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Paulo Kliass: Mamata nas tetas do Estado põe em risco Previdência pública e universal


22/09/2012 - 18h57

Colunistas| 20/09/2012 | Copyleft

DEBATE ABERTO

Mais desoneração e o risco para a Previdência Social

O governo Dilma acabou incorporando essa reivindicação dos representantes do capital e comprando até mesmo o discurso enganoso a respeito dos efeitos positivos da desoneração da folha. Os empresários deixam de contribuir com os atuais 20% e apenas os assalariados pagam os 11%. E como fica a diferença da receita previdenciária, então?

Paulo Kliass, na Carta Maior

A Presidenta Dilma parece ter gostado do último figurino que alguns ramos do conservadorismo lhe encomendaram. Praticamente a cada semana sua equipe tem anunciado um novo pacote de benesses destinado aos detentores do capital.

Aparentemente iludida com a contradição artificial que setores da grande imprensa tentam criar entre os governos de Lula e o seu próprio, ela tenta acrescentar à sua conhecida fama de gerentona a imagem de uma mui generosa governanta para o setor privado. 

Apesar das sistemáticas negativas em elevar os gastos orçamentários com as demandas de matérias oriundas da área social, quando se trata de afagar o capital privado o comportamento de Dilma muda radicalmente.

Quando as entidades ligadas à área da educação solicitam os 10% do PIB para esse setor, o Ministro Mantega proclama o alarmismo irresponsável: com tal medida, o País quebraria! (sic)

Quando as organizações ligadas ao movimento social da terra alertam para os baixíssimos números relativos ao atraso na implementação da Reforma Agrária, o governo diz que não há recursos disponíveis.

Quando os funcionários públicos reivindicam melhorias salariais e em suas condições de trabalho, o discurso se repete a respeito da necessidade do cumprimento rigoroso da “política fiscal responsável” e o governo ameaça com a criminalização do movimento.

Quando as associações vinculadas ao movimento da saúde pública propõem o fortalecimento do SUS por meio de maiores verbas para a área, tampouco o governo se mostra disposto a assumir compromissos efetivos.

Quando as entidades sindicais e as representações dos aposentados exigem o fim do famigerado fator previdenciário, as lideranças do governo dizem que não há como acabar com essa fonte de injustiça criada pelo governo tucano e mantida pelo PT desde 2003.

Enfim, a lista das negativas é extensa.

Para benesses ao capital, surgem os recursos “inexistentes”

No entanto, quando se trata de favorecer os interesses dos empresários, aí parece que tudo muda de figura. As portas dos palácios se abrem solenemente para encontros e reuniões. As cerimônias cheias de pompa anunciam as medidas destinadas a beneficiar o capital, sob a falsa argumentação de banalidades como o aumento da competitividade, a geração de empregos, a redução do custo Brasil e por aí vai.

A esse respeito, a frase do mega empresário Eike Batista é precisa na definição da opção da Presidenta: ao receber a notícia de um dos pacotes de privatização de serviços públicos, resumiu-o como um verdadeiro “kit felicidade” oferecido pelo governo.

Era um sorriso só! No entanto, o que é pouco noticiado pelos grandes órgãos de imprensa, a cada novo ato dessa natureza, são os custos associados às medidas.

Na verdade, trata-se de expressivas despesas orçamentárias da União que passarão a ser efetuadas, quando até o dia anterior o “rigor fiscal” afirmava não haver recursos disponíveis para nada.

Como assim, então?

Ora, tudo se resolve por uma vontade política e a opção por determinadas diretrizes de governo revela quais são as suas verdadeiras prioridades. Ou seja, quais são os setores da sociedade — aliás, chamemos aqui por seu verdadeiro nome: as tão famosas classes sociais — que estão sendo atendidos de fato.

Em 2010, ainda quando era pré-candidata à sucessão de Lula, Dilma fez um famoso discurso aos prefeitos em Brasília, quando afirmava que não iria fazer “bondade com chapéu alheio”. Agora, quando anuncia sua disposição em ampliar ainda mais o espectro de ramos empresariais a serem beneficiados pela desoneração da folha de pagamentos, não faz mais do que contradizer aquela promessa.

