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Pochmann vê risco de Estado de Sítio ainda este ano, com economia deteriorada e 10 mil militares no governo Bolsonaro
O Rio de Janeiro é um novo Canudos, na opinião do economista. Wikipedia
Entrevistas

Pochmann vê risco de Estado de Sítio ainda este ano, com economia deteriorada e 10 mil militares no governo Bolsonaro


05/03/2021 - 11h13

Da Redação

De maneira econômica, mas direto ao ponto, o economista, pesquisador e professor da Universidade Estadual de Campinas, Márcio Pochmann, dispara petardos diários no twitter sobre o governo Bolsonaro:

“Com o neoliberalismo no Brasil, o lado especulativo da economia rentista jamais perde. Para o recuo de 4,8% na renda média do brasileiro em 2020, o ganho com operações em dólares foi de 29,4%”, ele escreveu há algumas horas.

A situação é, de fato, desastrosa: com a vacinação contra a covid 19 avançando rapidamente nos Estados Unidos e o Banco Central de lá oferecendo dinheiro subsidiado, enquanto os juros no Brasil estão relativamente baixos, a fuga de capitais e do investimento direto deve prosseguir.

Dólar alto, por sua vez, turbina a inflação e corrói a renda do brasileiro.

Como o próprio Márcio observou em outro tuíte recente:

“Fracasso neoliberal segue imbatível no Brasil. Enquanto a economia encolheu 4,1%, com maior desemprego e queda de renda, o custo de vida (inflação) subiu 4,5% em 2020.”

Autor de meia centenas de livros, que cobrem de economia a políticas públicas, Márcio foi duas vezes candidato a prefeito de Campinas.

É aí que entra a capacidade de ler a conjuntura do homem público: ele acredita que, se não tiver perspectiva de se reeleger em 2022, o presidente Jair Bolsonaro possivelmente vai decretar Estado de Sítio.

Na visão de Pochmann, isso pode acontecer ainda este ano, se a situação econômica se deteriorar ainda mais.

Ele diz que a presença de 10 mil militares no governo deve ser considerada: são como pasta de dente, uma vez fora do tubo é impossível colocá-la de volta.

“A estratégia dele é gerar o caos no País”, diz o economista ligado ao PT, que compara Bolsonaro ao general argentino Leopoldo Galtieri.

Com o enfraquecimento da ditadura militar no país vizinho, Galtieri lançou a Argentina na desastrosa Guerra das Malvinas, em 1982.

Para Márcio, Bolsonaro foi extremamente beneficiado pela injeção de dinheiro público na economia por conta do auxílio emergencial e deu uma pirueta política razoavelmente bem sucedida, abandonando parte de seus eleitores originais — especialmente os lavajatistas — e abraçando os descamisados e a classe média dos pequenos negócios.

O economista chama de “A Grande Desistência” o fato de que a economia do Brasil saltou de 1,6% para 3,2% do PIB mundial, mas regrediu para 1,8% por causa da desindustrialização.

Ele lembra que as três principais ocupações no Brasil, hoje, representam pessoas que dependem das migalhas dos ricos e não estão integradas à economia: trabalho doméstico (10% do trabalho doméstico do mundo se dá no país), segurança privada e entregadores.

Vale a pena ver a íntegra da entrevista de Pochmann, que acha que desde o golpe de 2016 que resultou na derrubada de Dilma Rousseff o Brasil fez os “50 anos em 5” de Juscelino Kubistchek ao contrário.

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9 comentários

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Zé Maria

06 de março de 2021 às 21h34

“Governo Bolsonaro tomou recursos públicos equivalentes
8% do PIB em 2020 para atuar contra a pandemia.
Agora se sabe como isso ajudou o andar de cima,
pois os 10% mais ricos contrairam 3% da renda familiar,
enquanto os 40% mais pobres perderam cerca de 10 vezes mais.”
https://twitter.com/MarcioPochmann/status/1359429971341701126

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Zé Maria

06 de março de 2021 às 21h30

“Prioridade do parlamento é votar a independência do bacen
dos interesses do país, quando não há vacina, emprego e renda
para o povo.
E o custo da cesta básica pela hora da morte.
Morte, aliás que ocorreu com Maria Antonieta a dizer
para os famintos: se não há pão, comam brioches.”
https://twitter.com/MarcioPochmann/status/1359617201049903105

Responder

Edvard Elias de Souza Filho

06 de março de 2021 às 11h47

Bom dia!
O uso de militares da ativa em cargos públicos demonstra que eles não são necessários para o funcionamento das forças armadas. Talvez, assim que a atual desgraça acabar possamos reduzir o efetivo militar do país.
Além disso, creio que a formação de oficiais deva ser completamente modificada, pois aparentemente ela é muito ruim, visto a baixíssima qualidade intelectual demonstrada por aqueles oficiais que ocupam cargos públicos. Como pode existir um oficial terraplanista?
Outra questão diz respeito a “escola sem partido”. A formação de oficiais é que deveria ser sem partido! Chega de adoradores da ditadura! Eles são nossos empregados, não são nossos patrões ou donos.

Prof. Dr Edvard Elias de Souza Filho

Responder

Henrique Martins

05 de março de 2021 às 19h04

https://istoe.com.br/arrasado-leonardo-lamenta-morte-de-seu-assessor-e-amigo-sem-chao/

É coisa da providência divina uma celebridades bolsonarista defensora das armas perder um grande amigo com um disparo acidental.
Essa mesma providência divina vai nos livrar de Bolsonaro. Mas certamente ela espera que façamos a nossa parte e lutemos para derruba-lo.

Responder

Zé Maria

05 de março de 2021 às 16h38

“Que fique evidente que o retorno a condição neocolonial
a que o golpe de 2016 impôs ao Brasil, esvaziando
com Temer e Bolsonaro a soberania nacional,
tem apoio no parlamento.
A votação que autoriza o banco central ser transformado
no ‘sindicato dos rentistas’ é a comprovação disso.” [*]

Marcio Pochmann
Economista, Pesquisador
e Professor da UNICAMP
https://twitter.com/MarcioPochmann/status/1359426501712740354
.
.
[*] Sindicato de Rentistas = Consórcio de Banqueiros.
.
.

Responder

Zé Maria

05 de março de 2021 às 16h27

Excerto e Adendo

“Se fizeram todas as ‘Reformas’,
que País vai sobrar depois?
Não sobrará Nenhum” …
.
Quiçá o Cassino de Apostas
da BM&F BOVESPA (B3)
com suas Jogatinas …
.
.

Responder

Zé Maria

05 de março de 2021 às 15h35

10 Mil?
Todo o Exército
está no Governo.

Responder

    Zé Maria

    06 de março de 2021 às 18h09

    “Infortúnio, que já transparecia antecipável.
    Chegou a “censura” na divulgação e centralização
    da atuação de servidores do IPEA.
    Como escreveu M. Niemöller em 1933
    “Um dia vieram e levaram meu vizinho
    que era judeu. Como não sou judeu,
    não me incomodei. No dia seguinte, vieram …”

    Professor Marcio Pochmann, Economista, Escritor, Pesquisador (UNICAMP)
    Doutor em Ciências Econômicas (1993/UNICAMP)
    Ex-Presidente da Fundação Perseu Abramo (2012-2020)
    Ex-Presidente do IPEA (2007-2012)
    Ex-Secretário Municipal de Desenvolvimento,
    Trabalho e Solidariedade de São Paulo (2001-2004)
    https://pt.wikipedia.org/wiki/Marcio_Pochmann#Publica%C3%A7%C3%B5es

    https://twitter.com/MarcioPochmann/status/1367997302858776581


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