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Diário da Resistência


Kabengele Munanga:  “A educação colabora para perpetuar racismo”
Professor Kabengele Munanga: Sem cotas raciais, as políticas universalistas não são capazes de diminuir o abismo entre negros e brancos no País. Foto: CartaCapital
Política

Kabengele Munanga: “A educação colabora para perpetuar racismo”


30/12/2012 - 15h51

Professor Kabengele Munanga: Sem cotas raciais, as políticas universalistas não são capazes de diminuir o abismo entre negros e brancos no País. Foto: CartaCapital

por  Adriana Marcolini, em CartaCapital

Nascido no antigo Zaire, atual República Democrática do Congo, em 1942, o professor de Antropologia da Universidade de São Paulo Kabengele Munanga aposentou-se em julho deste ano, após 32 anos dedicados à vida acadêmica. Defensor do sistema de cotas para negros nas universidades, Munanga é frequentemente convidado a debater o tema e a assessorar as instituições que planejam adotar o sistema. Nesta entrevista, o acadêmico aponta os avanços e erros cometidos pelo Brasil na tentativa de se tornar um país mais igualitário e democrático do ponto de vista racial.

CartaCapital: O senhor afirma que é difícil definir quem é negro no Brasil. Por quê?

Kabengele Munanga: Por causa do modelo racista brasileiro, muitos afrodescendentes têm dificuldade em se aceitar como negros. Muitas vezes, você encontra uma pessoa com todo o fenótipo africano, mas que se identifica como morena-escura. Os policiais sabem, no entanto, quem é negro. Os zeladores de prédios também.

CC: Quem não assume a descendência negra introjeta o racismo?

KM: Isso tem a ver com o que chamamos de alienação. Por causa da ideologia racista, da inferiorização do negro, há aqueles que alienaram sua personalidade negra e tentam buscar a salvação no branqueamento. Isso não significa que elas sejam racistas, mas que incorporaram a inferioridade e alienaram a sua natureza humana.

CC: O mito da democracia racial, construído por Gilberto Freyre e vários intelectuais da sua época, ainda está impregnado na sociedade brasileira?

KM: O mito já desmoronou, mas no imaginário coletivo a ideia de que nosso problema seja social, de classe socioeconômica, e não da cor da pele, faz com que ainda subsista. Isso é o que eu chamo de “inércia do mito da democracia racial”. Ele continua a ter força, apesar de não existir mais, porque o Brasil oficial também já admitiu ser um país racista. Para o brasileiro é, porém, uma vergonha aceitar o fato de que também somos racistas.

CC: O senhor observa alguma evolução nesse cenário?

KM: Houve grande melhora. O próprio fato de o Brasil oficial se assumir como país racista, claro, com suas peculiaridades, diferente do modelo racista norte-americano e sul-africano, já é um avanço. Quando cheguei aqui há 37 anos, não era fácil encontrar quem acompanhasse esse tema. Hoje, a questão do racismo é debatida na sociedade.

CC: O sistema de cotas deve ser combinado com a renda familiar?

KM: Sempre defendi as cotas na universidade tomando como ponto de partida os estudantes provenientes da escola pública, mas com uma cota definida para os afrodescendentes e outra para os brancos, ou seja, separadas. Por que proponho que sejam separadas? Porque o abismo entre negros e brancos é muito grande. Entre os brasileiros com diploma universitário, o porcentual de negros varia entre 2% e 3%. As políticas universalistas não são capazes de diminuir esse abismo.

CC: Somente os estudantes vindos da escola pública são incluídos nas cotas?

KM: Sim, com exceção da Universidade de Brasília (UnB). Lá, as cotas não diferenciam os que vêm da escola pública e os da particular. Porém, em todas as universidades o critério é uma porcentagem para os negros, outra para os brancos e outra para os indígenas, todos provenientes da escola pública. Dessa forma, os critérios se cruzam: o étnico e o socioeconômico. Tudo depende da composição demográfica do estado. Em Roraima, por exemplo, sugeri que se destinasse um porcentual maior para a população indígena, proporcional à demografia local.

CC: Quantas universidades adotaram o sistema de cotas no Brasil?

KM: Cerca de 80. É interessante observar que há muita resistência nas regiões Norte e Nordeste. Lá eles ainda acreditam que a questão seja apenas social.

CC: O sistema deve passar por avaliação para definir a sua renovação ou suspensão?

KM: Qualquer projeto social não deve ser por tempo indeterminado. No sistema em vigor, algumas universidades estabeleceram um período experimental de 10 anos, outras de 15. Posteriormente, vão avaliar se seguem adiante.

CC: Em sua opinião, por que a Universidade de São Paulo ainda não aprovou as cotas?

KM: A USP poderia ter sido a primeira universidade a debater o sistema, porque aqui se produziram os primeiros trabalhos intelectuais do Sudeste que revelaram o mito da democracia racial. Como é uma universidade elitista, ficou presa à questão de mérito e excelência. Não é oficial, mas está no discurso dos dirigentes. A outra refere-se à questão do mérito. Eles ainda acreditam que o vestibular tradicional seja um princípio democrático. De certo modo acredito que a Universidade de São Paulo ainda esteja presa ao mito da democracia racial. Entre as universidades paulistas, apenas a Federal de São Paulo adotou as cotas. A Unesp também está de fora.