Sim, pois está fazendo uma tremenda bondade dirigida ao capital, usando para tanto exatamente o chapéu de aposentados, pensionistas, trabalhadores e integrantes das futuras gerações de brasileiros.

Fim da contribuição patronal: caminho para a privatização


Essa reivindicação dos empresários é antiga. Ela sempre esteve na pauta dos encontros de suas associações classistas, desde ainda os tempos da ditadura. Surfando via de regra na onda geral da demagógica proposta de redução da “carga tributária excessiva”, outras vezes o discurso pende mais para a necessidade de reduzir os “elevados custos da força de trabalho” em nossa terra.

Quase que obcecados pela radicalização ideológica do raciocínio, os proponentes dessa versão do “menos Estado” não pensam em uma alternativa efetiva para o financiamento da seguridade social, tal como previsto em nossa Constituição.

Ao inviabilizar o modelo de previdência pública e universal por meio de redução de suas receitas, abre-se o caminho para a sua privatização. Maquiavelismo ou não, o fato é que a rota traçada não oferece outra alternativa. E o mais impressionante é que o Partido dos Trabalhadores corre o sério risco de passar para a História como sendo o responsável pela implementação de tal estratégia. Uma loucura!

A palavra mágica é a seguinte: desoneração da folha de pagamentos. Um mantra que, de tão repetido, chega a transmitir ares de unanimidade inescapável. Mas a coisa é bem mais complexa do que parece. O modelo de financiamento de nossa previdência social prevê duas fontes de contribuição para manter o sistema em operação: o assalariado recolhe 11% sobre seu salário a cada mês, enquanto a empresa recolhe o equivalente a 20% sobre a mesma base salarial.

Com tais alíquotas e com as atuais regras de aposentadoria, a previdência vai bem, obrigado.

A despeito das enganosas interpretações a respeito do suposto “déficit estrutural”, o fato é que o sistema ainda é superavitário – os números oficiais do Ministério da Previdência Social demonstram isso.

É claro que serão necessários ajustes em razão das mudanças na dinâmica demográfica, pois o futuro aponta para menor universo de jovens ingressando no mercado de trabalho em relação ao maior número de aposentados e de maior longevidade, em razão de alta na expectativa média de vida de nossa população. Mas essa é uma discussão completamente diferente da atual.

O governo de Dilma acabou incorporando essa reivindicação dos representantes do capital e comprando até mesmo o discurso enganoso a respeito dos efeitos positivos da desoneração da folha. Os empresários deixam de contribuir com os atuais 20% e apenas os assalariados pagam os 11%. E como fica a diferença da receita previdenciária, então?

Bom, aí as fórmulas mágicas começaram a sair da cartola – tinha para todos os gostos. O governo optou por uma alíquota a incidir sobre o faturamento das empresas. Ou seja, mudou-se subitamente uma forma de financiamento que, apesar das dificuldades, vinha operando bem por mais de meio século.

A opção pode ser caracterizada como um salto no escuro, pois não há nenhuma garantia de bom funcionamento da nova forma de financiamento. Foi uma evidente tentativa desesperada de agradar aos representantes do patronato. Uma verdadeira irresponsabilidade para com o País!



O que era uma experiência localizada, começa se generalizar


No início, o discurso oficial dizia que se tratava apenas de uma experiência de laboratório, apenas 5 setores para verificar se o novo sistema seria viável ou não. Mas o tempo passa rápido e a primeira Medida Provisória (MP) virou a Lei n° 12.546, de dezembro de 2011. Os especialistas alertávamos para os riscos de tal estratégia, pois da forma que estava encaminhada a questão, dificilmente haveria espaço para voltar atrás. Logo depois, o número de setores aumentou para 15, pois os que estavam de fora do banquete generoso clamaram contra a discriminação – afinal, todos querem o mesmo direito de mamar de forma isonômica nas tetas do Estado.

