VIOMUNDO

Diário da Resistência


Política

Guinada à direita custou votos a Serra


19/08/2010 - 11h47

O efeito colateral do discurso neo-udenista

Maria Inês Nassif, no Valor Econômico

19/08/2010

Na campanha, o PT consegue reunir de volta sua antiga militância e o PSDB tem perdido a sua

A excessiva fixação do PSDB e do DEM no eleitorado de centro e de direita, com correspondente radicalização do discurso, tem estreitado as margens de manobra dos dois maiores partidos de oposição. A agressividade de um discurso tomado da direita ideológica produziu, em 2006, um fenômeno que deve se repetir em 2010. É esse discurso que, em ano eleitoral, têm trazido os movimentos sociais que atuam à esquerda do PT – e que beberam da mesma fonte no passado – de volta à sua órbita.

No primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2006), houve um gradativo afastamento de setores sociais que, na origem petista, eram a militância mais aguerrida do partido. Era ininteligível para os movimentos um acordo de governo tão amplo que abrigava interesses do mercado financeiro e do agronegócio, ao mesmo tempo em que investia em programas sociais de transferência de renda, no microcrédito e no apoio à agricultura familiar. Quando o Bolsa Família começou a produzir, de fato, efeitos de distribuição de riqueza, os movimentos sociais viram-se com um grande abacaxi nas mãos. Não era possível se contrapor a um programa de complementação de renda, que atacava cidadãos expostos à miséria absoluta, mas, se o Bolsa Família produzia o efeito de tirar os miseráveis da órbita de influência da política tradicional, tinha também um efeito desmobilizador na base desses movimentos. A luta reivindicatória, que se iniciava pela educação para a cidadania, também foi neutralizada.

O episódio do chamado mensalão, em 2005, levou o PT e os movimentos sociais ao quase rompimento. Do lado institucional, houve o racha do PSOL. Quando os dissidentes saíram, em meio a um Fórum Social Mundial, a impressão que se tinha era a de que levariam consigo boa parte da esquerda do PT, além da militância ligada à igreja progressista e que foi responsável pela capilarização do partido, na sua origem. A ação da oposição legislativa, amplificada e em processo de retroalimentação com a mídia, acabou revertendo esse processo. O PSOL ficou pequeno. Os movimentos sociais tomaram rumo próprio, sem a ligação umbilical que tinha com o PT na origem do partido, mas evitaram um confronto direto com o governo. A maior parte da esquerda petista permaneceu. O clima pré-64 preservou os quadros de esquerda do PT e impediu uma ofensiva dos movimentos sociais mais à esquerda contra o governo Lula.

Nas vésperas das eleições de 2010, os movimentos sociais se alinharam a Lula, por duas razões. Primeiro, porque não tinham condições de se contrapor às suas bases, seduzidas pelos programas de transferência de renda e com alto grau de satisfação com o governo. Mais do que isso: é uma população atraída pelo carisma do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e é muito difícil andar na contramão de um líder carismático cujo governo, ao fim e ao cabo, produz satisfatórios resultados sociais. Por fim, por medo de uma radicalização à direita que comprometesse os avanços que tinham ocorrido no governo Lula. O maior temor do Movimento Sem Terra em 2006, por exemplo, era a hipótese de vitória de um governo tucano, que no período FHC havia assumido uma política radical de criminalização do movimento.

Para as esquerdas e os movimentos sociais, o retorno à órbita de influência do PT, em 2006, foi algo como “ruim com Lula, pior sem ele”. De lá para cá, o processo de direitização do PSDB e do DEM se acelerou e os resultados do governo na promoção da distribuição de renda tornaram-se mais claros. Às vésperas das eleições, a reincorporação das esquerdas e dos movimentos sociais à órbita petista ocorre novamente. Se o discurso neo-udenista da oposição teve o efeito, nos setores conservadores, de acirrar o antipetismo, em setores progressistas teve o efeito colateral de tornar mais acirrado o antitucanismo e o antidemismo.

A estabilidade do segundo governo de um presidente que foi ameaçado de impeachment no primeiro mandato não é, portanto, um produto exclusivo de seu carisma. Ao mesmo tempo em que o governo incorporava ao mercado de consumo enormes levas de excluídos – e alienados – brasileiros, Lula e o PT reincorporavam movimentos sociais que haviam se descolado ao longo dos primeiros anos do primeiro mandato.

