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Diário da Resistência


Eliara Santana: Como a mídia caiu no conto do marreco de Maringá?
Sergio Moro e Deltan Dallagnol, um dos seus miquinhos amestrados. Ascânio Seleme aplaude Moro ao lado do dono da Globo. Fotos: Reprodução de redes sociais e divulgação
Desnudando a mídia 21/04/2022 - 21h02

Eliara Santana: Como a mídia caiu no conto do marreco de Maringá?


Por Eliara Santana

Como a mídia caiu no conto do marreco de Maringá?

Por Eliara Santana*

As redes sociais estavam em polvorosa nesta semana com o vocabulário e a miserável noção histórica e geográfica do ex-juiz e ex-ministro do governo de Jair, o incomível, Sergio Fernando Moro.

Ele justificou a mudança do domicílio eleitoral de Maringá para São Paulo dizendo que “Maringá é colonização paulista”. Ele também falou, na mesma justificativa, que “São Paulo REBERVERA no país”

Antes, Moro já havia dito e escrito “conje” no lugar de cônjuge.

Falar errado, trocar letras, comer letras, nada disso me causa incômodo.

Na verdade, causa-me estranheza pelo fato de o cidadão em questão ser um juiz, que passou por um concurso bem concorrido. Mas nada disso chega a ser de fato espantoso.

O que me espanta profundamente é o fato de a imprensa brasileira ter alçado um cara idiota, estúpido, limitado e intelectualmente incapaz como Sergio Moro à posição de herói combatente da corrupção, sem qualquer posicionamento contrário, sem qualquer fala contraditória, com horas e horas no jornal de maior audiência da TV brasileira, o Jornal Nacional, e páginas e páginas nos maiores jornais do país.

O que me espanta é a mídia ter engolido todas as armações de Moro e ter passado pano para o fato de que ele prendeu o candidato à frente das eleições de 2018 e se tornou ministro do candidato que foi beneficiado por essa prisão!! Isso, sim, é espantoso.

Sobretudo, o que me espanta e me causa profunda indignação é a imprensa brasileira ter passado pano, acobertado, silenciado os seguintes fatos na recente história brasileira:

4 de março de 2016 – o juiz Sergio Moro decreta a condução coercitiva do ex-presidente Lula para depor em Curitiba.

Lula nunca havia se negado a prestar quaisquer esclarecimentos à Justiça e não tinha sido intimado a depor. Mesmo assim, Moro entendeu que a condução coercitiva seria adequada. A imprensa engoliu o assunto sem questionamento.

16 de março de 2016 – o juiz Sergio Moro libera áudios contendo conversas do ex-presidente Lula com várias pessoas, incluindo a presidenta Dilma Rousseff. Havia também conversas particulares de dona Marisa com um dos filhos.

Tudo foi liberado e divulgado com estardalhaço na mídia. A investigação envolvendo Lula estava em andamento, e Moro justificou a liberação dizendo que era assunto de interesse público.

5 de abril de 2018 – Moro decreta a prisão de Luiz Inácio Lula da Silva.

1 de outubro de 2018 – Sérgio Moro libera a divulgação de trechos de delação do ex-ministro Antônio Pallocci que continham acusações contra o ex-presidente Lula.

Foi liberado com exclusividade para o JN, e era a edição às vésperas do primeiro turno da eleição presidencial.

Novembro de 2018 – Moro, depois de prender Lula e tirá-lo da eleição, aceita ser ministro da Justiça de Bolsonaro.

24 de abril de 2020 – Sergio Moro se demite do Ministério após Bolsonaro fritá-lo pela disputa envolvendo a PF.

Maio de 2020 – Moro vai para os EUA trabalhar como consultor na Alvarez & Marsal, empresa que fazia recuperação judicial de empresas investigadas pela Lava Jato. Ganhou quase 4 milhões de dólares.

Esse breve resumo mostra a trajetória político-eleitoral de um dos personagens mais nefastos e cretinos da recente história brasileira.

Com todas as armadilhas e armações da Operação Lava Jato, Sergio Moro e seus miquinhos amestrados, como o procurador Deltan Dallagnol, ajudaram a destruir o Brasil, imputaram uma destruição da reputação da gigante Petrobras.

E tudo isso ancorado pela parceria que se estabeleceu com a mídia brasileira, que não apenas passou pano para o juiz de Maringá, mas o incensou a ponto de tornar inquestionáveis todas as suas arbitrariedades.

Sem essa parceria, esse trabalho conjunto e afinado, a Operação Lava Jato não tomaria a dimensão que tomou, e seus articuladores não seriam alçados à categoria de “heróis” no imaginário nacional.

Para muito além da divulgação de informações que deveriam ser sigilosas, posto que faziam parte de processos em andamento, essa parceria da mídia com o juiz marreco tinha um timing perfeito na divulgação de investigações, nas ações da Força Tarefa mostradas de modo espetacular na TV e nas delações direcionadas, e se esmerou também na construção de uma linguagem simbólica que estruturou todas essas ações conjuntas e garantiu o enaltecimento de determinadas figuras e a criminalização sem defesa de outras.

