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DCI: Os agrotóxicos no aquífero Guarani


19/05/2011 - 12h50

05/05/11

Mostra acha agrotóxicos no Aquífero Guarani

Eduardo Schiavoni, no DCI, sugerido pelo Igor Felippe

Ribeirão Preto – O Aquífero Guarani, manancial subterrâneo de onde sai 100% da água que abastece Ribeirão Preto, cidade do nordeste paulista localizada a 313 quilômetros da capital paulista, está ameaçado por herbicidas. A conclusão vem de um estudo realizado a partir de um monitoramento do Departamento de Água e Esgotos de Ribeirão Preto (Daerp) em parceria com um grupo de pesquisadores, que encontrou duas amostras de água de um poço artesiano na zona leste da cidade com traços de diurom e haxazinona, componentes de defensivo utilizado na cultura da cana-de-açúcar.

No período, foram investigados cem poços do Daerp com amostras colhidas a cada 15 dias. As concentrações do produto encontradas no local foram de 0,2 picograma por litro – ou um trilionésimo de grama. O índice fica muito abaixo do considerado perigoso para o consumo humano na Europa, que é de 0,5 miligrama (milésimo de grama) por litro, mas, ainda assim, preocupa os pesquisadores, que analisam como possível uma contaminação ainda maior. No Brasil, não há níveis considerados inseguros para as substâncias. Ainda assim, a presença do herbicida na zona leste – onde o aquífero é menos profundo – acende a luz amarela para especialistas. Segundo Cristina Paschoalato, professora da Unaerp que coordenou a pesquisa, o resultado deve servir de alerta. “Não significa que a água está contaminada, mas é preciso evitar a aplicação de herbicidas e pesticidas em áreas de recarga do aquífero”, disse ela.

O monitoramento também encontrou sinais dos mesmos produtos no Rio Pardo, considerado como alternativa para captação de água para a região no longo prazo. “Isso mostra que, se a situação não for resolvida e a prevenção feita de forma adequada, Ribeirão Preto pode sofrer perversamente, já que a opção de abastecimento também será inviável se houver a contaminação”.

Aquífero ameaçado

O Sistema Aquífero Guarani, que faz parte da Bacia Geológica Sedimentar do Paraná, cobre uma superfície de 1,2 milhão de quilômetros quadrados, sendo 839., 8 mil no Brasil, 225,5 mil quilômetros na Argentina, 71,7 mil no Paraguai e 58,5 mil no Uruguai. Com uma reserva de água estimada em 46 mil quilômetros quadrados, a população atual em sua área de ocorrência está em quase 30 milhões de habitantes, dos quais 600 mil em Ribeirão Preto.

A água do SAG é de excelente qualidade em diversos locais, principalmente nas áreas de afloramento e próximo a elas, onde é remota a possibilidade de enriquecimento da água em sais e em outros compostos químicos. É justamente o caso de Ribeirão, conhecida nacionalmente pela qualidade de sua água.

Para o engenheiro químico Paulo Finotti, presidente da Sociedade de Defesa Regional do Meio Ambiente (Soderma), Ribeirão corre o risco de inviabilizar o uso da água do aquífero in natura. “A zona leste registra plantações de cana em áreas coladas com lagos de água do aquífero. É um processo de muitos anos, mas esses defensivos fatalmente chegarão ao aquífero, o que poderá inviabilizar o consumo se nada for feito”, explica. Já para Marcos Massoli, especialista que integrou o grupo local de estudos sobre o aquífero, a construção de casas e condomínios na cidade, liberada através de um projeto de lei do ex-vereador Silvio Martins (PMDB) em 2005, é extremamente prejudicial à saúde do aquífero. “Prejudica muito a impermeabilidade, o que atinge em cheio o Aquífero”, diz.

Captação

Outro problema que pode colocar em risco o abastecimento de água de Ribeirão no médio prazo é a extração exagerada de água do manancial subterrâneo. Se o mesmo ritmo de extração for mantido, o uso da água do Aquífero Guarani pode se tornar inviável nos próximos 50 anos em Ribeirão Preto. A alternativa, além de reduzir a captação, pode ser investir em estruturas de captação das águas de córregos e rios que, além de não terem a mesma qualidade, precisam de investimentos significativamente maiores para serem tratadas e tornadas potáveis. A perspectiva já é considerada pelos estudiosos do chamado Projeto Guarani, que envolveu quatro países com território sobre o reservatório subterrâneo. O cálculo final foi entregue no fim do ano.

O mapeamento mostrou que a velocidade do fluxo de água absorvida pela reserva é mais lenta do que se supunha. Pelas contas dos especialistas, a cidade extrai 4% mais do que poderia do manancial. A média de consumo diário de água em Ribeirão é de 400 litros por habitante, bem acima dos 250 litros da média nacional. Por hora, a cidade tira do aquífero 16 mil litros de água. Vale lembrar que a maior parcela de água doce do mundo, algo em torno de 70%, está localizada, em forma de gelo, nas calotas polares e em regiões montanhosas.

