VIOMUNDO

Diário da Resistência


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Antônio David: Veja e os assassinos de Amarildo


09/10/2013 - 23h53

por Antônio David, especial para o Viomundo

Todo policial do Bope sai do quartel com seu saquinho plástico. Serve para pôr na cabeça do marginal, apertando bem na base, que fica amarrada no pescoço. O sujeito sufoca, vomita e desmaia. É meio nojento, mas eficaz. Do livro Elite da Tropa, de Luiz Eduardo Soares, André Batista e Rodrigo Pimentel

Na terça-feira passada, 1º de outubro, a Polícia Civil do RJ entregou ao Ministério Público inquérito pedindo o indiciamento de dez policiais militares que atuavam na UPP da Rocinha.

Os policiais são acusados de terem sequestrado, torturado, assassinado e ocultado o cadáver do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, cujo corpo continua desaparecido.

Detalhe: dentre os dez indiciados, está o ex-comandante da UPP, major Edson. Trata-se de um oficial formado pelo Bope.

Não há como deixar de lembrar do filme Tropa de Elite.

Isso porque, segundo a polícia, moradores relataram durante as investigações ja terem levado choques elétricos e já terem sofrido asfixia com sacos plásticos por policiais em busca de informações sobre traficantes e armamento.

Ora, não são exatamente essas práticas que o filme retratou?

Mas o que mais chama a atenção é o fato de que, enquanto a tortura deita e rola no filme e na vida real (pelo menos para uma parte da população), a percepção de muitos que assistiram o filme é positiva em relação ao tipo de policial que o filme retrata.

É sintomática a capa da revista Veja, de 10 de novembro de 2010. Sob a imagem do Capitão Nascimento, a chamada anuncia: “O primeiro super-herói brasileiro. Ele é incorruptível, implacável com bandidos e espanca políticos degenerados”. E promete: “Que recado estão dando os milhões de brasileiros que viram e aplaudiram o filme?”.

Não tratarei da reportagem. O leitor do Viomundo não merece tal desprazer.

É inegável. De fato, “milhões viram e aplaudiram o filme”. Mas será que esses milhões não viram que os “super-heróis” sequestram, torturam e matam? Não viram as cenas de asfixia com saco plástico? Não viram, ao final de Tropa de Elite 2, um policial prestes a matar “com a 12” um traficante já rendido? Claro que viram. E, no entanto, aplaudiram.

Uma parte talvez não se dê conta de que o filme retrata a vida real. Outra parte talvez saiba disso, e não se importa. E há aqueles que sabem e, justamente por isso, aplaudem. Certamente Veja não está entre os primeiros. Duvido que esteja entre os segundos.

O mais inquietante na esdrúxula capa é saber que os crimes praticados no filme por policiais do Bope convivem com a imagem de que estes mesmos policiais seriam “incorruptíveis”, quando na verdade não há corrupção maior do que sequestrar, torturar e assassinar.

Claro está, e não é novidade, que a revista Veja tem um critério não só seletivo mas também bastante sui generis de corrupção.

O ponto é que, ao promover a imagem do policial “incorruptível”, do “super-herói”, Veja ignora solenemente as práticas de tortura e assassinato que o filme retrata, e que ocorrem de maneira recorrente e sistemática na vida real para milhões de brasileiros que vivem em periferias urbanas.

Contudo, o problema maior não está em ignorá-los, mas em transformá-los no seu exato oposto. Na abordagem de Veja, tortura e assassinato praticados por policiais passaram de crimes a algo normal, que deve ser encarado com naturalidade.

Ao cabo, é como se a revista tivesse dito: exatamente porque sequestra, tortura e mata, ou seja, sendo “implacável com bandidos”, é que o capitão Nascimento é o nosso herói.

Ocorre que isso não pode ser dito, pelo menos não de maneira tão explícita e aberta. A naturalização dos crimes praticados pelos policiais do Bope no filme é feita, na abordagem da revista, exatamente quando Veja silencia sobre eles. Passam despercebido.

Temos aqui uma prática recorrente do tipo de direita que se formou no Brasil. O fascismo é naturalizado na medida em que é silenciado, na medida em que passa despercebido, na medida em que é incorporado à paisagem. O fascismo não é explicitado, mas silenciado. A revista Veja não precisa defender abertamente a tortura praticada por policiais. Ela o faz veladamente, quando silencia.

Daí porque a crítica à direita brasileira envolve voltar-se para estes silêncios e fazê-los falar, obrigá-los a falar, exigir que falem – o que verdadeiramente pensam, o que verdadeiramente pressupõem, e que é estrategicamente silenciado.

Que fique claro: ao retratar um torturador e assassino como o “super-herói nacional”, Veja transforma em “super-herói nacional” exatamente os assassinos de Amarildo (e de tantos outros).

Em tempo: reportagem publicada pela Folha de S. Paulo mostra que o número de desaparecidos em 18 regiões onde há UPPs aumentou 56% entre 2008 e 2011

Antônio David é pós-graduando em filosofia na USP e mantém uma página no Facebook para divulgação de pesquisas e análises sobre o Brasil.

Leia também:

Lembo: Como nos juízos medievais, denunciados foram expostos à execração pública

Ives Gandra: José Dirceu foi condenado sem provas



50 comentários

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FrancoAtirador

13 de outubro de 2013 às 13h54

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Mídia Bandida cria novo Super-Herói em São Paulo:

SUPER-ALCKMIN, O CAPITÃO FALECIMENTO
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joao

12 de outubro de 2013 às 14h02

acharcam o trabalhador, o comerciante. “pedem” descaradamente o que querem. se o comerciante não contribuir, todos sabem o que acontece. so prestam segurança a quem paga. toda a populacao vivem um clima de terror. quem denunciar, sofre as consequencia. lembram, já mataram até juiz. espacam todos que nao se submetem. Ha tem outra coisa, a segurança da populacao somente piorou. que heroi é esse. todas as pessoas com quem se conversa tem a mesma opiniao negativa da policia. todos a detestam e nao a vem como amigo do povo. basta ver com muitos estao ricos, e com o salario que ganham.

