VIOMUNDO

Diário da Resistência


Depois de desconhecer baiano João Gilberto, Bolsonaro agora nem cita Glauber Rocha — ao inaugurar aeroporto que leva nome do cineasta
Alan Santos/Presidência da República
Política

Depois de desconhecer baiano João Gilberto, Bolsonaro agora nem cita Glauber Rocha — ao inaugurar aeroporto que leva nome do cineasta


23/07/2019 - 20h12

TERRA EM TRANSE

Na inauguração de aeroporto que leva o nome de Glauber Rocha, presidente não cita cineasta

Sem a presença do governador e da filha de Glauber, homenageado no evento, Bolsonaro ignorou o principal nome do Cinema Novo, mas atacou ambientalistas, comunistas e socialistas

Da Rede Brasil Atual

São Paulo – Glauber Rocha, certamente o mais conhecido cineasta brasileiro, acaba de ser homenageado ao dar nome do aeroporto de Vitória da Conquista, no interior baiano, onde nasceu 80 anos atrás, em 14 de março de 1939.

A inauguração da obra, nesta terça-feira (23), foi cercada de polêmica, depois que Jair Bolsonaro fez declarações ofensivas aos nordestinos na semana passada, que tentou consertar hoje, afirmando “amar” a região e que o país é unido.

Mas em seu breve discurso, de pouco mais de 6 minutos, não fez sequer uma referência a Glauber, que ganhou a homenagem.

Paloma Rocha, filha do cineasta, decidiu não ir ao evento, assim como o governador da Bahia, Rui Costa (PT), e o presidente da Assembleia Legislativa, Nelson Leal (PP).

Na semana passada, ainda antes da declaração sobre os “paraíbas”, um termo pejorativo para se referir aos nordestinos, Paloma Rocha escreveu em rede social e protestou contra o governo.

“Quero esclarecer que repudio o ato do Presidente Bolsonaro, pois considero um oportunismo político com o uso indevido do nome de meu pai e mais um golpe contra a cultura e o cinema brasileiro que se encontra ameaçado pela censura e pela extinção da Ancine . Esta obra foi idealizada no governo Lula e realizada pelo atual Governo do Estado da Bahia”, afirmou.

A frase infeliz do presidente provocou onda de repúdio pela região, fazendo o próprio governador cancelar sua ida ao evento de inauguração do aeroporto.

Costa também comentou uma queixa de Bolsonaro sobre ausência da Polícia Militar no local, afirmando que o Exército havia fechado o aeroporto. “Ele não vai pôr os pés na rua, pra quê ele quer PM lá dentro?”, afirmou à rádio BandNews FM, sobre o que considerou mais um “factoide” do presidente.

“Se a pessoa está com tamanho receio, porque está com alta taxa de reprovação, fique em seu gabinete. Está bloqueada a passagem pelo Exército. A PM ia escoltar ele do avião até o terminal de passageiros?”

No evento, Bolsonaro disse que “ama o Nordeste” e colocou um chapéu de vaqueiro na cabeça.

Afirmou que não estava em Vitória da Conquista, na Bahia ou no Nordeste, mas no Brasil, e que não havia “distinção entre nós”.

Lamentou a ausência do governador e declarou que a obra era custeada “com dinheiro do povo brasileiro”, sem referência aos governos anteriores.

Também apresentou para enaltecer o ex-governador Antônio Carlos Magalhães e afirmar que o atual prefeito de Salvador, ACM neto, poderá ocupar mais adiante “a honrosa cadeira” da Presidência da República.

Pessoas conhecidas

Ao reafirmar sua intenção de transformar Angra dos Reis em uma “Cancún”, Bolsonaro criticou os “xiitas ambientalistas” e atacou organizações não-governamentais. Disse não ter preconceito, mas “profunda repulsa por quem não é brasileiro”. Sobrou tempo para falar que não discrimina partidos, embora repudie “o socialismo e o comunismo”.

Um dos principais representantes do movimento conhecido como Cinema Novo, o diretor de filmes como Deus e o Diabo na Terra do SolO Dragão da Maldade contra o Santo GuerreiroTerra em Transe e Idade da Terra morreu em agosto de 1981, aos 42 anos, de infecção generalizada.

Em 2014, a Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro divulgou documentos das Forças Armadas que mostravam espionagem contra Glauber e outros, apontando indícios de que haveria intenção de assassinar o cineasta.

Outro baiano famoso quase passou ignorado pelo atual presidente da República. No último dia 6, quando morreu João Gilberto, a pedidos Bolsonaro disse lamentar a perda, dizendo que se tratava de “uma pessoa conhecida”, referindo-se a um dos “pais” da Bossa Nova.

A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação.

A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.

Por Laurindo Lalo Leal Filho



2 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

Matheus

24 de julho de 2019 às 20h54

Esse capacho do Trump é muito mau vindo em nosso nordeste região que tem ampla e absoluta maioria de pessoas trabalhadoras e de boa fé que repudia esse Bozo, o Moro e aliados do Bozo e do Moro.

Responder

Manoel

24 de julho de 2019 às 20h50

Esse Bozo é odiado por maioria esmagadora dos nordestinos de boa fé…
Apenas a minoria dos nordestinos que são evanjegues e babão dos ricos é que ainda chama esse MICO de “mito”.

Responder

Deixe uma resposta

Apoie o VIOMUNDO - Crowdfunding
Loja
Compre aqui
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação e traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.