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Diário da Resistência


Jeferson Miola: Deltan Dallagnol e Carlos Lacerda, duas faces do fascismo brasileiro
Fluxograma dos canalhas: Deltan e seu powerpoint já desmascarado; e Carlos Lacerda, em cena do filme Getúlio, inaugurando o estilo. Fotos: Reprodução de vídeo
Política

Jeferson Miola: Deltan Dallagnol e Carlos Lacerda, duas faces do fascismo brasileiro


24/05/2022 - 15h22

Deltan e Lacerda, duas faces e duas épocas do fascismo brasileiro

Por Jeferson Miola, em seu blog

Millôr Fernandes dizia que o Brasil tem um enorme passado pela frente. A ação da gangue da Lava Jato confirma tanto a validade como a atualidade desta constatação bem humorada; porém, trágica.

No dia 14 de setembro de 2016, numa solenidade espalhafatosa transmitida ao vivo pelas redes de rádio e TV do país, Deltan Dallagnol sentenciou: “um conjunto de evidências e de contextos que nos fazem concluir, para além de qualquer dúvida razoável, que Lula foi o comandante do esquema criminoso descoberto pela Lava Jato”.

Na pantomima de apresentação do powerpoint, o convicto Deltan sustentou que “provas demonstram que Lula era o grande general que comandou a realização e a continuidade da prática dos crimes”.

O pastor-procurador disse ainda ter “evidências que apontam para Lula como peça central da Lava Jato”, como pode ser revisto neste trecho de 45 segundos de transmissão da TV Migalhas,

Deltan Dallagnol denuncia Lula  

No filme Getúlio, produzido por Carla Camurati, Carlos Diegues e Pedro Borges e dirigido por João Jardim em 2014 [dois anos antes do powerpoint do Deltan, portanto], tem uma cena em que Carlos Lacerda, em papel representado pelo ator Alexandre Borges, desenha na lousa o powerpoint de condenação do então presidente Getúlio Vargas.

Naqueles dias tumultuados de agosto de 1954 que precediam o suicídio de Getúlio, Lacerda denunciava que os envolvidos no atentado da Rua Tonelero [4/8/1954] estavam “todos a serviço de um único chefe”, e, então, teatralmente, circunda com giz o nome de Getúlio situado no centro do fluxograma.

Num gesto teatral ensaiado, tal como o convicto Deltan viria a repetir 62 anos mais tarde, Lacerda sentenciou: “Perante deus, eu acuso um só homem pelo assassinato do major da Aeronáutica e pelo tiro que me atingiu. Esse homem é o presidente da República, Getúlio Vargas!” [vídeo]..

Lacerda denuncia Getúlio

Deltan e Lacerda são duas faces de duas épocas diferentes do fascismo brasileiro.

Ambos representam falanges de extrema-direita fascista que cumpriram, cada qual a seu tempo, papel decisivo na desestabilização política e na conspiração para derrubar governos de recorte nacional-popular.

Enquanto Lacerda foi um expoente implacável e canino do antigetulismo, a facção Moro-lavajatista cumpriu idêntico papel na disseminação do ódio e da violência antipetista.

Por trás desses dois acontecimentos da extrema-direita fascista, em comum há a atuação conspirativa e de tutela militar das cúpulas partidarizadas das Forças Armadas.

Se o Brasil tem um enorme passado pela frente, como dizia Millôr, é porque a história sempre pode se repetir, e para pior.

Marx dizia que a história acontece pela primeira vez como tragédia e pela segunda vez como farsa. No Brasil, no entanto, esta repetição histórica é uma terrível tragédia.





2 comentários

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Zé Maria

25 de maio de 2022 às 03h25

https://pt.org.br/wp-content/uploads/2020/11/moro-traicao.jpg
https://pbs.twimg.com/media/FTiZhtyXoAEulSh?format=jpg

Manchete do Dia

“Moro vira Réu em Ação Popular
por Prejuízos Causados ao Brasil”

Ação Popular foi protocolada em 27 de abril deste ano
e recebida nesta segunda-feira (23) pelo Juiz Federal de
Brasília-DF, Charles Renaud Frazão de Morais, que
determinou a citação de Moro para responder a Ação.