Portanto, falar “rebervera” é bobagem. E para isso eu dou a mínima.

O que me deixa com muito asco é a hipocrisia e a cretinice que o movimentaram na perseguição a tantos com a Lava Jato e a conivência oportunista da mídia com um juiz incapaz e oportunista.

*Eliara Santana é jornalista e doutora em Linguística pela PUC/MG

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16 comentários

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Ibsen Marques

05 de maio de 2022 às 05h20

O Viomundo poderia diagramar melhor os comentários fora do facebook.
Dito isso há um grande equívoco da autora. Não foi a mídia que sucumbiu ao canto da seria, foi o juiz vaidoso quem caiu no conto e foi usado para atingir os objetivos da elite brasileira através da “in” justiça e das promessas de holofotes pela imprensa brasileira.
O conjunto da obra não me espanta mas me indigna. É óbvio que tem matacutaia no concurso público. Não é atoa que o judiciário amazonense se tornou uma capitania hereditária que já virou matéria na mídia dita alternativa, assim como não é de se espantar que a posse ilegal de Dalagnol no MP tema sido legalizada pela inépcia do MP e do judiciário.
Moro é um projeto gestão pela mídia e imprensa da elite, e que com ela se confunde, um parceria com os órgãos de espionagem e o departamento de “in”justiça estadunidense.
Há um senso comum de que sem o jornalismo não há democracia, mas a realidade vivia no país demonstra o exato oposto: não há um golpe contra a democracia brasileira que ocorra sem a participação ativa da grande imprensa e da grande mídia brasileira. O dever de bem informar cedeu a muito ao compromisso com o anunciante. É o que FSP bem define com a expressão “rabo preso” do qual ela tenta se descolar através de ações de marquetim que, como todo marquetim, esconde bem a verdade e deforma a realidade.

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Nelson

04 de maio de 2022 às 17h39

Os órgãos da mídia hegemônica já conheciam as “travessuras” do Moro ainda da roubalheira feita por meio das Contas CC5 do Banco Central na década de 1990 e inícios dos anos 2020. Para continuarem com a campanha de difamação incessante das empresas públicas, denominaram a roubalheira de “Escândalo do Banestado”, quando o banco público foi simplesmente usado para fraudes privadas.

Portanto, esses órgãos d mídia não podem ter o benefício de terem “caído que nem patinhos, ou marrecos” no conto do Moro.

A bem da verdade, Lava Jato, Moro e “seus miquinhos amestrados” são instrumento de que se utilizou o Sistema de Poder que domina os Estados Unidos para se livrar de políticos inconvenientes, que insistiam em não obedecer regiamente a todas as suas ordens, e para desferir um grande estocada rumo ao desmantelamento completo do Estado brasileiro e do parque industrial do nosso país, objetivo primeiros do golpe de Estado imposto à nação já há seis anos num vergonhoso 17 de abril.

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Valmont

02 de maio de 2022 às 07h00

Questão para se pensar:
Por que ainda chamamos o Cartel da Mídia de “imprensa brasileira”?

Os grupos econômicos aos quais pertencem os maiores veículos de comunicação deste país são predominantemente financeiros (banqueiros) e dominam o espaço público através de uma falsificação óbvia. São um simulacro, um arremedo de imprensa. No entanto, nós continuamos a chamá-los de “imprensa brasileira”.
Esse comportamento “colonizado” me incomoda profundamente.

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TELESFORO MATOS

27 de abril de 2022 às 19h48

A mídia não caiu em conto de ninguém.

A mídia era quem comandava a lava-jato… Moro era um reles serviçal dos “donos do Brasil”

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Patrice L

26 de abril de 2022 às 21h00

Como aqui já muito bem pontuado por outrxs: a mídia não caiu, mas, sim, é co-autora – talvez mesmo a principal novelista – do conto da lava-jato. Prender Moro, Dallagnol e aquele círculo todo de conhecidos cúmplices é pouco, porque bem mais gente participou desse golpe sujo. Que não sossega, haja vista o criminoso Delta tentando convocar (arrecadar, diria melhor) um tal de 200+. Delta que, com o tal Robito e respectivas esposas, vibraram com a possibilidade de lucrar, lucrar, lucrar. Gângsters, isso sim, fazendo uso indevido dos seus cargos públicos.

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Augustus Araújo

26 de abril de 2022 às 18h35

Conto do Moro antes, conto do Zé Lensky agora! A mídia sempre fabricando os contos e se fazendo de vítima depois.

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Morvan

25 de abril de 2022 às 14h36

Se me for permitido, um pequeno reparo: quem caiu, e o faz sempre, no conto do vigário, foi o povaréu, incapaz de pensar fora da caixa, pois enquanto deveria estar estudando, trabalhando, está a assistir ao BBB, ao Lata Velha, Mais você, etc. Moro, o juiz mais analfabeto que deve existir, como conseguiu passar numa prova para magistrado é mistério, apenas viu a oportunidade de se locupletar; uma verdadeira simbiose, com relação a estes (conge e Mídia colheram os frutos e o povo, os ossos…) e predação, com relação aos patrimônio do pais e também seu próprio povo.