A aritmética desse processo político se expressa nos resultados das últimas pesquisas de opinião, amplamente favoráveis à candidata do PT à sucessão de Lula, a ex-ministra Dilma Rousseff. O discurso udenista estreitou o espectro político da oposição, ao mesmo tempo em que provocou uma reunificação numa esquerda divida por um governo excessivamente amplo, que contemplou interesses muito diversos aos defendidos originalmente pelo PT. O partido de Lula, que desde a derrota de 1998 ampliou o seu discurso em direção também ao centro ideológico, acabou sendo avalizado pelos próprios setores conservadores por cumprir as promessas de campanha feitas com a espada do mercado financeiro no pescoço. Não houve quebra de contrato.

Não é uma situação fácil para um candidato oposicionista. Em especial porque o primeiro governo de Lula, marcado por políticas econômicas ortodoxas, rachou também uma base de apoio que era originalmente tucana. O candidato do PSDB, José Serra, não pode acenar com mudanças nem à direita, nem à esquerda – à direita, afugenta a base tradicional tucana; à esquerda, provoca efeito de aproximação maior da base tradicional da esquerda com o PT.

Enquanto, pelo menos em período eleitoral, o PT consegue reunir sua antiga militância, o PSDB, ao se aproximar do discurso do DEM, tem perdido a sua. Alguns setores intelectuais de perfil social-democrata que estiveram na origem do partido até embarcam no discurso antipetista, principalmente em São Paulo, onde há uma polarização que está se tornando histórica, mas dificilmente se incorporam novamente à militância, ou voltam a ser quadros partidários.

A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
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A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.

Por Laurindo Lalo Leal Filho



28 comentários

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Messias Macedo

19 de agosto de 2010 às 16h18

ENTENDA O DECLIVE DO (S)erra II
############################

SERRA É CITADO
No Rio Grande do Norte, o apoio de Serra foi usado contra a candidata ao governo Rosalba Ciarlini (DEM).
O atual governador e candidato à reeleição Iberê Ferreira (PSB) usou parte de seu programa de rádio para ressaltar que a candidata do DEM é apoiada por Serra.
"A candidata do DEM é apoiada por Serra", dizem os locutores.
ENQUANTO ISTO:
Aliados estaduais deixam Serra fora de propaganda

19/08/2010 – 08h29

FONTE: [adaptado do] Folha online

Messias Franca de Macedo
Feira de Santana, Bahia, República de Nós Bananas

Responder

Messias Macedo

19 de agosto de 2010 às 16h14

ENTENDA O QUE VEM POR AÍ NOS ESGOTOS!

… O debate Folha/uol serviu para inaugurar, ostensivamente, a fase ‘A cara mais medonha do candidato José (S)erra: a do lobo DEMotucano’!
Lembrando o Ciro Gomes: (S)erra participando de uma eleição, garantia absoluta de baixarias –e é capaz de passar com um trator por cima da mãe! Imagine o que é capaz de fazer com os adversários políticos, principalmente neste momento de desespero…
Sobre desespero, o Secretário-geral do PT e membro do staff de campanha de Dilma Rousseff, o deputado José Eduardo Cardozo, afirmou publicamente: “… O desespero político sempre leva a golpes abaixo da cintura. A história mostra isso".

Sobre estas legítimas e sensatas considerações do José Eduardo Cardozo, observe o comentário [o contraponto providencial (sic)] do Serrista Josias de Souza “da Folha” da ditabranda:

“Curiosamente, as únicas botinadas desferidas até aqui tiveram origem nas cercanias do comitê petista. É dali que vem o cheiro de dossiês e quebras de sigilos fiscais.”

UMA PERGUNTINHA BÁSICA: lá isto é jornalismo?!

NOTA: está mais do que na hora de o *Instituto Barão de Itararé promover um debate entre os presidenciáveis: vamos ver como se comporta o candidato da [nefasta] coligação ‘Contra o Brasil Nós ‘Comemos’ – perdão, ato falho -, Nós Podemos MAIS’!
*O candidato da DIREITONA OPOSIÇÃO AO BRASIL seria inquirido por Paulo Henrique Amorim, Luiz Carlos Azenha, Rodrigo Vianna, Altamiro Borges, Leandro Fortes…
NOTA: a desculpa pela caganeira ficaria por conta da ingestão de algum acarajé preparado pelos DEMotucanos carlistas da ‘Boa Terra’!