Outros 29% estão em mananciais subterrâneos, enquanto rios e lagos não concentram sequer 1% do total. Entretanto, em se tratando da água potável, aproximadamente 98% se encontram no subsolo, sendo o Aquífero Guarani a maior delas. A alternativa para não desperdiçar esses recursos é investir em reflorestamento para garantir a recarga do aquífero, diz o secretário-geral do projeto, Luiz Amore.

Leia aqui sobre a pesquisa de Kaline Fávero a respeito da relação entre agrotóxicos e doenças respiratórias

E aqui sobre a pesquisa de Danielly Palma que investigou os agrotóxicos no leite materno

Wanderlei Pignati explica o que tem na água que você bebe

E Raquel Rigotto quer saber: quem vai pagar a conta?

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8 comentários

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Helenita

03 de março de 2014 às 17h09

É indispensável lembrar que o projeto desse tal vereador para liberar construção de condomínios em áreas sensíveis do Aquífero Guarani, só se tornou lei, só não foi arquivado, porque MUITOS OUTROS VEREADORES votaram a favor, e que o sr prefeito ao final SANCIONOU, digamos “confirmou” o malsinado projeto, pois o prefeito sozinho poderia VETÁ-LO; mas todos se uniram para lesar a natureza, o futuro e a saúde da região. O interesse financeiro de um grupo, como sempre, saiu ganhando.

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Vinícius

03 de junho de 2011 às 18h05

"O Sistema Aquífero Guarani, que faz parte da Bacia Geológica Sedimentar do Paraná, cobre uma superfície de 1,2 milhão de quilômetros quadrados, sendo 839., 8 mil no Brasil, 225,5 mil quilômetros na Argentina, 71,7 mil no Paraguai e 58,5 mil no Uruguai. Com uma reserva de água estimada em 46 mil quilômetros quadrados, a população atual em sua área de ocorrência está em quase 30 milhões de habitantes, dos quais 600 mil em Ribeirão Preto"

Meu professor de hidrogeologia me disse que o Aqüífero Guarani é uma jogada de marketing político :D

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JOSE DANTAS

19 de maio de 2011 às 19h15

Certa vez construi uma casa numa rua onde apesar de próxima, a rede elétrica ainda não estava na frente desse imóvel. Falei com a empresa responsável e o cara me disse que não ligaria a minha energia porque a "força" já era fraca e quanto mais residências fossem ligadas mais piorava a situação. Como ele morava na mesma rua, porém onde já existia energia elétrica, perguntei pra ele: então porque você não desliga a sua? Como ele não encontrou uma saída acabou ligando a minha.
É sempre assim. Mesmo que os cientistas morem na cidade há décadas, os novos condomínios para atender as necessidades habitacionais dos jovens que estão casando e constituindo uma família, por exemplo, como nesse projeto do ex-vereador Silvio Martins é que estão errados. O sujeito não quer que o outro construa, porém duvido que apareça algum desses heróis que derrube sua própria residência como exemplo no sentido de incentivar a preservação do aquífero.

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Nelson

19 de maio de 2011 às 17h30

No discurso, vemos nossos órgãos da mídia hegemônica e seus (de)formadores de opinião, além dos parlamentares, mostrarem profunda preocupação com o bem-estar do povo. Na prática, nada vemos em termos de transformar as palavras em ação efetiva.
O modelo agrícola praticado, não só no Brasil mas no planeta como um todo, é altamente prejudicial, deletério mesmo, para nossa saúde, para o meio ambiente e também para as relações sociais devido a sua tendência à concentração da terra em poucas mãos.
Cadê o debate profundo sobre a necessária mudança de tal modelo, que, com urgência urgentíssima, precisa ser travado?

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Ayrton Faria

19 de maio de 2011 às 16h33

Pelo amor de Deus……….não quero nem pensar nisso.
Sugiro entregar a administração do Aquífero Guarani à Petrobrás

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Almeida Bispo

19 de maio de 2011 às 14h12

E na carne de boi, no leite, nas margarinas e óleos comestíveis… já encontraram a contribuição da Monsanto e congêneres ao controle de natalidade pela ingestão de descendentes do agente laranja – os herbicidas – usados nos pastos e plantações e consequente diminuição da libido ou até atrofia das gônadas (ovários e testículos)? Mais sobre os herbicidas: http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs225/e

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Sebastião Medeiros

19 de maio de 2011 às 13h58

Eu quero saber por onde o Gabeira neste momento?

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    FranX

    19 de maio de 2011 às 16h39

    Só ele? Havia mais um, ao lado do Serra, numa foto eleitoreira . rsrs
    AH! ía me esquecendo… Ribeirão Preto não fica no Rio de Janeiro. rsrs


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