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Edgar

23 de abril de 2022 às 19h59

A mídia não cai em conto nenhum, a mídia é personagem principal no conto.

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Francisco Bergamo

23 de abril de 2022 às 13h30

Como seria interessante, se esquecemos de Lula e Moro e dedicássemos os esforços para a corrupção e benefícios a determinadas classes que aconteceram em todos os governos. O Presidente sempre será um marionete !!!!

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Jose Espare

23 de abril de 2022 às 10h56

É incrível, mas existem realmente pessoas que são capazes de aprovar de fato a figura de um monstro, imbecil e idiota como sendo um herói. É mais uma prova de que a podridão atingiu um bom número de pessoas. Para quem acha que eu possa estar exagerando, basta conferir o que é dito por uma comentarista aqui mesmo. Vamos ver que a falta de caráter se alastrou e não se limitou aos executores das ações sórdidas tomadas contra os interesses de nossa nação.

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Ligia Pinto do Nascimento Motta

23 de abril de 2022 às 08h22

No meio de tanta sujeira o único que se salva e o senhor ex juiz e ex ministro Sérgio Moro . Presidente Bolsonaro e lula . São dois sociopatas , narcisista . São farinha do mesmo saco . Votei em Bolsonaro e se arrendamento matasse eu estaria mortinha.

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Ligia Pinto do Nascimento Motta

23 de abril de 2022 às 08h04

Nó meio de tanta sujeira , o único que se salva é o senhor ex juiz e ex ministro Sérgio Moro . O resto são só farinha do mesmo saco . Esquerda X direita ,são todos iguais . Votei em no presidente Jai Messias Bolsonaro !! E se arrependimento matasse eu estaria mortinha . Votei em um sociopata , narcisista doente . O Lula além de sociopata narcisista e bêbado .Essa e a cara da liderança do nosso país .

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Antonio Uchoa Neto

22 de abril de 2022 às 12h33

Na verdade, foi o Moro – da mesma forma que Joaquim Barbosa – que caiu no conto da mídia. Para esta, qualquer um serve para herói – do Saci Pererê ao Barão de Munchhausen – desde que seja para eliminar políticos e candidatos de esquerda, ou como tal considerados. Barbosa percebeu-se mero pião, no meio do caminho, e recolheu-se a um abastado anonimato. Moro ouviu as feiticeiras da Mídia – Estadonha, Globolina, e Folhícia, que lhe disseram: “Tu serás presidente, Moro!” e agora tem que recolher os cacos de sua frustrada ambição, ao lado de sua Lady Macbeth.

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Zé Maria

22 de abril de 2022 às 01h45

O Conje e a Conja

Lindo Casal passeando em Maringá Paulista

https://pbs.twimg.com/media/FQ4GLhbXMAAlN42?format=jpg

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Zé Maria

21 de abril de 2022 às 22h37

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8 de Julho de 2018

“Em relação ao habeas corpus impetrado por parlamentares em favor perante o TRF4 -Tribunal Regional Federal da 4ª. Região (HC nº5025614-40.2018.4.04.0000/PR)
a defesa técnica do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva registra que:

1- O juiz de primeira instância Sergio Moro, em férias e atualmente sem jurisdição
no processo, autuou decisivamente para impedir o cumprimento da ordem
de soltura emitida por um Desembargador Federal do TRF4 em favor de Lula,
direcionando o caso para outro Desembargador Federal do mesmo Tribunal
que não poderia atuar neste domingo (08/07);

2- É incompatível com a atuação de um juiz agir estrategicamente para impedir
a soltura de um jurisdicionado privado de sua liberdade por força de execução
antecipada da pena que afronta ao Texto Constitucional — que expressamente
impede a prisão antes de decisão condenatória definitiva (CF/88, art. 5º, LVII);

3- O juiz Moro e o MPF de Curitiba atuaram mais uma vez como um bloco
monolítico contra a liberdade de Lula, mostrando que não há separação
entre a atuação do magistrado e o órgão de acusação;

4- A atuação do juiz Moro e do MPF para impedir o cumprimento de uma decisão
judicial do Tribunal de Apelação reforçam que Lula é vítima de “lawfare”, que
consiste no abuso e na má utilização das leis e dos procedimentos jurídicos
para fins de perseguição política;

5- A defesa de Lula usará de todos os meios legalmente previstos, nos
procedimentos judiciais e também no procedimento que tramita perante
o Comitê de Direitos Humanos da ONU, para reforçar que o ex-presidente
tem permanentemente violado seu direito fundamental a um julgamento justo,
imparcial e independente e que sua prisão é incompatível com o Estado de Direito.”

CRISTIANO ZANIN MARTINS
Advogado de Defesa de Lula

https://www.conjur.com.br/2018-jul-08/advogado-lula-atuacao-moro-demonstra-perseguicao
.
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Responder

    Zé Maria

    21 de abril de 2022 às 22h48

    Moro, DD e Gebran tramaram para deixar Lula Preso,
    ao menos, até a Eleição de Jair Bolsonaro em
    Outubro de 2018. Além de Moro, Gebran também
    tinha a Pretensão de ser Indicado para o STF.


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