República de Nós Bananas
Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

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ZePovinho

19 de agosto de 2010 às 15h57

Vejam como o PSDB aparelha a imprensa brasileira (ou o contrário).Tem até a foto do militante do PSDB:
http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2010

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Armação no debate Folha/UOL: assessor do PSDB escolhido para fazer pergunta 'de internauta'

Durante o debate Folha/UOL, duas perguntas "de internautas" dirigidas para Serra – uma sobre o loteamento de cargos, outra sobre impostos – chamaram atenção, por parecer combinada, sob encomenda para o demo-tucano.

“Foram vocês que mandaram as perguntas, né?”, ironizaram os assessores de Dilma e Marina, para os de Serra.

Pois a ironia se confirmou.

O "internauta" Kleber Maciel Lage, escolhido entre milhares, para fazer uma pergunta a Serra, tem em seu currículo "Assessor Técnico da Liderança do PSDB na Câmara dos Deputados", desde 2001.

Foi escolhido para fazer a singela pergunta, contra o "atual governo":

"A sua candidatura faz críticas ao aparelhamento do Estado e ao uso de cargos por parte do atual governo. É público e notório que as alianças políticas no passado recente da, aspas, democracia, são feitas na base do “toma-lá dá-cá” de cargos, como mudar esse cenário?"

Ironia das ironias, a pergunta sobre “toma-lá dá-cá” de cargos, foi feita justamente por alguém que ocupa cargo público na base do “toma-lá dá-cá”, na Câmara dos deputados, na liderança do PSDB.

E quanto à Folha/UOL, depois disso, ainda quer que a gente ria quando falam que são "apartidários" e "isentos".

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Antonio Silva

19 de agosto de 2010 às 15h40

E a concessionária pública Rádio CBN, continua abrindo amplos espaços ao José Serra para atacar Dilma e o PT .
Desta vez, esta emissora marqueteira, está utilizando um seminário organizado pela oposicionista Judith Brito, dirigente da ANJ, para fazer virulentos ataques à Dilma, ao PT e aos jornalistas independentes que utilizam a internet (blogueiros) .

PROCESSO ELEITORAL BRASILEIRO, VERGONHA MUNDIAL

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ZePovinho

19 de agosto de 2010 às 15h40

Os udenistas acham que a oferta de moeda é exógena.Por isso amam o monetarismo mayfloweriano…

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Antonio

19 de agosto de 2010 às 15h30

Não há guinada de Serra para a Direita. Serra é a Direita travestida de neoliberal. O neoliberalismo foi um modo de operação da direita, que a classe média considerou moderna. Mas por trás desse projeto havia muita grana, que veio fácil e rápida. O projeto da direita brasileira, com Lula, tornou-se inconfessável – uma minoria muito rica tendo as rédeas do país e de uma maioria muito pobre ou miserável, num caos social absurdo.
Lula agiu, em seu plano para a presidência da república, como um inteligente judoca. Foi pelo caminho do equilíbrio, o caminho do meio. Ao mesmo tempo que tira a população da situação de miséria, alavanca o crescimento do país incentivando o empresariado nacional. Isso para os movimentos sociais é ininteligível. Mas Lula é o Cara mesmo

Responder

carlos saraiva

19 de agosto de 2010 às 15h08

Os textos da Maria Inez são sempre muito lúcidos e interessantes. Podem ser discutidos e debatidos. O importante é que o discurso da oposição, do Serra, avalizados por setores importantes da grande imprensa, está fora do atual contexto histórico e de como se organiza hoje a sociedade brasileira com seus segmentos em disputas. A direita como não possui projeto transformador, balança entre golpismo e troca de comando (alternancia de poder) dentro do mesmo espectro ideológico. O momento atual após o sucesso do governo Lula e o protagonismo popular, desconstruiu os dois discursos. Daí a dificuldade da direita e o realinhamento automático da esquerda. O Sr. Serra tenta ser um Genérico, não consegue ser nem um Similar e acaba sendo uma Falsificação grosseira e indigesta. Resta o discurso desesperado, fascista de uma direita que cheira à naftalina, agrupada hoje em 5% da população.