E depois o governo encaminhou ainda outras mudanças nas regras, ampliando o número de setores para 40 e reduzindo a alíquota que incide sobre o faturamento das empresas.

A MP 563/12 já foi convertida na Lei n° 12.715 e a Presidenta sancionou a matéria.

O assunto foi tratado pelo governo com tanto “carinho, seriedade e preocupação” para com o futuro da previdência social, que a MP tratava num único texto de assuntos tão díspares, a ponto do complexo e sensível tema da desoneração da folha ser apenas um item a mais (art. 55), em meio a um verdadeiro cipoal de alterações legislativas em outras áreas.

Oferecer um texto dessa forma para ser analisado pelos congressistas é uma estratégia ainda mais arriscada, como demonstra a longa lista constante da própria ementa da matéria:

 “Altera a alíquota das contribuições previdenciárias sobre a folha de salários devidas pelas empresas que especifica, institui o Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva de Veículos Automotores, o Regime Especial de Tributação do Programa Nacional de Banda Larga para Implantação de Redes de Telecomunicações, o Regime Especial de Incentivo a Computadores para Uso Educacional, o Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica, o Programa Nacional de Apoio à Atenção da Saúde da Pessoa com Deficiência, restabelece o Programa Um Computador por Aluno, altera o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores (…) e dá outras providências.”

O problema está criado!

Os valores a serem recolhidos sob a forma da alíquota de faturamento são insuficientes para cobrir as despesas do Regime Geral da Previdência Social (RGPS). Mas o governo já anunciou sua intenção em cobrir esse rombo com recursos do Tesouro Nacional. Ou seja, vai assegurar mais vários bilhões de reais anuais de subsídio ao setor privado. Mas até quando ocorrerá tal disposição?

Daqui a pouco começarão os recorrentes clamores quanto aos gastos exagerados com a Previdência e os conhecidos estudos “demonstrando” seu déficit estrutural crescente. A continuidade dessa forma de financiamento da Previdência Social tende a levar o sistema a uma asfixia em suas fontes de receita, abrindo mais espaço para as proposta de corte de benefícios e mesmo de privatização.

Preservar a Previdência Social é voltar com a contribuição sobre a folha


O cansativo e repetitivo discurso de nossas elites a respeito do custo da mão-de-obra não encontra respaldo na realidade. Há 15 anos atrás, quando PT propunha simbolicamente que o salário mínimo fosse o equivalente a US$ 100, os que hoje clamam pela desoneração diziam que o Brasil não suportaria tal “irresponsabilidade populista”. Hoje, a remuneração mínima vale mais de US$ 300 e o mercado de trabalho funciona a todo o vapor. Ora, parece evidente que não são esses 20% de contribuição sobre a folha que trazem dificuldades para a estrutura de custos das empresas.

E o governo que se prepare, pois a lista da flexibilização dos encargos trabalhistas considera necessário também eliminar conquistas históricas como 13° salário, FGTS, licença maternidade – tudo em nome da redução do custo Brasil.

Ao movimento sindical e às associações de aposentados não existe outra alternativa que não seja exigir do governo o abandono dessa aventura irresponsável e o retorno à contribuição patronal na base de 20% sobre a folha de pagamentos. O que está em jogo é o futuro da Previdência Social pública e universal.

Paulo Kliass é Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal e doutor em Economia pela Universidade de Paris 10.

Leia também:

Santayana: Em nenhum governo agentes públicos enriqueceram tão rápido quanto no de FHC