CC: O racismo é uma ideologia. De que forma podemos desconstruí-la? Qual o papel da escola?

KM: Como todas as ideologias, o racismo se mantém porque as próprias vítimas aceitam. Elas o aceitam por meio da educação. É por isso que em todas as sociedades humanas a educação é monopólio do Estado. Falo da educação em sentido amplo, ou seja, aquela que começa no lar. A socialização começa na família. É assim que, enquanto ideologia, o racismo se mantém e reproduz. A educação colabora para a perpetuação do racismo.

CC: A escola brasileira está preparada combater o racismo?

KM: As leis 10.639 e 11.645 tornam obrigatório o ensino da cultura, da história, do negro e dos povos indígenas na sociedade brasileira. É o que chamamos de educação multicultural. As leis existem, mas há dificuldades para que funcionem. Primeiro é preciso formar os educadores, porque eles receberam uma educação eurocêntrica. A África e os povos indígenas eram deixados de lado. A história do negro no Brasil não terminou com a abolição dos escravos. Não é apenas de sofrimento, mas de contribuição para a sociedade.

CC: Uma estudante angolana foi assassinada recentemente em São Paulo, mas a mídia não deu a devida atenção. Por que isto acontece?

KM: A imprensa é um microcosmo da sociedade e ignora, ou finge ignorar, o racismo. Por isso, quando ocorre um fato desta natureza, não o julga devidamente. Mas a mídia brasileira também não dedica espaço para o continente africano.

Leia também:

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30 comentários

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Mulheres negras nos cursos de Engenharia: relato de estudante da Poli mostra como é a realidade - Vista Minha Pele, Barretos SP.

18 de agosto de 2017 às 09h52

[…] Folha de S. Paulo, Época, Economia SC, Fisenge, Viomundo, Superando o Racismo na Escola (em […]

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Blog da Engenharia | O primeiro blog de engenharia | Mulheres negras nos cursos de Engenharia: relato de estudante da Poli mostra como é a realidade

08 de fevereiro de 2017 às 09h50

[…] Folha de S. Paulo, Época, Economia SC, Fisenge, Viomundo, Superando o Racismo na Escola (em […]

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Lia

22 de setembro de 2013 às 21h16

Ninguém nunca fez um estudo sobre quantos negros X brancos são chamados para uma entrevista de emprego depois de deixarem currículos com foto? Trabalhei com vendas e vi alguns cvs de negros – além dos de sempre: gordos, feios- irem direto para o lixo.

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Brasileiros que chegaram à universidade são 11% da população « Viomundo – O que você não vê na mídia

28 de janeiro de 2013 às 12h47

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Marcus Orione: Modelo paulista, simulacro de inclusão social « Viomundo – O que você não vê na mídia

12 de janeiro de 2013 às 17h53

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Luca K

05 de janeiro de 2013 às 15h36

Típicas respostas emotivas as de indivíduos como xacal e Jair. Atacam quem
é contra cotas como ‘racistas’ e se empoleiram em seu pedestais imaginários de grandeza moral! Pro inferno com os fatos que, como o doutor Sowell mostra em detalhado estudo sobre ações afirmativas no mundo todo entre diversas raças e etnias, mostram q apesar das boas intenções as ações afirmativas têm sido um desastre na prática.
Estudos sobre os efeitos do uso de cotas no Brasil ainda são poucos e não devemos esquecer das pressões políticas para nos convencer q o desempenho de cotistas é tão bom como de não cotistas. Ainda assim, não é difícil encontrar estudos mostrando q isso não é bem assim. http://guiasaoluiz.net/2012/08/estudo-aponta-que-cotistas-negros-da-ufrgs-tem-desempenho-inferior/
“A conclusão se refere à comparação entre três faixas de universitários: autodeclarados negros vindos de escolas públicas, não cotistas e outros alunos de instituições públicas. Conforme um índice que avalia a possibilidade de conclusão do curso no tempo máximo permitido, quem entrou na UFRGS em 2008, sem cotas, tem desempenho geral parecido com aqueles vindos de escolas públicas e que não se autodeclararam negros. Os autodeclarados negros, revela o estudo, têm maior dificuldade de acompanhamento dos cursos e apresentam maior taxa de evasão.”
Obviamente q os problemas decorrentes do uso de cotas são ou podem ser muito mais amplos do q apenas estes citados.
Xacal cita o trecho em q menciono o Ward Connerly e conclui, estúpida e desonestamente, que ele é um negro racista apenas por ser contra o sistema de cotas!! E ainda me vem com essa! “Apresentar negros racistas como heróis da acusa. Filho, vamos então legitimar a escravidão por que havia feitores e capitães do mato?” Sem comentários… Vc é ‘esperto’ mesmo hein xacal!

Responder

    xacal

    05 de janeiro de 2013 às 20h36

    Eu não sou esperto, não como o bat-luka. Santa espreteza, bat-luka.

    E muito menos sou um “analista frio”, ou um cientista “neutro”(céus, santa cretinice bat-luka) disposto a entender a extensão do “fracasso” dos negros que são alvo de políticas afirmativas.