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mineiro

12 de outubro de 2013 às 09h07

agora com relaçao a imprensa podre , golpista e facista sem vergonha, tem começar pela tv esses programas nojentos , execraveis como cidade alerta , brasil urgente e outros mais que fazem progranda do crime. esse tipo de programa endeusa o policial corrupto todo dia e tambem contribui e ate elogia a tortura e o assassinato cometidos pelos policiais. agora tambem vamos deixar uma coisa claro ,bandido, traficante tambem tortura e mata. essa corja nao é santo tambem nao. o que nao pode é matar gente inocente como acontece todo dia , morrendo nas maos de policiais, esse é que é o problema.

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mineiro

12 de outubro de 2013 às 08h59

vamos separar os fatos , as upps veio para diminuir os crimes na favela e tentar tambem diminuir o trafico. acredito eu que nao sao todos policiais que estao la sao assassinos como os citados no texto , e com a chegada das upps diminuiu os crimes e o trafico na favela pelo estao nas estatisticas. os policiais que sao bandidos tem que por na cadeia mesmo e os policiais bons tem que ajudar nisso. nao é execrando as upps que vao resolver alguma coisa, tem que separar os bons dos bandidos e eliminar de uma vez por as praticas de torturas que existe nos quarteis. sem as upps vao ficar ainda pior.

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Emilson

12 de outubro de 2013 às 05h09

Veja o tipo de solidariedade dos médicos coxinhas.
Sex , 11/10/2013 às 15:40 jornal A Tarde.
assistam: http://www.youtube.com/watch?v=rtbiFcDq__0

Delegada diz que médica perseguiu irmãos até colisão
Da Redação, com informações de Rodrigo Menezes
A médica Kátia Vargas Leal Pereira, de 45 anos, deverá ser indiciada por duplo homicídio doloso, quando há intenção de matar, no caso que envolve a morte dos irmãos Emanuel e Emanuelle, 22 e 21 anos, na manhã desta sexta-feira, 11.
Segundo a delegada-titular Jussara de Souza, as imagens das câmeras de segurança são conclusivas. A médica teve a intenção de bater na moto pilotada por Emanuel.

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FrancoAtirador

11 de outubro de 2013 às 20h04

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Pesquisa Eleitoral com o Dedo do Frias

DONO DA FOLHA DE S.PAULO MANDA DATAFOLHA

MANTER O NOME DE MARINA E RETIRAR O DE LULA

NAS OPÇÕES PARA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

(http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/valor/2013/10/10/datafolha-sai-a-campo-e-mantem-marina-entre-candidatos.htm)
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brasileirodagema

11 de outubro de 2013 às 10h47

O brasileiro quer matar, mas não tem coragem de fazer isso por sua conta e risco. Então paga para ver o Super Capitão fazer tudo por ele. Sem meias palavras, o brasileiro, sejamos francos, não passa de um panaca, um borra-botas sem caráter nem coragem. Escravo que se apegou à chibata, o povo brasileiro apoiou todas as repressões, golpes e ditaduras, é povo que sorri durante o dia e espreita na calada da noite, para linchar em bando aquele que está sozinho. Somos todos uns acanalhados, xinfrins, apequenados, tenhamos coragem pelo menos de assumir nossa verdadeira vocação, a saber, o tronco e o chicote.

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    Pai

    13 de outubro de 2013 às 02h55

    Boa.

    mineiro

    13 de outubro de 2013 às 10h06

    assino em baixo nos brasileiros nos sustenta nessa teoria imbecil e nojenta do que somos um pais catolico e cristao e assim tentamos nos esconder de tudo que nos cercam. ta certissimo o comentario aqui, nos brasileiros tentamos esconder o facismo ,o nazismo e tdo tipo de violencia e barbaridade que existe aqui e em todo lugar. aqui no brasil temos o racismo , o nazismo , o facismo , violencias contra criança , contra os indios , as mulheres e todo tipo de assassinato , o brasil nao é cristao e nao é diferente de ninguem e o povo aplaude sim todo tipo de barbaridades ao vivo e a cores , temos que mostrar a verdadeira cara do brasil . nao tambem que sejamos um povo bom , mas é da elite e de alguma parcela popular que é dessa forma.

Jose Mario HRP

11 de outubro de 2013 às 06h07

Alguns aqui malharam o Papa, sem dar chancwe a ele, simples mortal, nessa vida, como nós, de mostrar suas intenções, gente que ao meu ver , são ateus, então…….
Vejam só:

http://igay.ig.com.br/2013-10-10/papa-francisco-abencoa-grupo-gay-catolico-em-carta.html

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cassio

11 de outubro de 2013 às 00h11

Eu não assisti e nem li o livro. Mas o título deveria ser Tropa da Elite e não de Elite.

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FrancoAtirador

10 de outubro de 2013 às 23h31

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Lula e a mídia alternativa

Por Emir Sader, na Carta Maior

Lula se entusiasma com a mídia alternativa.
Quem viu seu discurso no Fórum de São Paulo – comandado por sua metamorfose ambulante – se deu conta que, entre tantos temas polêmicos e críticos dentro da esquerda, ele fez a exaltação da mídia alternativa.

Como se somente agora, depois das manifestações de junho, ele tivesse se dado conta do poder de convocação que essas mídias tem.

