VIOMUNDO

Diário da Resistência


Blog da Saúde

Médicos puxam a orelha de pais e mães


15/07/2011 - 22h56

por Conceição Lemes

No capítulo “Emagrecer” do livro “Saúde — A hora é Agora”, a médica endocrinologista Maria Teresa Zanella, professora titular de Endocrinologia da Faculdade de Medicina da Unifesp, recomenda: toda criança, desde pequena, deve ser estimulada à prática da atividade física e à alimentação saudável para prevenir a obesidade.

O psiquiatra Arthur Kaufman,   coordenador do Projeto de Atendimento ao Obeso (Prato), do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas e professor da Faculdade de Medicina da USP, concorda com ela mas desabafa: “Falar para os pais é o mesmo que falar para as paredes. Eu já desisti de mudar a cabeça deles, não adianta”.

Basta um giro num domingo e talvez lhe dê razão. Em parques, por exemplo, quantas crianças bem pequenininhas você encontra tomando refrigerante na mamadeira? Em churrascarias, quantas pulam as saladas e vão direto para frituras, como batata ou cebola frita? Em redes de fast-food, quantas estão se empapuçando com hambúrgueres em vez de almoçar?

As crianças não aprenderam esses maus hábitos alimentares sozinhas. Foram acostumadas pelos pais, que costumam dizer: “É melhor comerem isso do que nada”. O cardápio das crianças, aliás, é organizado de acordo com o que os adultos acham que elas gostam. Só que muitas vezes os adultos não se dão conta de que foram eles que criaram esses gostos nas crianças. E são justamente essas preferências que elas transmitirão para os amigos, os irmãos e, no futuro, para os seus filhos.

Sentiu o puxão de orelha? Para Kaufman, o caminho é trabalhar a base. “Nas cantinas escolares, deveria ser proibido junk food [como coxinha, empadinha, pastel, cachorro-quente, hambúrguer, batata frita]”, defende ele. “Ou as crianças mudam os pais, ou isso nunca vai mudar.”

Tais providências, aliás, já vigoram nas cantinas de algumas escolas: ali não se vendem junk food nem refrigerantes. Tomara que a tendência se propague. “Seria interessante também que, na medida do possível, as escolas ensinassem as crianças a cozinhar e preparar pelo menos pratos rápidos”, preconiza.

O puxão de orelha ainda dói? Então procure ter uma alimentação saudável e exercitar-se regularmente. É um ótimo começo. Terá mais moral para sugerir ao seu filho que não fique o dia inteiro jogando videogame. Ou coma uma fruta, em vez de simplesmente abrir um pacote de biscoitos ou de snacks, quando bate a fome fora de hora. Dessa forma, vai ajudá-lo a construir hábitos de vida saudáveis e a evitar a obesidade e outros problemas de saúde no futuro. De quebra, vai parar de falar com as paredes.

Clique aqui para ler a reportagem “Ministro, ‘filho feio’ não tem pai: Lições do “affair” com a McDonald’s

Meu twitter: @conceicao_lemes, siga à vontade.

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62 comentários

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Mayana Zatz: É ético selecionar embriões de um determinado sexo? | Viomundo - O que você não vê na mídia

11 de setembro de 2011 às 21h04

[…] Junk food: Médicos puxam a orelha de pais e mães   […]

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Doutor Marcelo Silber esclarece dúvidas de leitores | Viomundo - O que você não vê na mídia

08 de agosto de 2011 às 14h51

[…] Conceição Lemes Na reportagem Médicos puxam a orelha de pais e mães, André Oliveira questionou: Eu gostaria de saber o que os doutos médicos dão ou deram para os […]

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Bruna

05 de agosto de 2011 às 10h01

Quando falamos dos hábitos alimentares das crianças, sempre são levados em conta o pai, a mãe, a escola.
Um estudo muito interessante do Instituto Alana mostra que não é possível desconsiderar o papel da TV no consumismo infantil. Ela é apontada muitas vezes como "babá" dos pequenos e pequenas, com quem eles passam mais horas do que com a família ou na escola.
>> Infância e consumo: estudos no campo da comunicação
completo para download em http://www.alana.org.br/CriancaConsumo/Biblioteca

