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Marcelo Zero: Impeachment não basta a Bolsonaro; ele merece Haia pelo extermínio de  milhares de vidas
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Política

Marcelo Zero: Impeachment não basta a Bolsonaro; ele merece Haia pelo extermínio de milhares de vidas


25/01/2021 - 19h04

Inimigos da Humanidade Merecem a Haia

Por Marcelo Zero

Bolsonaro não é apenas um grave problema para o Brasil e os brasileiros. Ele é grave ameaça ao planeta e à humanidade.

No início, ele era visto como uma ameaça global “apenas” por causa de seu ativo antiambientalismo.

Ele e Ricardo Salles se dedicaram a “abrir a porteira” para o “deixa queimar”.

Viam e vêm as questões ambientais, que afetam todo o planeta, como uma espécie de “frescura” de país desenvolvido, que atrapalha a ocupação predatória da Amazônia e outras regiões do país.

Mais recentemente, no entanto, ele e seu governo passaram ser vistos também como grave ameaça sanitária global, em razão do total descontrole da epidemia no Brasil.

Esse descontrole tem levado ao surgimento de variantes mais agressivas do coronavírus, o que preocupa muito outros governos do planeta.

Por isso, na administração Biden, Bolsonaro já é visto como um dos principais obstáculos ao combate mundial da Covid-19. A variante “amazônica” do coronavírus está no centro das preocupações das novas autoridades sanitárias dos EUA.

As imagens chocantes do colapso sanitário em Manaus, onde faltou e ainda falta até oxigênio, percorreram o mundo e, somadas ao crescente e descontrolado número de mortes no país, geram a imagem nítida de um quadro dantesco, que pode se propagar para outras regiões do Brasil e para outros países.

Se a pandemia não for devidamente controlada em todas as regiões do planeta, ela jamais será efetivamente controlada, mesmo nos países mais ricos.

Alguns argumentam que esse grave descontrole da pandemia no Brasil deve-se somente à incompetência do governo federal, agravada pelo fato de que o Brasil é um país continental, muito desigual e com enorme população.

Não parece ser o caso. Houve certa intencionalidade na incúria.

No início da pandemia, houve um debate sobre a estratégia a ser adotada para seu combate.

A OMS e a ciência médica defendiam o isolamento social extenso (horizontal) e o uso de máscaras para manter a epidemia sob controle e evitar colapsos sanitários e mortes.

Já alguns economistas neoliberais, como os do Imperial College, defendiam apenas um isolamento restrito a idosos e outros grupos de risco (vertical) e a rápida obtenção da “imunidade de rebanho”. Desse modo, argumentavam, a economia não seria prejudicada.

Boris Johnson e outros líderes europeus chegaram a flertar com essa segunda estratégia.

No entanto, ante o quadro trágico que se estabeleceu na Europa durante a primeira onda, tal estratégia foi logo abandonada.

Contudo, Bolsonaro, assim como Trump, nunca abandonaram, de fato, essa intencional estratégia suicida e necrófila.

Não creio que seja necessário repetir aqui o que Bolsonaro e autoridades de seu governo fizeram ou deixaram de fazer.

O fato concreto, sabido por todos, é que o governo Bolsonaro procurou, desde o início, desdenhar da pandemia e das mortes e proteger os lucros e as atividades dos ricos e poderosos, em detrimento da vida dos mais frágeis.

De fato, a sua estratégia procurou e procura reduzir gastos com a proteção da vida, de modo a tentar manter o teto de gastos, o equilíbrio fiscal e o lucro dos grandes grupos econômicos, com a desculpa da “proteção dos empregos”.

A extinção criminosa e precoce do Auxílio Emergencial é prova cabal disso.

Se, no campo ambiental, a estratégia é “deixa queimar”, no campo sanitário a estratégia é “deixa morrer”. “E daí”, lembram?

O resultado está aí: 217 mil mortes e subindo.

