Jeferson Miola: Especialistas consideram tecnicamente possível manipulação por estrangeiros de relatório usado por Mendonça

Tempo de leitura: 2 min
André Mendonça, ministro do STF. Foto: José Cruz/Agência Brasil

Por Jeferson Miola, em seu blog

No documento de defesa às acusações do ministro André Mendonça, Alexandre de Moraes colocou em dúvida a autenticidade e a veracidade do relatório usado por Mendonça para acusá-lo.

Moraes denunciou que o relatório não foi “realizado integralmente na Polícia Federal, como apontam seus metadados, indicando que a inserção inicial e final do extenso e criminoso relatório foi no mesmo dia, ou seja, que teria sido realizado em poucas horas”.

O ministro explicou que “os metadados do relatório demostram que a abertura e finalização do relatório foi feita no mesmo dia, ou seja, foi ‘plantado’ nos computadores da PF e não inteiramente produzido por eles”.

Moraes apontou, inclusive, que “das 52 notas apresentadas (extraídas do bloco de NOTAS de Daniel Vorcaro), 47 não foram nem localizadas na área de conversação do whatzap” [sic], ou seja, não foram encontradas em nenhuma conversação armazenada no aparelho do banqueiro, confirmando a possibilidade de terem sido enxertadas posteriormente à apreensão.

No requerimento de 24 de agosto, Mendonça concedeu prazo de 72 horas para a PF apresentar o relatório sobre menções a Moraes.

Moraes considerou este prazo de 72 horas curtíssimo, “impossível para aquele relatório”. E reafirmou que “os metadados comprovam que o relato não foi produzido efetivamente pela Polícia Federal, mas sim por agentes externos– pela forma de produção, provavelmente estrangeiros”, que teriam “plantado” a peça manipulada nos arquivos da PF.

Moraes relatou que “há, inclusive, a suspeita de que o providencial afastamento do Diretor da PF, que estranhamente foi comemorado por autoridades estrangeiras, foi para que não pudesse averiguar a produção externa desse relatório”, presumivelmente durante o tempo necessário para a manipulação da prova.

Em várias passagens da sua defesa Moraes sustentou que o documento usado por Mendonça foi produzido “com auxílio de órgão externo, provavelmente órgão estrangeiro, demonstrando clara tentativa de interferência externa nas eleições brasileiras de 2026”.

“Não é demais relembrar as inúmeras pressões estrangeiras contra a Justiça brasileira e esse STF, inclusive com a cassação do visto de diversas autoridades e a aplicação da Lei Magnitski” [sic], ele registrou.

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Consultados sobre a veracidade da hipótese sustentada pelo ministro Alexandre de Moraes, especialistas em geopolítica e em perícia criminal consideraram tecnicamente possível a possibilidade de adulteração, considerando as informações citadas por Moraes sobre registros dos metadados .

Os especialistas também convergem na opinião de que a tecnologia empregada em tais casos segue o padrão tecnológico dominado por agências como a CIA, dos Estados Unidos, e o MOSSAD, de Israel; com maior desconfiança de autoria recaindo sobre a segunda.

No entanto, independentemente de qual possa ter sido a agência estrangeira de inteligência e espionagem envolvida, o fato grave e concreto é que um ministro da Suprema Corte acusou um colega de estar sendo assessorado por entidade estrangeira para atacá-lo e para interferir na eleição.

Na sessão do STF de 15 de setembro, Mendonça rebateu nervosamente as acusações de uso da PF para a perseguição política de Moraes, porém silenciou em relação à acusação de ter usado um relatório manipulado por estrangeiros.

Diante da possibilidade técnica de que o relatório usado por Mendonça para acusar Moraes possa ter sido manipulado externamente à PF e por órgão estrangeiro, é urgente que o presidente Edson Fachin providencie uma perícia técnica para apurar o caso.

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