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Jeferson Miola: Bruno e Dom eram alvos da política de terror, genocídio e devastação do governo militar de Bolsonaro
Política

Jeferson Miola: Bruno e Dom eram alvos da política de terror, genocídio e devastação do governo militar de Bolsonaro


15/06/2022 - 20h17

Bruno e Dom eram alvos da política de terror e devastação do governo militar

Por Jeferson Miola, em seu blog                                   

Bruno Pereira e Dom Philips foram vítimas das estruturas econômicas criminosas que se expandiram e se infiltraram livremente sob os auspícios do governo militar do Bolsonaro.

O macabro assassinato deles é consequência lógica das escolhas do governo dos generais, que haverão de ser responsabilizados nos tribunais nacionais e internacionais por mais um crime pavoroso contra a humanidade.

Bruno e Dom eram entraves ao genocídio dos povos originários e à devastação das florestas e territórios indígenas, onde florescem com fecunda facilidade a pesca e a caça ilegal, o narcotráfico, o garimpo, a mineração, a pistolagem e o desmatamento.

Em razão disso, Bruno e Dom viraram alvos que algum dia, mais cedo ou mais tarde, deveriam ser exterminados. E este dia finalmente chegou, em 5 de junho, na Terra Indígena do Vale do Javari.

No estudo “Um retrato da FUNAI sob o governo Bolsonaro” o INESC [Instituto de Estudos Socioeconômicos] e a associação Indigenistas Associados [INA] retratam a profunda interface da política antiindígena da FUNAI com o projeto do governo militar de colonização e exploração econômico-empresarial das terras indígenas e da região amazônica.

As posturas genocidas do governo militar em relação aos indígenas durante a pandemia da COVID integram o mosaico de medidas e práticas criminosas – oficiais e de grupos privados – que atentam contra a existência dos povos originários e contra a preservação climática e ambiental.

O debilitamento e o desmonte da institucionalidade tanto estatal como não-estatal de proteção indígena e ambiental; a redução orçamentária e o corte de verbas; a perseguição a técnicos, o abandono da fiscalização e, ainda, a militarização e o policiamento da gestão da FUNAI, dentre outras questões, conformam um ambiente propício, idealizado pelo próprio governo para a consecução do plano de colonização e dominação da região por modelos econômicos criminosos.

A FUNAI é presidida por um delegado da Polícia Federal.

“Quase não se notam experiências de atuação com a política indigenista, ou mesmo com cargos de direção em administração pública. Alguns deles, inclusive, definem-se como ‘pecuaristas’, e não escondem suas alianças com o agronegócio”, conclui o estudo.

Das “39 Coordenações Regionais da Funai, apenas duas têm como chefes titulares servidores do órgão”, sendo que “17 [são] militares, três policiais militares, dois policiais federais e seis profissionais sem vínculo anterior com a administração pública”.

Além disso, constata o estudo, “o presidente da Funai, Marcelo Xavier, trocou todos os cargos DAS-4 existentes no órgão, nomeando, também aqui, militares e policiais para grande parte deles”.

O “retrato da FUNAI sob o governo Bolsonaro” deixa evidente a relevância central do aparelhamento e controle da FUNAI para a execução radical do projeto antiindígena do governo militar.

O problema, porém, é que no meio do caminho deste projeto oficial estavam o indigenista brasileiro Bruno Pereira e o jornalista inglês Dom Philips que, por isso, precisavam ser eliminados.

Bolsonaro não só conhecia, como odiava Dom Philips. Ele chegou a dizer que “esse inglês era mal visto na região, porque fazia muita matéria contra garimpeiros, questão ambiental, então, naquela região lá, que é bastante isolada, muita gente não gostava dele. Ele tinha que ter mais que redobrada atenção para consigo próprio e resolveu fazer uma excursão”, declarou com extrema torpeza o Aberração do Planalto [14/6].

Bolsonaro já esteve quase lado a lado de Dom, apenas com o general Augusto Heleno entre eles.

Isso aconteceu numa entrevista coletiva em julho de 2019, quando Dom mencionou o “crescimento assustador dos desmatamentos” e perguntou a Bolsonaro: “Como o senhor Presidente entente e pretende convencer, mostrar para o mundo que realmente o governo tem uma preocupação séria com a preservação da Amazônia?”.

Bolsonaro respondeu com rispidez, raiva e intimidação. “Primeiro você tem que entender que a Amazônia é do Brasil, não é de vocês. A primeira resposta é isso daí”, disse a Dom, complementado que “nenhum país do mundo tem moral pra falar sobre a Amazônia”.

Agressivo, Bolsonaro passou a interpelar Dom: “Para que tanta ONG na Amazônia, já que estão tão preocupados com o meio ambiente e o ser humano? Responda pra mim isso aí, será que o interesse de vocês é com o ser humano ou é outro interesse futuro nessa área?”, insistiu.

