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Ao pedir lockdown imediato, cientistas falam em “epidemia de cegueira”. Jaú fecha; Bauru, a 55 km, não
Suéllen Rosim, a prefeita negacionista de Bauru
Ciência e Cultura

Ao pedir lockdown imediato, cientistas falam em “epidemia de cegueira”. Jaú fecha; Bauru, a 55 km, não


01/03/2021 - 15h13

Manifesto pelo lockdown imediato

Via Boris Vargaftig, por e-mail

“Em nenhum momento a pandemia assolou o Brasil como agora. Com suas mutações de escape, é possível que o vírus se antecipe à vacinação.”

“…vivemos uma epidemia de cegueira que ultrapassa as previsões de Saramago.”

“E assim acaba o mundo. Não com uma explosão, mas com um gemido”, concluía T. S. Eliot em “The Hollow Men”.

Uma pandemia não é menos destrutiva que uma guerra. Pode, no entanto, ser desqualificada, total ou parcialmente.

Sejamos claros: em nenhum momento a Covid-19 assolou o Brasil como agora. Crescem as internações e mortes. Disseminam-se variantes virais, provavelmente mais transmissíveis e talvez causando doença mais grave. Pior: é possível que essas variantes escapem à imunidade conferida pelas vacinas.

Que essa não é uma situação sem esperança demonstram os exemplos da Nova Zelândia, Alemanha e Espanha. E o movimento coerente (ainda que tardio) do município de Araraquara (273 km de SP).

Porém, vivemos uma epidemia de cegueira que ultrapassa as previsões de Saramago.

O pacto coletivo de autoengano consistia em negar o que ocorre na Europa. Agora se estende a ignorar o colapso da cidade vizinha.

Como entender que Araraquara e Jaú estejam em lockdown enquanto Bauru, a 55 km da última, faz passeatas pelo direito à aglomeração?

Sem dúvida esse é um caso para análise em antropologia e ciências do comportamento. Não que se menosprezem os danos econômicos, sociais e psicológicos do distanciamento. Mas, na emergência da saúde pública, o valor intrínseco da vida deve ser reforçado. Não sabemos tudo, mas já acumulamos fortes evidências.

As “medidas não farmacêuticas”, incluindo distanciamento social por fechamento de comércio, inibição de aglomerações e uso rigoroso de máscaras são o único (amargo) caminho para interromper a progressão da Covid-19.

Não conseguiremos vacinar a tempo. É possível que o vírus se antecipe à vacina, com suas mutações de escape. A transmissão do coronavírus gera oportunidades para surgimento de variantes. É urgente, pois, interrompê-la. Mas, se continuarmos a pensar que Araraquara e Jaú são longínquas ilhas do Pacífico, marcharemos rapidamente para o colapso da saúde. Não no estado de São Paulo, mas no país.

Passamos pela fase da ilusão de “enterros falsos”. Muitos de nós já tiveram vítimas fatais na família. Também já estão soterradas as pílulas milagrosas —cloroquina, ivermectina e nitazoxanida. Os antivirais com resultados promissores são novos, caros, inacessíveis.

O prefeito de Araraquara, Edinho Silva (PT), já menciona a dificuldade em conseguir oxigênio . O caos está aqui, está em todo lugar.

Pesa sobre nós uma escolha. De um lado temos o darwinismo social, em que aceitaremos a morte de centenas de milhares como uma pequena inconveniência suportada em nome da economia.

Do outro, a chance de aprender com as lições positivas e negativas de outros países. Como bom exemplo, temos a Nova Zelândia. No extremo oposto, os Estados Unidos.

Ainda há tempo para deixarmos de bater continência a réplicas da Estátua da Liberdade e reconhecermos que Donald Trump levou seu país ao fundo do poço da saúde pública.

Não será o fim do mundo, mas já é uma catástrofe sem precedentes. Silenciosa, exceto pelos ruídos de ambulâncias e ventiladores mecânicos, quando existem. Ou pelos gemidos daqueles a quem falta o ar. Uma agonia tão intensa e destrutiva quanto bombardeios.

