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Com Manuela e Ciro, pulverização à esquerda pode ser boa estratégia, diz professor
Política

Com Manuela e Ciro, pulverização à esquerda pode ser boa estratégia, diz professor


07/11/2017 - 19h27

PCdoB lança Manuela D’Ávila, mas segue defendendo unidade na esquerda

Presidenta do partido afirma que pré-candidatura serve para discutir programa e reforçar resistência à agenda neoliberal. Cientista político diz que “pulverização” na esquerda pode ser boa estratégia

por Tiago Pereira, da RBA

São Paulo – A pré-candidatura da deputada estadual do Rio Grande do Sul Manuela D’Ávila (PCdoB) à Presidência da República quebra um “tabu” de de mais de sete décadas.

O partido não tem candidato presidencial desde as eleições de 1945, com Yedo Fiúza, então prefeito de Petrópolis (RJ), quando o antigo “Partidão” ainda reunia na mesma sigla as que no início dos anos 1960 se dividiriam em PCdoB e PCB, ambos obrigados a atuar na clandestinidade até a redemocratização, nos anos 1980.

A indicação, anunciada no fim de semana pela legenda, é considerada uma estratégia para fortalecer outros nomes dentro do campo da esquerda, em uma eleição marcada pela incerteza e pela multiplicidade de nomes que deverão aparecer no pleito do ano que vem.

Segundo a presidenta do PCdoB, deputada federal Luciana Santos (PE), mais do que discutir nomes, o que o partido pretende é discutir projetos, com uma saída progressista para as crises simultâneas que o país enfrenta.

A dirigente afirma que é o “tempo político” que vai dizer se a candidatura de Manuela será irreversível, e que o PCdoB já deu “demonstrações irrefutáveis” de unidade pela esquerda.

“Vamos fazer um exercício para saber o que a gente vai acumular no processo e ver qual é a melhor estratégia. O que nos interessa é o nosso campo ganhar as eleições do ano que vem. Lá na frente, vamos poder ter uma noção de qual será a melhor estratégia. Se é ter mais de uma candidatura, ou não”, diz Luciana.

Ela compara a pré-candidatura de Manuela D’Ávila à de Ciro Gomes (PDT), que também “mais contribui do que prejudica”, segundo Luciana, para o debate político à esquerda.

“Em várias experiências nos estados, tem situações que, para a vitória do nosso campo político, muitas vezes, mais de uma candidatura ajuda. Há situações que não, em que é preciso unir.”

Segundo a deputada, a pré-candidatura do partido serve também de resistência à agenda neoliberal do governo Temer. Ela prevê consequências “tenebrosas” e “nefastas” de medidas do governo, como o congelamento dos investimentos por 20 anos, e a precarização das relações de trabalho com a reforma que entre em vigor no sábado (11), além de cortes em programas sociais de todo tipo.

“Ao mesmo tempo, não falta dinheiro para o pagamento da dívida pública, para o mercado financeiro, pois 42% do orçamento vai para a ciranda financeira. É uma opção de Estado mínimo para o povo, e máximo para os rentistas”, diz.

Fator Lula

Por ser mulher e jovem, Manuela D’Ávila também representa a tentativa de disputar votos dessas parcelas do eleitorado. Além de trazer a discussão de gênero para a disputa, a candidata poderia enfrentar os arroubos machistas do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), também pré-candidato.

O cientista político Vitor Marchetti, da Universidade Federal do ABC (UFABC), lembra que não é pequeno o número de jovens que vêm aderindo a bandeiras conservadoras na política nos últimos tempos.

Ele acredita que uma eventual ruptura do PCdoB com o seu aliado histórico, o PT, pode aparentar dificuldade na coordenação política da esquerda. Mas avalia que a pulverização de candidaturas também pode ser uma estratégia, dadas as incertezas jurídicas relacionadas à presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na eleição – e à rejeição ao seu nome. Seria como ter mais de um cavalo na disputa pelo páreo, compara o cientista político.

“Me parece que uma estratégia da esquerda é lançar várias candidaturas para tentar trazer para esse campo votos de eleitores que não vão com Lula. O que estou projetando, para o cenário do ano que vem é um número muito grande de candidaturas, comparado com 1989. A direita também não tem líderes capazes de reunir o campo inteiro. A esquerda talvez esteja reagindo da mesma forma. Com um número grande de candidaturas, a chance de se ter um candidato na casa dos 20% dos votos ir para o segundo turno é alta”, analisa Marchetti.

Ele acredita que candidaturas à esquerda, como a de Manuela, podem desaparecer, caso Lula se confirme como candidato. Mesmo nesse cenário, o professor diz que a “pulverização” poderia uma estratégia a se considerar. “Talvez usar outros nomes na linha de frente, disputando as eleições no primeiro turno, fazendo esse papel de atrair um eleitor que pode dialogar com a esquerda, com o campo progressista, mas tem resistências ao nome do Lula, seja uma estratégia inteligente”, avalia.