Reportagem de Pedro Grigori no Correio Braziliense [14/6] registra que em 26 de setembro de 2021, pouco mais de dois anos depois da entrevista, Bolsonaro “repostou o vídeo da pergunta de Dom Phillips como um exemplo da ‘cobiça de sempre’ pela Amazônia”.

A matéria menciona que Dom “ficou muito abalado com a republicação do vídeo”, e que ele “passou a receber ataques de bolsonaristas” com o assobio do Bolsonaro à matilha fascista.

O indigenista Bruno Pereira, que também era conhecido e também era alvejado pelo governo militar devido à condição de notório inimigo dos agressores dos seus maiores amigos, os indígenas do Vale do Javari, foi tirado do caminho.

Ele foi demitido da Coordenação de Indígenas Isolados e de Recente Contato da FUNAI na gestão do ex-ministro bolsonarista da Justiça Sérgio Moro em outubro de 2019, três meses depois da entrevista na qual o jornalista Dom ficou marcado para morrer.

Alguns dias antes de desaparecer, Bruno alertou que sua vida corria perigo.

A eliminação de Bruno e Dom, “profilática” para o avanço do mundo do crime na Amazônia, também objetiva gerar exemplo atemorizador e intimidar ativismos pró-indígenas e ambientalistas infundindo medo, terror e pânico.

Bruno e Dom eram alvos da política de terror e devastação do governo militar. Agora se tornaram vítimas mortais da guerra de ocupação do Brasil na qual as Forças Armadas atuam como garantidoras do brutal processo de pilhagem e saqueio do país.





8 comentários

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Zé Maria

16 de junho de 2022 às 07h23

https://pbs.twimg.com/media/FU8D-psWIAYwc-u?format=jpg

GOLPISTAS BOLIVIANOS SÃO CONDENADOS À CADEIA

A ex-Senadora Jeanine Áñez foi Condenada a 10 Anos de Prisão
pelo Tribunal Primero de Sentencia Anticorrupción de La Paz
pelo Golpe de Estado contra o Presidente Evo Morales em 2019.

Além dela, o ex-Comandante das Forças Armadas Bolivianas, Williams Kaliman,
e o ex-Comandante-Geral da Polícia da Bolívia, Vladimir Calderón, também foram
Condenados com a Mesma Pena.

Outros 4 Militares da Cúpula das Forças Armadas da Bolívia
receberam penas menores, mas foram responsabilizados
pelo Golpe de Estado:
o também ex-Comandante das FFAA Bolivianas, Jorge Elmer Fernandez
(4 anos);
o Chefe do 3º Departamento das FFAA da Bolívia, Sergio Orellana Centellas
(4 anos);
o ex-Comandante do Exército Boliviano, Pastor Mendieta (3 anos); e
o ex-Chefe do Estado Maior da Bolívia, Flavio Gustavo Arce (2 anos).

“Desta maneira, o povo boliviano dá um passo mais na busca da Justiça
pelos lamentáveis feitos ocorridos na gestão de 2019, quando se propôs
uma ruptura constitucional que resultou em uma crise social e política
com violações constantes aos direitos humanos e massacres”, diz a nota
divulgada no fim da noite desta sexta-feira (10) pelo Ministério do Governo
da Bolívia.

http://spanish.news.cn/2022-06/11/c_1310620109.htm

https://revistaforum.com.br/global/2022/6/11/bolivia-condena-jeanine-anez-cupula-das-foras-armadas-por-golpe-contra-evo-morales-118631.html

Se o Brasil tivesse feito o mesmo depois da Ditadura Militar (1964-1985),
não estaríamos até hoje sofrendo as Conseqüências do Golpe de 1964.

Responder

    Zé Maria

    17 de junho de 2022 às 08h09

    Adivinhem quais foram os 2 Políticos braZileiros
    que, após a Publicação da Sentença Condenatória
    do Tribunal da Bolívia, se manifestaram a favor da
    Golpista Boliviana ?

    Quem respondeu Sergio Moro e Janaína Paschoal acertou:
    https://twitter.com/SF_Moro/status/1535644864737599490

    Zé Maria

    17 de junho de 2022 às 08h15

    A Fúria de Ambos é Sintomática do
    NeoGolpismo de Extrema-Direita
    no Século 21 do Terceiro Milênio.

Zé Maria

16 de junho de 2022 às 03h41

A Polícia Federal só deve estar brincando,
se der por solucionado a Execução Sumária
do Indigenista Bruno e do Jornalista Dom.

“QUEM MANDOU MATAR BRUNO E DOM?”

Está na hora fazer aquela Pegunta que vem
se repetindo no Brasil, pelo menos, desde a
Emboscada que matou Chico Mendes (*),
executada por Capangas a mando de um
Fazendeiro Acreano do Agro Pop, Abençoado
da Globo que em dezembro de 2013 fez uma
Suave Reportagem em Defesa da Inocência
do Criminoso Mandante do Assassinato (**).

