A crise global de alimentos: Ácido sulfúrico — parte 2

Tempo de leitura: 3 min
Ácido sulfúrico é muito utilizado para a produção de fertilizantes. Foto: Reprodução

Tradução, por tradutor automático, de postagem sem título no X (ex-Twitter) por Christophe Ginisty, publicado originalmente em 13 de abril de 2026. Parte 2 de 5.

Enviado por Ruben Bauer Naveira*

Parte 1: Ormuz 

Enquanto Trump anunciava seu bloqueio, a China discretamente cortava o fornecimento de ácido sulfúrico. Ninguém comentava, mas essa era uma das decisões mais importantes desta crise.

Vamos começar pelo básico, pois este assunto é pouco conhecido, mas de vital importância.

O ácido sulfúrico é um dos produtos químicos industriais mais utilizados no mundo.

Sem ele:

– Sem fertilizantes fosfatados, portanto, menos alimentos.

– Sem mineração de cobre, portanto, menos cabos elétricos, infraestrutura e uma transição energética mais lenta.

– Sem baterias, portanto, menos veículos elétricos.

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– Sem refino de petróleo.

– Sem têxteis.

É uma molécula invisível, essencial para quase tudo o que a civilização industrial produz.

Em 10 de abril de 2026, a China anunciou que suspenderia suas exportações de ácido sulfúrico a partir de maio, afetando as indústrias de metais e fertilizantes, já fragilizadas pelas interrupções causadas pela guerra no Irã.

Esse momento não é insignificante. Coincide com o anúncio do bloqueio do Estreito de Ormuz pelos EUA.

Para compreender a magnitude do choque, é preciso considerar o que está acontecendo simultaneamente em três frentes.

– Primeira frente: O fechamento do Estreito de Ormuz bloqueia as exportações de enxofre do Oriente Médio, região responsável por um terço da produção mundial de enxofre, matéria-prima para o ácido sulfúrico.

– Segunda frente: A China está interrompendo suas exportações de ácido sulfúrico refinado, privando o mercado global de suas duas principais fontes de abastecimento simultaneamente. Como resultado, os preços do enxofre já subiram 70% desde o início do conflito. Os preços do ácido sulfúrico no Chile aumentaram 44% em apenas um mês.

– Terceira frente, as consequências em cascata: O Chile, maior produtor mundial de cobre, importa mais de um milhão de toneladas de ácido sulfúrico chinês anualmente. Aproximadamente 20% de sua produção de cobre depende de processos que requerem esse ácido. A República Democrática do Congo, a Zâmbia e a Indonésia (para níquel) também são diretamente afetadas.

Menos cobre significa menos infraestrutura elétrica global. Menos fertilizantes significa pressão adicional sobre a segurança alimentar global em um contexto onde os mercados agrícolas já estão sobrecarregados.

Um analista da CRU resume:”A perda dos volumes chineses será difícil de compensar, dada a escassez paralela de matérias-primas de enxofre“.

Em última análise, é isso que essa sequência revela sobre a estratégia da China.

Pequim não precisa declarar guerra. Basta fechar uma torneira. Essa é precisamente a doutrina da guerra econômica assimétrica que a China vem praticando metodicamente há quinze anos: usar sua posição dominante nas cadeias de suprimentos globais como alavanca, sem confronto militar direto.

A cada vez, o método é o mesmo: identificar o ponto invisível de dependência, esperar o momento de máxima tensão e, então, fechar a torneira. Simples assim.

Trump, por sua vez, anuncia um bloqueio marítimo espetacular em letras maiúsculas nas redes sociais. A China responde com uma decisão burocrática discreta, transmitida internamente aos seus produtores.

Um está agindo. O outro está jogando xadrez.

Em Le Pantin de la Maison Blanche  (“O Fantoche da Casa Branca”), analiso como este governo responde a crises com ferramentas do século XX contra adversários que construíram armas do século XXI. Um bloqueio naval é uma arma de 1962. O controle das cadeias de suprimentos globais é uma arma de 2026.

E enquanto Trump tuíta “BLOWN TO HELL” (“explodidos para o inferno”), Pequim está silenciosamente cortando o fornecimento da molécula da qual depende a produção global de alimentos.

A guerra da qual ninguém fala é, muitas vezes, a mais eficaz.

*Ruben Bauer Naveira é ativista político. Autor do livro Uma Nova Utopia para o Brasil: Três guias para sairmos do caos (disponível em http://www.brasilutopia.com.br/).

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