Articulação de Esquerda petista: “A vitória é de quem acredita e luta por ela”

Tempo de leitura: 7 min
Foto: Ricardo Stuckert

No segundo turno, somos nós do Brasil contra o crime e contra Trump

Por Redação PG13

A direção nacional da tendência petista Articulação de Esquerda (AE), reunida no dia 7/10/2026, aprovou a seguinte resolução sobre a situação e nossas tarefas.

No dia 4 de outubro de 2026, aconteceu o primeiro turno das eleições brasileiras.

Desde o anúncio dos resultados, apareceram inúmeras interpretações sobre o ocorrido.

De nossa parte, faremos um balanço detalhado no XI congresso nacional da AE, que vai ocorrer nos dias 27, 28 e 29 de novembro de 2026.

Mas para não dizer que não falamos de espinhos, registramos o seguinte:

1/em linhas gerais, o resultado do primeiro turno – com uma vitória parcial da extrema-direita – não nos surpreendeu, como pode ser comprovado pela leitura das resoluções que aprovamos desde novembro de 2024. Era previsível que não haveria alteração qualitativa, em favor da esquerda, nem nas eleições legislativas, nem nas eleições para governador. Era previsível, também, que haveria segundo turno presidencial;

2/entretanto, o fato de termos previsto – em linhas gerais – o resultado, não significa que ele era inevitável. Nosso governo, nossa campanha e nosso Partido cometeram erros gravíssimos, entre os quais destacamos:

i/a ênfase em “comparar legados e entregas”, quando o certo seria e segue sendo disputar o futuro;

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ii/a subestimação da força dos inimigos, que chegou ao ponto de se planejar a campanha presidencial acreditando que a disputa terminaria no primeiro turno;

iii/a ausência de candidaturas petistas a governador no RS e RJ;

iv/a demora em definir a candidatura a governador em MG;

v/a falta de vontade de vencer no estado de SP, com uma campanha para governador que parecia satisfeita em “cumprir tabela”;

vi/a ausência de materiais da campanha Lula e

vii/a incompetência, inapetência e falta de tesão de parte da direção nacional do Partido, a começar pela presidência, que formalmente ocupa a coordenação geral da campanha;

3/os erros supracitados – e outros tantos – explicam, não o segundo turno em si, mas explicam em grande medida a posição temporariamente conquistada por nossos inimigos.

Alguns daqueles erros não tem mais como ser corrigidos. Outros precisam ser corrigidos imediatamente, se quisermos vencer.

Sobre as mudanças na coordenação de campanha e na direção do Partido, opinamos que é urgente empoderar quem tem sangue nos olhos e disposição real de vencer.

Sobre os erros na linha política, falaremos na sequência deste texto. Destacamos desde já a necessidade de combater o crime eleitoral em grande escala, proporcionado pela compra de votos, pelas “granjas de bots” e “fazendas de conteúdo”, que ao que tudo indica têm o dedo de agências de inteligência estrangeiras, formais e informais. Destacamos, também, a necessidade de combater o papel nefasto da grande mídia e das big techs, empenhadas em uma operação permanente de desgaste contra o PT e contra Lula.

Passado o segundo turno, depois de nossa vitória, faremos um balanço detalhado, dando nome, sobrenome e CPF dos erros cometidos.

Mas, neste momento, nos concentraremos em ganhar o segundo turno presidencial, bem como em eleger os governadores do Rio Grande do Norte e do Distrito Federal.

O segundo turno das eleições presidenciais brasileiras será decisivo para o futuro do Brasil, da América Latina e Caribe e da humanidade.

Para o Brasil, trata-se de impedir que o crime organizado reconquiste o governo federal, ameaçando nossas liberdades e enterrando qualquer possibilidade do Brasil ter desenvolvimento, bem-estar e soberania.

Para a América Latina e Caribe, trata-se de impedir que Trump, a extrema direita e o imperialismo controlem toda a região, colocando nossas riquezas a serviço dos projetos neofascistas e da guerra.

Para a humanidade, trata-se de manter firme e atuante uma das principais vozes do Sul Global em favor de uma nova ordem mundial.

Eleger Lula presidente é um dever existencial de todas as pessoas que defendem a humanidade, o povo brasileiro, a classe trabalhadora, as mulheres, os negros e negras, as juventudes.

