VIOMUNDO

Diário da Resistência


Denúncias

Justificativas da Secom para não fornecer os dados da Globo


02/07/2013 - 15h18

por Conceição Lemes 

Dias após a entrevista com a ministra  chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom-PR), a jornalista Helena Chagas, da qual participaram Roberto Messias, secretário-executivo, e Fabrício Costa, secretário de Comunicação Integrada, esta repórter cobrou alguns dados prometidos durante a reunião.  Entre eles:

* Se juntarmos a TV Globo aberta [nessa altura já sabia que nos R$ 495.270.915,28 programados para 2012 estão incluídas todas as afiliadas] e as emissoras fechadas do grupo, quanto toda a Rede Globo recebeu de recursos publicitários do governo federal?

*Das Organizações Globo também fazer parte os jornais O Globo e Extra, a rádio CBN, os portais G1 e Globo On Line, as revistas Época, Marie Claire etc.. Juntando tudo, quanto as Organizações Globo receberam de verbas federais de publicidade em 2012?

Seguem na íntegra as respostas sobre esses questionamentos.

Primeiro, José Ramos Filho, secretário de Imprensa da Secom, respondeu:

Em relação ao seu pedido para que a SECOM faça um levantamento sobre as programações de publicidade oficial consolidadas por grupo empresarial, envolvendo todos os tipos de mídia de cada grupo e, também, para que sejam detalhados os sites programados por todo o Governo Federal, informamos: a SECOM não dispõe dos dados efetivos de todo o Governo Federal referentes a  pagamentos realizados a veículos e grupos de comunicação, uma vez  que inexiste previsão legal que atribua à esta secretaria, ou a outro integrante do Poder Executivo Federal, competência para processar os dados na forma solicitada.

Esclarecemos que o artigo recentemente divulgado pela SECOM, disponível no endereço http://www.secom.gov.br/sobre-a-secom/acoes-e-programas/midia,  utilizou dados fornecidos pelo Instituto para Acompanhamento da Publicidade (IAP) que reproduz a previsão de uso de tempos e/ou espaços publicitários. O IAP, vale lembrar, processa os dados oriundos dos pedidos de inserção que lhe são encaminhados, voluntariamente, pelas agências de propaganda contratadas por órgãos e entidades do Executivo Federal. Os dados processados pelo IAP não abrangem, necessariamente, todas as programações em determinado período e não correspondem a programações efetivamente executadas.

O levantamento especialmente feito pela SECOM com os dados do IAP, para a elaboração do artigo, visou  proporcionar uma visão geral do planejamento publicitário. Em relação às atividades de responsabilidade da própria SECOM, informamos que, com o objetivo de ampliar a transparência de sua ações, esta Secretaria disponibilizou  tais dados na internet desde setembro de 2012. As informações podem ser consultadas por todos os interessados no endereço https://sistema1.planalto.gov.br/secomweb2/demanda/execucaocontratual. Lá estão disponíveis os pagamentos feitos individualmente pela SECOM a agências de propaganda no período 2009 a 2013, referentes a publicidade institucional e de utilidade pública. Os valores  correspondem a venda de tempos e/ou espaços por veículos e demais meios de divulgação à agência, a serviços especializados prestados por fornecedores à agência, a serviços de intermediação prestados pela própria agência e  a desconto de agência.

Como a resposta não era satisfatória e me causava estranheza. já que os dados haviam sido prometidos na nossa entrevista, fiz vários questionamentos à ministra e equipe. Foram vários e-mails.  Em resposta à última tentativa, na sexta-feira 28, o secretário de Imprensa da Secom respondeu-os separadamente:

Se a Secom conseguiu montar as tabelas apresentadas no texto do senhor Roberto Messias, publicado no Observatório da Imprensa, como não dispõe das informações que solicitei?!  Afinal, eu peço apenas a discriminação das tabelas. E para montá-las o senhor [Fabrício Costa], claro, teve juntar todas as informações que estavam separadas.