Ele é muito bem vindo. Se dizia antes que o acoplamento entre a força popular – naquela época, o movimento operário – e a intelectualidade crítica, geraria um potencial revolucionário insuperável.
Hoje, a liderança popular do Lula e o potencial democratizador da mídia.

Já era hora, dado que seu governo e sua própria imagem como liderança política são as principais vítimas do monopólio privado da mídia, em outras palavras, da falta de democratização dos meios de comunicação no Brasil.

A transição democrática trouxe de volta a democracia nos seus cânones liberais, sem chegar às estruturas de poder no Brasil.

Não foram democratizados o sistema bancário, a propriedade da terra, as grandes corporações econômicas, os sistemas educacionais e de saúde.

O Brasil tornou-se um país democrático, no sentido liberal da palavra, mas não uma democracia nos planos econômico e social.

Os meios de comunicação não apenas não foram democratizados, como se tornaram ainda menos democráticos, mais concentrados.

O primeiro ministro de Comunicações depois da ditadura foi Antonio Carlos Magalhães, que representava diretamente a Globo, com órgão oficial da ditadura militar.
Ele se encarregou de concluir o processo de distribuição oligárquica das redes de radio e televisão pelo Brasil afora – processo que serviu também para comprar os 5 anos para o governo Sarney.

Os mesmos grupos oligárquicos da época da ditadura seguem dominando os meios de comunicação, as mesmas famílias.
Apoiaram a instauração da ditadura e a feroz repressão que se abateu sobre os movimentos populares e a tudo o que havia de democrático no Brasil. Promoveram a transição conservadora para a democracia e se adaptaram perfeitamente bem ao país pós-ditadura, porque seus interesses eram atendidos.

Apoiaram a Collor e a FHC e se opuseram ferozmente ao Lula.

Mas aí veio a primeira grande surpresa: o candidato da mídia era o Serra, que foi derrotado.
Se lançaram ferozmente contra o governo Lula, tornado o inimigo do bloco dominante, de que os grupos da mídia eram parte integrante.

Se sentiram fortes, ao afetarem duramente o governo na crise de 2005 e foram, eles mesmos, vítimas desse sucesso inicial, acreditando que tinham capacidade para derrotar o governo Lula.

O governo subestimou a força da mídia nos seus primeiros anos, mas mesmo quando se deu conta, não teve iniciativas que pudessem mudar a situação.

Foi somente nos anos finais do segundo mandato – em particular na campanha presidencial -, que o Lula colocou com força o tema e o governo promoveu um seminário que elaborou uma proposta de democratização da mídia.

Mas essa tendência não teve continuidade no governo Dilma, que retomou uma postura de não avançar na democratização nos meios de comunicação.

O Lula agora passa a uma posição extrema: julga que a internet pode democratizar a formação da opinião publica, sem que necessariamente se toque na propriedade monopolista vigente na mídia tradicional.

Como se a internet fosse alternativa à quebra desses monopólios.

Na internet nós tratamos de fazer guerrilha: com dinamismo, inovação, criatividade, mas sobretudo com pontos de vista alternativos, coerentes com os avanços que o Brasil está vivendo.
Disputamos agenda, mas com enormes dificuldades, pelo papel de Exército regular que a mídia tradicional continua a ter.

Os jornais vendem cada vez menos e são cada vez menos lidos, mas pautam os rádios e as TVs, que desfrutam de uma presença avassaladora pelo seu caráter monopolista.

Basta ver como essa máquina conseguiu pautar o processo do STF como o tema principal a nível nacional durante meses, em detrimento, por exemplo, do esforço do governo para frear as pressões recessivas sobre a economia, conseguir retomar o crescimento e expandir ainda mais as políticas sociais.

A campanha eleitoral de 2014 será mais um momento de enfrentamento aberto.

Diante do fracasso da reforma política por meio do Congresso atual – ele mesmo beneficiário do financiamento privado das campanhas -, Lula recoloca a convocação de uma Assembleia Constituinte para a reforma democrática da política.
Nesse marco deve ser inserido o processo de democratização dos meios de comunicação, que tampouco será aprovado por um Congresso que, alem dos lobbies, como diz o próprio Lula, “tem medo da imprensa”.

A convocação da Assembleia Constituinte autônoma tem que ser um passo decisivo no avanço do processo de democratização do Brasil.

O governo prioriza seus esforços no maior processo de democratização social que o país já viveu.

Agora se trata da democratização política e da dos meios de comunicação.

(http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Lula-e-a-midia-alternativa/4/29159)
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pai

10 de outubro de 2013 às 22h38

Não distorça.
O filme é um filme comercial, tem que vender. Realmente, o brasileiro se identifica com o Cap Nascimento. Por que quer fazer o mesmo COM OS BANDIDOS.
Agora, não podemos nunca correr o risco de punir de maneira tão brutal um inocente. Daí termos que seguir a lei.
Agora, achar que o processo legal, no Brasil, pode servir para alguma coisa, é burrice. Aqui é assim: se vc é inocente, vai sofrer um longo processo e ser “condenado” pela opinião publica, antes do julgamento. Se for culpado, vai escapar.
É a nossa sina.

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José X.

10 de outubro de 2013 às 20h22

Acho uma bobagem ficar reproduzindo matéria da Veja. Eles devem adorar isso, já que a influência deles sobre o público em geral é pequena, e está diminuindo com o tempo. O único integrante do PIG que conta mesmo é a Globo. O resto é só o resto.

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    Nelson

    10 de outubro de 2013 às 22h51

    Permita-me discordar, meu caro José X. A influência de Veja não é assim tão pequena quanto tu afirmas. Basta entrarmos em qualquer consultório de médico ou dentista, por exemplo, que encontraremos exemplares dessa porqueira.

Fabio Passos

10 de outubro de 2013 às 19h36

A classe média racista adora ver preto e pobre torturado e assassinado pela polícia.

leitores da veja = lixo branco!

