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Cartas de Minas
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Hildegard Angel: A nova onda da “censura” no Brasil

15 de junho de 2018 às 17h53

Foto Andres Valle/Fotos Públicas

O terço que o Papa Francisco enviou a Lula revelou o caráter de uma agência de checagem

A NOVA ONDA DA “CENSURA” NO BRASIL

Por Hildegard Angel, no Jornal do Brasil

São tão edificantes os comentários dos âncoras dos telejornais, quando repercutem as falas de ministros do Supremo por uma imprensa livre, ou dos editorialistas importantes, quando condenam qualquer tipo de censura à imprensa.

No entanto, a verdade que reside por trás do “affair terço do Papa” é justamente a prática da Censura à imprensa, rotulando-se como falsa uma notícia, tendo como referência uma fonte única, o site Vatican News.

Isso levou o Facebook a punir e a ameaçar de eliminação três dos sites jornalísticos mais acessados da blogosfera: Diário do Centro do Mundo (DCM), Brasil 24/7 e a revista Forum, do jornalista Renato Rovai, que pergunta: “Isso não é algo muito acima do papel que deveria ter uma empresa de checagem?”.

E qual seria o papel de uma empresa de checagem?

Policiar as redes sociais, justamente aquela zona da mídia onde é mais baixa a contaminação dos compromissos espúrios com o mercado?

Perseguir a imprensa virtual, aquela em que ainda bate a saudável brisa da independência do pensar?

A imprensa mais avessa às pressões da mídia hegemônica?

Criminalizar e banir os progressistas, que, quixotescamente, têm obtido sucesso, praticando um jornalismo sério, cuidadoso, liberto, sem os vínculos, que, sabemos, comprometem a atuação da grande mídia brasileira?

Quem propõe a questão é Rovai, para quem “o episódio do terço entregue a Lula na prisão de Curitiba pelo advogado Juan Grabois, um dos assessores do Papa Francisco, atesta a nossa tragédia como país, do ponto de vista do respeito aos princípios básicos que norteiam uma sociedade democrática”.

Se formos colocar uma lupa na atuação da Agência Lupa — “a primeira de fact-checking”, neste caso, teremos a sensação de um jogo de cartas marcadas.

É de se estranhar que apenas esses três sites, talvez os mais vistos e prestigiosos dos blogs progressistas, tenham sido punidos, quando dezenas de outros postaram a mesma notícia, alguns até com mais ênfase, bem como sites ligados à grande mídia, como IG e UOL, e para eles não houve retaliação do Facebook.

E por que rigor tamanho para checagem tão sem importância?

Tipo: o assessor do Papa é assessor ou não é mais? O terço foi enviado pelo Papa ou não foi?

Quando a questão da Censura se impõe, o perfil ideológico dos veículos deve ser deixado de lado e o debate principal posto na mesa.

Seja o veículo virtual ou impresso, de pequeno, médio ou imenso alcance, será que ele apoia esse tipo de Censura?

Tem legitimidade a Agência Lupa, financiada pela Editora Alvinegra, que publica a revista Piauí, de propriedade de João Moreira Salles, para definir/ decidir quem pode fazer imprensa neste país?

Em suma, e claramente, João Moreira Salles está qualificado para determinar quem pode exercer o jornalismo no Brasil?

Por fim: é pertinente um órgão de imprensa concorrente dos demais autoproclamar-se arauto da ética e da isenção, podendo decidir quem deve e quem não deve exercer a profissão?

Sendo, dessa forma, superior à academia, às entidades de classe e órgãos governamentais, que ratificam diplomas e expedem registros para o exercício profissional?

Voltando à história do Rosário, a Lupa poderia responder a essas perguntas da revista Forum:

1 – É razoável atribuir o possível erro na apuração de qualquer veículo à produção de fake news, se haviam indícios fortes de que isso poderia ser verdade?

2. Classificada esta informação como falsa, com base numa única fonte (site Vatican News), indicar que o Facebook puna e ameace de eliminação três sites jornalísticos não é algo muito acima do papel que deveria ter uma empresa de checagem?

3. Quando quase uma centena de veículos usaram a mesma fonte Lula. com para produzir a notícia (‘o Papa enviou o terço a Lula’) por que só três foram indicados para serem censurados pelo Facebook e ameaçados por ele?

4. É razoável que empresas de checagem que constituem parceria com o Facebook mantenham também parceria com veículos que disputam o mercado de notícias, como no caso da Lupa, que é da Revista Piauí?

5. Quais são os poderes que essas empresas têm na classificação de sites jornalísticos no Facebook? Se elas têm o poder de censurar conteúdos e ameaçar com a eliminação de páginas têm também o de classificar o alcance dessas páginas?

Bem, esta coluna confere todos os aplausos às empresas de fact-checking, que combatam e consigam coibir as verdadeiras fake news, não só na mídia virtual, como também na impressa, na TV, no rádio etc. (exemplo: as mentiras sobre a “Petrobrás quebrada”).

Aplausos ao combate às calúnias e manifestações indignas, que contribuem para a deterioração de nossa sociedade, da soberania do país, que atentem contra os direitos do homem.

Mas usar do pretexto de fake news para reprimir a liberdade da imprensa no Brasil ou para eliminar concorrentes, que, mesmo supondo-se não ter sido essa a intenção — supondo-se –, precisamos estar alertas e ativos para impedir mais esse retrocesso, entre tantos, a que nos últimos dois anos, o povo brasileiro tem assistido pasmo, incrédulo, entorpecido e sem reação.

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8 Comentários escrever comentário »

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Sérgio Gomes

19/06/2018 - 09h16

“ “Por detrás da minha prisão está o Aécio Neves… Eu fui operador do esquema junto com o Marcos Valério”, frisou à repórter Lúcia Rodrigues, que o entrevistou no Fórum Lafayette.”

Não entendi!

O próprio acusado se assume “operador do esquema” mas é inocente?

Marcos Valério tb é inocente?

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abelardo

18/06/2018 - 11h32

A constante interferência dessa porra de Facebook na política do país e na vida da população merece ter uma resposta rígida e a altura desse intrusão multinacional em nossos pais. Temos que dar um troço a essa porra do Facebook e ao antro de golpistas que se infiltram em empresas para fazer o jogo dos fascistas golpistas, traidores e vendilhões da pátria.

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Ibsen

17/06/2018 - 03h16

A LUPA é um equívoco. Uma fonte de erros.
Além disso, o que esperar de um negócio gerido por um mau caráter.

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Julio Silveira

16/06/2018 - 11h06

O Brasil é notoriamente formado em cultura conservadora cleptocratica, que se esconde debaixo de camadas de verniz de principios importados. Mas da mesmo forma como um povo ignorante entende os idiomas estrangeiros e os usa internamente, mais como modismo do aculturado do que por compreensão e aceitação do significado.

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Morvan

16/06/2018 - 00h05

Boa noite. Postei, em 14 de Junho, no Facis:

O Problema Da Agência Lupa, Caso Grabois, É Que: Agora Ela Objeto Investigado, Não Mero Instrumento.
Quem Põe Foco Na Lupa?

O FB nunca quis verificar “fake news“, até por que estão elas do lado de lá. O que os meninos da lodjhinha querem é pautar e enquadrar a narrativa.

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João Lourenço

15/06/2018 - 18h48

Atē esta senhora ( ex- colonista social ) fazendo mimimi com a mentira do terço .Tabsem trabalho né?

Responder

    Paulo Roberto

    16/06/2018 - 13h43

    Leitura e interpretação de texto não é o seu forte, né João?

    Ibsen

    17/06/2018 - 03h19

    Qual seria a mentira?

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