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Diário da Resistência


Janio de Freitas: O nome verdadeiro é golpe; nenhum golpista jamais admitiu ser golpista
Política

Janio de Freitas: O nome verdadeiro é golpe; nenhum golpista jamais admitiu ser golpista


01/09/2016 - 11h58

TEMER REPRODUÇÃO TV

Crédito: Fotos Públicas

Nenhum golpista já admitiu ser golpista

Janio de Freitas, na Folha de S. Paulo, em 01/09/2016

Em inúmeras vezes, nas sessões do impeachment que presidiu, o ministro Ricardo Lewandowski disse ao plenário, com pequenas variações de forma: “Neste julgamento, os senadores e senadoras são juízes, estão julgando”.

Entre os 81 juízes, mais de 70 declaravam o seu voto há semanas, e o confirmaram na prática. Um princípio clássico do direito, porém, dá como vicioso e sujeito à invalidação o julgamento de juiz que assuma posição antecipada sobre a acusação a ser julgada. O que houve no hospício –assim o Senado foi identificado por seu presidente, Renan Calheiros– não foi um julgamento.

Os que negam o golpe o fazem como todos os seus antecessores em todos os tempos: nenhum golpista admitiu ser participante ou apoiador de um golpe.

Desde o seu primeiro momento e ainda pelos seus remanescentes, o golpe de 1964, por exemplo, foi chamado por seus adeptos de “Revolução Democrática de 64”. Alguns, com certo pudor, às vezes disseram ser uma revolução preventiva.

É o que faz agora, esquerdista extremado naquele tempo, o deputado José Aníbal, do PSDB, sobre a derrubada de Dilma: “É a democracia se protegendo”. Dentre os possíveis exemplos pessoais, talvez nenhum iguale Carlos Lacerda, que dedicou a maior parte da vida ao golpismo, mas não deixou de reagir com fúria se chamado de golpista.

As perícias e as evidências negaram fundamento nas duas acusações utilizadas para o processo do impeachment de Dilma. As negações foram ignoradas no Senado, em escancarada distorção do processo.

Para disfarçar essa violência, foi propagada a ideia de que a maioria dos senadores apoiaria o impeachment levada pelo “conjunto da obra” de Dilma: a crise econômica, as dificuldades da indústria, o aumento do desemprego, o deficit fiscal, a suspensão de obras públicas, as dificuldades financeiras dos Estados e outros itens citados no Congresso e na imprensa.

Se os deputados e senadores se preocupassem mesmo com esses temas do “conjunto da obra”, teríamos o Congresso que desejamos. E os jornais, a TV e os seus jornalistas estariam sempre mentindo com suas críticas, como normal geral e diária, sobre a realidade da política e dos políticos.

Nem as tais pedaladas e os créditos suplementares, desmoralizados por perícias e evidências, nem o “conjunto da obra”, cujos temas não figuram nos interesses da maioria absoluta dos parlamentares, deram base para acusações respeitáveis em um processo e um julgamento. Se, no entanto, envoltos por sofismas e manipulações, serviram para derrubar uma presidente, houve um processo, um julgamento e uma acusação ilegítimos –um golpe parlamentar. Os que o efetivaram ou apoiaram podem chamá-lo como quiserem, mas foi apenas isto e seu nome verdadeiro é só este: golpe.

Esse desastre institucional contém, apesar de tudo, um ponto positivo. A conduta dos militares das três Forças, durante toda a crise até aqui, foi invejavelmente perfeita. Do ponto de vista formal e como participação no esforço democratizante que civis da política e do empresariado estão interrompendo.

O pronunciamento de ex-presidente feito por Dilma corresponde à aspiração de grande parte do país. Mas a tarefa implícita no seu “até daqui a pouco” exigiria, em princípio, mais do que as condições atuais da nova oposição podem oferecer-lhe, no seu esfacelamento.