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ZePovinho

19 de agosto de 2010 às 14h56

http://www1.folha.uol.com.br/poder/785564-serra-a

19/08/2010 – 13h57
Serra acusa governo de financiar 'blogs sujos' e perseguir jornalistas

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O Brasileiro

19 de agosto de 2010 às 14h35

Boa análise. Embora eu ache que o PT mudou também nas suas bases. Não que tenham mudado os membros da base, mas suas idéias!
E se o Serra algum dia voltar a subir nas pesquisas, os vídeos e fotos dele ao lado de FHC estão prontinhos para a série "recordar é viver", aquela de que o Serra não gosta!

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Anônimo

19 de agosto de 2010 às 14h24

O PT precisa asuumir a sua veia social-democrata e o PSDB de moderados-liberais.

Responder

Emilio_Matos

19 de agosto de 2010 às 14h13

Eu acho muito pitoresca essa crítica de que o governo do PT desmobilizou os movimentos sociais. No artigo, isso aparece como uma menção, não como crítica, mas há quem apresente isso como um malefício do governo petista. Ora, se os movimentos sociais se desmobilizaram, é porque as suas bases passaram a conseguir o que queriam, cessando assim a causa da mobilização. Se há alguém achando isso um efeito nocivo, para mim é claro que esse alguém nunca teve como objetivo melhorar as condições da parcela miserável da população, mas sim obter poder, pura e simplesmente. Parece que ficaram desapontados por estarem perdendo uma maneira de mobilizar o povo…

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easonnascimento

19 de agosto de 2010 às 13h47

Uma guinada mais a esquerda seria inócuo para Serra. Uma guinada a direita, deu no que deu. Pergunta-se : qual a saída para o tucano? No meu entendimento, está na disputa por acreditar em papai noel.
http://easonfn.wordpress.com

Responder

luisc

19 de agosto de 2010 às 13h44

SERRA: O GLADIADOR? RAMBO? BRUCE LEE?O NINJA? VAN DAMME? O EXTERMINADOR DO PRESENTE? NEIL (MATRIX)?
Agora ele quer declarar guerra à China? Olha, enquanto ele queria guerrear com a Bolívia tudo bem. Com a Venezuela, vá lá. Mas, China? Tô fora.

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turmadazica

19 de agosto de 2010 às 13h16

O PT daqui de SP que precisava ir um pouco mais a esquerda… Além de uma renovação…

Responder

Márcia Aranha

19 de agosto de 2010 às 13h12

Bem, toda a briga agora é pra essa gente tentar levar para o 2o Turno… Valerá tudo. Inflar Marina (já que com Plínio não funcionou… mesmo como aliado eventual o cara assusta…), casar as agendas (como o exemplo abaixo dado por um colega sobre a Saúde, abordada no JN e simultaneamente no programa de Serra) e tentar, de todas as formas, prejudicar Dilma.

O diabo é que isso tudo tem significado rigorosamente nada; ou pior, resultados inversos. Dilma continua subindo e Serra desabando…

Responder

Roberto São Paulo SP

19 de agosto de 2010 às 13h05

Tem sido sempre um grande prazer ler os artigos de Maria Inês Nassif.
Coisa rara nos jornais de hoje em dia.
Seus textos são claros, objetivos, corretos na análise e tem a qualidade de uma boa tese acadêmica, ou seja, têm peso histórico.
Gosto muito do trabalho dessa jornalista – pelo menos do que é compartilhado pelos blogs de esquerda.

Responder

ferrera13

19 de agosto de 2010 às 13h03

(continuação)

[…] O partido de Lula, que desde a derrota de 1998 ampliou o seu discurso em direção também ao centro ideológico, acabou sendo avalizado pelos próprios setores conservadores por cumprir as promessas de campanha feitas com a espada do mercado financeiro no pescoço. Não houve quebra de contrato.

O PT aprendeu com seus erros. Tem gente que não conseguiu enxergar isso e partiram para criar o PSTU e o PSOL. Outros simplesmente migraram para o PCO ou mesmo para a oposição propriamente dita. Enquanto o PT mantinha um discurso que confrontava literalmente as instituições, como se elas devessem ser ignoradas, não conseguiu avançar.