Manipular politicamente o boicote às medidas óbvias de contenção da Covid-19 foi a receita para o caos, tanto nos Estados Unidos quanto no Amazonas. Não é muito desejar que aprendamos com nossos erros. “O que a vida quer da gente”, diria Guimarães Rosa, “é coragem”.

Carlos Magno Castelo Branco Fortaleza
Infectologista e professor da Faculdade de Medicina de Botucatu (Unesp)

Luís Fernando Aranha Camargo
Professor de infectologia da Unifesp

Dimas Tadeu Covas
Diretor do Instituto Butantan

Marcos Boulos
Professor titular aposentado da Faculdade de Medicina da USP (FM-USP)

Rodrigo Nogueira Angerami
Infectologista (Unicamp)

Benedito Antônio Lopes da Fonseca
Professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP)

Eduardo Massad
Professor da FGV-RJ e da USP

Francisco Coutinho
Professor do Departamento de Patologia da FM-USP

Gonzalo Vecina
Professor da Faculdade de Saúde Pública da USP





5 comentários

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Zé Maria

02 de março de 2021 às 16h42

A Situação Caótica não se restringe
a um Estado ou uma Localidade.
O Brasil entrou em Colapso.
Por Negligência, morreram os Idosos,
agora são os Jovens que morrem.
E a Imprensa-Empresa, mais uma vez,
se exime de informar a População.

Responder

    Zé Maria

    02 de março de 2021 às 22h09

    .
    .
    Reiterando: Tem que Fechar Tudo!
    Não só o Pancadão da Vila Pobre.
    Também as Festinhas dos Riquinhos.
    .
    .

Zé Maria

02 de março de 2021 às 16h26

A Variante (Cepa) mais Letal

2/3 (Dois Terços = + de 66%) dos Pacientes Internados em UTI
morrem por COVID-19 nos Hospitais de Porto Alegre.

“Nós atingimos o apogeu da gravidade.
Os pacientes, além de serem mais jovens,
estão muito mais graves.
O tempo de permanência na UTI e os recursos
dispensados para melhorar a oxigenação
dos pacientes foram multiplicados”

“Nós achávamos que estávamos no fim da epidemia.
E essa doença não é sazonal, ela é comportamental.
No momento em que nós temos a liberação da população
para as atividades usuais, imediatamente, duas semanas depois,
o sistema de saúde colapsa de novo”

“Essa onda de sobe e desce no movimento dos hospitais
e das UTIs é devido ao comportamento leniente
de alguns núcleos sociais, do próprio comércio.
Nós precisamos ter um mutirão de alinhamento
em relação às próximas semanas”

Luiz Antônio Nasi
Médico-Superintendente
do Hospital Moinhos de Vento
Porto Alegre-RS

https://twitter.com/kellymatos/status/1366800182688550917

Responder

Zé Maria

02 de março de 2021 às 16h00

https://twitter.com/i/status/1366820193310289921

“Campo de Guerra”: Guayaquil é Aqui.

Moinhos de Vento – Maior Hospital Privado de Porto Alegre –
aluga Contêiner para acomodar Pacientes Mortos.

“Morgue [setor onde os Mortos são identificados], ontem,
ultrapassou a capacidade de acomodar pacientes que
faleceram dentro do Hospital”

https://twitter.com/kellymatos/status/1366801540871311360
https://twitter.com/kellymatos/status/1366820193310289921

Responder

Zé Maria

01 de março de 2021 às 22h42

FÓRUM DAS CENTRAIS SINDICAIS DO RS
pede lockdown a Prefeito de Porto Alegre
por “situação caótica do sistema de saúde”

Representantes das Centrais de Trabalhadores*
assinaram documento dirigido ao Prefeito

*CTB – CUT – CGTB – Intersindical – NCST – FS –
CSB – UGT – CSP/Conlutas – Central Pública.

http://cutrs.org.br/centrais-sindicais-entregam-carta-ao-prefeito-de-porto-alegre-sobre-combate-a-pandemia-nesta-segunda/

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