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Rodrigo Vianna: “Desse lado há gente que não se intimida”
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Rodrigo Vianna: “Desse lado há gente que não se intimida”


17/01/2013 - 12h55

Justiça do Rio: a TV Globo joga em casa; mas Kamel está derrotado pela história

publicada terça-feira, 15/01/2013 às 18:23 e atualizada terça-feira, 15/01/2013 às 18:23

Na praça Clóvis/Minha carteira foi batida/Tinha vinte e cinco cruzeiros/E o teu retrato…
Vinte e cinco/Eu, francamente, achei barato/Pra me livrarem/Do meu atraso de vida


(Paulo Vanzolini, “Praça Clóvis”)

por Rodrigo Vianna, no Escrevinhador

Um advogado amigo costuma dizer: “no Rio, a Globo joga em casa”.

Hoje, tivemos mais uma prova. Ano passado, fui condenado em primeira instância, num processo movido pelo diretor de Jornalismo da Globo, Ali Kamel. Importante dizer: a juíza na primeira instância não me permitiu apresentar testemunhas, laudos, coisa nenhuma. Acolheu na íntegra a argumentação do diretor da Globo – sem que eu tivesse sequer a chance de estar à frente da meritíssima para esclarecer minhas posições.

Recorremos ao Tribunal de Justiça, também no Rio. Antes de discutir o mérito da ação,pedimos que o TJ analisasse um “agravo retido” (espécie de recurso prévio) que obrigasse a primeira instância a ouvir as testemunhas de defesa e os especialistas de duas universidadesque gostaríamos de ver consultados na ação.

O Tribunal, em decisão proferida nessa terça-feira (15/01), ignorou quase integralmente nossa argumentação. Negou o agravo e, no mérito, deu provimento apenas parcial à nossa apelação – reduzindo o valor da indenização que a meritíssima de primeira instância fixara em absurdos 50 mil reais. Ato contínuo, certos blogs da direita midiática começaram a dar repercussão à decisão. Claro! São todos fidelíssimos aos patrões e ao diretor da Globo, na luta que estes travam contra outros jornalistas.

Sobre esse processo, gostaria de esclarecer alguns pontos. Primeiro, cabe recurso e vamos recorrer!

Segundo, está claro que Ali Kamel usa a Justiça para se vingar de todos aqueles que criticam o papel por ele exercido à frente da maior emissora de TV do país. Kamel foi derrotado duas vezes nas urnas: perdeu em 2006 (quando a Globo alinhou-se ao delegado Bruno na véspera do primeiro turno, num episódio muito bem narrado pela CartaCapital, naquela época) e perdeu em 2010 (quando o episódio da “bolinha de papel” foi desmascarado pelos blogs e redes sociais). Contra as quotas, contra o Bolsa-Família, contra os avanços dos anos Lula: Kamel é um dos ideólogos da direita derrotada. Por isso mesmo, era chamado na Globo de “Ratzinger”.

Em 2010, Ali Kamel virou alvo de críticas fortes (mas nem por isso injustas) na internet. Deveria estar preparado pra isso. Dirige o jornalismo de uma emissora acostumada a usar seu poder para influir em eleições. Passadas as eleições de 2010, Kamel muniu-se de uma espécie de “furor processório”. Iniciou ações judiciais contra esse escrevinhador, e também contra Azenha (VioMundo), Marco Aurélio (Doladodelá), CloacaNews, Nassif, PH Amorim…

Todas praticamente simultâneas. Estava claro que Kamel pretendia mandar um recado: “utilizarei minhas armas para o contra-ataque; não farei o debate público, de conteúdo, partirei para a revanche judicial”.

Advogados costumam dizer que em casos assim “o processo já é a pena”. Ou seja: o processante tem apoio da maior emissora do país, conta com advogados bem pagos e uma estrutura gigantesca. O processado (ou os processados) são jornalistas e blogueiros “sujos”, sem eira nem beira. O objetivo é sufocar-nos (financeiramente) com os processos.

Está enganado o senhor Ali Kamel. Aqui desse lado há gente que não se intimida tão facilmente.

Não tenho contra Kamel nada pessoal. Conversei com ele sempre de forma civilizada quando trabalhei na Globo. Troquei com ele alguns emails cordiais – como costumo fazer com todos colegas ou chefes. Kamel utilizou um desses e-mails pessoais na ação judicial, como se quisesse afirmar: “ele gostava de mim quando estava na Globo, deixou de gostar quando saiu da Globo.”

Ora, a questão não é pessoal. Tinha por Kamel respeito, até que comprovei de perto algumas atitudes estranhas (vetos a matérias), culminando com a atuação dele na cobertura do caso dos “aloprados” na eleição de 2006. Na época, eu trabalhava na Globo. Saí da emissora por causa disso. E passei a não mais respeitar Ali Kamel  profissionalmente. O discurso que ele fazia na Redação antes de 2006 (“todos podem ser ouvidos, há espaço para crítica”) era falso. Quem criticou ou dissentiu foi

colocado na “geladeira” e “expurgado”. Isso está claro. Azenha, Marco Aurelio Mello, Carlos Dornelles e Franklin Martins estão aí para mostrar…

De resto, a utilização de e-mails (estritamente pessoais) numa ação não é ilegal. Mas mostra o grau apurado de ética de quem os utiliza como ferramenta da luta política e judicial.