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Marcelo de Matos

19 de julho de 2011 às 11h40

Não sou médico e até fico feliz quando não preciso recorrer a eles. Como leigo, vou passar duas receitinhas para emagrecer, infalíveis, já que as testei na prática. É tudo fácil, sem sacrifícios e o melhor de tudo: “de grátis”. Fiquem tranquilos: não vou culpar o sistema capitalista pela obesidade, ou coisas assim. 1ª lição. A primeira vez que perdi mais de 10 quilos, sem sacrifício, foi quando arrumei um emprego no interior. Tinha de levantar às 5h e pegar o trem de subúrbio. Depois caminhava 30 minutos para chegar ao trabalho. Na volta, a mesma maratona. O paulistano, por exemplo, gosta de acordar tarde. Não imagina que dormir muito é uma das melhores coisas para engordar; 2ª lição: A segunda vez que perdi mais de 10 quilos foi recentemente. A endocrinologista disse que minha glicemia estava alta. Eu deveria deixar de comer batata, cenoura, frutas, pão e arroz branco. Açúcar já faz muitos anos que não uso. Cerveja? Nem sempre. Sou mais do vinho, o que ajuda a manter meu colesterol abaixo da média. Como nabo, rabanete, tomate, alguma laranja ou mamão de vez em quando.

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    pap

    19 de julho de 2011 às 14h39

    glicemia, indice glicemico ou triglicerides?
    eu tenho o triglicerides um pouco alto. A médica cortou a cenoura da sua dieta por causa do açúcar?Fruta tbm?Que
    frutas ela cortou? Como voce consegue se alimentar?

    Marcelo de Matos

    19 de julho de 2011 às 16h56

    Acho que é índice glicêmico. Eu não tomo mais suco de laranja, no qual vão umas seis de cada vez. Uma laranja de vez em quando, tudo bem. Banana terra na chapa, também, de vez em quando. E um pouco de mamão. Caqui nem pensar. Eu comia muito caqui. Só como arroz e pão integral (light). As frutas nos fazem engordar muito. Sem contar a cenoura, a batata, a moranga. A gente vê na TV que moranga é bom para isso; banana é bom para aquilo. São boas, mesmo, é para engordar.

Ministro Padilha, “filho feio” não tem pai! Por Conceição Lemes » O Recôncavo

19 de julho de 2011 às 11h36

[…] pensou, ministro, se essa foto cai em mãos de uma criança que bate o pé todo dia para comer  batata-frita e lanche da McDonald’s, e os pais não … se ela ainda usar como álibi: Pai/mãe, se não fosse saudável, o ministro Padilha diria e não […]

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José Livramento

18 de julho de 2011 às 21h28

A discussão do texto é importante, mas passa batida num ponto importantíssimo:

A imensa maioria da população deveria estudar em colégio público semi-integral onde receberia sua principal refeição diária, o almoço;

Porque que com mesmo poder aquisitivo e mesma oferta de junk food os alemães, franceses e ingleses são muito mais magros que os norte-americanos?

Os últimos não têm política de alimentação nas escolas públicas.

Então, tornar o problema da saúde alimentar começaria por encarar outro problema colossal:

EDUCAÇÃO UNIVERSAL E GRATUÍTA.

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    Bruno

    19 de julho de 2011 às 09h42

    Vou além: ensino em tempo integral com alimentação – gratuita para os mais pobres e com custo razoavelmente competitivo para quem tiver condições – e EDUCAÇÃO FÍSICA ao menos três vezes por semana.

fernando carvalho

18 de julho de 2011 às 19h16

A dieta do povo brasileiro é uma ração açucarada. A quantidade de açúcar que a população brasileira consome anualmente em média é de 60 quilos. Em vez de fome zero, campanha que não deu certo porque o povo não está passando fome, mas está ficando obeso, o governo deveria iniciar a campanha açúcar zero.

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    Conceição Lemes

    18 de julho de 2011 às 20h02

    A dieta atual do brasileiro, Fernando, é "engordativa". A de 25, 30 anos atrás, não era. Além disso, as pessoas não eram sedentárias como hoje. A combinação da atual dieta com falta de atividade regular está contribuindo seguramente para a epidmeia de obesidade.