34 comentários

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Mário SF Alves

01 de outubro de 2012 às 18h40

A coisa é muito simples. Resumo do resumo do resumo. De um lado a imperiosa necessidade de se blindar a economia contra os efeitos da crise econômica, pois quanto mais bilhões de dólares caírem de paraquedas na economia americana, mais e mais susceptível fica a economia brasileira. Mais e mais susceptível fica a América Latina. Daí, fazer o quê? Um fracasso na economia hoje e amanhã o PiG cai inteiro em cima do Governo. Estraçalha o PT. E aí, o que é melhor? O melhor não seria confiar na capacidade e no discernimento da Presidenta? Ela tem história e sabe o tamanho da brutalidade do jogo. Ela tem a meta de erradicação da miséria, não tem? Tem de garantir a inclusão social, não tem? Então? Ou seria lícito abrirmos a goela e escancarar aos quatro ventos que o Governo do Brasil está rifado e que a Presidenta vendeu sua própria história por trinta dinheiros? Estamos em situação de guerra, amigos. Em economia de guerra e, o que é igualmente grave, em “julgamentos” de pós-guerra; aqui e lá. Reconheço, no entanto, que tudo isso já está custando um pouquinho caro demais. Mas, um pouquinho caro demais pra quem? Para a classe média? E o que é a classe média em relação à política eleitoral no Brasil? Quem, de fato, elegeu a Dilma? Terá sido a classe média? Não obstante este entendimento, também reconheço que na Previdência não se deveria mexer mais. Previdência e educação pública de qualidade deveriam ser o sustentáculo maior deste Governo. Previdência, pré-sal e educação deveriam ser inegociáveis. Aliás, a EMBRAPA também.

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Mardones

24 de setembro de 2012 às 09h04

Paulo Kliass é sempre uma fonte da mais sensata crítica às atitudes do governo federal. Consegue demonstrar com tamanha simplicidade como as medidas do governo – anunciadas como a salvação da pátria – são, na verdadde, mais um gesto de aceitação das exigências dos donos do capital.

Eu costumo ler o Paulo Henrique Amorim também. E lá, há sempre uma aguerrida e necessária batalha contra o PIG, mas sempre há uma aprovação às medidas que a Dilma vem tomando a favor do capital e em detrimento de um Estado mais responsável.

Infelizmente, em 2014, apesar das críticas negativas, vão pedir novamente uma cruzada contra o entrguismo da direita a favor do ”centro-esquerda”, hoje representada pelo PT e aliados.

O problema é que o PT, desde Lula, vem realizando os desejos do dono do capital sem muita resistência dos progressistas. Não acho que seja mais aceitável considerar o PT uma alternativa ao PSDB/PPS/DEM.

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Pedro Luiz

23 de setembro de 2012 às 22h56

E depois das eleições municípais vem aí mais um capítulo no saco de maldades contra nós trabalhadores: A novA lei da aposentadoria, a tal fórmula 95-85 deve passar no congresso.COMO diz a canção: desperar jamais, mas tá difícil com esse partido dos (des)trabalhadores no poder.

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José X.

23 de setembro de 2012 às 18h13

E a classe média burra fica bradando contra a “Bolsa Esmola”, enquanto os empresários continuam mamando seus bilhões dos impostos que pagamos. Sempre tem uma anistiazinha aqui, um incentivozinho ali, uma privaticãozinha acolá pros empresários encherem as burras…

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Rose SP

23 de setembro de 2012 às 17h45

O que Paulo Kliass coloca aqui é seríssimo, o PT quer se manter no poder sacrificando os trabalhadores, e os sindícatos não servem para nada além de receber a contribuição sindical e correr atrás de cargo eleitoral. Estamos literalmente ferados!

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Nielsen Holland

23 de setembro de 2012 às 17h17

Deve estar havendo enooooooooormes superavits na previdência, ora! Todo dia se ouve dizer que a previdência social acumula um deficit tal. Esse ato(de irresponsabilidade do governo dilma), mostra o contrário. Não mais desculpas para se querer que as pessoas se aposentem dois dias antes de morrerem! Também não há justificativa alguma para se manter o famigerado, demoníaco fator previdenciário. Se não estivesse “sobrando dinheiro” no caixa da previdência, por que o governo abriria mão de tais recursos?? Mas, realidade é que de concessão em concessão para quem já fica com a parte do leão…sei não hein! O risco de inviabilizar a previdência pública, a única de verdade, caminha a passos largos. Não é muito diferente com relação às demais funções de estado. O governo desonorea, desonera…desonera, mas, e daí? Por acaso isse traz benefícios diretos/indiretos para o povo?? Certamente que não!!!