No meu caso, a acusação é de ter “espalhado” pela internet que ele seria um “ator pornográfico”. Quem lê os textos que escrevi neste blog sobre a infeliz homonímia (um ator pornô nos anos 80, aparentemente, usava o mesmo nome que ele – Ali Kamel) logo percebe: em nenhum momento disse que Ali Kamel (o jornalista) seria o Ali Kamel (ator pornográfico).Não afirmei que eram a mesma pessoa nem neguei que o fossem. Não sabia, e isso pouco importava. Apenas usei a coincidência como mote para a crítica, em textos claramente opinativos: pornográfico, sim, é o jornalismo que Ali Kamel pratica tantas vezes à frente da Globo. Foi essa a afirmação que fiz em seguidos textos. Muitas vezes, de forma bem-humorada.

Na apelação ao Tribunal, mostramos como seria importante a juíza de primeira instância ter consultado especialistas em Comunicação  (indicamos ao menos dois) para entender a diferença entre opinião e informação. E para entender a centralidade do uso do humor na crítica política.

Mostramos em nossa defesa, ainda, como o impoluto comentarista (e ex-cineasta) Arnaldo Jabor utilizou-se de mote parecido no título de um livro que fez publicar: “Pornopolítica”. Se há uma “pornopolítica”, por que não posso falar em “jornalismo pornográfico”?

Só a Globo e seus comentaristas podem recorrer a metáforas? Parece que sim. Especialmente no Rio de Janeiro. No Rio, a Globo joga em casa.

Vamos recorrer aos tribunais de Brasília. Não que eu tenha grandes esperanças de ver magistrados na capital federal a enfrentar o diretor de Jornalismo da Globo. Mas vou utilizar as armas que tenho.

Mais que isso: se Kamel pensava em calar ou intimidar seus críticos, vai se dar mal. Esse processo vai ajudar a mobilizar aqueles que lutam contra os monopólios de mídia no Brasil.Vai ajudar a escancarar a hipocrisia daqueles que na ANJ e na SIP pedem “ampla liberdade de crítica”, daqueles que usam Institutos Milleniuns para exigir “que não se criem travas ao humor como ferramenta de crítica”, mas que fazem tudo ao contrario quando são  eles os objetos da crítica e do humor.

Kamel pode até ganhar no Rio. Pode ganhar no STJ, STF, CNJ, SIP, ANJ, sei lá onde mais.  Mas perderá na história. Aliás, já perdeu. Na testa dele está o carimbo (justo ou injusto? o público pode julgar…) de “manipulador de eleições”. Manipulador frustrado, diga-se. Porque segue a perder. No Brasil, na Venezuela, na Argentina…

A Justiça quer que eu pague 20 mil, 30 mil ou 50 mil pro Ali Kamel? Acho absurda a condenação. Mas se for obrigado, eu pago até com certo gosto. Levo lá no Jardim Botânico o cheque pra ele. Ou entrego no apartamento onde ele vive, de frente pro mar na zona sul – palco, vez ou outra, de brigas com os vizinhos que também acabam na Justiça.

Essa condenação, que ainda lutarei para reverter, lembra-me a belíssima letra de Paulo Vanzolini – com a qual abri esse texto…

Tudo bem, Kamel, se você e a  Justiça fizerem questão, eu pago! Só que seguirei a fazer – aqui – o contraponto ao jornalismo que você dirige.

Tudo bem, Kamel, se você e a Justiça fizerem questão, esgotados todos os recursos, eu pago!

Eu pago. Vê-lo derrotado frente à história: não tem preço.

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20 comentários

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H. Back™

20 de janeiro de 2013 às 11h28

“Bacanal Nacional”? Não sei do que trata. É algum programa proibido para menores? Se for um programa jornalístico, a última vez que assisti essa imundície foi há 5 anos atrás.

Responder

Brasil de Fato: A ofensiva contra os direitos em 2013 « Viomundo – O que você não vê na mídia

18 de janeiro de 2013 às 01h49

[…] Rodrigo Vianna: “Desse lado há gente que não se intimida” […]

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Conn Hallinan: Para além do vergonhoso legado da doutrina Monroe « Viomundo – O que você não vê na mídia

18 de janeiro de 2013 às 01h47

[…] Rodrigo Vianna: “Desse lado há gente que não se intimida” […]

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Stanley Burburinho: A manifestação de uma nota só « Viomundo – O que você não vê na mídia

18 de janeiro de 2013 às 01h46

[…] Rodrigo Vianna: “Desse lado há gente que não se intimida” […]

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Marisa Cantão

17 de janeiro de 2013 às 22h21

“Eu pago. Vê-lo derrotado frente à história: não tem preço.”

Fiquei sem entender essa parte.

