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Capelli: Guerra entre a Globo e Bolsonaro é de vida ou morte
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Política

Capelli: Guerra entre a Globo e Bolsonaro é de vida ou morte


22/01/2019 - 00h23

A Globo no ringue: as causas, os atores e os desdobramentos

Por Ricardo Capelli*, via Maria Frô no whatsapp

A população optou pela continuidade da guerra quando decidiu colocar Bolsonaro e Haddad no segundo turno. Quem tentou apelar ao bom senso virou suco.

A Globo vive um momento delicado e iniciou o ano empurrada para o ringue. Seu modelo de negócio é alvo do ataque das novas mídias. A Globoplay é uma tentativa desesperada de enfrentar gigantes como a Netflix.

Bolsonaro foi à guerra. Fez em 15 dias o que o PT não fez em 13 anos. O famoso “fica tranquilo que eu resolvo com o João (Roberto Marinho)”, que Zé Dirceu pronunciava durante as reuniões do comitê de crise no Planalto, parece não fazer parte do cardápio do novo governo.

O Capitão abriu fogo. Para se comunicar usa os concorrentes Twitter, Record e SBT. Anunciou que irá reduzir os recursos para a mídia tradicional e que acabará com a famosa “bonificação por volume”, mecanismo que faz a Globo engolir os recursos do mercado publicitário.

Pra completar, o Planalto articula a nova CNN Brasil para disputar o nicho da Globonews. Seus sócios são Edir Macedo e empresários amigos do clã.

É cedo para dizer qual será o desfecho desta batalha. Há espaço para um acordo? Não parece haver divergência no conteúdo do projeto. Bombeiros sempre aparecem quando fica claro que morrerão todos na guerra. Por enquanto, parecem medir forças.

Por isso é muito cedo também para decretar o fim do governo. Lembram do “Temer não dura seis meses”? A situação é delicada, não há dúvida. Mas quem está interessado de verdade na queda de Bolsonaro? Derrubá-lo para colocar quem no lugar? Com qual projeto?

Qualquer recém-nascido com mais de cinco quilos já compreendeu que Queiroz é o chefe de uma lavanderia. Não é só lavagem de salário de assessor. Pelo volume, tem coisa muito maior escondida. Especula-se que milicianos podem estar lavando suas “roupas” por ali também.

Uma declaração do respeitado Raul Jungmann, então ministro da segurança, passou estranhamente “batida” pela mídia. O pernambucano declarou que “políticos poderosos estão por trás da morte de Marielle”. Vereadores são “políticos poderosos”? Munição estocada há de sobra. Se será usada é outro papo.

O destino de Bolsonaro nada tem a ver com a consistência das denuncias contra Flávio. O futuro está ligado à capacidade política do Planalto de pacificar o bloco de poder que, direta ou indiretamente, o fez subir a rampa. Não é absurdo acreditar em soberba e suicídio infantil. Mas a realpolitik pode acabar se impondo também.

Rodrigo Maia e Renan comemoram. As denúncias enfraquecem o governo e trazem o presidente para o mundo dos mortais. Colocam o parlamento no centro do jogo. O Senado terá a denúncia contra Flávio nas mãos. A Globo parou de atirar em Renan. Coincidência?

Moro vive seu inferno astral. Seu capital político ainda é enorme, mas nunca esteve tão ameaçado. Como virar o campeão da moralidade se não consegue ir ao supermercado sem ouvir “E o Queiroz?” Se a situação piorar viverá o dilema de abandonar o barco ou segurar as pontas agarrado à promessa de sua vaga no STF.

O núcleo militar acompanha preocupado. Sabe que parte do desgaste pode acabar na conta das instituições militares. O general Mourão está ali para qualquer “eventualidade”.

Paulo Guedes passa a ser o maior fiador do governo. O mercado está eufórico. A Bolsa virou uma festa rave. Se a reforma da previdência for aprovada tudo será esquecido. O que são alguns milhões do Queiroz perto do bilionário mercado de previdência privada?

Bolsonaro é apenas a mula que fez o capital financeiro chegar ao poder. Se o animal fraquejar na travessia, trocar de montaria é sempre uma opção, desde que não mude o rumo.

O campo progressista, dividido e isolado, continua como coadjuvante numa luta sem sentido pela liderança da derrota. A necessária Frente Ampla é um sonho distante.

O canhão da Globo continua poderoso. A luta pela sobrevivência desperta os instintos mais agressivos. O desfecho deste capítulo ditará o rumo dos próximos acontecimentos.