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Willian

23 de setembro de 2012 às 13h08

Lembrando sempre que a famigerada REFORMA DA PREVIDENCIA foi feita no governo Lula, o Santo, logo ali no início de seu mandato.

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J Souza

23 de setembro de 2012 às 10h46

Não precisa de mais provas de que, no governo Dilma, o núcleo econômico tem muito, mas muito mais poder do que o núcleo político.
O que o governo não pode esquecer é que não é só a política que depende da economia, a economia depende, e muito, da política, pois há interesses variados em jogo!
Governo fraco não aprova nada no congresso.
E o toma lá da cá só é autorizado para a oposição. Vide o “mensalão”.
Cuidado para não nadarem e morrerem na praia… pois a Globo e o Ministério Público estão tentando destruir o PT, para que as oligarquias voltem a governar também de direito, e não apenas de fato!

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    Jotace

    23 de setembro de 2012 às 21h33

    Caro J Souza,

    Não creio que serão o Ministério Público, a Globo, ou até mesmo todo o PIG, que darão o golpe mortal ao moribundo PT. O que está acontecendo é uma espécie de suicídio no partido, acalentado pela nossa Presidente que não tem medido esforços para o desmonte do país e a entrega de tudo que lhe for possível ao poder oligárquico e das transnacionais do imperialismo. Cordial abraço, Jotace

strupicio

23 de setembro de 2012 às 09h52

Governo estuda flexibilizar leis trabalhistas

Agência Estado
Publicação: 23/09/2012 09:19 Atualização:
Como parte da agenda para aumentar a competitividade da economia a presidente Dilma Rousseff ensaia entrar num terreno pantanoso para um governo do PT: a flexibilização das normas trabalhistas. A Casa Civil analisa proposta de projeto de lei pelo qual trabalhadores e empresas poderão firmar acordos com normas diferentes das atuais, baseadas na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), em vigor há 69 anos.

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    jaime

    23 de setembro de 2012 às 14h16

    Mas diz a notícia que é baseado em um modelo alemão… Quer dizer, exceto o salário…

smilinguido

23 de setembro de 2012 às 09h34

Em meados dos anos 80 eu trabalhava em controlodaria do maior grupo textil do país – setor que notoriamente demanda, e na epoca ainda mais, mao de obra extensiva. E todos os meses custava a acreditar nas planilhas de custos: todo o dispendio de mão de obra do grupo, inclusive encargos sociais como chamam na linguagem deles, nao passava, pasmem, de 4% dos custos totais.

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Jayme Vasconcellos Soares

23 de setembro de 2012 às 09h22

Dilma é neoliberal; é uma das maiores defensoras do capitalismo. Os trabalhadores são a mais-valia dos capitalistas. Para Dilma os aposentados devem morrer para que sobre dinheiro que ela pretende destinar aos grandes empresários. Mas as eleições vêm ai, e os trabalhadores darão a ela e ao PT e aliados a resposta que merecem. Dilma você esqueceu que os aposentados são seres humanos, e devem ter os mesmos direitos que todos os demais cidadão brasileiros?

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Valdeci Elias

23 de setembro de 2012 às 03h12

Agora, vamos conseguir competir ,com os produtos chineses e indianos. Afinal esse custo social, embutido no preço dos produtos brasileiros, só fazia atrapalhar.

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Sagarana

23 de setembro de 2012 às 00h33

Um amigo que passou próximo do palácio me contou que ouviu sussurros: “aí Jorge, que grande idéia…”

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assalariado.

22 de setembro de 2012 às 23h59

Gostaria de perguntar aos navegadores: Quando foi que o Estado capitalista, burgues prometeu saúde, educação, habitação, reforma agraria, melhores salários para funcionalismo (não estou falando da casa grande, e sim, das senzalas), coisa e tals, … PORRA! O Estado burgues, nada mais é do que uma extensão territorial economico e politico dos interesses da burguesia patronal para além de seus portões industriais. É claro, com o devido aval das letras mortas da Constituição.

