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Diário da Resistência


Controlando cinco ministérios importantes, militares vão dar as cartas no futuro governo
Reprodução de vídeo
Política

Controlando cinco ministérios importantes, militares vão dar as cartas no futuro governo


07/12/2018 - 14h15

Presença de militares no governo é a mais expressiva desde a ditadura

Segundo o organograma do novo governo, nos principais ministérios, cinco militares são do Exército, um da Aeronáutica e outro da Marinha

Fernando Rosa, via PT no Senado

O atual governo conta com sete ministérios sob comando de militares, além de outros cargos ocupados por oriundos do meio militar.

Além do presidente, do vice e vários ministérios, duas secretarias chaves, a Secretaria de Assuntos Estratégicos e a Secretaria de Comunicação, serão ocupadas por militares.

A presença de militares no governo Bolsonaro é a mais expressiva desde a redemocratização e tão visível quanto os governos da ditadura militar, entre 1964 e 1985.

Segundo o organograma do novo governo, nos principais ministérios, cinco militares são do Exército, um da Aeronáutica e outro da Marinha.

Os principais indicados participaram do processo eleitoral, integrando a equipe de campanha do presidente eleito, sob o comando do general Augusto Heleno.

Outra particularidade é que cinco dos 11 brasileiros que chefiaram as tropas na missão no Haiti (Minustah), ao longo dos 13 anos, ocuparão cargos relevantes no novo governo.

Militares nos principais cargos:

– Jair Bolsonaro, presidente, capitão reformado
– Hamilton Mourão, vice-presidente, general da reserva
– Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general da reserva
– Fernando Azevedo e Silva, ministro da Defesa, general da reserva
– Carlos Alberto dos Santos Cruz, secretário de Governo, general da reserva
– Bento Costa Lima, ministro das Minas e Energia, almirante de esquadra
– Floriano Peixoto Vieira Neto, secretário de Comunicação (Secom), general da reserva
– Maynard Marques de Santa Rosa, (SAE), general da reserva
– Marcos Pontes, ministro da Ciência e Tecnologia, tenente-coronel reformado
– Tarcísio Gomes de Freitas, ministro da Infraestrutura, capitão reformado
– Wagner Rosário, CGU, capitão reformado

Outros militares também ocuparão cargos no governo, entre eles o major reformado Pedro César Nunes de Souza, chefe de gabinete da Presidência, e o general Marco Aurélio Costa Vieira, secretário de Esportes.

Ainda, o colombiano naturalizado no Brasil, Ricardo Vélez, indicado para o Ministério da Educação, é professor emérito da Escola de Comando e estado Maior do Exército, onde ensina filosofia.

A partir de janeiro, outras funções serão naturalmente ocupadas por militares em estais e demais órgãos governamentais.

O último militar indicado foi o almirante de esquadra, Bento Costa Lima, para o Ministério das Minas e Energia, estratégico para o desenvolvimento e centro do debate sobre soberania nacional.

Bento Costa Lima é um defensor do desenvolvimento nuclear para defender a “Amazônia Azul”, a fronteira marítima brasileira do pré-sal.

Em 2017, em entrevista à Carta Capital, reconheceu o papel estratégico para o setor do almirante Othon, o “pai da tecnologia nuclear nacional”, perseguido e preso pela Operação Lava Jato.

Para especialistas e, mesmo militares, o risco de fracasso do novo governo pode comprometer a imagem das Forças Armadas em sua missão institucional, principalmente devido ao histórico de indisciplina do presidente eleito.

Apesar da aposta militar, a “cola” da imagem do Exército em particular na administração Bolsonaro provocou a manifestação de diversos representantes das Forças Armadas.

A politização dos quartéis foi alvo de debate entre o comandante do Exército, general Villas Bôas, e o vice-presidente, general Mourão que descartou qualquer risco disso ocorrer.

Enquanto Villas Bôas advertiu para o “risco sério” de “interesses pessoais venham a penetrar” no ambiente militar, Mourão discordou afirmando que “as Forças Armadas vão continuar como sempre estiveram”.

Nesta semana, Sérgio Mouro confirmou em sua equipe do Ministério da Justiça, no comando da Secretaria Nacional de Segurança Pública, o general da reserva Guilherme Theophilo, candidato derrotado ao governo do Ceará, nestes eleições, pelo PSDB.

Aos jornais, Moro justificou dizendo que o general foi “como é sabido, candidato nas eleições deste ano, mas já se desfiliou do partido político ao qual estava filiado”, sem citar a sigla.

Enquanto coordenador da Operação Lava Jato, o juiz Sérgio Moro foi acusado pela oposição de proteger políticos do mesmo partido do general.

A “cara” de governo de “intervenção militar” também tem potencial para dificultar a imagem do Brasil no exterior, como ocorreu com a ditadura militar.

A participação militar no processo político nacional também se expressou nas eleições estaduais, federais e para o Senado Federal.

Os números finais da apuração das eleições deste ano apontaram que 72 militares foram eleitos em todos os estados da Federação.