O candidato do PSDB, José Serra, não pode acenar com mudanças nem à direita, nem à esquerda

Ou seja, perdeu o discurso. O resultado não podia ser outro.

Responder

ferrera13

19 de agosto de 2010 às 13h02

<font color = "#071052">Ping-pong</font>

Na campanha, o PT consegue reunir de volta sua antiga militância e o PSDB tem perdido a sua

A meu ver, teve um período, ainda durante o governo FHC, a militância realmente ficou desmotivada. A luta praticamente diária não resultava em políticas que favoreciam o povo. O discurso parecia vazio, sem encontrar eco. Eu entendia que tinha que ver com as propostas que não comungavam como as organizações estão instituídas. Eram inexequíveis, tais como as do PCO, do PSTU e do PSOL hoje.

[…] se o Bolsa Família produzia o efeito de tirar os miseráveis da órbita de influência da política tradicional, tinha também um efeito desmobilizador na base desses movimentos […]

Os sindicatos e outros movimentos sociais são dirigidos por muita gente inteligente, mas que viam o discurso como uma verdade imutável. Tudo é superável. Dizia Paulo Freire que sua Pedagogia deveria ser superada e os sindicatos não associavam este preceito às suas políticas. Daí que as ações do governo LULA deu-lhes uma lição: superar aquela política e partir pra outra sempre com o objetivo de melhorar a vida de todos e todas.

[…] Se o discurso neo-udenista da oposição teve o efeito, nos setores conservadores, de acirrar o antipetismo, em setores progressistas teve o efeito colateral de tornar mais acirrado o antitucanismo e o antidemismo.

Este comentário me remete à um outro em que Azenha fala sobre "politizar" as massas. O povo está se politizando com a política mais próxima de suas necessidades. Este mesmo povo já sabe o que foi o regime militar, a ditadura e a direita conservadora, opressora e excludente e não quer voltar ao passado. Esta é a minha a leitura.

(continua…)

Responder

    Antonio

    19 de agosto de 2010 às 15h49

    Excelente texto. Lula é maleável, mas sem perder o foco. Desenvolver social e economicamente o povo brasileiro. Para isso, precisa privilegiar o crescimento de todos os setores da sociedade. Simples e genial.

Pedro Ayres

19 de agosto de 2010 às 12h55

Embora muito se fale e se escreva sobre o udenismo como uma proposta ideológica, veremos que, sem tirar, nem por, era e é a reprodução do ideário praticado pelos partidos políticos estadunidenses desde o Mayflower, quando o puritanismo de fachada passou a ser um fator de controle e domínio. É evidente que esse farisaísmo tinha a raiz na crítica e na denúncia que a burguesia emergente fazia aos privilégios e savoir vivre da classe que estava a substituir como poder. Era um cômodo, simples e direto apelo, pois, ao fazer ruidosas denúncias, em que a verdade não era um atributo essencial, tentava criar a noção de que tudo isso era o resultado da indevida apropriação de algo que era propriedade do povo. Entretanto, deles jamais partia a denúncia de que suas fortunas e poder tinham origem no uso do Estado como um fator de acumulação capitalista.
Essa tática, que seccionou o movimento nacionalista dos anos 1950/60, embora sedutora para amplos segmentos pequeno-burgueses ao estimular suas ambições individuais, perdeu força e restringiu-se aos núcleos oligarcas do interior e aos segmentos da burguesia que fazem de suas relações econômico-financeiras a razão de suas existências, por fracassar a implícita proposta de avanço sócio-econômico para a pequena-burguesia. Um quadro que ficou patente no governo FHC, quando o Real, embora propagandeado como uma panacéia ao reduzir a inflação que Itamar tinha herdado de Collor e antecessores, voltou a se comportar tal e qual as anteriores moedas, tanto que, desde julho de 1994 a 2003, a inflação acumulou variação de 137,93%, segundo o IPCA. Durante este período, os itens que apresentaram maior variação nos preços afetando o IPCA foram:
gás de botijão (540,95%), telefone fixo (433,37%), aluguel (385,54%), energia elétrica (255,91%), educação (144,37%), saúde e cuidados pessoais (135,68%), eletrodomésticos e equipamentos (89,12%) e vestuário (54,50%). Durante os anos de desvalorização da moeda brasileira os preços dos alimentos subiram: 8,14% em 1999, 3,2% em 2000, 9,63% em 2001 e 19,47% em 2002. Nesse ano, alimentos e habitação, juntos, foram responsáveis por mais de nove pontos percentuais dos 14,74% de inflação registrada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
Ora, como o estrato sociopolítico desses “udenistas” desiludiu-se com a panacéia neoliberal e monetária, o alucinado esforço de transformar o “Mensalão” em um escândalo exclusivamente governamental e do PT, falhou. Como os setores oposicionistas têm uma visão ortodoxa da cartilha neoliberal e de cega obediência ao “Consenso de Washington”, a exemplo do escorpião da fábula, são incapazes de qualquer flexibilidade, mesmo sabedores da continuidade da crise capitalista que desde 2007 corrói as bases financeiras do sistema, assim, por um comportamento de classe montaram as bases para o próprio fim político.

