Marcelo Zero: Vencemos, Venceremos

Tempo de leitura: 2 min
24/10/2026: Presidente Lula encerra campanha das eleições 2026 com caminhada na avenida Paulista Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Por Marcelo Zero*

O que aconteceu no Brasil nesse segundo turno das eleições, foi algo histórico.

Não foi apenas uma mera vitória eleitoral.

Foi o começo de um movimento nacional e internacional de resistência popular ao fascismo, à extrema direita e ao imperialismo brutal e sem regras imposto pelo governo Trump.

No mundo inteiro, o “L” de Lula passou a ter um novo significado.

O significado de que as populações, principalmente as populações mais desassistidas, podem ter a esperança de combater, com êxito, a crescente corrosão do Estado de Bem-Estar, a extinção de direitos sociais e econômicos e a perspectiva sombria de que as gerações futuras terão uma vida pior do que as das gerações passadas.

Até essas eleições, a insatisfação e a desesperança criadas pelo crescente mal-estar social estavam sendo muito canalizadas para os movimentos neofascistas, pelo mal chamado “populismo de direita”, os quais, dominando as redes sociais, vinham impondo a visão de que a solução para esse mal-estar passava pelo autoritarismo político e pelo individualismo econômico.

Assim, em muitos países, inclusive no Brasil, os movimentos neofascistas passaram a ser “normalizados” nas disputas democráticas, agravando os problemas econômicos e sociais e colocando em grave risco as instituições democráticas.

Ao mesmo tempo, isso se combinou com um ataque ao direito internacional público, às regras do comércio mundial e ao multilateralismo (que nada mais é do que democracia na ordem planetária), criando um mundo hobbesiano fundado nos interesses da extrema direita dos EUA e baseado no uso desabrido da força sem limites jurídicos ou morais.

Os democratas, os progressistas e a esquerda assistiam a tudo isso, de modo geral, com certa impotência e crescente fragilidade.

Apoie o VIOMUNDO

Não mais. Creio, sem medo de exagerar, que a vitória de Lula representou uma reviravolta, um “turning point” nessa tendência, o qual está inspirando as forças progressistas e democráticas, não apenas no Brasil e na América Latina, mas em todo o planeta.

A vitória de Lula abriu o caminho da esperança, fundamentado nas mobilizações populares, em substituição ao caminho estéril e contraproducente da exploração política do ressentimento e do ódio.
Resgatou do chão das ruas e dos tetos digitais a política e a democracia.

Porém, essa luta apenas começou. Lançamos a semente, mas ela precisa germinar.

Recomeça, agora renovada, em um patamar histórico mais elevado, o que Gramsci chamava de luta pela contra-hegemonia.

A luta para se impor, na disputa pacífica dos valores, da cultura e do intelecto, à hegemonia dos que apostam na desigualdade, nos ressentimentos, na antipolítica e no autoritarismo.

Só conseguiremos governar se aprofundarmos essa luta fundamental.

O combate da esperança contra o ódio continua. Mas a vitória de Lula e do povo brasileiro abriu uma porta mundial que não será mais fechada. E os fujões e criminosos pularam por uma janela que se cerrou.

Vencemos. Venceremos.

*Marcelo Zero é sociólogo e especialista em Relações Internacionais

Este artigo não representa obrigatoriamente a opinião do Viomundo

Leia também

Roberto Amaral: A vitória das urnas e a nova hegemonia

Paulo Nogueira Batista Jr: Ajuste fiscal ou estelionato eleitoral?

Reynaldo Aragon: Washington não vai desistir. O Brasil precisa resistir

Apoie o VIOMUNDO


Siga-nos no


Comentários

Clique aqui para ler e comentar

Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Leia também