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Cartas de Minas
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João Bosco repudia “Operação Equilibrista” e o nome: “Não autorizo o uso dessa canção por quem trai seu desejo fundamental”

07 de dezembro de 2017 às 20h52

NOTA DO COMPOSITOR JOÃO BOSCO EM REPÚDIO À OPERAÇÃO “ESPERANÇA EQUILIBRISTA”

Recebi com indignação a notícia de que a Polícia Federal conduziu coercitivamente o reitor da Universidade Federal de Minas Gerais, Jaime Ramirez, entre outros professores dessa universidade. A ação faz parte da investigação da construção do Memorial da Anistia.

Como vem se tornando regra no Brasil, além da coerção desnecessária (ao que consta, não houve pedido prévio, cuja desobediência justificasse a medida), consta ainda que os acusados e seus advogados foram impedidos de ter acesso ao próprio processo, e alguns deles nem sequer sabiam se eram levados como testemunha ou suspeitos.

O conjunto dessas medidas fere os princípios elementares do devido processo legal. É uma violência à cidadania.

Isso seria motivo suficiente para minha indignação. Mas a operação da PF me toca de modo mais direto, pois foi batizada de “Esperança equilibrista”, em alusão à canção que Aldir Blanc e eu fizemos em honra a todos os que lutaram contra a ditadura brasileira.

Essa canção foi e permanece sendo, na memória coletiva do país, um hino à liberdade e à luta pela retomada do processo democrático. Não autorizo, politicamente, o uso dessa canção por quem trai seu desejo fundamental.

Resta ainda um ponto. Há indícios que me levam a ver nessas medidas violentas um ato de ataque à universidade pública.

Isso, num momento em que a Universidade Estadual do Rio de Janeiro, estado onde moro, definha por conta de crimes cometidos por gestores públicos, e o ensino superior gratuito sofre ataques de grandes instituições (alinhadas a uma visão mais plutocrata do que democrática).

Fica aqui portanto também a minha defesa veemente da universidade pública, espaço fundamental para a promoção de igualdades na sociedade brasileira. É essa a esperança equilibrista que tem que continuar.

João Bosco
07/12/2017

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Ronald

08/12/2017 - 12h47

É muito bom saber que tem vozes que não se contaminaram com o ódio veiculado pelas tvs criminosas. João Bosco, brasileiro legítimo e honrado em suas posições em defesa da Universidade pública e do ensino público como meta para o bem do Brasil.
Para João Bosco, nossa homenagem e nosso reconhecimento por sua atitude !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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Julio Silveira

07/12/2017 - 23h41

Vivemos um momento de subtração de direitos e propriedades, como os nazistas tudo deve funcionar para beneficio e interesses da ideologia do fracasso moral.

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Marat

07/12/2017 - 22h45

Graaaaande João Bosco… Eu já gostava demais dele. Agora amo. Entrou de vez no meu Panteão!!!
Sempre que me recordo que do lado de cá estão gente como João Bosco e Chico Buarque e, do lado de lá Roger e Lobão, minha percepção de que a verdade, a doçura, a poesia e a humanidade estão do nosso lado.
Fora PF-SS, Fora $TF, Fora psdb, Fora pmdb… essa canalha ainda será julgada e incriminada pela sua enorme sordidez!!!

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