    Agora, nãoi misture as estações. O Fome Zero teve um papel importantíssimo, que foi no primeiro momento aliviar a fome dos milhões e milhões de brasileiros que não tinham o que comer. Nós tinhamos desnutrição muito importante. Problema de quantidade e qualidade,

    Felizmente estamos vencendo a etapa da quantidade. O desafio passará a ser também a qualidade. abs

    pap

    19 de julho de 2011 às 14h40

    Voce acha que não usando acuçar basta e alternativas diminui o problema?

André Oliveira

18 de julho de 2011 às 17h10

Eu gostaria de saber o que os doutos médicos dão ou deram para os seus filhos comerem..Eu tenho certeza de que será o caso "faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço"…Me entristece ver o stalinismo alimentar a que estamos submetidos e que trata os consumidores brasileiros não como sujeitos com autodeterminação, mas como retardados mentais destinados a serem "gerenciados" pelos iluminados que para mim não usam as ferramentas mais adequadas para colaborar de fato para a melhoria alimentar do brasileiro.

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André Oliveira

18 de julho de 2011 às 17h07

Por trás da obesidade não está apenas uma cadeia de fast food..As comidas de muitos países são mais calóricas que os Mc Donalds da vida e a própria comida tradicional brasileira, por exemplo, são mais calóricas que muita coisa de hoje, mas hoje temos carros, escadas rolantes,a necessidade de trabalharmos 14 horas por dia para adquirirmos o próprio sustento e a grande ditadura é o tempo. Há 50 anos atrás a comida era feita na banha e não haviam obesos praticamente..Todo mundo quer meter o pau no que é fácil e neste caso uma rede famosa vira a bola da vez facinho…O mundo está complicado e exige novos valores, mas impõem este novo catecismo para nós como uma ameaça ..Iremos para o inferno se adentrarmos num fast food… Vão dar puxões de orelha na PQP e atendam melhor seus pacientes. Tentem obter acesso a um endocrinologista pelo SUS..!! Daqui a pouco vão dizer que bom mesmo era quando o povo passava fome…

Responder

    beattrice

    18 de julho de 2011 às 17h38

    Conceição,
    o André toca num ponto interessante para ser abordado, muito se disse no passado contra a gordura animal, hj se sabe que certos tipos de gordura de origem vegetal são infinitamente mais maléficos ao metabolismo humano, seria muito interessante e oportuno um artigo que debatesse isso.

    Conceição Lemes

    18 de julho de 2011 às 20h05

    Abordarei, sim. É ótimo tema. bjs

    eunice

    22 de julho de 2011 às 18h11

    Eu jamais tomo refrigerante, pis até me quaima a boca de tanto açúcar. É açúcar com água e corante.
    As pessoas perderam o paladar. Bolo antigamente era um "doce" feito de farinha, ovos e fermento, e adocicado. Hoje é mais doce que os doces propriamente ditos. Eu jamais consigo nem mesmo provar um bolo. Comprei um bolo de fubá numa festa caipira tentando encontrar algo menos doce, por ser caipira, e nada. Lá estava o copão de óleo e o quilo de açúcar. O povão perdeu o paladar de tanto passar fome e comer chips cheio de ajinomoto. Ajinomoto destroi o paladar. Leva-se em média 3 anos para recuperar. Isso se a pessoa for persistente. Se nãoa tentar certamente vai ficar diabética.

Roberto Locatelli

18 de julho de 2011 às 12h00

Excelente artigo.

O capitalismo tem engrenagens muito bem pensadas para nos enredar:

– primeiro, estimula as crianças a comerem alimentos industrializados, que dão um belo lucro aos grandes produtores.

– como resultado, a pessoa fica doente e vai se tratar em um médico "cabeça feita" pelos grandes laboratórios. Esse doente tomará remédios que dão lucro aos capitalistas.

– os adultos "educados" para comerem porcarias transmitirão os maus hábitos aos filhos. O ciclo recomeça.

Responder

bissolijr

18 de julho de 2011 às 09h45

mais um artigo que coloca médicos como experts, sem que tenham tido cadeira de nutrição na formação. queridos, estamos no capitalismo e tudo que se faz nesse sistema é passível de desconfiança. é o biopoder de Foucault o que nos move para cá ou lá. ou ampliamos a visão, ou ficaremos nessa de achar que o maniqueísmo pode salvar a humanidade.

