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Diário da Resistência


Julian Rodrigues: Eleger Lula faz avançar a luta socialista no Brasil?
Foto: Ricardo Stuckert
Política

Julian Rodrigues: Eleger Lula faz avançar a luta socialista no Brasil?


23/05/2022 - 11h58

Eleger Lula faz avançar a luta socialista no Brasil?

Por Julian Rodrigues*

O título desse artigo   não é   click bait direcionado a alguns setores específicos da vanguarda de esquerda. Trata-se de uma discussão mais do que legítima: teórica, estratégica, programática, tática e conjuntural.

A esquerda socialista brasileira se organiza partidariamente no PSOL, no PCdoB, no PCB/PSTU, mas majoritariamente no PT.  Há uma forte esquerda socialista nos movimentos sociais e nos partidos que orbitam o campo democrático-popular hegemonizado pelo PT.

Não é novidade nenhuma nem algo estranho à cultura petista críticas ao rebaixamento programático, à prioridade institucional, aos limites das alianças – ou seja, à política majoritária do PT nos últimos anos.

Mas, se é assim, por que deveriam os comunistas e socialistas apoiar candidaturas do PT ou integrar o Partido?

Como avançar no acúmulo revolucionário/socialista/democrático-popular e, ao mesmo tempo, fortalecer o petismo?

Antes mesmo de qualquer aprofundamento histórico-teórico: mergulhados que estamos no neofascismo, vivendo sob a égide de um golpe que começou em 2016, a primeira tarefa é sobreviver e resistir.

Resistir agora aos movimentos que apontam para  o  fechamento total do regime, e  à necropolítica ultraliberal  que opera no sentido mesmo de inviabilizar  a própria existência  minimamente digna de milhões de trabalhadores/as.

Derrotar eleitoralmente o bolsonarismo neofaxo é o primeiro passo. Gigante e minúsculo ao mesmo tempo –  dialeticamente.

 A batalha para reverter as condições estruturais da atual correlação de forças internacional, continental e nacional –   completamente  desfavorável  às  massas  empobrecidas  — será  longa e sinuosa.

O socialismo está na ordem do dia. Sim, não é mero saludo à la bandera.

Trata-se de uma resposta orgânica, mundial, estrutural, articulada e sistêmica a esse estado de coisas verdadeiramente  distópico que é esse nosso atual capitalismo neoliberalóide.

Rejeitar as projeções de um mundo high tech, ubercapitalista, ultramonopolista, coisificador, hiper-explorador, colonialista, crudelíssimo, desesperançoso – que tem Elon Musk como referência.

É hora de voltar à Rosa Luxemburgo: “socialismo ou barbárie”.

Não, o PT não é um partido majoritariamente revolucionário. Nem possui uma estratégia socialista consolidada.

Mas é o Partido que elaborou e defendeu, nos anos 1980 e 1990, a estratégia e o programa democrático-popular  – uma via, um caminho para a revolução brasileira para  a construção do socialismo – que passaria pela eleição do presidente da República (Lula lá, demarcando e catalisando todas as forças progressistas, socialistas, transformadoras, nacionalistas, comunistas, radicais, reformistas, críticas, anticapitalistas, socialdemocratas).

O bolivarianismo em geral — o chavismo e a experiência da Bolívia com Evo em particular — situam-se, a  rigor,  dentro do mesmo paradigma do socialismo petista – essa espécie de  atalho da  estratégia democrático-popular-socialista.  

Nos remetem a Allende e à estratégia socialista da esquerda naquele Chile pré-golpe.

A vitória eleitoral de Lula não está garantida, muito menos o golpe dentro do golpe é fato dado a priori.

Eleger Lula será uma reação político-cultural-ideológica, um apelo pela sobrevivência mesmo. O bolsonarismo persistirá.

Para a esquerda socialista, engajada toda desde já na campanha Lula (exceto PCB-PSTU), um futuro governo é uma janela para acumular forças e apontar caminhos mais ousados.

O Brasil é muito grande, importante demais. Lula presidente impacta o cenário mundial, joga a favor de um mundo menos americanizado, fortalece todas  perspectivas,  todas correntes humanistas e pluralistas.

As forças   socialistas   da esquerda nacional sociais  –  estamos com Lula Presidente.

Mas, é preciso mais.  E queremos nós todas mais. Bem mais.

Organização, disputa ideológica, formação política, acúmulo de forças para ir mais longe.  Combinar avanços institucionais e grande mobilização popular. Revolucionar nossa comunicação que é tosca. Tudo muito difícil, entretanto, tudo muito possível.

A eleição de Lula abriria (abrirá) um novo período em nossa história, com melhores condições para a luta social – sindical, popular, ideológica. 

Cabe a nós navegar mais ousadamente, aproveitar para ganhar mais pessoas, fazer mais propaganda, formar mais gente, organizar, lutar mais, nos enraizarmos, “ir a onde o povo está” – integrar ruas e redes.

Sem esquecer nunca que nosso coração é vermelho e bate do lado esquerdo do peito.

Lula já, como passo primeiro para recolocar  na ordem do dia a luta socialista – pensar em um movimento capaz de recrutar milhares e  empolgar milhões. Para mudar de verdade  esse  brasilsão  injusto de meu deus.

Julian Rodrigues, 48, professor, jornalista, é doutorando em América Latina na USP, militante LGBTI e dos Direitos Humanos.





4 comentários

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Morvan

26 de maio de 2022 às 14h39

Eleger Lula é condição sine-qua-non à sobrevivência do Brasil, como Nação, à América Latina, como um todo. O Partido Militar, componente ostensivo na guerra híbrida promovida pelo caducifólio império é o seu antípoda. Neste momento, malgrado não se trate de simples maniqueísmo, não há escolha. A nossa viabilidade passa por Lula eleito, preferencialmente no primeiro turno, debelando no nascedouro o projeto de poder preposto dos assassinos de farda.
#Lula13, para recobrar um belo país cujo único defeito é a vizinhança imperialista. Lula e reformas; Brasil viável!

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Ibsen Marques

26 de maio de 2022 às 04h39

Preciosos de um novo partido que represente o que o PT representou nas décadas de 1980 e 1990, porque o atual não é mais revolucionário e perdeu completamente o contato com os grandes movimentos sociais. Se havia uma esquerda revolucionária dentro do PT ela foi sufocada. Os conchavos políticos (prefiro esse termo à aliança) feitos pelo PT descrédito por ele chamar 2016 de o ano do primeiro golpe já que transferiu golpistas da época para o “campo democrático”. Meu voto no Lula consiste na esperança de evitar o golpe de imediato e, em seguida, lutar para que ele não consiga realizar novamente a pseudo conciliação de classes e a falsa pacificação sobre essa luta que reflete o continuado da exploração da elite sobre o que resta da classe trabalhadora e a nada de empobrecidos e miseráveis deste país. Vou lutar contra essa conciliação que, no final das contas, permitiu que chegássemos ao golpe de 2016 e 2018.

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marco

24 de maio de 2022 às 14h58

PELA TERCEIRA VEZ / LULA VAI SER O PRESIDENTE DO BRASIL . VAI ENTRAR PARA HISTÓRIA / O MAIOR LÍDER DO BRASIL .

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Luiz Mattos

24 de maio de 2022 às 06h17

NA VIDA, MAS PRINCIPALMENTE NA POLÍTICA, CADA ESCOLHA EXIGE MUITAS RENUNCIAS E ISSO NO MOMENTO PETISTA SERÁ DEVASTADOR DEVIDO A TANTAS ESTRANHAS ESCOLHAS.

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