Vou matar a cobra e mostrar o pau, digo, suas contradições, exemplos:

1- Sobre verbas para educação: voces acham que o Estado capitalista vai dar educação de primeira para o povo? Então, como ficariam os capitalistas que atuam na area de saude, quebrariam?

2- Sobre verbas para Reforma agraria, jamais: como ficariam os capitalistas do agronegócio e tals. Ou seja, com a reforma agraria (de fato e de direito), haveria uma super safra de tudo quanto é tipo de lavoura, então em que condições economicas ficariam esses latiundiários, nos seus lucros? Quebrariam?

3- Sobre verbas para salários do funcionalismo: Oras, os gerentões e as gerentonas da vez, se resolvessem mehlorar de fato os seviços publicos em geral, como ficariam os capitalistas que atuam de forma terceirizada, quarteirizadas, nas dependencias do Estado? Quebrariam?

4- Sobre as verbas para a saúde: Já pensaram o que aconteceria se o Estado burgues oferecesse saúde de 1ª para a população, o que aconteceria com os capitalistas da saúde? Quebrariam?

5- Sobre verbas para aposentados e fim do fator previdenciário: Poi bem, o que aconteceria se o Estado através de seu gerente da vez resolvesse melhorar estas duas situações em favor dos assalariados, o que aconteceria com os titulos da divida interna nas mão das elites do capital? Sim 1º servir ao capital, se sobrar, jogue o farelo para o povo, se sobrar!

5- O capital está organizado para além de seus portões empresariais e, as regras estabelecidas pelo seu tripé (legislativo, executivo e judiciario), estes, se encarregam de fazer o jogo necessário do capital junto com seus agentes, nada invisíveis, dentro dentro do Estado de Direito, do direito burgues.

6- Perceberam as contradições existentes nesta sociedade dividida entre exploradores e explorados?

7- E a luta de classes, estupidos!

8- Saudações Socialistas.

Responder

    assalariado.

    23 de setembro de 2012 às 12h30

    Opa!! errei.

    No exemplo nº 1, sobre educação a 2ª pergunta fica assim:

    1- Sobre verbas para educação: voces acham que o Estado capitalista vai dar educação de primeira para o povo? Então, como ficariam os capitalistas que atuam na area de(educação), quebrariam?

    Abraços.

    tiago carneiro

    24 de setembro de 2012 às 00h24

    Muito boa colocação, assalariado.

    Venho aqui adiantar a chamada do Conversa Afiada, do PHA.

    “Dilma dá um show de gerência para diminuir o custo Brasil! Essa JK de saias”….

    Mário SF Alves

    24 de setembro de 2012 às 00h48

    Bom, ao menos por aqui se vê alguma educação ou re-educação. E o que é mais importante, por aqui se vê educação política. No mais, prezado assalariado, é como dizia o Plínio, o Arruda, quando da primeira eleição do Lula: “uma coisa é ganhar o governo, outro coisa, muito diferente, é conquistar o poder. Então? O Estado é deles, correta a sua observação, tudo bem. Marx nunca teve dúvida sobre isso. Só que o País é nosso, e é aí que a coisa pega.
    Eu acredito na democracia, mas do jeito que o mundo vai parece complicado chegarmos no o Brasil Um Pais de Todos.
    A propósito, tive pensando sobre isso, ao que tudo indica, nem a Revolução dos Cravos em Portugal foi suficiente para blindar aquele país contra os ataques do neoconservadorismo. Enquanto isso… o poder econômico, senhor absoluto das leis e das regras, mais e mais se concentra. Será que a entropia gerada por tal concentração não tenderia ao caos? Seja como for, bem-vindos ao anti-big-bang da anti-civilização cristã-ocidental.

    assalariado.

    24 de setembro de 2012 às 10h19

    Mário SF, se formos analisar a luta de clsses no Brasil nos últimos 100 anos, popderemos observar que, todos os governos mais nacionalistas ou próximos dos assalariados de alguma forma foram boicotados diuturnamente pelos porta vozes do capital. Advinhem, quem são as forças ocultas golpistas?