Na petição inicial na Ação Popular ajuizada na JF, os
Representantes da População Brasileira, Deputados
Federais Erika Kokay, José Guimarães, Natalia Bonavides,
Paulo Pimenta e Rui Falcão, alegam que, durante sua
atuação como juiz da Lava Jato em Curitiba-PR, Moro
teve “condutas atentatórias ao patrimônio público
e à moralidade administrativa, as quais tiveram severos
impactos na economia do país e em sua estabilidade
democrática e institucional.”
Afirmam, ainda, que “os desvios de finalidade, os excessos
e abusos” cometidos ao longo da operação Lava Jato
produziram “um cenário de desarranjo econômico de
altíssimo custo social em nosso país.”

https://twitter.com/PTnoSenado/status/1529152611621998594
https://twitter.com/PTnoSenado/status/1529140887866966016
https://twitter.com/DeputadoFederal/status/1529080000053448705
https://twitter.com/ErikaKokay/status/1529060241916280833
https://twitter.com/guimaraes13PT/status/1529113172388548614
https://twitter.com/NatBonavides/status/1529076620585205761
https://twitter.com/rfalcao13/status/1529060613980397568

Deturpação do Sistema de Justiça
Na Ação Popular, elaborada por advogados do Grupo Prerrogativas,
os parlamentares acusam Sergio Moro de ter corrompido o Sistema de Justiça.

Dentre as condutas criminosas do ex-juiz no âmbito da Operação Lava Jato
estão a seguintes:

– Autorização de interceptação e monitoramento de conversações telefônicas de uma banca advocatícia (defesa do ex-presidente Lula) “com o claro objetivo de bisbilhotar e saber antecipadamente a estratégia de defesa”;

– Determinação de condução coercitiva de Lula, “que jamais deixou de atender as intimações judiciais, mediante o uso de um aparato militar cinematográfico e com a evidente finalidade de abalar sua imagem e presunção de inocência”;

– Publicidade a conversações telefônicas “com o nítido fim de convulsionar a sociedade e as instituições
(i) em favor do impeachment de uma Presidenta legitimamente eleita, e
(ii) contra o partido então governista, bem como contra sua principal figura e presidente de honra, à época investigado nos feitos sob supervisão do então magistrado”;

– Estando no gozo de férias e sem jurisdição para o caso, “atuou decisivamente para manter o encarceramento de um cidadão cuja liberdade foi determinada por órgão jurisdicional de superior hierarquia”;

– Ao mesmo tempo em que presidia procedimentos penais instaurados contra um dos candidatos à Presidência da República (Lula),
(i) conversou e recebeu convite para integrar o governo do seu adversário e antagonista político (Bolsonaro),
(ii) deu publicidade a anexos de delação premiada com o clarividente objetivo de prejudicar o primeiro e beneficiar o segundo e,
(iii) logo depois, findado o pleito eleitoral com a vitória do beneficiado, aceitou compor o seu governo na qualidade de Ministro da Justiça e da Segurança Pública e com a promessa de ser indicado a uma das cadeiras do Supremo Tribunal Federal;

– Depois de ter deixado o governo, foi contratado para trabalhar em empresa de consultoria responsável, dentre outros, pela recuperação judicial de empresas direta e indiretamente prejudicadas por atos que praticou enquanto juiz.

Os deputados e deputadas petistas lembram ainda na ação que as mensagens obtidas pela Operação Spoofing, “de conhecimento público e notório, revelaram que o ex-juiz Sergio Moro, em conluio com diversos procuradores da República, criaram um sistema paralelo e particular de justiça, restrito a determinadas pessoas via Telegram”. “E mais ninguém”, apontaram os autores da Ação Popular.

Os parlamentares destacaram ainda que, “os efeitos nocivos provocados por esses atos supostamente judicantes são incalculáveis e atingiram toda a população brasileira”.
Dentre eles, os petistas apontam:
(i) o abalo causado às instituições republicanas e ao tecido social,
(ii) a ingerência e a tentativa de subversão do sistema político brasileiro,
(iii) o descrédito da população perante o Poder Judiciário e, sobretudo,
(iv) o impacto econômico ao sistema financeiro nacional, principalmente o setor de óleo e gás e à maior empresa brasileira, a Petrobras.

“Tudo isso dolosamente arquitetado e orquestrado sob a batuta do ex-juiz
Sergio Moro, ora Requerido, fato que é inconcebível em um regime democrático”,
afirma a Ação Popular.

Pedido à Justiça
Diante desses fatos, os petistas pedem à Justiça Federal uma série de ações. Entre elas, a condenação de Sérgio Moro por atos lesivos “à legalidade, à impessoalidade e à moralidade pública, “em severos prejuízos ao interesse público e ao erário público”, além do “ressarcimento dos prejuízos causados ao Estado e à coletividade”.

Íntegra:
https://pt.org.br/moro-vira-reu-deputados-lembram-como-a-lava-jato-arrasou-a-economia/
Mais Detalhes em:
https://ptnacamara.org.br/site/petistas-entram-com-acao-popular-contra-ex-juiz-sergio-moro-por-danos-causados-ao-pais-pela-lava-jato/

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Zé Maria

24 de maio de 2022 às 22h51

Perto do Corvo Lacerda, o DD não passa de um Anu.

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