    A ideia básica: isonomia.

    Ou seja, um conceito simples, que tolos e racistas(às vezes estas “qualidades” se acumulam) se negam a entender:

    Políticas afirmativas compensam fatos:

    72% dos jovens entre 19 e 24 anos são negros.

    63% dos presos são negros.

    Entre os mais pobres e analfabetos, a maioria esmagadora é negra, e por fim, um negro com mesmo nível de escolaridade e mesmo emprego(cargo) tem renda 20% menor(esta distância já foi maior).

    Eu nem vou retroceder até a escravidão, para dizer que ela também tinha cor:preta!

    Negros e brancos são chamados a cortar uma floresta. Ao branco uma máquina super moderna de corte e tratores e correntes. A outros brancos uma motossera. Aos negros, todos eles, um canivete.

    Bom, estes seriam argumentos suficientes para convencer até as pilastras do Pathernon.

    Mas aos racistas, NUNCA.

    Ou melhor, são os “fiéis” da democracia racial(e dentre este pessoal estão outros “jênios”, que vão desde o magnoli, kamel até jabour) que acreditam que somos um país mestiço porque as negras escravas iam para cama com os senhores por “escolha”.

    E que as domésticas continuaram a fazê-lo também por escolha para, gentilmente, iniciarem sexualmente os patrãozinhos.

    Este seria o exemplo de nossa “tolerância” racial e de “cruzamento” de raças.

    Nosso cordialismo racial!

    Eu acho que ele lê, mas sua “frieza”, retidão intelectual e certeza(será algum tipo de fé?) não permitem interpretar o que lê…isto acontece.

    Eu disse, e se precisar, desenho:

    Pinçar casos de desvios ou fracassos nas políticas afirmativas não as tornam desnecessárias, ou não viola o princípio que dedica a escola pública(e a universidade)primeiro a quem mais precisa dela, ainda que encontre dificuldades.

    Universidade pública, via de regra, não é para quem pode pagar o ensino médio ou cursinhos, e que depois arrota esta assimetria como vantagem competitiva.

    Universidade pública atende a parte do público que mais precisa dela! É a Universidade que deve se adaptar as demandas de seu novo público, e nunca o contrário.

    É para isto que serve o Estado e os impostos: para diminuir assimetrias e não perpetuá-las.

    De todo modo, o super “jênio” Luka desprezou todos os dados que apresentei, e sequer os menciona, mas reafirma os que ele deseja que sejam tomados como a totalidade do tema, e não como parte dele.

    Não valeu nem o IPEA!!!!

    Desprezou todos os argumentos, porque não consegue respondê-los(ele é um “jênio”), que os problemas enfrentados pelos negros ao redor do planeta mostram que o desmonte de políticas de bem estar social afeta primeiro a estes grupos, e torna mais necessárias as políticas compensatórias e não o contrário.

    Uma joia de subversão do raciocínio dialético tem o nosso bat-luka. Ele particulariza problemas para gerar conceitos universais!!!!! Uau…

    E quanto ao negro racista, você pode continuar a achar o que quiser.

    O negro tem o direito de discordar das políticas afirmativas por se imaginar pessoalmente um “vencedor”, por ter superado, como exceção a regra, os cortes de classe que o segregavam, mas mobilizar seus esforços e seu capital intelectual para combater as políticas que permitem que outros negros nem tão bem afortunados consigam melhores chances, é um tipo de sadismo só explicado pela canalhice ou pela patologia, um tipo de síndrome de Estocolmo, ou como diria Paulo Freire, é o oprimido enxergando o mundo pelos olhos do opressor, despregando-se de si mesmo!

    Assim como um judeu pode, pessoalmente, perdoar seus algozes, mas imagine um deles negando o holocausto!

    Bom…mas estes debates não se destinam a “convencer” bobocas como o bat-luka…

    Mas para reafirmar o campo político dos que entendem que esta dívida histórica tem que ser resgatada, e que cor da pele não pode servir de passaporte de sentido único para cadeias, IML ou favela!

    Para os bat-bobocas, como o bat-luka fica o ranger de dentes, pois as políticas afirmativas são um fato irreversível, e em breve este pessoal e seus argumentos estarão onde nunca deveriam ter saído: o lixo ou o esgoto da história!

    xacal

    05 de janeiro de 2013 às 20h39

    perdão:

    Onde está:

    72% dos jovens entre 19 e 24 são negros, leia-se: 72% dos jovens entre 19 e 24 anos, mortos por letalidade violenta dolosa são negros!