Responder

    Abel

    10 de outubro de 2013 às 23h38

    Meu caro, burrice não tem cor. Meu patrão é negro e assina a “Veja” e “O Globo”…

Urbano

10 de outubro de 2013 às 18h48

Para uma revisteca de boston que é, está dentro do script, ora…

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Gerson Carneiro

10 de outubro de 2013 às 17h39

O safadão desmascarado por mim aqui no VIOMUNDO vai concardar com a Veja.

Responder

FrancoAtirador

10 de outubro de 2013 às 17h06

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Se fosse revogada a Constituição Federal,

que proíbe a tortura, a execução sumária,

o trabalho forçado, a prisão perpétua

e a pena de morte, como pretende a Veja,

e se esse Super-Herói da Mídia Bandida

realmente tivesse que atuar no Brasil,

os primeiros delinqüentes exterminados

seriam os donos de empresas jornalísticas

e alguns repórteres e colunistas degenerados

que ‘policarpam’ a mando desses empresários.
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Responder

Luiz Breviglieri

10 de outubro de 2013 às 15h41

Eu assisti ao filme “1492” com Gerard Depardieu.Ali começa a triste história dos vastos
continentes Norte e Sul Americanos.A Europa trouxe a sua horrorosa trouxa para civilizar.Só que essa civilização éra de fome,exploração e morte.Mojica,um dos personagens dá o exato tom dos donos dos novos territórios descobertos.Virar essa pagina vai demorar mais alguns séculos;se virar.

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Augusto

10 de outubro de 2013 às 15h40

Diversionismo no mode on também??

É interessante pegar uma capa de revista a anos atrás, não contextualizar o conteúdo da matéria, escondê-lo de quem lê o artigo, tratar apenas daquilo que o autor do artigo julga equivocado e aí ligar isso a um caso ocorrido X anos depois….

Bem…a Polícia tem problemas graves, sérios e profundos. Não sei nem dizer se mais ou menos que outras instituições igualmente em vigor; mas me pergunto…Será que é a Polícia a culpada? Pode a Polícia ser julgada como um ente isolado por conta da ação de integrantes seus? E quem é aliado político daqueles que privilegiam essa política de segurança pública?

Sem a Polícia a questão está resolvida?

As outras instituições e instâncias do poder tem trabalhado na diminuição da violência e do crime?

É tanta contradição….

Responder

renato

10 de outubro de 2013 às 14h53

Se eu fosse acreditar em filme, teria que ficar quietinho.
Pois se os caras tem Capitão America, Hulk, Super Man.
Não dá nem pro começo com este capitão “brasileiro”.
A não ser que eu chama-se o Super LULA, agora com identidade
secreta de CABO ELEITORAL ( mais conhecida como Luis Inacio da Silva).
Acima e avante, LULA.
Com seus sete tentáculos.
A lingua afiada.
Mais liso que bagre.
É o CARAAAAAAAAAAAA!

Responder

Djijo

10 de outubro de 2013 às 13h38

Um ex-sacerdote, Marcelo da Luz, diz que a maioria que entra no sacerdócio tem problemas com a sexualidade. Co-relação: a maioria que entra na polícia tem problemas com a civilização.

Responder

    Augusto

    11 de outubro de 2013 às 14h12

    Se o exemplo já foi ruim, a correlação ficou pior….Tem como argumentar, mais do que enxovalhar?

    Pai

    13 de outubro de 2013 às 02h57

    Concordo. Mais um frutrado chorando as pitangas.

abrantes

10 de outubro de 2013 às 13h17

Só faltou analisar a reportagem da Folha,pois, não da para saber se houve 56% de aumento no número de desaparecidos entre 2008 e 2011 nas áreas das UPPs, ou se houve um aumento de comunicação de desaparecimentos,porque eu acho que antes de 2008 poderia se contar nos dedos da mão direita o número de pessoas que tinham coragem de comunicar um desaparecimento, nessas mesmas áreas.

Responder

    Carlos

    10 de outubro de 2013 às 18h31

    Perfeito, bem colocado. Temos uma comoção pelo sr Amarildo, lamentamos a perda, mas por que a mesma comoção não foi vista no desaparecimento da engenheira Patrícia Amieiro? ou da Luana Rodrigues, 20 anos, na mesma Rocinha?

    Ah, por falar em canalhice, agora vem o SEPE apoiar ações de vãndalos quebrando todo o RJ. “..Blacks protegeram,..polícia é que é violenta..” Idiotas! A máscara caiu!!! Programam para a próxima terça, mais uma “passeata pacífica” onde mais patrimônios públicos e privados serão destruídos. Espero que a polícia não se deixe amordaçar e proteja nosso patrimônio com toda autoridade e rigor que se fizerem necessários.
    Querem encher o saco com suas gritarias problemas deles. Mas não se pode mais tolerar a sacanagem que estes idiotas escondidos atrás de máscara andam fazendo na nossa cidade.
    Verdadeiros cidadãos e trabalhadores, creio que chegou a hora de ajudarmos na defesa de nosso patrimônio, senão, daqui a pouco, estes bandidos estarão entrando em suas casas protegidos por grupos como este tal de SEPE

Fernando G Trindade

10 de outubro de 2013 às 12h10

“A escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional do Brasil” (Joaquim Nabuco em 1898: no Capítulo Massangana, do livro autobiográfico ‘Minha Formação’)

N’O Abolicionismo,de 1883, Nabuco escreveu:

“Para resumir fixarei alguns dos principais traços do que é legalmente a escravidão em 1883 no Brasil.
(……..)
6. O senhor pode punir os escravos com castigos moderados, diz o Código criminal que equipara a autoridade dominical ao poder paterno; mas, de fato, à sua vontade, porque a justiça não lhe penetra no feudo; a queixa do escravo seria fatal a este, como já tem sido, (3) e a prática tornou o senhor soberano.
(…)
É curioso que os senhores, que exercem esse poder ilimitado sobre os seus escravos, considerem uma opressão intolerável contra si a mínima intervenção da lei em favor destes. A resistência, entretanto, que a lavoura opôs à parte da lei de 28 de setembro que criou o direito do escravo de ter pecúlio próprio e o de resgatar-se por meio deste, prova que nem essa migalha de liberdade ela queria deixar cair de sua mesa. Os lavradores do Bananal, por exemplo, representando pelos seus nomes a lavoura de São Paulo e dos limites das províncias do Rio, diziam em uma petição às Câmaras:
Ou existe a propriedade com suas qualidades essenciais, ou então não pode decididamente existir. A alforria forçada com a série de medidas que lhe são relativas, é a vindita armada sobre todos os tetos, a injúria suspensa sobre todas as famílias, o aniquilamento da lavoura, a morte do país.
Quando se tratou no Conselho de Estado de admitir o direito de pecúlio, o marquês de Olinda serviu-se desta frase significativa: Não estamos fazendo lei de moral.
(…)

Notas:
.3. Em 1852 o Conselho de Estado teve que considerar os meios de proteger o escravo contra a barbaridade do senhor. Diversos escravos no Rio Grande do Sul denunciaram o seu senhor comum pela morte de um dos seus escravos da casa. O senhor fora preso e estava sendo processado, e tratava-se garantir aos informantes contra qualquer vingança futura da família. A seção de Justiça propôs que se pedisse ao Poder Legislativo uma medida para que a ação do escravo, em caso de sevícias, para obrigar o senhor a vendê-lo, fosse intentada ex officio. O Conselho de Estado (Olinda, Abrantes, José Clemente, Holanda Cavalcanti, Alves Branco e Lima e Silva) votou contra a proposta da seção (Limpo de Abreu, Paraná, Lopes Gama) “por ter em consideração o perigo que pode ter o legislar sobre a matéria, pondo em risco a segurança, ou ao menos a tranqüilidade da família; por convir nada alterar a respeito da escravidão ente nós, conservando-se tal qual se acha; e por evitar a discussão no Corpo Legislativo sobre quaisquer novas medidas a respeito de escravos, quando já se tinha feito quanto se podia e convinha fazer na efetiva repressão do tráfico.” Paraná cedeu à maioria, Araújo Viana também, e os conselheiros Maia, Lopes Gama e Limpo e Abreu formaram a minoria. É justo não omitir que Holanda Cavalcanti sugeriu a desapropriação do escravo seviciado, pelo governo e o Conselho de Estado. O imperador deu razão à maioria. As idéias de 1852 são as de 1883. Era tão perigoso então, por ser igualmente inútil, queixar-se um escravo às autoridades como é hoje. O escravo precisa ter para queixar-se do senhor a mesma força de vontade e resolução que para fugir ou suicidar-se, sobretudo se ele deixa algum refém no cativeiro.
4. No Conselho de Estado foi proposta a revogação do artigo 60 do Código Criminal que criou a pena de açoites e a da lei de 10 de junho. Sustentando uma e outra abolição, iniciada pela Comissão da qual era relator, o conselheiro Nabuco fez algumas considerações assim resumidas na ata da sessão de 30 de abril de 1868: “O conselheiro Nabuco sustenta a necessidade da abolição da lei excepcional de 10 de junho de 1835. Que ela tem sido ineficaz está provado pela estatística criminal; os crimes que ela previne têm aumentado. É uma lei injusta porque destrói todas as regras da imputação criminal, toda a proporção das penas, porquanto os fatos graves e menos graves são confundidos, e não se consideram circunstâncias agravantes e atenuantes, como se os escravos não fossem homens, não tivessem paixões e o instinto de conservação. Que a pena de morte, e sempre a morte, não é uma pena exemplar para o escravo que só vê nela a cessação dos males da escravidão. Que o suicídio freqüente entre os escravos, e a facilidade com que confessam os crimes,  e se entregam depois de cometê-los, provam bem que eles não temem a morte”. “Diz que a pena de açoites não pode existir na nossa lei penal, desde que a Constituição, artigo 179 § 19, aboliu esta pena e a considerou pena cruel. É um castigo que não corrige, mas desmoraliza. É além disso uma pena que não mantém o princípio da proporção das penas, sendo que o mesmo número de açoites substitui a prisão perpétua, a prisão por 30, 20 e 10 anos. As forças do escravo é que regulam o máximo de açoites e pois o máximo vem a ser o mesmo para os casos graves e os mais graves. Que a execução dessa pena dá lugar a muitos abusos, sendo que em muitos caos é iludida, em outros tem causado a morte”. O barão do Bom Retiro disse combatendo a abolição da pena de açoites: “Abolida a de açoites ficarão as penas de galés e prisão com trabalho, e penso que nenhuma destas será eficaz com relação ao escravo. Para muitos, a prisão com trabalho, sendo este, como deve ser, regular, tronar-se-á até um melhoramento de condição, senão um incentivo para o crime”. Aí está a escravidão como ela é! O suicídio, a morte parecem ao escravo a cessação dos males da escravidão, a prisão com trabalhos um melhoramento de condição, tal que pode ser um incentivo para o crime! No entanto, nós, nação humana e civilizada, condenamos mais de um milhão de homens, como foram condenados tantos outros, a uma sorte ao lado da qual a penitenciária ou a forca parece preferível!
5. A preferência que muitos escravos dão à vida das galés à que levam os cárceres privados induziu o governo em 1879 (o conselheiro  Lafayette Rodrigues Pereira) a propor a substituição da pena de galés pela de prisão celular. Tranqüilizando aqueles senadores que se mostravam assustados quanto à eficácia desta última pena, o presidente do Conselho convenceu-os com este argumento: “Hoje está reconhecido que não há pessoa, ainda a mais robusta que possa resistir a uma prisão solitária de 10 a 12 anos, o que quase equivale a uma nova pena de morte.”
(Joaquim Nabuco, Cap. XIII – A Escravidão Atual, “O Abolicionismo”)

10. O Estado não protege os escravos de forma alguma, não lhes inspira confiança na justiça pública; mas entrega-o sem esperança ao poder implacável que pesa sobre eles, e que, moralmente, os prende ou magnetiza, lhe tira o movimento, em suma os destrói.