Responder

    Emilio_Matos

    19 de agosto de 2010 às 14h25

    Realmente é sempre existente a distorção dos fatos em função de interesses inconfessáveis ou para adequá-los a ideologias próprias. Um exemplo claríssimo disso é a sua menção de que o Real voltou a se comportar como as moedas anteriores. Alguém que diga que uma inflação de 140% em 10 anos, que foi a inflação do Real de 1994 a 2003, é igual a uma inflação de mais de 1000% ao ano, que era a inflação das moedas anteriores, simplesmente não está qualificado para tratar dos impactos econômicos sobre o quadro social brasileiro. Ou por distorcer gritantemente os fatos, ou por não conhecer o impacto da inflação sobre a miséria e desigualdade social.

    Emilio_Matos

    19 de agosto de 2010 às 14h25

    Você está simplesmente "torcendo contra" um governo ideologicamente não afinado com você, criticando exatamente um dos únicos pontos que ele deixou como legado: a inflação controlada. A sua crítica se resume a: eu não concordo com esse governo, logo tudo o que ele fez está errado. Acontece que as coisas não deveriam ser julgadas pela concordância ou não com o Pedro Ayres, mas em como elas impactaram as condições de vida das pessoas. E, claramente, a queda da inflação com o Plano Real, e a melhoria de condições para a parcela pobre da população, é inquestionável. Você sofre do mesmo problema do PSDB-DEM atual: critica ideologicamente, não critica levando em conta o critério inquestionável de melhoria de condições para a parcela pobre da população.

    Emilio_Matos

    19 de agosto de 2010 às 14h25

    E não venha me dizer que estou defendendo governos anteriores. Tudo o que estou dizendo é: critique direito.

Ed.

19 de agosto de 2010 às 12h43

Ou seja: desnudou-se e assustou o pessoal mais ainda…

Responder

Irani

19 de agosto de 2010 às 12h31

Será que veremos mais uma “coincidência no JN”?

Ontem, quarta-feira (18), eu escrevi neste post; No "Jornal Nacional", na série sobre as preocupações dos cidadãos: Por que a saúde é a maior de todas?". Na longa reportagem, "o governo relata avanços, mas 41% dos cidadãos escolheram a área como a que mais preocupa diz a repóter"

No mesmo dia, coincidentemente, no programa eleitoral de TV do candidato tucano José Serra, o tema foi?….Saúde . Coincidência Demais!

http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/

Responder

    Carlos

    19 de agosto de 2010 às 14h05

    Cartas marcadas.

jefferson

19 de agosto de 2010 às 12h29

Ajudando a provar a tese, temos figurinhas novas dos amiguinhos udenistas do presidente Zezinho!
http://byebyeserra.wordpress.com/category/album-d

Responder

Fred Oliva

19 de agosto de 2010 às 12h28

Serra está encurralado. Seu discurso só pode ser dirigido a dois grupos de eleitores; os que tornaram-se vítimas da própria estupidez (como boa parte dos paulistas) e aqueles que tentam transformar escrotice em um valor. A má notícia para Serra é que esses dois grupos na verdade formam um só, e não representam mais do que 5% do eleitorado.

Ah sim… e tem o PIG que, como exemplo, é só ver a capa da Folha de hoje. Manchete e foto sob medida para Serra… pena que passa ao largo do eleitorado.

Responder

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