R-Conceição, estamos tratando de duas coisas distintas. Sua solicitação inicial, pelo que entendemos, era sobre ospagamentos de todo o governo aos veículos, dados que nós não temos. Só temos informações dos nossos pagamentos, da SECOM. As informações de terceiros de que dispomos são apenas de planejamento de investimento, e não de desembolso efetivo. Portanto, só poderíamos fazer, e o fizemos, o envio dos pagamentos da SECOM. Pode ser que, mesmo diante das limitações dos dados do IAP, você deseje recebê-los detalhadamente, em substituição aos dados mais precisos, que não possuímos. Mas aí temos outra limitação a observar.

A SECOM está empenhada em ampliar continuamente o grau de abertura das informações de investimentos publicitários. As informações divulgadas atualmente são muito mais detalhadas que as de anos anteriores. Tal abertura tem sido feita progressivamente e de modo a não comprometer a credibilidade das informações. Os dados utilizados no artigo de Roberto Messias, por exemplo,  tinham o objetivo de dar uma visão geral dos investimentos em alguns segmentos de mídia. E foram precedidos de uma checagem prévia, que avaliasse a consistência com os resultados efetivos dos investimentos publicitários. Foi uma ação pontual, que consumiu recursos humanos caros à SECOM. A mesma divulgação, no entanto, não pode ser feita com as demais informações, que não foram submetidas ao mesmo trabalho de checagem, sob risco de cometermos equívocos [grifos do próprio secretário de Imprensa].

O que foi feito daquela tabela quilométrica com os dados de todos os investimentos previstos que o senhor nos mostrou na entrevista que fiz com a ministra Helena Chagas? 

– A tabela mostrada na entrevista foi de investimento programado em sites na internet, que foi encaminhada pela Ministra, sem valores conforme dito no encontro, apenas com o nome dos sites e referente ao ano 2012.

 Curiosamente, nas respostas da Secom, em nenhum momento é citado o nome da Globo.

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7 comentários

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Campanha: Liberdade de Ler na Papuda | Maria Frô

04 de janeiro de 2014 às 00h53

[…] Justificativas da Secom para não fornecer os dados da Globo […]

Responder

O dia que o jornalismo emporcalhou a história: UOL e “a capa de Genoino” | Maria Frô

16 de novembro de 2013 às 10h24

[…] Justificativas da Secom para não fornecer os dados da Globo […]

Responder

Helena Chagas diz que governo desconcentra verbas publicitárias |

19 de setembro de 2013 às 00h58

[…] nota (íntegra, aqui), José Ramos Filho, secretário de Imprensa da Secom, […]

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Helena da SECOM esconde o que gasta na Globo | Conversa Afiada

03 de julho de 2013 às 09h49

[…] esclarecimentos adicionais sobre alguns pontos, esta repórter reiterou as perguntas acima.Em nota (íntegra, aqui), José Ramos Filho, secretário de Imprensa da Secom, respondeu:Em relação ao seu pedido para […]

Responder

FrancoAtirador

03 de julho de 2013 às 07h50

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Site trata mulher como objeto de cama e mesa
e recebe 580 mil reais da Secom em 2012

Por Renato Rovai, na Revista Fórum

Fiquei muito tentado em colocar o seguinte título nesta matéria: “Mídia técnica da Secom é igual a sexo anal sem dor para a mulher é possível”‘. Mudei na última hora por achar que ele poderia ser mal entendido. O fato é que uma matéria cujo título é “sexo anal sem dor para mulher é possível” é a segunda mais lida do site “Bolsa de Mulher“. Um projeto “bacaníssimo”, nas palavras de Roberto Messias, secretário-executivo da Secom. E por isso recebeu 580 mil do governo federal em 2012. A matéria campeã de audiência é : “Conheça as 7 posições sexuais que mais estimulam o prazer”. Mas há outras tão “interessantes” quanto: “aspirador de pó é essencial para limpar persianas”. Ou ainda: “Guia do pênis: entenda como ele funciona e dê mais prazer ao parceiro”.

A revelação da lista de investimentos em internet da Secom em 2012 é da Conceição Lemes, minha colega do Viomundo. E a íntegra da matéria pode ser lida aqui.

A ministra Helena Chagas e o seu estafe provavelmente vão dizer que o Bolsa de Mulher tem uma audiência extraodinária, além de ser “bacaníssimo”. Como sabia que este argumento viria à tona, fui ao Alexa, site que permite verificar a audiência na internet, para comparar alguns dados.