O Brasil tem um número de mortes proporcional à população três vezes superior ao da média mundial.

Pode-se argumentar, portanto, que cerca de dois terços dessas mortes foram ocasionados pelo governo.

Mesmo que essa proporção não esteja correta, devido à interferência de outros fatores, é seguro se afirmar que o número de mortes no Brasil poderia ser bem menor, caso o governo Bolsonaro tivesse agido com seriedade e responsabilidade desde o início da pandemia.

São, por conseguinte, dezenas de milhares de “crimes de responsabilidade”. Crimes pagos com as vidas de brasileiros.

Tais dezenas de milhares de “crimes de responsabilidade” podem ser caracterizados, no Estatuto de Roma, que criou o Tribunal Penal Internacional, como um só grande crime: o extermínio.

O Tribunal Penal Internacional exerce competência sobre 4 grandes tipos de crime: a) O crime de genocídio; b) crimes contra a humanidade; c) crimes de guerra; d) O crime de agressão.

Entre os crimes contra a humanidade, está o de extermínio, que é assim caracterizado (artigo 7°, 2, b):

b) O “extermínio” compreende a sujeição intencional a condições de vida, tais como a privação do acesso a alimentos ou medicamentos, com vista a causar a destruição de uma parte da população;

O enquadramento caiu como luva no governo Bolsonaro.

Faltam seringas, oxigênio, leitos e vai faltar vacina na escala necessária para proteger a população.

Já há, é claro, vários pedidos de ações contra Bolsonaro, no Tribunal Penal Internacional de Haia, mas outros podem ser aduzidos, inclusive com apoio internacional.

Para o que aconteceu e acontece no Brasil, impeachment não basta.

Afinal, estamos tratando de dezenas de milhares de vidas que se perderam para sempre. É necessária condenação penal, de preferência em tribunal internacional.

Ainda que difícil e improvável, ela deve ser perseguida.

Inimigos da Humanidade, como Bolsonaro e Trump, merecem a Haia.

*Marcelo Zero é sociólogo e especialista em Relações Internacionais.





3 comentários

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Bíblia do 17

26 de janeiro de 2021 às 12h47

pelo que dizia a oposição, já deveria ter morrido umas 180milhões de pessoas no Brasil e graça as ações preventivas indicada pelos enviados de deus, ainda não chegou nem 0,1% , o que mostra o fracasso da oposição

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Shirlei Nova

25 de janeiro de 2021 às 22h15

Bolsonaro não faz isso sozinho. Os milicos o ajudam com um propósito em mente. Dar um golpe mais a frente qdo houver convulsão social. Ou seja, a convulsão do doente pode propiciar o cenário desejado para o golpe do Bozo + o exército lá na frente em 2022 ou início de 23.
Caos social para o pessoal da guerra é desculpa para por os tanques na rua. ” Comunistas “. Pior que sempre cola a desculpa do comunismo.
Haia ? Esquece. Sequer o Bozo e família vao pegar cadeia aqui. Olha o Temer. Continua dormindo com a Marcela todo dia eu suponho. Vai saber se o velhote funciona ainda.
Que mulherão a sra Temer. O que o dinheiro não faz. Duvido que uma mulher cheia da metelança ia querer o Drácula se ele fosse pobre. Cá entre nós, o Drácula não deve aguentar nem o primeiro tempo. Aliás, nem o aquecimento.

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Zé Maria

25 de janeiro de 2021 às 21h27

Concordo.
Lugar de Jair Bolsonaro é no
Banco dos Réus na Corte de Haia,
Tribunal Penal Internacional,.na Holanda.
É um Facínora Amoral, Sociopata Manipulador.
Se tivéssemos um Ministério Público Federal (MPF) sério,
esse Fascista Canalha já estaria respondendo no Supremo Tribunal Federal (STF) pelos Crimes que cometeu contra a Nação Brasileira.

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