    Luca K

    07 de janeiro de 2013 às 13h15

    @xacal; ô fanfarrão, onde foi q eu disse q o Brasil é uma ‘democracia racial’? onde eu disse q não há racismo no Brasil? E por aí vai. Vc além de tolo é intelectualmente desonesto.
    A única coisa q estou a dizer é q ações afirmativas NÃO SÃO a solução. O país q há mais tempo as utiliza, + de 50 anos, os EUA, NÃO tiveram êxito com elas apesar de toda propaganda q vc, tolamente(e fanaticamente), parece acreditar. Além disso, ações afirmativas usadas em vários outros países, entre diversas raças e etnias, não apenas negros, tb fracassaram. As evidências empíricas de q não funcionam são enormes mas por razões obvias não são normalmente reportadas pela imprensa.
    Mas ô xacal, agora explica preu o seguintes; Pq os chineses, q ao chegarem nos EUA no sec 19 foram severamente discriminados e vinham de situação de extrema miséria(o q ainda ocorre com muitos imigrantes chineses até hj), superaram as dificuldades e hj tem em média desempenho superior ao dos brancos nas escolas e universidades e renda média superior aos brancos? O problema não é apenas ‘racismo'(exemplificado pela motosserra X canivete)?

    xacal

    08 de janeiro de 2013 às 09h51

    Luka, desonesto intelectual é você, meu caro, que esconde o discurso racista atrás de suposto empiricismo(para que raios serve isto em um debate conceitual, onde se discute a justiça da ação, e menos sua funcionalidade, pois esta depende de outros vetores ???)

    Na sua pergunta sobre chineses, está a resposta que você esconde:

    A cor da pele. Justamente este fator que você despreza como componente do problema(e diz não acreditar em democracia racial, mas adota o discurso, quanta desonestidade…humpf!).

    O ódio racial contra negros não permite que eles consigam ultrapassar os limites da injustiça impostos estruturalmente na sociedade pelo viés do capital negativo que carregam: a cor.

    Em suma, em qualquer lugar do mundo é melhor ser qualquer coisa a ser negro. Talvez não em Israel sendo palestino ou muçulmano em Guantánamo. Mas estes são fenômenos localizados, sem escala global.

    Ser negro é ruim em qualquer lugar, e principalmente na África.

    Desonestidade intelectual é dizer que eu disse que as políticas afirmativas(que ele repetidamente chama de “cotas”, em um reducionismo racista mal disfarçado)sejam a “redenção” dos negros. Deveria ser, mas não é.

    Mas justamente porque gente como você já está atrás da porta das estatísticas, com um porrete empiricista na mão, esperando os que conseguirem passar!!!

    O que eu digo é: O racismo contra negros está tão entranhado nas sociedades que as políticas afirmativas per si não dão conta do problema, e é preciso avançar muito mais.

    A “denúncia” de suas falhas, ou o reconhecimento destes limites não implica em abandonar este instrumento como pragmaticamente possível para reduzir desigualdades, ainda que estas desigualdades não desapareçam, pelos motivos já expostos.

    Os racistas cretinos querem que as políticas afirmativas deem conta(na verdade não querem)de 400 anos de escravidão, recém abolida, em termos históricos, seguidos por um processo de substituição da escravidão por estamentos jurídicos, sociais, políticos e econômicos altamente segregadores, com 20 ou 50 anos de políticas afirmativas que sequer conseguem fazer mais que o mínimo: dar chance isonômica de acesso ao estudo superior, para depois fazer negros ganharem menos pelo mesmo trabalho com mesmo grau de escolaridade.

    Os judeus ganharão um Estado e carta branca para pintar e bordar na palestina, e os negros???

    O que a África levou como indenização pela escravidão??? Ahhh, um sistema “justo” de “livre mercado” com as nações “amigas”, trocando ouro, diamantes, petróleo por fome, sangue e horror.

    Sei, sei…e quem sabe, uma boa dose do empiricismo lukakanino.

    xacal

    08 de janeiro de 2013 às 09h52

    perdão: onde está judeus ganharão, leia-se ganharam…

xacal

04 de janeiro de 2013 às 18h39

Eu devo ser engraçado, muito engraçado…

Os dados sobre o desempenho que citei dizem respeito aos estudantes brasileiros, e são fontes conhecidas:

Do PIG:

http://afinaldecontas.blogfolha.uol.com.br/2012/04/26/olhando-os-dados-das-cotas-em-uma-universidade/

Agora vamos restos para jogar a réstia:

Ou do IPEA reproduzidas por este blog:

http://negrasbamidele.blogspot.com.br/2012/08/ipea-confirma-bom-desempenho-de.html

É só você clicar no google: desempenho dos cotistas da universidade pública.

Como pode perceber, não direcionei a pesquisa.

Agora, o resto para jogarmos a réstia as poucas pérolas que sobraram:

“FICÇÃO PURA!! O fosso entre americanos negros e brancos(e asiáticos) permanece e a classe média negra, fortemente dependente de açoes afirmativas, – já se vão 50 anos delas – vem encolhendo mais rapidamente q entre os brancos e asiaticos nesses tempos de crise.”

Como manipular a realidade a partir de uma meia-verdade? Mas ou menos como aí em cima.

Ora, o processo histórico e o movimento de ascensão econômica dos negros a partir de conquistas, como as políticas afirmativas, não acabaram com o racismo, e nem o risco de que possam regredir.

É inclusive este debate permanente e a luta deles que possibilita manter conquistas, avançar e evitar retrocessos!

Sabe-se que o a agudização das condições de concentração extrema de riqueza nos últimos tempos, desde a era Reagan, através do paulatino ataque ao Welfare State, desencadearam uma pauperização de setores médios, e, mais dramaticamente, dos mais pobres.