    Abraços Fraternos.

Nelson

22 de setembro de 2012 às 23h52

Uma vez mais, o Kliass nos traz um artigo excelente, bastante esclarecedor. Porém, tenho divergências.

Não acredito que se trate apenas de uma “aventura irresponsável” essa decisão de desonerar a folha de pagamento em benefício dos donos do capital. Fosse essa uma medida isolada e eu concordaria com essa adjetivação. Infelizmente, não é esse o caso, e a desoneração dá seqüência a uma série de medidas tomadas tanto por Lula quanto por Dilma. Neste mesmo texto e em outros anteriores, o Kliass aponta isso. A reforma previdenciária feita por Lula em 2003 deu seqüência à lógica implantada pela reforma realizada pelo governo neoliberal de FHC: restrição de direitos.

Privatização da previdência pública? Creio que não é bem isso que desejam os donos do capital; pelo menos por enquanto. O que eles querem, de imediato, é fazer com que o trabalhador desista de esperar por uma aposentadoria digna através da previdência pública – a única realmente viável – e vá correndo fazer um plano de previdência individual, privado. E, cá prá nós, não é nada difícil fazer com que isso aconteça. O governo corta receita da previdência e, fatalmente, vai gerar déficit. A partir daí, usará o déficit como justificativa para operar mais reformas excludentes (restritoras de direitos) na previdência pública, empurrando assim mais e mais trabalhadores para a previdência privada.

Lamentável, é o mínimo que posso dizer, em se tratando de governos oriundos das lutas populares.

Responder

Nelson

22 de setembro de 2012 às 23h52

Não sei se devo parabenizar ou execrar o professor Kliass pelos artigos que tem escrito.
Ele merece os parabéns pelo fato de trazer informações e esmiúça-las de forma a que possamos enxergar de maneira clara no que acabaram virando os governos que elegemos, Lula e Dilma; governos que deveriam imprimir mudanças verdadeiras nos rumos do nosso país. Kliass não se deixa cooptar pelo adesismo acrítico governos de esquerda; na verdade, supostamente de esquerda.
Ao mesmo tempo, sinto vontade de execrá-lo, porque seus textos vão acabando com os últimos vestígios da minha esperança em ver essas mudanças verdadeiras implementadas pelos governos que tanto almejamos eleger.
É deprimente constatarmos aonde foram parar esses governos. Cada vez mais se fortalece a minha impressão de que o genial Millor Fernandes tinha razão ao afirmar que “O Brasil é um país com um grande passado pela frente”.

Responder

    Daniel

    23 de setembro de 2012 às 12h01

    Uma coisa que aprendi há algum tempo é que a pessoa for realmente uma ameaça ao sistema ela nem participará do processo eleitoral.
    Logo não dá para esperar que mudanças sem feitas por políticos aceitos pelo estabilishment. Só daqui a uns 20, 30 anos os esquerdistas bem intencionados entenderão papel de Lula e Dilma na catástrofe. Mas também por essa época também haverá outra geração de iludidos que acreditará em outro líder popular e assim será pela eternidade…

    Daniel

    23 de setembro de 2012 às 12h03

    Opsss, corrigindo:
    Uma coisa que aprendi há algum tempo é se que a pessoa for realmente uma ameaça ao sistema ela nem participará do processo eleitoral.
    Logo não dá para esperar que mudanças sejam feitas por políticos aceitos pelo estabilishment. Só daqui a uns 20, 30 anos os esquerdistas bem intencionados entenderão o papel de Lula e Dilma na catástrofe. Mas também por essa época também haverá outra geração de iludidos que acreditará em outro líder popular e assim será pela eternidade…

