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Diário da Resistência


Chacina na Chapada dos Veadeiros: ‘Junte-se a nós e peça justiça para as 4 vítimas da PM de Goiás’; abaixo-assinado e vídeo
Moradores denunciam chacina e pedem justiça. Fotos: @viladesaojorgechapadadosveadeiros
Denúncias

Chacina na Chapada dos Veadeiros: ‘Junte-se a nós e peça justiça para as 4 vítimas da PM de Goiás’; abaixo-assinado e vídeo


25/01/2022 - 20h36

Da Redação

Na quinta-feira da semana passada, 20-01, uma operação da Polícia Militar de Goiás matou quatro moradores da Vila de São Jorge, área turística bastante conhecida da Chapada dos Veadeiros, no município de Alto Paraíso.

As vítimas tinham vida pacata sem histórico de violência.

Segundo familiares e amigos, os policiais promoveram uma chacina. Os mortos não tiveram sequer chance de defesa.

No último domingo, 23-01, os moradores de São Jorge fizeram uma passeata exigindo apuração do caso.

De acordo com o Metrópoles, o clima é de revolta, como mostra o vídeo no topo.

Em seu perfil de rede social, Murillo Aleixo Bianchini escreveu no sábado:

Meus amigos não eram criminosos!
Meus amigos estavam num sítio vizinho ao que teve a operação policial.
Meus amigos não tinham armas.
Meus amigos não reagiriam a polícia.
Meus amigos foram mortos executados pela polícia, sem chance de se defender ou de serem julgados.
As famílias dos meus amigos estão destruídas pela dor da injustiça, essa dor também dói em mim. E não vou me calar por medo, o meu medo é que a justiça não seja feita, e por isso, vou continuar gritando e lutando por Justiça!
São Jorge vai vencer o dragão
Nessa segunda-feira, os policiais que participaram da #chacinanachapada foram afastados.
Também seu perfil de rede social, Murillo Bianchini registrou:

“Esse é só o primeiro passo e a primeira vitória de muitas que virão, pra que se faça Justiça e seja restabelecida a
verdade. Meus amigos não eram criminosos!!!”

Hoje, terça-feira, foi lançado um abaixo-assinado para que o Estado de Goiás responsabilize os policiais envolvidos no caso e implemente estratégias para dar um basta à violência policial, que vitima principalmente a população negra e pobre.

A petição é destinada ao Ministério Público Federal (MPF) e Estadual (MPE), à Defensoria Pública da União (DPU) e Estadual (DPE), à Comissão Nacional de Direitos Humanos (CNDH) e à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

Em nova postagem, salienta:

“Lutar por justiça vale a pena!

Para que a impunidade no caso da #ChacinaNaChapada não aconteça, a sua mobilização é fundamental

Participe agora assinando a petição e postando nas redes sociais

Não é um ‘caso isolado’. Isso  acontece todos os dias!”

Para assinar, clique aqui.

Abaixo, o texto da petição.

JUNTE-SE A NÓS E PEÇA JUSTIÇA PELAS VÍTIMAS DA CHACINA DA CHAPADA DOS VEADEIROS. Não seja indiferente aos casos de abusos, violências e execuções cometidos pela Polícia Militar do Estado de Goiás, nos ajude a denunciar a Chacina na Chapada, assinando a nota abaixo:

NOTA PÚBLICA EM REPÚDIO À CHACINA PROMOVIDA NA CHAPADA DOS VEADEIROS (SÃO JORGE) PELO ESTADO DE GOIÁS

A comunidade de São Jorge e da Chapada dos Veadeiros, com apoio de diversas entidades de defesa de direitos humanos e movimentos sociais de Goiás, vem a público denunciar a ação policial do último dia 20 de janeiro, já conhecida como Chacina da Chapada dos Veadeiros, promovida pelo Estado de Goiás, que assassinou quatro pessoas, uma delas quilombola, na zona rural de Cavalcante.

Neste dia, a Polícia Militar de Goiás invadiu, sem mandado de prisão ou investigação prévia, uma propriedade localizada na zona rural de Cavalcante onde havia uma plantação de cannabis e encontravam-se sete pessoas. Quatro delas foram assassinadas pela PM sem direito à defesa e outras três conseguiram fugir com vida.