Logo, não é preciso ser um gênio(ainda bem, vai dar para você entender, se quiser, é claro…)para verificar que na medida que as condições se tornam piores são os negros que têm em primeiro lugar as suas condições deterioradas.

Como você não cita períodos nas sua opiniões, fica difícil contextualizá-las, mas mesmo assim:

Após o fim de década de 60 houve um incremento considerável no padrão de vida dos negros, com uma correspondente taxa de crescimento de escolarização, com os efeitos já conhecidos desta dupla ascensão.

Há um trabalho interessante da Michele Alexander, pela Newpress, The new Jim Crow, Mass Incarceration in the Age of Colorblindness que dá pistas sobre o que acontece por lá.

Eu já citei este livro aqui, e você pode comprar pela internet.

É mais ou menos um alerta sobre a acomodação dos negros no campo de conforto econômico proporcionado pela melhoria de vida, incorporando esta babaquice chamada “meritocracia”, quando sabemos que são critérios de injustiça social que distribuem as “oportunidades”, e que os impede de ver o que anda acontecendo, porque acreditam nesta balela de fracasso X sucesso:

Negros enchem as cadeias(a esmagadora maioria dos 2 milhões)deste negócio lucrativo na terra do Tio Sam: criar uma guerra as drogas, encarcerar e segregar os negros da vida política (PARA SEMPRE), alijando a possibilidade de mudar politicamente suas condições!!!

Tudo juridicamente arranjado, dentro de um sistema criminal que já têm alvos pré-definidos, e adivinha quem são?

Resumindo, os negros acabaram por incorporar valores da classe média que passaram a integrar, e esta visão míope(de que estavam em situação que não teriam seus direitos e conquistas ameaçados, ao menos para os “que tivessem méritos) trouxe-lhes a inércia conservadora que os impede de agir como no passado: na defesa de seus direitos.

Temos então, negros como o que você cita aí embaixo:

“Alguns exemplos concretos; o professor de direito da universidade de Stanford, Richard Sanford, pró-cotas, examinou os registros das provas da ordem de advogados da California e descobriu q os graduados negros fracassam + de 6 vezes mais na prova da ordem q os brancos,mesmo depois de várias tentativas.”

Outra bizarrice do focinhudo:

Ora, este dado só reforça a tese de que as políticas afirmativas devem ser a ponta de um processo irreversível de combate a injustiça social, e que dê peso isonômico aos direitos: aos iguais na forma de sua igualdade, e aos desiguais na forma de sua desigualdade.

Ele coloca o fracasso de uma ou outra situação como um ataque a ideia em si!!!!

É um primor de raciocínio, não acham!!!

Ele ataca o princípio pelo desvio ou erro na sua execução…Mas ou menos como defender o homicídio por que as pessoas se matam!

“Na California, cidadãos liderados pelo ex regente da universidade, Ward
Connerly, ele próprio negro, passaram a Proposition 209, proibindo
tratamento diferenciado para admissão na universidade baseado em raça,
etnia e sexo. O número de negros despencou; ao fim de 2006, apenas 250
negros entre os 12189 alunos, pior resultado desde 1973. Insatisfeitos,
os ativistas da UC tentaram aumentar o número de negros e hispânicos
via uma cota de baixa renda. Mas ao invés de negros e hispanicos quem,
dentro da cota de renda baixa, obteve as melhores notas e conseguiu
as vagas foram brancos pobres e asiáticos.”

Aqui mais uma tática rasteira neste debate:

Apresentar negros racistas como heróis da acusa. Filho, vamos então legitimar a escravidão por que havia feitores e capitães do mato?

Ou o extermínio de judeus por que alguns deles colaboravam?

O dado apresentado por você revela, mais uma vez, que ser negro nos EEUU ainda é um peso que amarra sua possibilidade de disputar qualquer coisa!

Bom, mas gente como você não enxerga este peso…a não ser que esteja na ponta de uma corrente a atado a uma perna negra.

Nisto o suíno não menciona: O único lugar que os negros são maioria nos EEUU são as cadeias, e aqui no Brasil o IML…Neste caso não precisam de cota…nunca precisaram!

Mas será que eles têm uma “vocação lombrosiana” para o crime?

Fiote, ler e copiar alguns artigos não lhe dão o estofo necessário. Seu problema é na “matrix”

Responder

Jair de Souza

02 de janeiro de 2013 às 19h38

Considero que esta foi uma excelente entrevista a alguém que realmente entende da questão. Na verdade, não é nada fácil combater os preconceitos eurocêntricos que há centenas de anos vêm sendo inculcados em nossa mente.

Concordo que não é nada fácil em nosso país caracterizar formalmente quem é negro e quem não o é. Mas, pelo contrário, não é difícil constatar quais as pessoas mais propensas a sofrer discriminação em razão de seu biótipo. Como já foi dito, policiais e zeladores têm faro apurado para tal propósito.

Negar a necessidade de uma política que ofereça algumas “facilidades” para que os grupos tradicionalmente discriminados possam elevar sua condição sociocultural me parece profundamente reacionário. Não há argumentos (muito menos os genéticos) que me façam aceitar um posicionamento contrário às medidas de inclusão racial do tipo das cotas universitárias.