    Jotace

    23 de setembro de 2012 às 21h59

    Caro Nelson,

    Por certo não estás só nos teus sentimentos, pois milhões de brasileiros devem estar sentindo da mesma forma o que acontece. Da minha parte não sou nenhuma exceção. Mas devemos todos agradecer ao Professor Kliass, como a muitos outros honestos articulistas pelo patriotismo de suas informações, infelizmente verdadeiras. Desde os primeiros dias do PT que tenho votado nos candidatos desse partido e a partir dos últimos governos de Lula e do que vem sucedendo dia após dia, no atual, sinto uma profunda decepção por haver repetidamente acreditado em nas mensagens mentirosas dos dois então candidatos. Espero que o Requião se candidate à Presidência e se instale no Brasil um governo que retorne ao povo o que somente a este pertence. Até o direito de ter uma velhice decente. Cordial abraço, Jotace

Leonardo Câmara

22 de setembro de 2012 às 22h43

Mais uma aventura irresponsável do partido definido por Brizola como: “a galinha que cacareja pra esquerda mas bota ovo pra direita”.

Responder

    tiago carneiro

    24 de setembro de 2012 às 00h25

    E tudo isso com a corroboração do neto dele, o ministro que é um ótimo blogueiro.

J Souza

22 de setembro de 2012 às 21h58

As gerações futuras é que pagarão a conta, pois o governo está, com estas medidas, aumentando o déficit público, sem aumentar, nem melhorar os serviços públicos.
Por isso é que, apesar da queda dos juros, o déficit público não ter diminuiu.
Cada vez mais dinheiro público para os ricos, e cada vez menos serviços públicos para a população.
Saiu o Henrique Meirelles, ficou o Guido Mantega. Ou seja, há sempre um protetor dos ricos no governo.
Ao invés de desarmarem a “bomba-relógio” da previdência social, o governo federal está aumentando o tamanho da “bomba”.
A Europa de hoje pode ser o Brasil de amanhã… E adivinhem quem vai pagar a conta mais uma vez!

Responder

Pimon

22 de setembro de 2012 às 21h30

Meu colega economista formou-se e Paris.

O tinto lhe fez mal!

Responder

Vlad

22 de setembro de 2012 às 21h27

O Brizolinha está autorizado a falar?
Ou vai trocar de ministério como o Mercadoantes, sem deixar rastro nem saudade?

Responder

    smilinguido

    23 de setembro de 2012 às 09h38

    contribuição previdenciaria nada tem a ver com o MTE é de competencia da Receita Federal, Ministerio da Fazenda…

    tiago carneiro

    24 de setembro de 2012 às 00h09

    Mas o Vlad tem razão: kd o ministro blogueiro?

    Era tão de esquerda na época do tijolaço, agora tá ai, pelegando e tucanando, bem caladinho, amestrado, em troca do seu cargo.

    Ele como ministro é um blogueiro de mão cheia.

    Vlad

    24 de setembro de 2012 às 09h03

    Sim.
    É que da marionete não se espera iniciativa.
    Então fico curioso em relação às samambaias, dantes tão salientes a qualquer vento. Vai ver é excesso de fertilizante.

Urbano

22 de setembro de 2012 às 19h41

Irresponsabilidade sem tamanho a gente manter um rombo da sonegação, um rombo da isenção, um rombo da corrupção dos bandidos chapa-branca pendurados nas tetas do Estado, um rombo do financiamento subsidiado para empresas estrangeiras, a fim de que mandem um lucro mais alto para o país de origem, afora as bondades fora de hora como o perdão das sanções feitas ao desmatadores da parte bandida, que devidamente zerados desse ônus já estão desmatando adoidado novamente. Enquanto para os funcionários que azeitam a máquina do Estado apenas a promessa vaga de algumas merrecas só daqui a três anos, que se o pessoal não fincasse o pé, pegaria. Só falta prometer mesmo é aumento apenas quando o bolo crescer. Nessa políticazinha de pé no pescoço, a ditadurazinha de boston era emérita. É só perguntar ao tubarão dublê de economista e crítico econômico (brincadeira, pois na vez dele não fez zorra nenhuma), que se não o idealizador, sem sombras de dúvidas foi o porta-voz da bósnia.

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