À vista do que são Michel Temer e os seus principais coadjuvantes, não cabem dúvidas de que os oposicionistas podem esperar muita contribuição do governo. Mas o dispositivo de apoio à situação conquistada será, a partir da Lava Jato, de meios de comunicação e do capital proveniente de empresários, uma barreira sem cuidado com limites.

Desde ontem, o Brasil é outro.

 

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15 comentários

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Otto

02 de setembro de 2016 às 09h24

Mais um abjeto membro do verdadeiro PIG, isto é, Partido da Imprensa Governista, ou melhor ex-governista, ou ainda, a verdadeira Imprensa Golpista, vomitando insanidades.

Responder

FrancoAtirador

01 de setembro de 2016 às 16h14

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Veja bem, em todo o Processo de Impíxi,
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Romero Jucá foi o Escolhido de MiShell
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pra ser o Articulador do PMDB no Senado.
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https://pbs.twimg.com/media/CrRZcy3XgAQvDuf.jpg
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Responder

FrancoAtirador

01 de setembro de 2016 às 15h34

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O Golpe Político já foi Consolidado.

Em seguida, virá o Golpe Econômico,
também por via do Poder Legislativo.

Só que esse Golpe será Devastador.
E desse, nem as Pedras sobrarão.
Restarão os Malhos e @s Picaretas.
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Responder

FrancoAtirador

01 de setembro de 2016 às 15h20

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Por detrás do Discurso dos Economistas Neoliberais

e Comentaristas Econômicos das Redes de Televisão

este é o Mote:

-Te dá por satisfeito que tens um emprego, imbecil!
Se tu não queres assim, idiota, tem quem queira!
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Responder

FrancoAtirador

01 de setembro de 2016 às 15h08

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Reforma Trabalhista dos Vermes Políticos
para acabar com o Desemprego no braZil
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O Negociado Sobre o Legislado
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Desempregado:
-Prezado e Digno Empresário,
Minha Família Passa Fome,
o senhor me daria um Emprego.
qualquer Serviço está bom.

Patrão:
Mas é claro, meu bom homem,
já pódes começar a trabalhar.
Porém te aviso, a Jornada Diária
é de 10 Horas, Sem Intervalo.

Desempregado:
Bem, e quanto o senhor vai me pagar?

Patrão: Pagar? Estás Louco ou o quê?
Com toda essa Crise Econômica
que o nosso País está enfrentando
por causa dos Petralhas Corruptos,
e tu ainda vens me pedir Salário?…
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Responder

    FrancoAtirador

    01 de setembro de 2016 às 15h25

    .
    .
    O Desemprego é usado pela Alta Burguesia
    como forma de Chantagem ao Trabalhador.

    E não será reduzido, até que os Vermes Políticos
    aprovem esse Golpe Econômico no Congresso.
    .
    .

Mark Twain

01 de setembro de 2016 às 13h40

O Janio (infelizmente) esqueceu a medalhinha que os milicos deram pro Moro.

Desgraça pouca é bobagem! Nossa desgraça é completa!

Responder

Aroldo Manso

01 de setembro de 2016 às 13h31

Mais um golpista arrependido, ou esqueceram de mim 8?

O que está passando pela cabeça de Joaquim Barbosa ao chamar o golpe de “impeachment Tabajara”? Por Paulo Nogueira

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-que-esta-passando-pela-cabeca-de-joaquim-barbosa-ao-chamar-o-golpe-de-impeachment-tabajara-por-paulo-nogueira/

Postado em 01 Sep 2016
por : Paulo Nogueira no Diário do Centro do Mundo

Arrependido?

A melhor definição do golpe veio de alguém absolutamente improvável: Joaquim Barbosa.

Golpe Tabajara.

Barbosa disse isso, e muitas outras coisas, no Twitter. E suas considerações viralizaram. Centenas, às vezes milhares de retuítes.

Ele tocou em pontos chaves do golpe Tabajara. Não só em português, mas em inglês e francês.