Está mais do que claro para mim que tais políticas devem ser propostas com caráter temporário. Mesmo sem ter certeza de quanto tempo será necessário para eliminar as profundas desigualdades que a cultura eurocêntrica gerou nos grupos sociais mais vulneráveis, a gente acredita que, com o tempo e pelo efeito das medidas inclusivistas, estes grupos acabarão por alcançar um nível equiparado ao dos não discriminados. Ao dizer “a gente” acredita, eu me refiro àqueles que não consideramos que existam diferenças de capacidades intelectuais oriundas da origem étnica. Não resta dúvidas de que este raciocínio não tem validade para aqueles que acreditam que há seres humanos mentalmente superiores ou inferiores devido a sua origem racial.

O que me deixa indignado é ver que muitos elementos notoriamente odiadores de pobres, de repente, aparecem demonstrando sua preocupação com a situação dos pobres de pele branca. Não é preciso muito esforço mental para entender que a preocupação real deles nada tem a ver com a sensibilidade pelos problemas que os pobres não negros terão de enfrentar. O verdadeiro defensor das causas populares sabe muito bem que sua luta em nada será prejudicada pelas medidas que buscam sanar as mazelas em que estão inseridos os cidadãos dos grupos mais vulneráveis entre os vulneráveis. A solidariedade e a capacidade de empatia com os mais humildes é uma característica essencial de qualquer ser humano que deseje ser considerado humanista. Isto vale também para os pobres, entre os quais, diga-se, esta celeuma não está presente. A oposição às medidas de inclusão através das cotas raciais só existe entre os racistas empedernidos, entre o pseudo-intelectual de classe média e entre aqueles que não têm sensibilidade suficiente para entender que ser pobre no Brasil é foda, mas muito mais foda ainda é ser negro pobre.

Quando ao papel da educação na sedimentação ou eliminação de preconceitos raciais, entendo que a educação pode servir para as duas hipóteses. O papel tradicional da educação numa sociedade é preservar e dar continuidade aos valores defendidos por tal sociedade. Se os valores imperantes forem valores de cunho racista, a educação atuará, via de regra, com o objetivo de sedimentá-los. Para eliminar tais preconceitos através da educação será preciso, primeiramente, lutar para mudar a própria base do sistema educacional existente. Ou seja, deveríamos lutar para que os fundamentos da educação também mudem, à medida que lutamos para eliminar o peso negativo dos preconceitos raciais. O sistema de cotas raciais é um passo no caminho da transformação do sistema educacional. Não é o único requisito para alcançarmos o objetivo, mas é um passo importante.

Responder

Luca K

01 de janeiro de 2013 às 23h27

Mais uma postagem minha desapareceu! Espero q o glorioso viomundo me permita responder aos ataques rasteiros de meus detratores!

Ô xacal, vc é um cara engraçado. Seu último paragrafo então nem
se fala! “foi a inclusão afirmativa no ensino superior, que impôs a
existência de uma enorme classe média negra, que permitiu, inclusive,
a expansão econômica sustentável dos EEUU nos anos que se seguiram.”

FICÇÃO PURA!! O fosso entre americanos negros e brancos(e asiáticos) permanece e a classe média negra, fortemente dependente de açoes afirmativas, – já se vão 50 anos delas – vem encolhendo mais rapidamente q entre os brancos e asiaticos nesses tempos de crise. Alguns exemplos concretos; o professor de direito da universidade de Stanford, Richard Sanford, pró-cotas, examinou os registros das provas da ordem de advogados da California e descobriu q os graduados negros fracassam + de 6 vezes mais na prova da ordem q os brancos,mesmo depois de várias tentativas.

Na California, cidadãos liderados pelo ex regente da universidade, Ward
Connerly, ele próprio negro, passaram a Proposition 209, proibindo
tratamento diferenciado para admissão na universidade baseado em raça,
etnia e sexo. O número de negros despencou; ao fim de 2006, apenas 250
negros entre os 12189 alunos, pior resultado desde 1973. Insatisfeitos,
os ativistas da UC tentaram aumentar o número de negros e hispânicos
via uma cota de baixa renda. Mas ao invés de negros e hispanicos quem,
dentro da cota de renda baixa, obteve as melhores notas e conseguiu
as vagas foram brancos pobres e asiáticos.

Heather Mac Donald explica a fraude no processo de admissão na UC neste
artigo http://www.latimes.com/news/opinion/commentary/la-oe-mac_donald-2008sep07,0,6246862.story

Vejam tb esse artigo do The New York Times http://www.nytimes.com/2010/11/09/education/09gap.html

“Proficiency of Black Students Is Found to Be Far Lower Than Expected”

Proficiência dos alunos negros é constatada muito mais baixa do que o esperado’

No artigo lemos q “Pobreza por si só não parece explicar as diferenças:
meninos brancos pobres tem desempenho semelhante a meninos negros que não vivem na pobreza”

O NYT é um jornalão liberal e pró-ação afirmativa.

