Por Jeferson Miola, em seu blog
O resultado saído das urnas neste domingo 4 de outubro nos convoca a fazer um profundo e rigoroso esforço de entendimento sobre a confluência de causas e dinâmicas que o determinaram.
Em caráter provisório, e sem estabelecer hierarquia de peso de um fator específico sobre todos demais, é importante anotar, entretanto, o efeito que a centralidade do STF ganhou no debate eleitoral.
O bolsonarismo entrou na eleição com o mote de eleger senadores para impichar ministros do STF. A guerra contra ministros da Suprema Corte foi a bandeira praticamente exclusiva das campanhas ao Senado de muitos bolsonaristas e aliados.
Com essa estratégia, o PL e partidos satélites do bolsonarismo conquistaram mais de 30 das 54 cadeiras do Senado que foram disputadas; um feito extraordinário.
Este desempenho permite que na próxima legislatura que se inicia em fevereiro de 2027 a extrema direita ultrapasse o quórum de maioria absoluta [41 votos], e fique muito próxima de alcançar a maioria qualificada de 2/3 [54], quórum que viabiliza impeachment de ministros da Suprema Corte, além de conferir outros poderes para objetivamente travar eventual governo Lula 4.
O processo eleitoral para o Senado foi marcado, desde o início, por este viés, e contou com o reforço propagandístico da mídia hegemônica, que construiu um enquadramento lavajatista da questão, inclusive porque com isso poderia avariar a campanha de Lula.
A política extremista em relação ao judiciário eclipsou a discussão das urgências sociais e nacionais, das propostas para o país, a comparação de projetos e biografias, o escândalo Master e a abordagem de temas cruciais, como a sobrevivência da democracia e a defesa da soberania ante a interferência dos EUA.
O ministro André Mendonça teve um papel decisivo no impulsionamento das campanhas de Flávio Bolsonaro à Presidência e dos bolsonaristas ao Senado. Ele foi peça-chave da extrema-direita no tabuleiro eleitoral.
Com sua jogada no dia 1º de setembro, Mendonça conseguiu desviar a atenção sobre o envolvimento dos Bolsonaro e aliados com a roubalheira do INSS e com o esquema criminoso de Daniel Vorcaro, e colocou no centro do escrutínio o ministro Alexandre de Moraes, o “algoz dos golpistas”, e poupou os ministros bolsonaristas envolvidos com o banqueiro mafioso tanto ou mais que ele.
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André Mendonça foi, indiscutivelmente, o grande eleitor para o Senado. Ele teve um papel destacado para a eleição de uma bancada majoritária de extrema direita.
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