O PSL, partido do candidato à Presidência Jair Bolsonaro, é o que mais elegeu representantes, um total de 39 candidatos.

Entre os eleitos, estão dois generais, Sebastião Roberto Peternelli (PSC), deputado federal em São Paulo, e Elieser Girão Monteiro Filho (PSL), também deputado federal pelo Rio Grande do Norte.

Para especialistas e, mesmo militares, o risco de fracasso do novo governo pode comprometer a imagem das Forças Armadas em sua missão institucional, principalmente devido ao histórico de indisciplina do presidente eleito.

Bolsonaro envolveu-se em ações e conflitos intra-quartéis quando era capitão do Exército, no final dos anos oitenta, ao desafiar a autoridade do então ministro do Exército, general Leônidas Pires Gonçalves.

Na época, após responder um inquérito militar, elegeu-se vereador, e saiu do Exército com a fama de “mau militar”, definição do general Ernesto Geisel em sua autobiografia.

A “cara” de governo de “intervenção militar” também tem potencial para dificultar a imagem do Brasil no exterior, como ocorreu com a ditadura militar.

Nesta semana, o comando do Exército movimentou-se para “limpar” a imagem de Bolsonaro, pelo menos internamente, condecorando-o com a Medalha do Pacificador com Palma do Exército, por ter impedido que um soldado se afogasse durante atividade militar no ano de 1978.

A imagem do candidato Bolsonaro defendendo a volta da ditadura, incluindo a tortura, no entanto, já correu o mundo, com grande destaque nas páginas dos principais jornais.

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5 comentários

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joão da cruz vieira leite

07 de dezembro de 2018 às 18h08

Tudo é relativo e,ara ser precisa ter formação transparente, para todos verem para fazer suas avaliações, e aqui neste vídeo, onde esta bem patente que todas as normalidades dos fatos descritos neste contesto com vasta listagem de um governo misto tem do muitos militares em destaque que comporão este novo governo , onde isto não denota por especie nenhuma ditadura, onde os mesmos simplesmente já se aposentaram e, não vejo porque tacha-los ; pois com todo este atraso preliminares na área da segurança que a mais de 30 anos viemos passando , onde o nosso , como o Brasil esta, pois com eles e com ajuda de toda população contribuindo dentro da medida do possível , em pouco tempo estaremos livres de quase toda esta violência, que esta bem diversificada em várias categorias. O que é bastante complexo de como poderemos sair desta e acender todos os cantos sem uma lamparina ?,poi presados internautas os governos anteriores desde color não tinham mesmo estas lamparinas , pois se preocupação somente com seus interesses , e nunca olhavam para esta imensa população de nossa juventude, encarceradas juntos com perigosos predadores, que estão mesmo transformando os mesmo em cascavéis e leões, para quando saírem dando picada e atacando a todos ?. pois é isto mesmo que ja aconteceu, e temos todos que criar vergonha na cara e mesmo este novo governo e ver de frente, que é mesmo no sistema prisional, é que começa toda metamorfose de nossos jovens perdidos pela drogas e carente de tudo. Portanto temos que transformar o nosso sistema prisional imediatamente, fazendo uma faxina total, separando bandidos sem recuperação e facções armadas dos demais detentos de pequenos delitos e não deixar que este mesmo continuem misturados com os mesmos e, transforma nosso sistema prisional, em hospitais e escolas de aprendizagem da arte e também do oficio e, por que não engajar -lo muitos para o setor da ,livre iniciativa?. pois esta ai senhores do novo governo a unica maneira de chegarmos a um consenso para sairmos destas violências que acampam em todo nosso território e outro tipo de de ação não basta, mesmo porque não podemos acabar com a violência com a mesma violência, que infringiremos os direito humanitário e ficara mesmo pior ainda, então acredito em muita cautela e nos minuciosos detalhes em cada passo que derem nesta solução dos problemas , senão poderá se tornar uma mortandade enorme e desesperadora, morrendo milhares de desesperados inocentes , bandidos , quadrilheiros, policiais e muita gente inocentes que não tem nada a haver co isto também entrando pelos canos né?

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Zé Maria

07 de dezembro de 2018 às 17h02

Os Milicos vão dar as Cartas,
mas os “Meninos” do Botsonauro
continuarão carteando no WhatsApp…

Responder

    Pedro Alfredo

    08 de dezembro de 2018 às 11h37

    Sim sou machista. Sou um macho notável. E as mulheres apreciam bastante isso. Sou um macho alfa.
    Sim eu assusto. Igual o trovão. igual o abismo. Igual a montanha grandiosa. Sou um macho sublime.

Zé Maria

07 de dezembro de 2018 às 16h57

Esse Milico Maynard (SAE) foi afastado do cargo que exercia no exército,
a mando do Jobim que era Ministro da Defesa do Governo Lula,
porque o FDP, em 2010, antes de ir pra reserva, publicou um artigo
chamando de “Comissão da Calúnia” a Comissão da Verdade
criada por Lei para investigar Crimes de Violação aos Direitos Humanos,
como Tortura e Execução Sumária, praticados por Agentes da Ditadura Militar.

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