Os policiais alegam que receberam uma denúncia anônima da existência de “tráfico de drogas” e ao chegarem no local, teriam sido recebidos à bala. Entretanto, nenhum policial ou viatura foi alvejado ou ferido. As vítimas foram mortas por 58 tiros, sendo que 40 disparos foram feitos por fuzis.

Salviano, Chico, Jacaré e Alan eram conhecidos por todos da comunidade e muitos possuem estórias pra contar dos momentos vividos juntos.

Não eram pessoas violentas, não andavam armados. Eram pacíficos. Morreram por causa da indiferença com a vida de uma guerra insana, que condena e mata de forma seletiva uma parte da população que é preta e pobre, em verdadeiros tribunais de rua.

Por que matar primeiro e perguntar depois?

Por que não optar por uma investigação inteligente, que permita conhecer o perfil dos suspeitos envolvidos e seus antecedentes?

Por que a polícia goiana em um sem número de vezes não cumpre sua missão de prender suspeitos e garantir o direito de defesa de todas as pessoas, observando o uso proporcional da força e o respeito à lei?

Por que não respeitam o Estado de Direito, onde impera a lei e o devido processo legal?

Por que os órgãos de controle mantidos com recursos públicos pouco agem?

Nos últimos anos, diversas entidades da sociedade civil vêm apresentando inúmeras denúncias de casos emblemáticos de violência policial, abuso de autoridade, abordagens ilegais, formação de grupos de extermínio, tortura e desaparecimentos forçados protagonizados pela polícia militar.

Uma situação tão grave que, denunciada nos meios políticos, foi nacionalmente e internacionalmente reconhecida a partir da realização de uma audiência temática na Comissão Interamericana de Direitos Humanos, em Washington (EUA), em 2011, e teve a federalização de inquéritos que demonstraram graves violações de direitos humanos e a inércia das instituições estaduais.

De lá pra cá, pouco ou nada mudou.

Para se ter uma noção da situação atual, segundo o último Anuário Brasileiro de Segurança Pública (2021), a polícia goiana é a segunda mais letal do país e é responsável por 29% das mortes violentas intencionais totais do estado, índice que não deve superar 10% e indica a proporcionalidade do uso da força.

Outro indicador de proporcionalidade é a relaçãodo total de mortos em intervenções policiais e o total de policiais assassinados. Em Goiás, para cada policial vítima, morrem 210 civis. É o maior índice dentre os 27 estados brasileiros.

O FBI (EUA) trabalha com a proporção de 12 civis mortos para cada policial morto. Estudiosos sugerem que quando essa proporção é maior do que 15, então a polícia está abusando do uso da força letal.

Recente análise de dados oficiais da Justiça de Goiás nos mostra que só uma em 200 mortes por intervenção policial em Goiás vira processo na Justiça, nos deixando estarrecidos pela total inoperância dos sistemas policial e judiciário que falham reiteradas vezes em garantir justiça por meio de uma apuração ágil e transparente dos casos de violência nos quais estão envolvidas as forças de segurança.

E por permanecerem sem solução e na invisibilidade, condenam centenas de famílias a um sofrimento psíquico sem fim, estimulam a impunidade e geram ainda mais violência.

Estamos mobilizados para dizer “Basta”!

Não queremos aceitar mais violência e impunidade!

Denunciamos que os nossos mais nobres anseios por segurança pública e direito à vida abundante e plena estão sendo sequestrados por um Estado incapaz de controlar a violência e responsabilizar quem descumpre a lei no exercício de sua missão pública. Recusamos a ideia de que nossa segurança depende da quantidade de terror que se espalha pelo mundo.

Exigimos o imediato cumprimento das leis vigentes e uma investigação séria e independente capaz de apurar todas as irregularidades cometidas, assim como fazer justiça à memória das vítimas e à dignidade das famílias.

Exigimos o aperfeiçoamento dos mecanismos de controle social da polícia militar e que seja implantado com urgência o aparelhamento da polícia militar para possibilitar a gravação audiovisual das operações policiais, de preferência com câmeras acopladas aos uniformes ou capacetes dos agentes policiais, medida que tem sido capaz de diminuir os alarmantes números de casos de violência policial nos estados que a adotaram.

São Jorge e a Chapada dos Veadeiros, símbolos de resistência e diversidade, não verão a história de seus filhos e filhas ser manchada pela impunidade e pela violência do Estado.

Estado de Goiás, 21 de janeiro de 2022.





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