11. Os escravos são regidos por leis de exceção. O castigo de açoites existe contra eles, apesar de ter sido abolido pela Constituição; os seus crimes são punidos por uma lei bárbara, a lei de 10 de junho de 1835, cuja pena uniforme é a morte. (4)

12; Tem-se espalhado no país a crença de que os escravos, muitas vezes, cometem crimes para se tornarem servos da pena e escaparem assim do cativeiro (5), porque preferem o serviço das galés ao da fazenda, como os escravos romanos preferiam lutar com as feras, pela esperança de ficar livres se não morressem. Por isso, o júri no interior tem absolvido escravos criminosos para serem logo restituídos aos seus senhores, e a lei de Lynch há sido posta em vigor em mais de um caso.

13. Todos os poderes, como vemos, praticamente sem limitação alguma, do senhor, não são exercitados diretamente por ele, que se ausenta das suas terras e não vive em contato com os seus escravos; mas, são delegados a indivíduos sem educação intelectual ou moral, que só sabem guiar homens por meio do chicote e da violência.

É curioso que os senhores, que exercem esse poder ilimitado sobre os seus escravos, considerem uma opressão intolerável contra si a mínima intervenção da lei em favor destes. A resistência, entretanto, que a lavoura opôs à parte da lei de 28 de setembro que criou o direito do escravo de ter pecúlio próprio e o de resgatar-se por meio deste, prova que nem essa migalha de liberdade ela queria deixar cair de sua mesa. Os lavradores do Bananal, por exemplo, representando pelos seus nomes a lavoura de São Paulo e dos limites das províncias do Rio, diziam em uma petição às Câmaras:
Ou existe a propriedade com suas qualidades essenciais, ou então não pode decididamente existir. A alforria forçada com a série de medidas que lhe são relativas, é a vindita armada sobre todos os tetos, a injúria suspensa sobre todas as famílias, o aniquilamento da lavoura, a morte do país.
Quando se tratou no Conselho de Estado de admitir o direito de pecúlio, o marquês de Olinda serviu-se desta frase significativa: Não estamos fazendo lei de moral.
(…)

Notas:
.3. Em 1852 o Conselho de Estado teve que considerar os meios de proteger o escravo contra a barbaridade do senhor. Diversos escravos no Rio Grande do Sul denunciaram o seu senhor comum pela morte de um dos seus escravos da casa. O senhor fora preso e estava sendo processado, e tratava-se garantir aos informantes contra qualquer vingança futura da família. A seção de Justiça propôs que se pedisse ao Poder Legislativo uma medida para que a ação do escravo, em caso de sevícias, para obrigar o senhor a vendê-lo, fosse intentada ex officio. O Conselho de Estado (Olinda, Abrantes, José Clemente, Holanda Cavalcanti, Alves Branco e Lima e Silva) votou contra a proposta da seção (Limpo de Abreu, Paraná, Lopes Gama) “por ter em consideração o perigo que pode ter o legislar sobre a matéria, pondo em risco a segurança, ou ao menos a tranqüilidade da família; por convir nada alterar a respeito da escravidão ente nós, conservando-se tal qual se acha; e por evitar a discussão no Corpo Legislativo sobre quaisquer novas medidas a respeito de escravos, quando já se tinha feito quanto se podia e convinha fazer na efetiva repressão do tráfico.” Paraná cedeu à maioria, Araújo Viana também, e os conselheiros Maia, Lopes Gama e Limpo e Abreu formaram a minoria. É justo não omitir que Holanda Cavalcanti sugeriu a desapropriação do escravo seviciado, pelo governo e o Conselho de Estado. O imperador deu razão à maioria. As idéias de 1852 são as de 1883. Era tão perigoso então, por ser igualmente inútil, queixar-se um escravo às autoridades como é hoje. O escravo precisa ter para queixar-se do senhor a mesma força de vontade e resolução que para fugir ou suicidar-se, sobretudo se ele deixa algum refém no cativeiro.