Tocou no papel da mídia como desestabilizadora do governo Dilma. Traçou um retrato devastador — e real em cada letra — de Temer, “um homem conservador, ultrapassado, desconectado do país”, alguém que é comparável à velha figura dos “caudilhos”.

Afirmou a impotência do STF. “Em matéria de impeachment, o STF pode fazer pouquíssimo. E fez pouquíssimo.”

Barbosa descreveu como poucos o golpe. Mas o mais extraordinário não é isto, e aí entramos no terreno da psiquiatria.

É como se ele simplesmente ignorasse seu papel na construção do golpe. Sem o Mensalão, e sem Barbosa especificamente, o impeachment de 2016 não teria ocorrido.

As mesmas forças conservadoras das quais Barbosa fala agora já haviam se agrupado então. Barbosa foi o Moro de então, o grande acusador, o impiedoso perseguidor das forças progressistas.

Como Moro, se tornou um ídolo da classe média manipulada pela imprensa que, anos depois, tomaria as ruas do país para pedir o impeachment de verde-amarelo.

Por falar tudo que a plutocracia queria que fosse dito, Barbosa foi capa de revistas, apareceu interminavelmente em telejornais, dominou as manchetes dos diários por um longo tempo.

Virou até máscara de carnaval.

O que ocorreu com ele? Como uma transformação tão vertiginosa?

Essa é uma das perguntas mais fascinantes destes nossos tempos.

Ele estaria arrependido? É possível. Mas esta hipótese não se sustenta sem que Barbosa peça claramente desculpas pelo mal que causou à democracia.

Tem planos políticos? Também é possível. Mas com sua interpretação do golpe Tabajara ele jamais ganhará um voto do público que o amava. Nas redes sociais você vê as mesmas pessoas que o veneravam atirar-lhe pedras agora.

Jamais a mídia lhe dará espaço para falar as coisas que vem falando.

A única coisa concreta é que ele está certo, absolutamente certo nas coisas que disse.

Apenas se esqueceu de dizer o quanto foi importante na construção do golpe Tabajara.

Responder

Maria Aparecida Lacerda Jubé

01 de setembro de 2016 às 13h16

Querendo ou não, aceitando ou não , esse golpista será para sempre chamado de GOLPISTA, GOLPISTA, GOLPISTA, até em sua lápide terá em sua homenagem a palavra GOLPISTA, até o capeta quando de sua chegada ao inferno exibirá um imensa faixa em sua homenagem, com os dizerem “BENVINDO AOS QUINTOS DOS INFERNOS, GOLPISTA”

Responder

FrancoAtirador

01 de setembro de 2016 às 12h46

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E AGORA, GLOBO, FIESP, FEBRABAN, TEMER, STF, MPF…?
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Por Antonio Negrão de Sá
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O Globo coloca na sua primeira página, em letras garrafais,
a manchete ‘E AGORA, TEMER?’
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Uma manchete no mínimo hipócrita e que subestima a inteligência do brasileiro.
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A pergunta correta é

“E AGORA, TEMER, GLOBO, TVS, FIESP, CNI,
FEBRABAN, SISTEMA FINANCEIRO, STF, MPF,
LAVA-JATO, SÉRGIO MORO E OUTROS GOLPISTAS?”.
.
Michel Temer é o Porta-Voz, o Fantoche.
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Está mais do que claro que o Sistema Financeiro não aceitou
a decisão soberana de 54 milhões de brasileiros
e mudou o programa, através de um GOLPE.
.
Um verdadeiro estelionato eleitoral, constitucional e programático.
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Nem o Senado, nem o STF tem Autoridade
para impor um programa de governo
não votado pelo Povo.
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Responder

FrancoAtirador

01 de setembro de 2016 às 12h10

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Os Comandantes das Forças Armadas
deram Garantia ao Golpe de Estado.
Não atuaram, porque a Polícia Militar
e a Polícia Federal foram Suficientes.
Mas se os Vermes Golpistas precisarem
serão Acionadas e atenderão às Ordens
para a Manutenção dos Salteadores.
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Responder

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