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CPI ouve dirigente da Prevent, que testou droga contra câncer em pacientes de covid e escondeu a causa mortis de Anthony Wong; acompanhe ao vivo
O dr. Wong morreu depois de experimentar os tratamentos ineficazes que propunha. Em hospital da Prevent, cujo diretor depôs à CPI da Pandemia.
Política

CPI ouve dirigente da Prevent, que testou droga contra câncer em pacientes de covid e escondeu a causa mortis de Anthony Wong; acompanhe ao vivo


22/09/2021 - 08h36

Da Redação

A oitiva do diretor-executivo da Prevent Senior, Pedro Benedito Batista Júnior, a partir das 9h30m desta quarta-feira, 22, na CPI da Pandemia promete ser quente.

Ontem, a revista Piauí denunciou que a Prevent Senior ajudou a esconder a morte por covid do médico negacionista Anthony Young.

O óbito aconteceu em 15 de janeiro de 2021.

Wong, de 73 anos de idade, foi internado no Hospital Sancta Maggiore, da Prevent, com sinais de covid-19. De acordo com o próprio médico, era a segunda vez que pegava o vírus.

A Piauí teve acesso ao prontuário de Wong, vazado por um funcionário do hospital.

Wong foi medicado com o chamado “kit covid”: hidroxicloroquina, ivermectina e azitromicina.

Fez mais de 20 sessões de ozonioterapia, tratamento sem comprovação contra a covid em que uma cânula é introduzida no reto.

Recebeu outras drogas que não foram testadas contra a doença, como metotrexato venoso e heparina inalatória.

Wong teve sintomas normalmente associados ao uso de cloroquina: “Durante a internação, evoluiu com quadro de descompensação do padrão cardíaco e padrões de fibrilação atrial”, informou a Piauí.

De acordo com a repórter Ana Clara Costa, 123 funcionários do hospital tiveram conhecimento direto de que Wong enfrentava um caso grave de covid.

Um deles, a médica Nise Yamaguchi, que coordenou o tratamento do colega.

Nise, Wong e mais dois médicos — Paolo Zanotto e Osmar Terra — foram as principais vozes do negacionismo bolsonarista quando a covid chegou ao Brasil.

Wong, que se tornou uma celebridade nas redes sociais, defendeu o isolamento apenas dos idosos e das pessoas com comorbidades, na crença de que os mais jovens deveriam ser infectados rapidamente pela covid para provocar a chamada “imunidade de rebanho”.

Foi esta a “tese” que convenceu Bolsonaro: se todos pegassem covid logo, a pandemia seria breve no Brasil — já completou mais de um ano e meio.

O atestado de óbito de Wong diz que ele morreu de “choque séptico, pneumonia, hemorragia digestiva alta e diabetes mellitus”, mas os três primeiros foram consequência óbvia da covid.

De acordo com a Agência Senado:

O requerimento para convocação de Pedro Benedito Júnior foi apresentado por Humberto Costa (PT-PE). O senador ressalta que a aquisição, distribuição e indução ao uso dos medicamentos como a cloroquina e a hidroxicloroquina, “que compõem com outros medicamentos o chamado kit covid e a terapêutica do ‘tratamento precoce’ eleita pelo governo federal como política pública para enfrentamento da covid-19, por diretriz do presidente Jair Bolsonaro, revelam inadequado investimento de recursos públicos em medida sanitária desprovida de respaldo científico”.

De acordo com o parlamentar, que trouxe o caso para conhecimento do colegiado, a denúncia é objeto de avaliação no Tribunal de Contas da União, no âmbito de processo que está sendo movido por um grupo de profissionais médicos ligados à empresa.

Segundo Humberto Costa, diversos usuários da Prevent Senior têm procurado os membros da CPI para denunciar essa política. Sem fazer referência ao nome do denunciante, o senador cita no requerimento uma dessas mensagens:

“Minha companheira testou positivo ontem e ao passar pela consulta o médico disse que era protocolo da empresa oferecer o kit. Ela recusou. Mais tarde, em casa, recebeu um telefonema de um funcionário insistindo em que ela aceitasse tomar o kit com cloroquina, porque era o único remédio para isso, e que se a doença ficasse pior, não tinha o que fazer, a não ser entubar”, diz mensagem inserida no requerimento do senador.

O diretor da Prevent também será inquirido sobre as revelações feitas pela Globonews a partir de um dossiê preparado por funcionários e ex-funcionários do grupo.

Nos áudios mais recentes divulgados pela emissora, o cardiologista Ronaldo Esper, diretor da Prevent, recomenda aos médicos que utilizem duas drogas sem eficácia comprovada contra a covid, a flutamida e o etanercepte.

Elas foram aprovadas respectivamente para o tratamento de câncer de próstata e artrite.

Pedro Batista Júnior obteve um habeas corpus do STF para não responder às perguntas que puderem incriminá-lo.

Integrantes da CPI pretendem determinar se a Prevent utilizou seus pacientes como cobaias e se agiu em algum momento a pedido do presidente Jair Bolsonaro, já que a rede de hospitais produziu um pseudo estudo que supostamente comprovava a eficácia da hidroxicloroquina, mas fez isso sonegando a morte de pacientes.





2 comentários

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Paulo Linsk

22 de setembro de 2021 às 11h33

A prevent senior é um convenio de velhinhos. Vejam ate onde vai a maldade humana.
Enfim, já desconfiava que muitos morreram de covid e que omitiram isso no atestado de obito do morto.
Essas vagas de doutorado deve ter muito esquema.

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Zé Maria

22 de setembro de 2021 às 09h27

https://pbs.twimg.com/media/E_nqnQOXsAAjSdJ?format=jpg

Já vimos isso nas Décadas de 1930 e 1940,
em algum lugar germânico na Europa.

https://twitter.com/EmirSader/status/1439439530537402368

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