O doutor Sowell documenta em detalhes como ações afirmativas fracassaram
em vários países no mundo, incluindo entre diferentes etnias q formam
a população nigeriana. Aqui está o livro sr.xacal e Cia:

http://www.amazon.com/Affirmative-Action-Around-World-Empirical/dp/0300101996/ref=sr_1_2?ie=UTF8&qid=1357055624&sr=8-2&keywords=Affirmative+Action+Around+the+World%3A+An+Empirical+Study

Poderia dar vários outros exemplos…Entretanto sinto uma estranheza, como se estivesse a atirar pérolas a porcos…
:-P

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Arlete

01 de janeiro de 2013 às 17h38

Professor Kabengele, continuamos precisando de sua contribuição para a conscientização do nosso valor social. O quanto é importante lutar por este direito. Parabéns!

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Frei Betto: Trabalho escravo, até quando? « Viomundo – O que você não vê na mídia

31 de dezembro de 2012 às 18h13

[…] Kabengele Munanga: “A educação colabora para a perpetuação do racismo” […]

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Alice Matos

31 de dezembro de 2012 às 17h57

Luca K, com quem estou falando? Apresente as suas credenciais, se tiver coragem. Já que é racista, perca a vergonha de vez.

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Luca K

31 de dezembro de 2012 às 01h07

Entrevista superficial com perguntas e respostas tolas. A dificuldade em dizer quem é negro no Brasil tem muito + a ver com o fato de haver alto grau de miscigenação no país. Estudos genéticos recentes mostram q a principal contribuiçao ao DNA do brasileiro é a européia, variando em média de mais de 70% ate´90% a depender da região do país. Isso inclui os negros. Por ex, num estudo em Ilhéus em 2011 o geneticista Sergio Pena verificou que os negros eram em média apenas 35.9% africanos. De uma lista de 12 pre-vestibulandos de baixa renda testados numa matéria para a Folha, em apenas 1 caso a contribuição africana era preponderante(Clarisse Antunes, 60.3%negra). Como muitas vezes ocorre, a pessoa MAIS fenotipicamente negra da lista, Célia da Silva, era apenas 9.2% negra, apesar de se dizer ‘muito preta’.
Sou favorável às cotas para o ensino público como medida temporária e se feita com muito critério. Sou TOTALMENTE CONTRA cotas para grupos étnico/raciais pois as evidências empíricas são contundentes em vários países – inclusive nos EUA – de que tais políticas NÃO DÃO CERTO e trazem inúmeros problemas. De boas intenções o inferno está cheio. O livro do Dr.Sowell, “Affirmative Action Around the World: An Empirical Study” documenta o fracasso e até mesmo o desastre desse tipo de política em vários países, India, Malasia, Sri Lanka, Nigeria e os EUA. Dr.Sowell é negro por sinal(já q se fosse branco seria imediatamente descartado?). Um pequeno resumo da Booklist(numa traduçao rápida e grosseira e depois o texto original em inglês) “Dar Preferência a membros de grupos especificos[raciais/étnicos] no ensino superior, no emprego, recebimento de serviços públicos, contratos de negócios e assim por diante é um fenômeno mundial, cujos efeitos estão comprovados. O economista negro Sowell foca na ação afirmativa na Índia, Malásia, Sri Lanka, Nigéria e os EUA. Nesses países as preferências para as minorias metamorfosearam-se em preferências por maiorias (por exemplo, as mulheres, quando candidatas feitas por ação afirmativa nos EUA, derrubou os números do preferidos a mais da metade da população), o atrito entre grupos aumentou (Sri Lanka, uma vez que um modelo de cooperação étnica, entrou em guerra civil, assim como a Nigéria), “fuga de cérebros” ocorreu (na Malásia, preferências para menos instruídos malaios levou a emigração chinesa em massa e da expulsão da Cingapura-dominada-por-chineses da federação malaia), e / ou alguma outra coisa ruim aconteceu. Mais contundente é que, em todos os cinco países, a crosta superior de grupos preferenciais colheu a maior parte dos benefícios. A ação afirmativa não é rejeitada, no entanto, porque é avaliada “em termos de suas razões e objetivos, em vez de suas conseqüências reais”.
Original – “Preferring members of specified groups in higher education, employment, receipt of government services, getting business contracts, and so on is a worldwide phenomenon whose effects are demonstrable. Black economist Sowell focuses on affirmative action in India, Malaysia, Sri Lanka, Nigeria, and the U.S. In those nations, preferences for minorities metamorphosed into preferences for majorities (e.g., women, when made affirmative-action candidates in the U.S., tipped the numbers of the preferred to more than half the populace), intergroup friction increased (Sri Lanka, once a model of ethnic cooperation, descended into civil war, as did Nigeria), “brain drain” occurred (in Malaysia, preferences for less-educated Malays led to massive Chinese emigration and the ouster of Chinese-dominated Singapore from the Malay federation), and/or something else bad happened. Most damning is that in ALL five countries, the UPPER CRUST of preferred groups reaped the lion’s share of benefits. Affirmative action is never rejected, however, because it is evaluated “in terms of its rationales and goals RATHER than its actual consequences.”

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    Larissa Dias

    31 de dezembro de 2012 às 17h50

    Sr. Luca K, diploma bobice, de superficialidade e de burrice quem deu foi Vossa Excelência que de certeza é um branco, talvez racista. O professor Kabengele Munanga tem inteira razão: “Os policiais sabem, no entanto, quem é negro. Os zeladores de prédios também”. O resto é querer tergiversar. Excelente entrevista.

    xacal

    31 de dezembro de 2012 às 23h42

    Larissa, não jogue pérolas aos porcos.