*(https://midianinja.org/news/testemunha-da-morte-de-chico-mendes-conta-todos-os-detalhes-em-livro)

**(http://glo.bo/1970gTn)

Responder

    Zé Maria

    16 de junho de 2022 às 03h57

    https://pbs.twimg.com/media/FVUODsjX0AMW8si?format=jpg
    https://twitter.com/RogerioCorreia_/status/1537150314465447938

    Zé Maria

    16 de junho de 2022 às 07h29

    Será que a PF sabe dizer o que havia dentro dos Peixes do Colômbia?

    Zé Maria

    16 de junho de 2022 às 07h37

    Alguém acredita mesmo que essas Execuções Sumárias Brutais
    ocorrerem por causa dos ‘Peixinhos’ Pescados pelo “Pelado”?

Zé Maria

16 de junho de 2022 às 03h06

https://pbs.twimg.com/media/FVT5dmzXEAYcmaS?format=jpg

“A Abin foi na Funai atrás de mim”, contou ao Sul21
o indigenista Ricardo Henrique Rao, que precisou
deixar o Brasil, para não morrer, após denunciar
crimes cometidos contra povos indígenas no Maranhão.”
https://twitter.com/SulVinteUm/status/1537134483304026112

“Ricardo relata que, depois da morte de Paulo Paulino Guajajara,
seu amigo e guardião da floresta que foi morto em missão
de vigilância dentro da Terra Indígena Arariboia,
preparou o dossiê sobre crimes cometidos contra os povos
indígenas e decidiu sair do país.”

https://pbs.twimg.com/media/FVT3QteXEAUk_0i?format=png
“Em 2019, o indigenista especializado da Fundação
Nacional do Índio (Funai) entregou à Comissão de
Direitos Humanos, da Câmara dos Deputados,
um dossiê denunciando o envolvimento de
Policiais Militares e civis em crimes contra indígenas
da Amazônia Oriental, no Maranhão.”
https://twitter.com/SulVinteUm/status/1537134492825141248

“Após entregar o dossiê, avaliando estar marcado para morrer,
Ricardo Rao solicitou asilo diplomático a Noruega, a partir
de contatos que havia estabelecido com povos originários
daquele país.
Começava para Ricardo um exílio involuntário que ainda não terminou.”
https://twitter.com/SulVinteUm/status/1537134496516132866

“Em entrevista ao Sul21, ele falou sobre seu trabalho como indigenista,
sobre os crimes que denunciou e sobre o ambiente instaurado no trabalho
da Funai a partir do governo Bolsonaro.
‘Para quem tem perfil combativo e idealista, é uma situação de acosso
permanente’, resume.”
https://twitter.com/SulVinteUm/status/1537134500354097152

“As coisas começaram a piorar desde o início do governo Temer.
Com o governo Bolsonaro, tudo só foi se agravando.
No meu caso, a situação começou a se agravar com a apreensão
de uma moto de um sujeito envolvido com crimes ambientais”,
relatou o indigenista.
https://twitter.com/SulVinteUm/status/1537134504057397249

Outro evento da maior gravidade que convenceu o indigenista Ricardo Rao
de que a situação estava especialmente perigosa foi o envio de um destacamento
da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) na Funai, em 2019.
“A Abin foi na Funai atrás de mim”, contou.
https://twitter.com/SulVinteUm/status/1537134511472922626

“Ricardo relata que, depois da morte de Paulo Paulino Guajajara,
seu amigo e guardião da floresta que foi morto em missão de vigilância
dentro da Terra Indígena Arariboia, preparou o dossiê sobre crimes
cometidos contra os povos indígenas e decidiu sair do país.”
https://twitter.com/SulVinteUm/status/1537134515864444929

“Eu sabia que seria o próximo.
O investigador já tinha me dito (usou um termo obsceno que não vou repetir)
que “aqui namoradinho de índio morre cedo”.
Então eu preparei o dossiê.
Sabia que ia vazar porque sempre vaza e que a minha vida ia valer muito pouco”,
disse.
https://twitter.com/SulVinteUm/status/1537134519316361219

Ricardo contou que há na Funai grupos que se digladiam constantemente.
“Eu vi servidor da Funai falando que “índio não presta” e coisas do tipo.
Essa banda podre está aproveitando para abrir procedimentos administrativos
disciplinares contra nós, que somos da banda rondoniana”.
https://twitter.com/SulVinteUm/status/1537134522906574848

Ele também lembrou do trabalho do indigenista Bruno Pereira,
com quem chegou a trabalhar:
“Era um modelo para todos nós indigenistas idealistas.
O Bruno é um exemplo disso que estou te falando.
Era 24 horas dedicado ao indigenismo”, conta.
https://twitter.com/SulVinteUm/status/1537134530255065089

“Confira a entrevista completa do indigenista Ricardo Rao
na reportagem de @maweissheimer: https://t.co/bnPczgoJVu

https://twitter.com/SulVinteUm/status/1537134534101192704
https://sul21.com.br/noticias/entrevistas/2022/06/a-abin-foi-na-funai-atras-de-mim-conta-indigenista-que-deixou-o-pais-para-nao-morrer/

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