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9 comentários

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Julio Silveira

10 de novembro de 2017 às 10h07

Concordo com o autor. E sobre uma eleição futura meu sentimento é que minha disposição em votar no Lula tem sido sabotada pelo proprio, com essa sua teimosa tendencia em se apoiar nos ratos trairas de esgoto da politica nacional. Um erro que já custou caro, a nossa democracia. Acredito que Ciro e Manuela, que tem se mostrado como verdadeiros constitucionalistas, insurgentes contra o golpe e contra o principio de agregar a podridão politica ao arcabouço politico que pretendem criar, em se elegendo, podem se tornar uma excelente opção para retomar o ideario esquerdista e até aquele do velho, mas ainda não morto, creio eu, PT, sobre a busca pela cultura da ética, carater e dignidade na politica.
Creio ser um erro, incompreensivel para mim, calcarem sua busca pelo sucesso e poder baseados numa ansia por concessões materias a qualquer preço, que se mostram transitória. Isso, ainda a meu ver, ajudará pouco na criação de um país justo que queremos sob bases culturais solidas, bases que devem ser instituidas sob padrões culturais éticos.

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Eugênio Viola

09 de novembro de 2017 às 21h33

FRENTE AMPLA
Março de 1971. Diante da grave crise pela qual passava o país – e com a divisão das esquerdas-, o honrado general Liber Seregni liderava o primeiro ato da Frente Ampla uruguaia. Seregni – admirado, querido e conhecido como “General do Povo” – falou para uma multidão jamais vista. No palanque, lideranças das mais distintas tendências. Desde Arismendi (do partido comunista) a Juan Pablo Terra (da democracia-cristã). Como foi possível a criação dessa Frente? Por que demorou tanto a surgir e como ganhou força rapidamente? Da semente plantada naquele dia, nasceria anos mais tarde a vitoriosa campanha que levou Pepe Mujica à Presidência da República, tornando-o um dos maiores e mais respeitados líderes do século XXI. É o que vemos nesse vídeo histórico
https://www.youtube.com/watch?v=VvmBBLoA7Ag
Abraços

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Franco

09 de novembro de 2017 às 09h43

Um rostinho bonito por si só não reúne votos suficientes e depois vai que ela reconduz o Zé da Justiça para o Ministério, aí estará consolidada a supremacia gendarmiana.

Precisamos de alguém que possa enfrentar as oligarquias e o poder repressor neoliberal e reacionário que retornou com força total ocupando o vácuo criado pela frouxidão, leniência e promiscuidade dos que estiveram com a faca e o queijo na mão mas que não resistiram ao discurso falacioso de que os fins não justificam os meios e sucumbiram à pressão falso moralista dos pseudo vestais.

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Maria Rita

08 de novembro de 2017 às 23h22

Concordo que possa ser uma boa estratégia. Nos últimos debates para presidente, os chamados partidos de aluguel foram usados como escada e reforço de Aécio, Marina e o candidato do partido verde. Luciana Genro e o mesmo candidato do PV (o médico do qual não lembro o nome) representantes da chamada esquerda radical, fizeram oposição ferrenha a Dilma, candidata à reeleição. Lembrei: Eduardo Jorge do PV. Foi tudo muito teatral. Não foi debate, foi duelo entre duas frentes. Petista versus antipetistas.

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Jarbas F.

08 de novembro de 2017 às 12h28

Que piada falar que esquerda é progressista kkk, é como falar que Brasil quebrado pelo PT está progredindo, (quando na verdade regrediu 10 anos em termos de riqueza) é como falar que países apoiados por esta esquerda que vende o país por contratos fraudulentos para roubar e manter o poder são progressistas, apoiar a Venezuela em penúria governada pela esquerda “progressista” está esquerda me dá nojo.

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    saulo

    09 de novembro de 2017 às 00h23

    – Sobre o PT ter “quebrado” o país, digite PIB Brasil no google;

    – Onde você esteve nos últimos anos? não viu a Venezuela ser sabotada? qual é o país detentor da maior reserva de petróleo do mundo? não viu os papéis do wikileaks?
    Não viu que a oposição “democrática” venezuelana perdeu a eleição (de novo)?

    Como esse pessoal que se julga de direita – nem cacife para isso tem – é “sábio”…

    Franco

    09 de novembro de 2017 às 09h34

    Só sendo Jarbas mesmo e deve ser adepto do Jarbas Vasconcelos, de Pernambuco. Ambos porém, não se assumindo nordestinos pois se fossem não profeririam blasfêmias e sentimentos mesquinhos como esse que de seu seguidor.

    João Ferreira Bastos

    09 de novembro de 2017 às 11h23

    Pare de usar droga estragada do teu candidato, o traficante, assassino e ladrão

    Crazy horse

    09 de novembro de 2017 às 15h26

    Cara vai pro esgoto do G1


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