Eleger Lula presidente é a tarefa essencial de quem defende a soberania, a integração regional, a democracia, as politicas públicas, a ciência, o desenvolvimento e o socialismo.

Para isso precisamos, neste segundo turno, manter os 53,8 milhões de votos recebidos e conquistar cerca de 7 milhões de votos.

Matematicamente isso é possível, uma vez que em 2022 tivemos 60 milhões de votos e, também, porque há mais de 30 milhões de pessoas que votaram branco, nulo e se abstiveram.

A dificuldade não está na matemática, a dificuldade está na linha política e na organização.

Neste sentido, nossa orientação é a seguinte.

Primeiro, combater o derrotismo, que se manifesta das mais diferentes formas. Por exemplo, os que dizem que nunca houve uma virada no segundo turno, esquecendo que nunca tinha havido um operário presidente, até elegermos Lula; nunca tinha havido uma mulher presidenta, até elegermos Dilma; nunca tinha acontecido de um presidente não conseguir a reeleição, até Lula vencer em 2022.

Outro exemplo de derrotismo: dizer que “com esse Congresso, Lula não vai conseguir governar”, como se o atual Congresso fosse de esquerda, honesto e republicano; como sabemos, o atual Congresso não é nada disso, mas ainda assim conseguimos governar.

Segundo, explicar que não houve “tsunami” de votos a favor da extrema-direita. No segundo turno de 2018, o presidiário pai do criminoso teve 57 milhões de votos. No segundo turno de 2022, o mesmo presidiário teve 58 milhões de votos. E, agora, o filho criminoso do presidiário criminoso teve 56 milhões de votos. Não houve “tsunami”.

Terceiro, lembrar que a eleição de segundo turno é diferente e, num certo sentido, melhor para nossa candidatura presidencial. É mais fácil demonstrar o que está em jogo, é mais fácil polarizar, será mais fácil votar. E, agora que ficou evidente o risco que corremos, é mais fácil garantir a mobilização do nosso povo. Motivo pelo qual, aliás, é importante garantir – especialmente nas pequenas cidades – que as prefeituras cumpram o que a Lei determina e garantam o transporte público gratuito.

Quarto, organizar uma campanha militante 24h por dia, 7 dias por semana, até as 17h do dia 25 de outubro, que dê visibilidade para Lula 13 e que nos permita dialogar com a maioria do povo brasileiro, nas ruas e nas redes, nas redes e nas ruas.

Orientamos a militância a fazer seu próprio material de campanha, conforme permite a Lei nº 9.504/1997, que autoriza qualquer eleitor a realizar gastos em apoio a candidato de sua preferência até o valor de R$ 1.064,10.

Quinto, lembramos que as redes sociais tem imensa importância. Mas recordamos que estas redes são controladas por grandes empresários vinculados à extrema-direita e já há provas de que o alcance de nossas postagens está sendo artificialmente reduzido. Por este motivo, não se deve abandonar ou secundarizar a mobilização de rua e o contato corpo-a-corpo com as pessoas.

Destacamos a importância de faixas, adesivos, bandeiras e cartazes, para dar visibilidade ao Lula 13.

Neste mesmo sentido, é importante que em todas as empresas, locais de moradia, espaços de lazer, se façam mobilizações – a exemplo das realizadas pela juventude universitária -, mas sempre buscando “furar a bolha” dos setores mobilizados e conversar com as mais amplas camadas do povo.

Em todo o Brasil, é fundamental fazer grandes atividades de massa, sem que Lula esteja presente.

Mas é preciso ir além de passeatas, comícios e eventos em geral. É preciso panfletar, conversar com as pessoas, virar votos, realizar mutirões em áreas de maior abstenção para convencer as pessoas a votar. Para isso é indispensável ter panfletos e materiais virtuais com argumentos e linguagens que dialoguem distintamente com diferentes públicos e classes sociais.

Recomendamos às candidaturas que disputaram o primeiro turno, tenham ou não vencido, que voltem a dialogar com suas bases eleitorais. Os comitês do primeiro turno devem continuar funcionando.

Sexto, dar prioridade na campanha para dialogar com os setores sociais que vão nos dar a vitória: os trabalhadores de menor salário, as mulheres, os negros e negras, a juventude e o povo de coração nordestino, inclusive aquele que habita o sudeste do país e que por ventura se absteve, votou branco, nulo ou até no cavernícola, corrupto, fascista e miliciano candidato da extrema direita.

