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Investigação de denúncia de Paulo Marinho deveria incluir procuradores da Lava Jato
Reprodução de vídeo, redes, Roberto Jayme/Ascom/TSE
Política

Investigação de denúncia de Paulo Marinho deveria incluir procuradores da Lava Jato


19/05/2020 - 15h12

Além da PF, procuradores da Lava Jato também devem ser investigados pela blindagem de Flávio Bolsonaro

por Jeferson Miola

O Ministério Público Federal [MPF] instaurou investigação criminal para apurar a denúncia de Paulo Marinho acerca do delegado da PF que alertou Flávio Bolsonaro sobre a Operação Furna da Onça.

A investigação será fundamental para apurar os fatos, mas deixará lacunas importantes se não investigar o eventual envolvimento ilícito também de procuradores da Lava Jato que atuaram na Furna da Onça com agentes da PF.

A Furna da Onça é um desdobramento da Lava Jato no Rio de Janeiro. Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras [Coaf] entregue à PF e ao MPF em janeiro de 2018 sobre a movimentação financeira atípica de deputados estaduais e assessores parlamentares, deu origem à Operação.

Fabrício Queiroz, lotado no gabinete do Flávio Bolsonaro na ALERJ, constava neste relatório do COAF devido à movimentação sem origem comprovada de R$ 1,2 milhão [posteriormente chegou-se à estimativa de mais de R$ 6 milhões], inclusive com depósitos na conta de Michelle Bolsonaro.

Paulo Marinho denunciou, a partir do relato do Flávio Bolsonaro a ele, que:

uma semana depois do 1º turno da eleição de 2018, Flávio foi avisado por um delegado da PF sobre a deflagração da Furna da Onça, que atingiria Queiroz e a filha Nathalia, lotada no gabinete do Bolsonaro na Câmara dos Deputados;
o delegado, que se declarou “eleitor, adepto, simpatizante da campanha” de Bolsonaro, teria dito que “nós vamos segurar essa operação para não detoná-la agora, durante o segundo turno, porque isso pode atrapalhar o resultado da eleição”;
Flávio comunicou o episódio ao pai [Bolsonaro], que então mandou desligar Queiroz e a filha Nathália dos gabinetes do clã em 15 de outubro de 2018.
Em 8 de novembro de 2018, 11 dias depois do 2º turno da eleição, a ação da Furna da Onça foi finalmente deflagada com a participação de 200 policiais federais, 35 membros do Ministério Público Federal e 10 auditores da Receita Federal.

Nela, foram presos 10 deputados estaduais e 16 assessores parlamentares e agentes políticos.

O incrível é que, apesar de apontados no relatório do COAF, nem Flávio Bolsonaro nem Fabrício Queiroz foram alvos de mandados de prisão.

Somente em 6 de dezembro de 2018, depois de longo tempo abafada, a informação sobre o relatório do COAF que incrimina Fabrício Queiroz vazou para a imprensa.

Com a repercussão do escândalo no noticiário, o chefe da Lava Jato Deltan Dallagnol se esquivou do caso [e prevaricou]: “Relatório do COAF apontou que 9 ex-assessores de Flávio Bolsonaro repassaram dinheiro para o seu motorista. Toda movimentação suspeita envolvendo políticos e pessoas a eles vinculadas precisa ser apurada com agilidade. É o papel do MP no RJ investigar” [tweet de 12 de dezembro de 2018].

Uma investigação séria e isenta deve investigar toda a operação lavajatista Furna da Onça.

A investigação deve abarcar, além de policiais federais, procuradores da Lava Jato que eventualmente agiram para proteger os interesses do clã miliciano.

É preciso investigar por que a PF e o MPF, que receberam o relatório do COAF ainda em janeiro de 2018, evitaram deflagar a operação tanto antes do 1º turno da eleição, como entre o 1º e o 2º turno; e por que, depois de retardarem a ação para não “atrapalhar o resultado da eleição”, excluíram Queiroz e Flávio Bolsonaro dos mandatos de prisão expedidos em 8 de novembro de 2018?

Deve ser esclarecido, além disso, por que Deltan Dallagnol defendeu que “É o papel do MP no RJ investigar” Queiroz e Flávio Bolsonaro, se todos demais citados no mesmo relatório do COAF foram investigados e presos pelo MPF e pela PF no marco da sucursal da Lava Jato no Rio de Janeiro?

Deltan sabia que Flávio havia cometido crime, conforme deixou escapar no diálogo via Telegram que manteve com comparsas da Lava Jato em 8 de dezembro de 2018 publicado pelo site Intercept: “É óbvio o q aconteceu… E agora, José?”, exclamou ele, que depois mandou a investigação para o MP do Rio.

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5 comentários

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Nelson

20 de maio de 2020 às 00h26

“Uma investigação séria e isenta deve investigar toda a operação lavajatista Furna da Onça.”

Meu caro Miola. Se sabemos de tantas safadezas cometidas por Moro e seus procuradores, supostos tementes a Deus, e também da Polícia Federal, “uma investigação séria e isenta teria que investigar” toda a Operação Lava Jato.

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a.ali

19 de maio de 2020 às 22h38

tanta roupa suja que a lavanderia está ficando 24 horas aberta…

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Kiko Uruguaiana

19 de maio de 2020 às 21h22

O Tucanato deu a largada para 2022, o time de Dória entrou em campo, está coptando( comprando) seres repugnantes que conhecem o Bolsonarismo e suas falcatruas, o Frota , a Joice o Moro, o Marinho e alguns outros interessados em um futuro no governo Tucano no Brasil, já está avaliado que Cabeças Vão Rolar de Procuradores, Policiais Federais, Juizes, Deputados, Corruptores, Mas será em boa causa, ou seja, Ganhar a Presidência Do Brasil, só falta o timaço do Dória e Cia, Combinar tudo isso com o Povo.

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abelardo

19 de maio de 2020 às 16h57

Eu imagino as justificativas dos coitadinhos policiais da PF e dos anjinhos procuradores da Lava Jato. Será que o deboche do corporativismo vai servir de lenha para mais uma espécie de apologia ao crime ou a adormecida Justiça Verdadeira vai reassumir a sua coragem, a sua imparcialidade e a sua independência?

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Zé Maria

19 de maio de 2020 às 16h37

De alguma coisa que iria estourar na Imprensa o Moro estava sabendo.
Essa história do Paulo Marinho o Marréco já conhecia há muito tempo.
Ou alguém acha que ele saiu por causa do uso indevido da cloroquina?

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