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Eliara Santana: Os patos da Fiesp, a camisa verde-amarela e a derrota para a Argentina
Fotos: Twitter, reprodução de vídeo e Agência Brasil
Desnudando a mídia

Eliara Santana: Os patos da Fiesp, a camisa verde-amarela e a derrota para a Argentina


11/07/2021 - 12h36

Por Eliara Santana*

Eu não gosto de futebol. Nunca fui muito ligada, não entendo, não tenho time (apenas não gosto de alguns mais antipáticos).

Gosto do Corinthians por causa de Lula, torcia nas Copas do Mundo muito mais por questão política e pelos encontros festivos do que pela paixão por futebol; enfim, sou uma negação em termos esportivos.

Dado esse histórico, descobri somente ontem à noite, bem tarde, que tinha sido a final da cova, digo, Copa América. E descobri que o Brasil tinha perdido. Para a Argentina. No Maracanã. E que boa parte dos brasileiros torceram pela seleção arqui-inimiga.

Desde 2015 eu só consigo associar a camisa verde-amarela aos patos da Fiesp. Às dancinhas ridículas nas ruas. Ao ódio aventureiro que eles disseminavam.

Associo a camisa verde-amarela ao “nós x eles” construído simbolicamente pela mídia – em que brasileiros eram apenas os de verde-amarelo, os que odiavam os petralhas e colocavam no vermelho petista a culpa por todas as mazelas do Brasil.

Associo a camisa verde-amarela aos ignorantes ricos e idiotas, que tiveram boas oportunidades de alisar banco de escola mas que, mesmo assim, diziam acreditar em ameaça comunista no Brasil.

Associo a camisa verde-amarela da seleção aos amantes de Sérgio Moro e Deltan Dallagnol, o ex-juiz picareta e desonesto que armou para tirar Lula da eleição e se tornou ministro do adversário e seu procurador aliado da imprensa.

Associo a camisa verde-amarela aos defensores de toda a arbitrariedade cometida pela Lava Jato e àqueles que foram protestar na porta do hospital onde estava internada, com câncer, a mulher do ex-ministro Guido Mantega.

Associo a camisa verde-amarela às vovós com cartazes dizendo que a ditadura matou pouco no Brasil e devia ter matado mais, desejando a morte de Dilma Rousseff.

Associo a camisa verde-amarela aos médicos que foram para o aeroporto de Fortaleza xingar ostensivamente os médicos cubanos que chegavam ao país.

Associo a camisa verde-amarela a todos aqueles que comemoraram o AVC de dona Marisa Letícia e vazaram seus exames – e foram muitos, em muitos grupos de zap das famílias de bem.

Enfim, como não entendo patavinas de futebol e acho Neymar um idiota aproveitador chorão quando é conveniente, meu problema com a seleção brasileira e a camisa verde-amarela fica no âmbito político mesmo.

Então, é desse campo que vou dar aqui meus pitacos sobre a derrota interessante de ontem. Interessante porque é simbólica, muito simbólica.

No Brasil, não podemos atualmente falar que o mar da história é agitado. Na verdade, ele é um tsunami, um após outro.

E assim, os patos da Fiesp viram seus mitos ruírem um a um. Logo estarão queimando a camisa amarelinha como fizeram em praça pública com as bandeiras do PT.

Ontem, uma grande parte dos brasileiros – certamente, muitos dos que já usaram com vigor a camisa verde-amarela – torceu pela seleção da Argentina, contra o Brasil, na final da Copa América, no Maracanã.

E isso de fato sepulta aquela construção simbólica dos patos contra a corrupção.

A derrota do Brasil pela Argentina na Copa América de Jair Bolsonaro afundado em denúncias teve um gostinho muito bom, lavou a alma de quem, como eu, sofreu muito ao ver um estádio inteiro de vips (articulado por um certo apresentador oportunista) mandando a presidenta do país tomar naquele lugar na abertura da Copa do Mundo de 2014, silenciando o feito maravilhoso do neurocientista Miguel Nicolelis mostrado no estádio. Foi um vexame.

