Jeferson Miola: DOC4 da PF mostra que Mendonça usurpou papel da PF e enviesou investigações

Tempo de leitura: 3 min
Kássio Nunes Marques e André Mendonça Foto: Reprodução

Por Jeferson Miola, em seu blog

O quarto e último relatório de inteligência da PF [DOC4] divulgado pelo ministro Alexandre de Moraes reportou dois aspectos problemáticos nas Operações Sem Desconto e Compliance Zero que estão sob a relatoria do ministro André Mendonça.

O primeiro aspecto diz respeito ao “avanço progressivo do Ministro Relator sobre atribuições próprias da Polícia Federal”. Isso levou “a Direção-Geral da Polícia Federal a solicitar formalmente à Advocacia-Geral da União a avaliação de medidas judiciais destinadas a preservar as competências administrativas da instituição, sua autonomia na gestão de recursos humanos e operacionais, a integridade da cadeia de custódia das provas”. A AGU, no entanto, não atendeu o pedido da PF.

Para a PF, “o juízo relator vem exercendo poderes típicos de presidência da investigação, e não de supervisão judicial”. Mendonça subordina a gestão administrativa da PF ao seu controle, interfere na composição das equipes de investigação, restringe o fluxo de informações com superiores hierárquicos, impõe técnicas de tratamento dos casos e obriga a remessa antecipada de dados brutos a ele.

O segundo aspecto problemático é o “enviesamento na condução da supervisão judicial”. A PF indica “assimetria de tratamento entre investigados de situação processual equivalente”.

Mendonça adota condutas variáveis de acordo com o perfil político do investigado. O tempo para suas decisões depende do freguês: se aliado ou se adversário e desafeto.

Enquanto, por exemplo, para Jaques Wagner Mendonça precisou de apenas nove dias para reagir à representação contra o petista, em relação a Ciro Nogueira, Mendonça levou 29 dias.

Em relação ao inquérito contra Cláudio Castro, um correligionário dos Bolsonaro, Mendonça levou 75 dias para se mover depois da representação apresentada:

O método enviesado do ministro Mendonça foi amplamente documentado no DOC4. A atuação enviesada dele esclarece porque a investigação de Flávio Bolsonaro segue parada e porque não acontecem vazamentos criminosos do caso como é feito em relação a Fábio Luís.

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A Inteligência da PF também reportou o tratamento diferenciado do ministro relator em relação aos colegas de Tribunal:

A Inteligência da PF reportou, ainda, as “imputações genéricas [do ministro Mendonça] dirigidas ao Diretor-Geral da Polícia Federal e ao Procurador-Geral da República”:

Outro estranhamento presente no relatório diz respeito ao “comportamento participativo” de Mendonça em tratativas de colaboração premiada.

O ativismo de juiz em acordos de delação é expressamente proibido pela Lei 12.850/2013 [§ 6º do artigo 4º], isso porque a “intervenção judicial é diferida e delimitada: dá-se na homologação, restrita ao exame de regularidade, legalidade e voluntariedade, com a faculdade de recusa ou adequação”.

Este protagonismo de Mendonça nas tratativas de delação se traduziu, inclusive, em “contatos com defensores de pretensos colaboradores”.

O enviesamento das investigações é marca registrada da atuação faccional e direcionada do ministro Mendonça.

Ele orienta a apuração por um método que se retroalimenta, em que um padrão policial de “afirmação sem demonstração” [para vazar e condenar antecipadamente] converge com o padrão judicial que fundamenta suas decisões “precisamente nesse material” fabricado com viés para atingir o alvo pré-estabelecido.

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Comentários

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FrancoAtirador

Terrivelmente Sem-Vergonha

FrancoAtirador

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PF acusa André Mendonça de interferir em delações
e repetir prática que já anulou provas da Lava Jato

Relatório aponta que ministro teria atuado em negociações
de colaboração premiada, acessado informações antes da
fase adequada e adotado tratamento diferente em casos
envolvendo Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques

https://revistaforum.com.br/politica/pf-mendonca-delacoes-lava-jato

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FrancoAtirador

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Moraes cita ‘fortes indícios’ de crimes e encaminha a Fachin
pedido de investigação contra Mendonça

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal,
encaminhou ao presidente da Corte, Edson Fachin, um pedido de investigação contra o também ministro André Mendonça

O ministro Alexandre relatou a possível prática de improbidade administrativa, abuso de autoridade, favorecimento a determinados grupos políticos e
crime de responsabilidade.

[ Reportagem: Gabriel Andrade | Revista Carta Capital ]

Íntegra:
https://www.cartacapital.com.br/justica/mores-encaminha-pedido-de-investigacao-contra-mendonca/
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Leia também:

PGR abre inquérito para apurar possível
interferência do Ministro Mendonça
em Relatório da Polícia Federal

Paulo Gonet terá cinco dias para se manifestar
sobre informações trazidas aos autos pelo
ministro Alexandre e encaminhadas ao PGR
pelo Presidente do STF, Edson Fachin.

Íntegra da Decisão do Presidente do Supremo:
(https://noticias-stf-wp-prd.s3.sa-east-1.amazonaws.com/wp-content/uploads/wpallimport/uploads/2026/09/04150557/Despacho-1.pdf)

https://noticias.stf.jus.br/postsnoticias/presidente-do-stf-pede-novas-manifestacoes-em-procedimento-que-apura-condutas-em-investigacoes-da-pf/

https://www.cartacapital.com.br/justica/gonet-abre-inquerito-para-apurar-possivel-interferencia-de-mendonca-em-relatorio-da-pf/
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