4. No Conselho de Estado foi proposta a revogação do artigo 60 do Código Criminal que criou a pena de açoites e a da lei de 10 de junho. Sustentando uma e outra abolição, iniciada pela Comissão da qual era relator, o conselheiro Nabuco fez algumas considerações assim resumidas na ata da sessão de 30 de abril de 1868: “O conselheiro Nabuco sustenta a necessidade da abolição da lei excepcional de 10 de junho de 1835. Que ela tem sido ineficaz está provado pela estatística criminal; os crimes que ela previne têm aumentado. É uma lei injusta porque destrói todas as regras da imputação criminal, toda a proporção das penas, porquanto os fatos graves e menos graves são confundidos, e não se consideram circunstâncias agravantes e atenuantes, como se os escravos não fossem homens, não tivessem paixões e o instinto de conservação. Que a pena de morte, e sempre a morte, não é uma pena exemplar para o escravo que só vê nela a cessação dos males da escravidão. Que o suicídio freqüente entre os escravos, e a facilidade com que confessam os crimes,  e se entregam depois de cometê-los, provam bem que eles não temem a morte”. “Diz que a pena de açoites não pode existir na nossa lei penal, desde que a Constituição, artigo 179 § 19, aboliu esta pena e a considerou pena cruel. É um castigo que não corrige, mas desmoraliza. É além disso uma pena que não mantém o princípio da proporção das penas, sendo que o mesmo número de açoites substitui a prisão perpétua, a prisão por 30, 20 e 10 anos. As forças do escravo é que regulam o máximo de açoites e pois o máximo vem a ser o mesmo para os casos graves e os mais graves. Que a execução dessa pena dá lugar a muitos abusos, sendo que em muitos caos é iludida, em outros tem causado a morte”. O barão do Bom Retiro disse combatendo a abolição da pena de açoites: “Abolida a de açoites ficarão as penas de galés e prisão com trabalho, e penso que nenhuma destas será eficaz com relação ao escravo. Para muitos, a prisão com trabalho, sendo este, como deve ser, regular, tronar-se-á até um melhoramento de condição, senão um incentivo para o crime”. Aí está a escravidão como ela é! O suicídio, a morte parecem ao escravo a cessação dos males da escravidão, a prisão com trabalhos um melhoramento de condição, tal que pode ser um incentivo para o crime! No entanto, nós, nação humana e civilizada, condenamos mais de um milhão de homens, como foram condenados tantos outros, a uma sorte ao lado da qual a penitenciária ou a forca parece preferível!

5. A preferência que muitos escravos dão à vida das galés à que levam os cárceres privados induziu o governo em 1879 (o conselheiro  Lafayette Rodrigues Pereira) a propor a substituição da pena de galés pela de prisão celular. Tranqüilizando aqueles senadores que se mostravam assustados quanto à eficácia desta última pena, o presidente do Conselho convenceu-os com este argumento: “Hoje está reconhecido que não há pessoa, ainda a mais robusta que possa resistir a uma prisão solitária de 10 a 12 anos, o que quase equivale a uma nova pena de morte.”
(Joaquim Nabuco, Cap. XIII – A Escravidão Atual, “O Abolicionismo”)

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    Mário SF Alves

    10 de outubro de 2013 às 22h03

    A atualidade da crítica do Joaquim Nabuco é que é surpreende. Aliás, a de Rui Barbosa também. Ambos advogados, ambos formados em 1870, ambos do Século XIX.

    _________________________________
    Joaquim Nabuco: “O conselheiro Nabuco sustenta a necessidade da abolição da lei excepcional de 10 de junho de 1835. Que ela tem sido ineficaz está provado pela estatística criminal; os crimes que ela previne têm aumentado. É uma lei injusta porque destrói todas as regras da imputação criminal, toda a proporção das penas, porquanto os fatos graves e menos graves são confundidos, e não se consideram circunstâncias agravantes e atenuantes, como se os escravos não fossem homens, não tivessem paixões e o instinto de conservação. Que a pena de morte, e sempre a morte, não é uma pena exemplar para o escravo que só vê nela a cessação dos males da escravidão. Que o suicídio freqüente entre os escravos, e a facilidade com que confessam os crimes, e se entregam depois de cometê-los, provam bem que eles não temem a morte”. “Diz que a pena de açoites não pode existir na nossa lei penal, desde que a Constituição, artigo 179 § 19, aboliu esta pena e a considerou pena cruel. É um castigo que não corrige, mas desmoraliza. É além disso uma pena que não mantém o princípio da proporção das penas, sendo que o mesmo número de açoites substitui a prisão perpétua, a prisão por 30, 20 e 10 anos. As forças do escravo é que regulam o máximo de açoites e pois o máximo vem a ser o mesmo para os casos graves e os mais graves. Que a execução dessa pena dá lugar a muitos abusos, sendo que em muitos caos é iludida, em outros tem causado a morte”.
    ____________________________________________
    Rui Barbosa com essa outra: Ora, senhores bacharelandos, pesai bem que vos ides consagrar à lei, num país onde a lei absolutamente não exprime o consentimento da maioria, onde são as minorias, as oligarquias mais acanhadas, mais impopulares e menos respeitáveis, as que põem, e dispõem, as que mandam, e desmandam em tudo; a saber: num país, onde, verdadeiramente, não há lei, não o há, moral, política ou juridicamente
    falando.

    _________________________________________________________
    Pelo visto os ideólogos da (in)Veja jamais ouviram falar de nenhum dos dois. Se lessem tais críticas sem que soubessem quem as produziu, de pronto tachariam os autores de petralhas, comunistas e/ou equivalente. Nada muito distante daquele recente “Meia dúzia de índios e alguns vagabundos pintados”

Amauri

10 de outubro de 2013 às 10h47

Não sou crítico de política, mas costumo ler o blog de vez em quando. Gostei dos filmes, mas como filmes de ação. Mas é triste saber que isso é a realidade, e que uma revista de circulação nacional trata isso como heroísmo, quando na verdade, o que o filme mostra, pelo menos na situação retratada no próprio filme, é que não há heróis, nem entre os bandidos e nem entre os policiais.

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QueDelícia!

10 de outubro de 2013 às 10h04

Verdade!