E agora, a torcida dos brasileiros – vermelhos, amarelos e baianos – contra a seleção brasileira marca a destruição completa daquele reino dos patos da Fiesp, com os mitos sendo todos desnudados. Nós, os vermelhinhos, já sabíamos disso tudo. E tentamos avisar…

No mais, parabéns à seleção argentina de Messi, Cristina Kirchner e Alberto Fernández.

*Eliara Santana é jornalista e doutora em Linguística pela PUC/MG.





10 comentários

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Zé Maria

11 de julho de 2021 às 23h10

Na véspera do anúncio oficial da privatização dos Correios no Brasil,
foi decretada a quebra da empresa privada (Correo Argentino S.A.)
que assumiu o serviço postal estatal da Argentina, em 1997,
como parte do plano de privatizações do Governo do Presidente Neoliberal de Carlos Menem.

Na segunda-feira (5), a juíza argentina Marta Cirulli decretou
a falência da Correo Argentino S.A., cuja controladora é a
empresa Socma, holding da família do ex-presidente Mauricio Macri, também neoliberal como Menen.

Em 2003, para sorte dos argentinos, o então Presidente Néstor
Kirchner reestatizou o Serviço Postal do País.

Detalhes em:

https://brasil.elpais.com/internacional/2021-07-07/justica-argentina-decreta-falencia-do-carro-chefe-das-empresas-da-familia-macri.html

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Zé Maria

11 de julho de 2021 às 18h22

https://pbs.twimg.com/card_img/1414253053528748032/z_qo4LAg?format=jpg&name=900×900

“Aquele choro de Neymar ontem
foi mais fake que a invoice da Covaxin
apresentada pelo Onyx Lorenzoni.”
“Tudo virou um grande engodo,
um teatro patriótico falso e ridículo
para endossar os delírios do pilantra
que tomou o Brasil de refém”
https://t.co/OVpSZWisTO
https://twitter.com/revistaforum/status/1414231060670566400

“Depois de chorar em campo,
Neymar é fotografado
gargalhando ao lado de Messi”
https://t.co/5AHmwPvb8h
https://twitter.com/DeputadoFederal/status/1414323105158287366

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    Zé Maria

    11 de julho de 2021 às 19h34

    Depois da Globalização do Futebol, a Pátria ficou sem Chuteiras.

    Zé Maria

    11 de julho de 2021 às 20h25

    E a CBF distribuiu as Camisas Amarelas aos Patos DemoTucanos,
    as Azuis aos Marrecos Lavajatistas e a Bandeira aos Nazi-Fascistas

    Zé Maria

    11 de julho de 2021 às 22h18

    Todos Impatrióticos Vendilhões Entreguistas

abelardo

11 de julho de 2021 às 18h04

Parabéns Eliara Santana, eu entendo que este belo texto resgata do entulho golpista, elitista, fascista, banditista, rentista e bolsonarista, a verdadeira camisa brasileira que nunca sai do corpo e não se troca por nada. A verdadeira camisa brasileira não faz distinção de cor, de sexo, de religião ou de natureza. Ainda que bandas podres, de poderes republicanos, insistam na troca de lado e no apoio cego a projetos elitistas, ilegais, inconstitucionais e criminosos, cujo objetivo maior indica ser a destruição do estado de direito, da democracia, da liberdade, do desenvolvimento e do verdadeiro nacionalismo, ainda assim, temos que impor cada vez mais e com toda intensidade, a exigência do respeito e da obediência ao direito constitucional, que delega a nós, povo, o poder que a nosso nome e a nosso desejo deverá ser sempre exercido.

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Christian Fernandes

11 de julho de 2021 às 16h43

Como não entende ‘patavinas’ de futebol?

“acho Neymar um idiota aproveitador chorão quando é conveniente”

Definição muito mais precisa que qualquer mesa redonda!

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Zinda Vasconcellos

11 de julho de 2021 às 15h02

Entendo perfeitamente o sentimento, mas, embora eu nao associe nacionalismo de verdade com hino, bandeira etc (e sim com defesa do povo, das nossas riquezas etc), acho que nao devemos deixar que os imbecis sequestrem nossos símbolos nacionais, que sao do Brasil inteiro, nao deles. Aprovo os que estao indo nas manifestaçoes contra o verme genocida de verde e amarelo (nada contra o vermelho, claro).

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