É principalmente nesse eleitorado, que não votou em nenhuma candidatura presidencial no primeiro turno, onde estão os votos que nos levarão à vitória.

Não se deve gastar tempo priorizando “ampliar apoios” nos diferentes segmentos da direita. O que não quer dizer que não devamos buscar quem possa ser buscado, por exemplo, prefeitos nos estados do Nordeste.

Para conquistarmos mais 7 milhões de votos, é decisivo recuperar o espaço da esquerda nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Reafirmamos que se trata de reconquistar votos de quem já votou em nós em 2022 ou que tem potencial de votar, tarefas totalmente possíveis se fizermos agora o que já podíamos ter feito, mas em parte não fizemos, no primeiro turno.

Sétimo, ter um discurso focado na defesa e construção do futuro do Brasil.

Isso inclui falar das reformas estruturais que mudem nossa sociedade e nosso lugar no mundo, garantindo soberania, democracia, bem-estar, meio ambiente e desenvolvimento.

Mas inclui, antes de mais nada, tomar medidas imediatas e urgentes para melhorar a vida do povo. Destacamos, a respeito, os seguintes temas: baixar o preço dos alimentos, libertar o povo do endividamento e dos juros altos, melhorar os serviços públicos (com destaque para saúde, educação, transporte, passe livre e segurança).

A superação do projeto racista e antifeminista da extrema-direita deve caminhar lado a lado com a centralidade das mulheres e das negras e negros na transformação do país, assegurando que a autonomia econômica, as políticas de cuidado, a reparação histórica e o enfrentamento rigoroso à violência de gênero e racial estejam no centro do orçamento do Estado e da luta da classe trabalhadora.

Nesta mesma perspectiva, o fim da escala 6×1 é parte estruturante de uma vida melhor para a maioria do povo, uma política civilizatória segundo a qual devemos trabalhar para viver e não viver para trabalhar. O governo deve tomar uma iniciativa prática nesse sentido e Lula deve dar todo o destaque para o tema na campanha e nos debates.

Os movimentos sociais precisam participar ativamente, disputar a linha de campanha e o programa. Essa disputa deve se traduzir em ações práticas, por exemplo organizar atividades nas empresas com grande número de trabalhadoras.

Por todos os motivos elencados anteriormente, a “comparação de legados” e o “medo dos criminosos” não devem ser o aspecto central de nosso diálogo. O central é o futuro.

Mas isso não significa baixar o tom. Pelo contrário, é hora de polarização sem trégua, para derrotar o crime, as milícias, a Faria Lima, os vendilhões do templo, os feminicidas, os racistas, os fundamentalistas, os negacionistas e -acima de tudo – os imperialistas, os golpistas e os traidores da pátria.

Nossa campanha deve denunciar, desmontar e desmoralizar a candidatura da extrema-direita, lembrando que um governo ultraliberal beneficiará somente o agronegócio, as mineradoras, o capital financeiro e os Estados Unidos, prejudicando fortemente o povo trabalhador, as mulheres, os negros e negras, a juventude.

Oitavo, devemos nos vacinar contra o impacto das pesquisas negativas, mas também contra o efeito anestésico das pesquisas positivas.

Nono, enfatizamos a necessidade de fiscalização e presença ativa em todos os locais de votação, que devem ser ocupados visualmente pelos apoiadores da campanha de Lula.

Caso a coordenação da campanha e a direção do Partido não estejam à altura da tarefa, que cada um de nós cumpra seu dever, como vem fazendo a Nação Petista, especialmente a partir dos últimos quinze dias, avermelhando as ruas e as redes.

Desde a noite de 4 de outubro, nosso povo está em estado de alerta total, cabendo a nós estimular e organizar ao máximo esta mobilização espontânea.

Nossa militância petista para tempos de guerra já demonstrou inúmeras vezes ser melhor que a direção. Agora, mais uma vez, será ela quem forjará a reeleição de Lula no segundo turno.

E a ela cabe se preparar para o dia seguinte à nossa vitória, pois a guerra em defesa da pátria e da humanidade não termina dia 25 de outubro.

Viva a classe trabalhadora!
Viva o PT!
Viva Lula presidente!

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