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Julio Silveira

10 de outubro de 2013 às 10h01

Esse tema é interessante, por que permite que façamos uma bela reflexão sobre coisas que parecem tão contraditórias como a simpatia de grande parte da cidadania a esse tipo de policial e a comoção pela morte do Amarildo, causada por policiais com perfil dos que são simpáticos a cidadania. Para mim parece simples e a culpa, por que ela existe, e não são exclusivamente dos policiais que num primeiro momento também são vitimas, cabe exclusivamente a cultura estabelecida. Que coloca os policiais na linha de frente das obrigações de prestar solidariedade as vitimas, que são desamparadas pelo sistema judicial vigente no país. Esse mesmo que transforma vitimas em culpados e pune, varias vezes, não só as vitimas mas também seus familiares, dando demonstrações de uma completa insensibilidade com o verdadeiro sentido da justiça. Os policias vivem numa armadilha, sem apoio legal, são apenas uma categoria profissional, abandonada como tantas outras, mas com uma responsabilidade enorme, que passam boa parte do seu tempo sem ver sentido pratico em seu trabalho. Isso somado, de forma natural, muitas fazem perder o limite em suas atribuições e isso é fácil de identificar. Mais uma vez não entendo tanto rigor critico já que hoje no Brasil perder limites parece ser uma regra bem estabelecida, e até culturalmente propagada principalmente como o fruto de impunidade intencionalmente delineada para beneficio de poucos.
Infelizmente o Amarildo e outros Amarildos menos divulgados, e outro que virão que não viram bandeiras, pagam. Também os policiais pagam, fruto da falta de preparo nessa percepção de estarem numa fronteira contraditória que limita o interesse publico com o desinteresse publico, pelo estado.

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Matheus

10 de outubro de 2013 às 09h26

O filme Tropa de Elite e o livro Elite da Tropa são excelentes. O problema é que o público é doente e achou que viu um faroeste com bandidos e mocinhos. É assim que os filmes hollywoodianos mostram as coisas, é assim que a mídia aqui também mostra: de maneira maniqueísta.

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G.A Almeida

10 de outubro de 2013 às 09h15

Não há como deixar de notar a tendenciosidade, e completa distorção de contexto do autor do texto.

Parabéns, está pronto para ser um colunista da Veja.

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Ari

10 de outubro de 2013 às 09h14

Texto cheio de pre-julgamentos por parte do autor, que nao pode afirmar quem matou Amarildo, sendo quero processo nao foi concluído. Basta o alibi de falar mal do esgoto da Veja pra um monte de gente aplaudir.

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Luciano Menezes

10 de outubro de 2013 às 07h46

Muito bom o texto e a avaliação é perfeita. Houve um engano de lógica política, quando tentaram e associaram um candidato à prefeito a essa lógica.

Responder

Ted Tarantula

10 de outubro de 2013 às 07h39

“Esqueceram” de dizer, na ficha do articulista, se o mesmo pertence à valorosa corporação dos advogados, a chusma de parasitas do demônio q tiram seu sustento e lucram com a mais bárbara criminalidade…aliás todo o sistema judicial do país é uma prospera industria que tira todo seu faturamento da proteção que dá ao crime, a violência e a corrupção em todos os seus aspectos sórdidos e degradantes. Todo criminoso apanhado pela policia sabe que não ficará preso..então o único castigo que pode sofrer é no momento mesmo da captura. Essa paixão da esquerda pela delinquência – mais a burrice congênita – é a causa de sua perdição.

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    SÉRGIO

    10 de outubro de 2013 às 09h40

    Disse tudo que faltava de forma clara, Parabéns!

    Luiz (o outro)

    10 de outubro de 2013 às 10h11

    Peraí!!! Quem são os delinquentes nessa história mesmo? É cada comentário ridículo que aparece por aqui…

    Augusto

    10 de outubro de 2013 às 15h34

    É verdade…quem é o delinquente?

    O Homem Risonho

    10 de outubro de 2013 às 10h18

    E torturar é a saida certa? E todos que eles pegam são criminosos?
    O que eu vejo em boa parte da esquerda não é essa burrice congenita ou amor pelo crime que voce se refere, mas uma análiza mais ampla e profunda do problema do que uma simples questão de mate esse e deixe esse viver, é uma percepção da realidade do problema, da causa dele,enquanto quem defende esse tipo de coisas se apega apenas no que o problema gera e causa, e não na sua raiz.

    João Grillo

    10 de outubro de 2013 às 11h15

    Black Block… Em andamento, um novo PCC.

    João

    10 de outubro de 2013 às 11h21

    Da próxima vez que você estiver prestes a ser multado e tentar “convencer” o policial a não fazê-lo, espero que ele seja o capitão nascimento.

    Cassius Clay Regazzoni

    10 de outubro de 2013 às 11h37

    O idiota defende a tortura e o extermínio de seres humanos, com julgamento sumário presidido pelos despreparados de farda, de forma ilegal e arbitrária, e tem a pachorra de dizer que é a esquerda que tem paixão pela delinquência.

    E quando os despreparados de farda exterminam um trabalhador, como no caso do Amarildo? É válido na sua opinião?

    É muita cara de pau deste fascistinha de araque.

    Eduardo

    10 de outubro de 2013 às 12h57

    Ah sim! Verdade! O pobre Amarildo que o diga, ele “certamente” se encaixa no típico caso de “paixão da esquerda pela delinquência”….

    (Ironia mode on)

    Zé do bar

    10 de outubro de 2013 às 17h37

    Como se a policia tivesse um sexto sentido que lhe permitisse capturar apenas culpados. Como se a policia tivesse um senso de justiça perfeito para punir os culpados conforme suas infrações. Como se tortura sequer pudesse ser cogitada como forma de punição.

    Lamentavel seu comentario, tarantula.

    Pai

    13 de outubro de 2013 às 03h01

    Se os policiais fossem legalmente capazes e constituídos para serem juízes, 100% confiáveis, poderiam aplicar pena no ato. Mas não rola infelizmente.
    No entanto, concordo que em parte a esquerda tem fascínio com a transgressão e a ilegalidade.

Seabra

10 de outubro de 2013 às 00h28

Perfeita análise, parabéns. Fascismo promovido pela força da desinformação do PIG…Veja é nojenta.

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