    Essa estratégia de reduzir o problema étnico-racial a genética é de uma estupidez sem par. Algo bem próximo do nazismo de sinal invertido, porque deseja revelar uma uniformidade genético-racial que não repercute nos aspectos culturais, sociais, econômicos e políticos do convívio, como já foi dito!

    As políticas afirmativas se resumem a assunção do Estado de que os diferentes grupos não detêm ferramentas iguais para lutar pela satisfação de suas demandas e expectativas.

    Ao negro e ao branco são dadas duas seringueiras de mesmo diâmetro para o corte, só que o negro possui um canivete e o branco uma moto-serra, e a sociedade exige que os dois tenham resultado equivalente.
    Este é o mote!

    Como você bem observou, o que extrapola esta percepção é balela.

    – diziam que os cotistas contaminariam as universidades com mau desempenho, dado seu suposto histórico de hipossuficiência herdado do sistema público: MENTIRA, os cotistas têm desempenho igual ou melhor, e taxas de evasão iguais ou menores.

    – o simples fato de concluir o curso superior aumenta a renda significativamente. Os efeitos da escolaridade superior são muito mais determinantes nas gerações subsequentes.

    – o fator preponderante, e resultado direto da luta pelos direitos civis na década de 60, foi a inclusão afirmativa no ensino superior, que impôs a existência de uma enorme classe média negra, que permitiu, inclusive, a expansão econômica sustentável dos EEUU nos anos que se seguiram.

paulo Sergio

31 de dezembro de 2012 às 00h39

E o que dizer desse camaradina qu se acha piadista ? E em horário nobre da Rede Globo ? E se fossemos um pouco menos cordiais e defendessemos a lei de midias e exigissemos dessa emissora uma retrataçnao ? Isso , para mim , é inaceiteavel . E digo que , mesmo sendo negor , esse piadista não se absolve desse imenso e abjeto gesto de racismo . Que tal Azenha , tornar isso publico , eu já o fiz , na minha pagina do Facebook
http://redeglobo.globo.com/videos/t/a-gente-se-liga-em-voce/v/marcelo-marrom-faz-performance-de-stand-up-no-altas-horas/2319590/

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Lincoln Barros de Campos

30 de dezembro de 2012 às 23h56

Caro Azenha, o artigo está ótimo. O meu amigo Kabengele é autoridade nos temas educação e racismo, com ideias claras e mais do que sensatas, obrigatórias à nossa evolução social. Porém o título ficou contraditório pelo isolamento da frase. Se não for pela educação, de um modo geral, como superaremos o racismo?

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Marcelo

30 de dezembro de 2012 às 21h06

“Entre os brasileiros com diploma universitário, o porcentual de negros varia entre 2% e 3%”

Tá bom bom pra você? Ou ainda vai falar que é apenas um probleminha social.

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mucio

30 de dezembro de 2012 às 20h15

Somos e devemos nos tratar apenas como BRASILEIROS sem essa de afrodescendente, luso-brasileiro, ítalo-brasileiro ou qualquer coisa xxx-brasileiros.
Somos sim BRASILEIROS.

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    xacal

    30 de dezembro de 2012 às 23h07

    Uma pena que a nacionalidade brasileira não tenha protegido os pretos de serem 72% das vítimas por letalidade violenta.

    Muito menos o fato de ser brasileiro não garante que os pretos ao exercerem o mesmo ofício ou função ganhem igual do que é pago ao branco brasileiro pelo mesmo trabalho. Os brasileiros pretos ganham em média 20 a 30 % menos.

    Ser brasileiro não levou o preto a universidade.

    Mas ser brasileiro preto é quase um requisito para encher as cadeias ou as favelas.

    Somos todos brasileiros, mas a pobreza, a violência, o analfabetismo e todas as sequelas sociais têm cor: é preta!

    Arlete

    01 de janeiro de 2013 às 17h33

    Boa resposta, em poucas palavras você demonstrou o sentimento que nós negros sentimos em relação a essa desculpa de que “o social” é culpado pelo fracasso.

lulipe

30 de dezembro de 2012 às 18h20

O que deve existir são cotas sociais e não raciais.E os brancos pobres, como ficam???

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    Benny

    30 de dezembro de 2012 às 18h48

    Lulipe! Você leu toda a entrevista e entendeu?

    xacal

    30 de dezembro de 2012 às 23h10

    Benny, ele conseguir ler é um prodígio, mas ele conseguir dar sentido ao que leu só por milagre.

    Como bom ateu, não acredito em milagres.

    Larissa Dias

    31 de dezembro de 2012 às 17h53

    Os brancos, mesmo pobres, possuem um capital social inegáve num sociedade recista como a brasileira: a branquitude. Não tenha dúvida. Filhos de 2 pobres: um preto e um branco, morando no mesmíssimo lugar, quando brigam, ao fim e ao cabo os pais do branco podem sacar: “Eu não te disse pra não brincar com esse preto?” Preciso dizer mais?


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