja
Compre aqui
O lado sujo do futebol

Tudo o que a Globo escondeu de você sobre o futebol brasileiro durante meio século!