Haverá um acordo? Quem recuará? O campo conservador ficará observando a luta fratricida que pode colocar em risco seus interesses estratégicos? A única certeza é que a instabilidade continuará a ser o sobrenome do Brasil, por um longo tempo.

*Ricardo Cappelli é secretário da representação do governo do Maranhão em Brasília e foi presidente da União Nacional dos Estudantes

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12 comentários

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Sagarana

23 de janeiro de 2019 às 08h50

Finalmente um artigo lúcido no Viomundo. Estamos evoluindo. Alvíssaras!

Responder

Zé Maria

22 de janeiro de 2019 às 22h22

“A hashtag #FlavioBolsonaroNaCadeia surge
e a base de Bolsonaro se cala (envergonhada).
Os fatos que aparecem pela imprensa e o MP
são cada vez mais graves.
Enquanto o presidente faz seu marketing
no bandejão de Davos, o Brasil percebe
cada vez mais a burrada em que se meteu”

@jandira_feghali
Deputada Federal

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Zé Maria

22 de janeiro de 2019 às 22h16 Responder

Bel

22 de janeiro de 2019 às 17h59

Uma guerra agora contra a Venezuela pode tirar o foco do Bolsogate. Será por isso que tentam colocar todos contra Maduro? Ou será que o governo Venezuelano sabe mais do Bolsogate do que o nosso MP?

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Julio Silveira

22 de janeiro de 2019 às 16h55

Rsrsrs, está divertido assistir a essa guerra de ratos. Uma coisa é certa o Mico tem o exercito ( golpista desde o imperio) e a sua parceira a CIA, companheira de todas as ditaduras de direita e imperios desumanos no mundo.
Uma coisa parece certa, a Globo, essa servil vendedora de costumes hibridos yanke nacionais, para um Brazil com Z, corre serio risco de morrer por conta do alto volume desse veneno hibrido cultural que vem inoculando no país a eras, reforçando nele suas caracteristicas de quintal.

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Zé Maria

22 de janeiro de 2019 às 15h46

Pena que na Guerra sempre tem um vencedor… SQN

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lulipe

22 de janeiro de 2019 às 15h30

A Globo deve tá pensando que o mito é medroso igual ao presidiário, vai se dá mal!!!

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Luiz

22 de janeiro de 2019 às 14h55

O inimigo do meu inimigo, é meu amigo. (Sun Tsu – A arte da guerra)

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    Edgar Rocha

    22 de janeiro de 2019 às 18h50

    Concordo. E quem será o amigo do PCC neste momento. Acho que a autora se esqueceu deste banco de reserva. Duvido que os mano estejam de fora desta briga por poder.
    Com as milícias disputando espaço no crime organizado e, com tudo apontando pra Brasília nesta história, acho que o caras mereceriam um capítulo à parte. É só esperar pra vê-los pôr as garras de fora.
    O poder político de um baita “salve-geral” pode bagunçar tudo.

Jorge Moraes

22 de janeiro de 2019 às 12h41

“A população optou pela continuidade da guerra quando decidiu colocar Bolsonaro e Haddad no segundo turno. Quem tentou apelar ao bom senso virou suco.”

A recusa popular à candidatura de Ciro Gomes, definida pela prevalência folgada de Haddad na corrida ao segundo turno não pode ser tratada, mesmo que indiretamente, como “falta de bom senso”. Trata-se de uma mistificação.

Sobre a facilidade com que Bolsonaro enfrenta a Globo, facilidade absoluta e relativa (na comparação com a atuação do governo do PT-PC do B-PSB-PR etc), conviria, penso, examinar a gigantesca diferença entre os quadros em 2003 e 2019 (com vizinhanças), que, se não abona por completo a inação do governo capitaneado pelo PT no quesito enfrentamento do (virtual) monopólio da Globo, justifica-o, em parte.

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LUIZ HORTENCIO FERREIRA

22 de janeiro de 2019 às 09h26

E o povo brasileiro, bem inocente, acha que alguem dentre todos estes personagens envolvidos neste governo está preocupado com eles!!!!!
Pobres eleitores politizados brasileiros!!!

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Joao Maria

22 de janeiro de 2019 às 06h49

A Globo que declarou guerra contra Lula, foi a grande perdedora desta eleição. Ganhou, mas nao levou. Quebrar acredito que nao vai, mas diminuiu muito seu poder financeiro.

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