No Brasil, a Revista Fórum está na posição 1.247 entre todos os sites do mundo que aqui podem ser acessados. Posição muito parecida com a da Carta Maior, que está em 1.066 e foi um dos projetos da mídia alternativa que conseguiu figurar entre os que recebeu recursos do governo federal em 2012. O Bolsa de Mulher é o site 676. De fato, algumas posições à frente tanto da Fórum quanto da Carta Maior. Mas convenhamos, nada tão significativo assim que justifique que ele receba em mídia digital 580 mil e a Fórum algo próximo a uns 10 mil em 2012.

Com um pequeno detalhe, Fórum e Carta Maior têm colunistas importantes e fazem jornalismo. Já o Bolsa de Mulher se utiliza de uma estratégia muito conhecida na dinâmica das redes. Um profissional antenado e com alguma formação em SEO (Search Engine Optimization) identifica frases e palavras que se repetem nas buscas do Google. Por exemplo: “posições sexuais e prazer”. Nem precisa ser bom de SEO para saber que isso é algo que muita gente procura em buscadores. E aí você faz uma matéria sobre isso e com essas palavras-chaves no título. Quando alguém procurar isso no Google, serão grandes as chances de acabar no seu site. Acontece que sites assim costumam ter uma média de minutos por visitante bem menor do que os com conteúdo de fato. As pessoas chegam nele e logo caem fora. Por isso, quem distribui verbas com algum tipo de critério, leva isso em consideração. Qualidade da informação é sempre um critério para a escolha de um veículo. Em internet, tempo que o leitor permanece por visita no site também.

Podemos ilustrar essa história com outra frase: “sexo anal sem dor”. Muitas pessoas devem procurar informações sobre isso no Google. Por isso, o “jornalismo” ao estilo “bolsa de mulher” não perdeu a oportunidade de fazer uma nota sobre o tema. E de tão “bacaníssima” que foi a ideia, a nota é a segunda mais lida do site.

Usar este recurso do SEO para melhorar títulos e chegar a um número maior de pessoas é legítimo. Mas aceitar que esse expediente seja utilizado como referência para distribuir verbas públicas demonstra o nível de degradação que a suposta “mídia técnica” da Secom chegou.

Qualquer pessoa que tiver algum conhecimento de internet e um pouco de “simancol” e vier a visitar o site Bolsa de Mulher vai verificar que os quase 600 mil investidos neste projeto apenas em 2012 podem ser um pouco demais da conta. Pra dizer o mínimo.

A jornalista Conceição Lemes escreveu no seu post que a ministra Helena Chagas não conhecia o Bolsa de Mulher quando foi entrevistada. Se porventura ela foi enganada em relação a qualidade do produto, precisa urgentemente tomar uma atitude. Não se pode aceitar que um site machista e sexista, que entende mulher como um objeto de cama e mesa, receba quase 600 mil reais do governo federal, quando sites de caráter bem mais educativos minguam por falta de apoio.

É algo absolutamente chocante. Ou melhor, um deboche. Isso só pode ser classificado como um verdadeiro deboche com quem busca construir veículos independentes e de qualidade no Brasil.

(http://revistaforum.com.br/blogdorovai/2013/07/03/site-trata-mulher-como-objeto-de-cama-e-mesa-e-recebe-580-mil-reais-da-secom-em-2012)
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A partir de agora a SECOM para dar “estímulo à pluralidade e à diversidade”, como afirmou a tecnocrata Helena Chagas, vai aplicar a verba pública no Portal Campeão de Audiência:

O BOLSA DE ‘OMO’

Responder

Fabio Passos

03 de julho de 2013 às 00h15

Pô!
Será que é preciso pedir diretamente a Presidenta Dilma para a secom mostrar toda a gaita que entrega a globo?

Por que a secom está escondendo informação tão simples de consolidar?

O que helena chagas está tentando esconder da população?

Pelo jeito tem mutreta!
Eu quero saber quanto dinheiro público é desviado para os bolsos da famiglia marinho.

Responder

Helena Chagas diz que governo desconcentra verbas publicitárias; Secom não revela gasto total com Globo - Viomundo - O que você não vê na mídia

02 de julho de 2013 às 16h12

[…] nota (íntegra, aqui), José Ramos Filho, secretário de Imprensa da Secom, […]

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