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Jotace

17 de janeiro de 2013 às 19h47

Caro Rodrigo,

Solidário contigo nesta sua luta tão desigual frente à Globo acobertada pela nossa ‘justiça’. Mais ainda porque a Globo joga em casa na realidade em todo o país, não só no Rio. Espero que um dia, o retratinho dela, que está na carteira de muitos, volte para o esgoto em que chafurda o polvo brasileiro. O mesmo que diariamente priva o povo da verdade que deveria difundir. Luta, companheiro, todo o ‘Brasil brasileiro’ está contigo…Caso teus futuros apelos aos tribunais não tenham o êxito que deveriam ter, não te preocupes. Milhões de brasileiros estarão do teu lado inclusive, se o desejares, no provimento de recursos para satisfazer a avidez do kamel. Todos eles terão enorme prazer em te ajudar, o qual ainda será maior se o pagamento for executado em moedas ou cédulas do mais baixo valor que tenhamos… Cordial abraço, Jotace

Responder

José BSB

17 de janeiro de 2013 às 19h24

A próxima obra de ficcção do grande jornalista global revelará o objeto utilizado no ataque terrorista contra o Serra na campanha de 2010.
Como contraponto ao Privataria tucana, eis que surge o Artilharia petista

Responder

Gerson Carneiro

17 de janeiro de 2013 às 18h26

Logo logo ele lançará outro livrinho:

“Não somos pilantras. Uma reação aos que querem nos transformar numa emissora safada”.

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H. Back™

17 de janeiro de 2013 às 17h21

Caramba! Essa rede de esgoto a céu aberto, ainda não se deu conta que os tempos são outros? A ditadura já acabou, portanto não há ninguém na retaguarda para apoiá-la.

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ma.rosa

17 de janeiro de 2013 às 16h54

Boa Rodrigo, sua frase,”…mostra o grau apurado de ética de quem os utiliza como ferramenta da luta política e judicial”, nos diz muito sobre o sr.ali kamel,(tudo em minúsculo),UM RATO COVARDE!!!! Não desista, seja perseverante, busque seus direitos, Lute!

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lulipe

17 de janeiro de 2013 às 16h43

Essa é uma das benesses de se viver em um país democrático que respeita o Estado Democrático de Direito.Quem se sente injuriado, difamado ou caluniado, pode buscar reparação na justiça.Simples assim!!!

Responder

Paulo Ribeiro

17 de janeiro de 2013 às 15h34

Força, Rodrigo Viana. Se Ali Kamel tem vergonha de seu passado, que busque um psiquiatra.

Responder

nancy lima

17 de janeiro de 2013 às 15h32

a idéia do internauta Fábio de 1 erral(real) achei muito legal.Sou fã do Escrivinhador.

Responder

    Willian

    17 de janeiro de 2013 às 15h46

    Vocês acham que o dinheiro será entregue em espécie ao Ali Kamel e pior, pessoalmente? Querem fazer gracinha, arrecadem tudo em moedinha de R$0,01.

    Rodrigo Vianna disse o que quis de Alim Kamel, sem ser censurado. Achando-se ofendido em sua honra, Ali Kamel procurou seus direitos civilizadamente na justiça. Melhor que partir para a ofensa pessoal e pra briga de rua. Agora a justiça vai dizer quem tem razão. Civilizado.

FrancoAtirador

17 de janeiro de 2013 às 13h40

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O ZePovinho tem razão.

A tara dos Kamelos, Merdais e Reinaldetes pelo Lula os deixou cegos de DOR DE CUtuvêlo.
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Responder

Fabio

17 de janeiro de 2013 às 13h33

E existe a possibilidade um tanto humilhante para ele de se recolher o dinheiro entre os simpatizantes do Rodrigo Vianna. Será que já passou pela cabeça dele receber cinquenta mil reais em notas de um?

Responder

    Rogerio

    17 de janeiro de 2013 às 22h03

    Moedas – cedulas nao circulam mais.
    E cada uma delas pesa 9,25g.
    462 Kg de moedas.
    Dá pra amarrar junto Kamel, Tio Rey e aquele outro boçal da veja e jogar no mar, iriam virar comida de lula.
    literalmente.

Edfg.

17 de janeiro de 2013 às 13h13

Eu gostaria muito de rever o post sobre esse assunto publicado aqui no Vi o Mundo na época. Principalmente a foto do ator, que o ilustrava. Salvo engano, o rosto do ator era bem familiar. Ajudaria bastante a concluir se houve ou não o chamado animus injuriandi…Mas estranhamente não localizo no google nem o post original do Vianna, nem o do Vi o Mundo.

Responder

    Luiz Carlos Azenha

    17 de janeiro de 2013 às 18h06

    Você também não vai encontrar os arquivos de nossa denúncia sobre o caso do delegado Bruno, de 2006, quando ainda estávamos na Globo.com. Desde então foram feitas várias reformas no sítio, mudamos para o WordPress e foi impossivel transferir automaticamente os arquivos. abs

    FrancoAtirador

    17 de janeiro de 2013 às 20h15

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    “ANIMUS INJURIANDI” TEM DIARIAMENTE O TEU GURU, REINALDETE.
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