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Diário da Resistência


Nelice Pompeu: Carta de uma mãe ao governador de São Paulo, onde sobram promessas e faltam professores
Gpvernador de São Paulo, Rodrigo Garcia (DEM). Foto: Reprodução/Flickr Governo de São Paulo
Escolas em luta 27/06/2022 - 12h12

Nelice Pompeu: Carta de uma mãe ao governador de São Paulo, onde sobram promessas e faltam professores


Por Nelice Pompeu

Carta de uma mãe ao Governo do Estado

Por Nelice Pompeu*

Sou mãe de um aluno do 2º ano do Ensino Médio, que estuda em uma escola da rede estadual localizada na periferia de São Paulo.

Estou muito preocupada com o futuro dele e de tantos outros jovens que está ameaçado, pois o governo paulista não tem cumprido o dever de garantir o direito à educação pública, gratuita, laica e de qualidade.

Sobram promessas,  faltam professores!

O que adiantam propostas supostamente inovadoras e reforma de currículos, se falta o principal: o professor.

Minha indignação de mãe, me levou a pesquisar o tema.

Fiquei chocada ao descobrir que há quase dez anos, o governo paulista não realiza concurso na área, e o resultado disso pode ser comprovado via Diário Oficial do Estado de São Paulo:

— Na Secretaria de Educação, há mais de 98 mil cargos alocados no banco de contingenciamento (Banco de Contingenciamento de Cargos e Empregos Públicos da Administração Direta e Autárquica do Estado – BCEP ), que foi criado pelo decreto nº 59.957, de 13 de dezembro de 2013. O BCEP reúne “cargos vagos e empregos públicos não preenchidos, considerados excedentes ou desnecessários no âmbito das Secretarias de Estado, da Procuradoria Geral do Estado e das Autarquias estaduais”.

— Os 98 mil cargos não podem ser preenchidos por meio de concurso público e estão congelados.

— Desses 98 mil cargos, 52,6 mil são de professor de educação básica II (lecionam português, história, matemática, entre outras disciplinas). 36 mil, de professor de educação básica I ( ensino infantil) e 8,58 mil agentes de organização escolar.

— De acordo com os dados de 2021, além dos 98 mil cargos congelados, havia 165,8 mil cargos vagos, a saber: 97,5 mil de professor de educação básica II, 47,2 mil para professor de educação básica e 18,5 mil de agentes de organização escolar.

Uma busca no site da secretaria de Educação mostra que, em 2014, foi lançado um concurso com 5,7 mil vagas para professores de educação básica nível I (através das instruções especiais SE Nº 02/2014).

Já para professor de educação básica II foi lançado concurso (instruções especiais SE Nº 02/2013) com 59 mil vagas, segundo notícias da imprensa da época.

É um absurdo termos na rede estadual de ensino público de São Paulo apenas 14,1% dos cargos ocupados por professor de educação básica I e 37,4%, por professor educação básica II.

Essa situação é negligenciada pelo próprio governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (Democratas), quando declara com naturalidade: se tem 22% de aulas não dadas, tem 78% de aulas dadas, e com a expansão do ensino integral é natural que vai falta professor.

Nada, nada mesmo, substitui a atividade docente. Isso inclui desde as gambiarras pedagógicas — por exemplo, preencher as aulas vagas com conteúdo gravado —  à contratação no atropelo  de professores sem a formação adequada.

Senhor governador, e se fosse com seus filhos?

O próprio ex-secretário de educação, Rossileli Soares, afirmou que temos uma das piores educação do mundo.

Seria consequência do descaso com que o governo no poder desde 1995 trata a educação?

Esse mesmo ex-secretário nunca recebeu as famílias da escola pública, mas dava livre acesso a um grupo de mães com filhos em escolas da elite.

Será que o aluno da escola pública vale menos?

O acesso à educação é condição fundamental para superar o abismo social existente no país. Porém, o modelo tecnocrata implementado pelo novo ensino médio e o programa de escolas em tempo integral só agravam a evasão escolar.

Muitos colegas do meu filho abandonaram os estudos, já que não conseguem conciliar escola e trabalho, enquanto o governo fecha salas, especialmente do ensino noturno e de ensino para jovens e adultos.

Além disso, é possível constatar o avanço da terceirização nas escolas estaduais, que precarizam as condições de trabalho e desrespeitam direitos trabalhistas, como os atrasos sistemáticos no pagamento de salários.

Senhor governador, não desejo para o meu filho uma escola pública que limita sonhos e prejudica o seu futuro.

*Nelice Pompeu é professora da rede pública municipal da cidade de São Paulo. Integra o Movimento Escolas em Luta





3 comentários

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Zé Maria

28 de junho de 2022 às 09h17

Prof Fernando Haddad articula Composição com PSB e Rede em SP

https://br.noticias.yahoo.com/sp-marina-silva-pode-ser-vice-de-haddad-franca-iria-para-o-senado-161607924.html

Responder

    Zé Maria

    28 de junho de 2022 às 09h56

    Ficaria assim a Ordem de Escolha dos Cargos na Urna Eletrônica
    nas Eleições de 2022, no ESTADO DE SÃO PAULO:

    1º] Deputado Federal (quatro dígitos = 13?? ou Legenda 13)*

    2º] Deputado Estadual (cinco dígitos = 13??? ou Legenda 13)*

    3º] Senador [França] (três dígitos: 40?)*

    4º] Governador [Haddad/Marina] (dois dígitos = 13)

    5º] Presidente [LULA/Alck] (dois dígitos = 13)
    .
    * Oportunamente, quando do Registro das Candidaturas
    no T.R.E., serão Divulgados os Números [email protected] [email protected]
    aos Cargos de [email protected] (Federal e Estadual) e Senador(@).
    .

Zé Maria

27 de junho de 2022 às 12h37

Que Absurdo!

48,71% das Vagas para o Cargo de Professor de Educação Básica I
e 40,65% das Vagas para o Cargo de Professor Educação Básica II
não estão ocupadas nas Escolas Públicas do Estado de São Paulo!

Quase Metade dos Cargos de Professor da Educação Básica Vagos!

Isso é o Desmonte Completo do Ensino Público Estadual em São Paulo!

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