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operantelivre

18 de julho de 2011 às 09h43

Só conscientização e responsabilização são insuficientes.
Precisa reduzir a disponibilidade de junk para os mais vulneráveis, crianças e adolescentes.
E aumentar a disponibilidade de alimentos que alimentam.

Responder

Valdeci Elias

17 de julho de 2011 às 17h43

Não sei por que essa perseguição com a MacD. Pois a minhoca é um animal limpo e nutritivo.
Se a pessoa não comer no Fastfood, aonde ela vai consumir proteina animal, originaria das minhocas ?

Responder

    Preto Velho

    17 de julho de 2011 às 20h18

    Ela pode comer terra.

    Bruno

    18 de julho de 2011 às 09h44

    O mais incrível é que existe gente estúpida que acredita que a carne do McDonald's é feita de minhoca, mesmo sendo óbvio que esta proteína seria algumas ordens de grandeza mais cara que carne bovina.

    Valdeci Elias

    18 de julho de 2011 às 14h37

    Na decada de 90 , teve uma edição expecial da revista Pequenas Empresas & Grandes Negocios, sobre mulheres de sucesso. Uma das brasileiras entrevistadas, tinha uma fazenda de minhoca, cuja produção era exclusivamente para Mac Donalds.
    Na entrevista ela afirma, que a Mac usa suas minhocas como fonte de proteina animal. Por isso não espere encontrar hamburgue de minhoca, más sim hamburgue de carne bovina com proteina de origem animal . Se boi já é um animal, pra que descreve-lo duas vezes nos ingredientes ? O erro não é usar minhoca, más sim esconder do brasileiro. O correto seria hamburgue de carne bovina, proteina de minhoca etc.
    Na revista, ela afirma que a europa. usa a proteina de minhoca sem problemas. Pois a minhoca é um animal muito nutritivo.

    Bruno

    19 de julho de 2011 às 09h49

    Valdeci, isso aí deve ter sido um "boimate" da PEGN. Pode ser nutritivo – não duvido que seja -, mas é caríssimo. Tão caro que inviabiliza o uso em escala, mesmo como aditivo.

Ministro Padilha, “filho feio” não tem pai! | Viomundo - O que você não vê na mídia

17 de julho de 2011 às 00h45

[…] pensou, ministro, se essa foto cai em mãos de uma criança que bate o pé todo dia para comer  batata-frita e lanche da McDonald’s, e os pais n… se ela ainda usar como álibi: Pai/mãe, se não fosse saudável, o ministro Padilha diria e não […]

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Aline C Pavia

16 de julho de 2011 às 22h47

Recomendo a leitura de dois livros interessantíssimos que tratam exatamente disso – embora sejam meio antiguinhos.
1. "Receitas para ficar doente" do Dr. Marcio Bontempo.
2. "O livro negro do açúcar" de Fernando Antonio Carneiro de Carvalho – este livro pode ser baixado gratuitamente da internet em PDF no site http://www.uefs.br/docentes/jmarcia/2007/O_livro_

Responder

JOSE DANTAS

16 de julho de 2011 às 18h45

Não se surpreendam se amanhã criarem uma Lei obrigando o pai de família contratar um nutricionista para administrar sua cozinha. O estado embalado pela demagogia engessa a população de bem, ou seja, aquela que tenta acatar as complicadas Leis existentes no País, feitas sob medida para exigirem um parecer especializado que, por sua vez sempre levanta polêmicas. O cidadão não pode possuir uma arma para defender o lar, se der um cascudo no filho vai para a cadeia, se precisar deixá-lo em casa para trabalhar é acusado de cárcere privado, se não colocá-lo na escola, mesmo que não queira, é tido como criminoso, só faltava mesmo responder pelo sanduiche que ele come e ser obrigado a ensiná-lo a gostar de folhas.
Será que os filhos dos médicos rezam por essa cartilha?
Comer conforme o agrado é um dos prazeres da vida, resta ao ser humano decidir o seu próprio limite, até porque os magros também morrem e muitas vezes são enterrados pelos gordos.

Responder

Antonio

16 de julho de 2011 às 13h59

Tratam o obeso como marginal I
A questão da obesidade virou caso de polícia. Eu sou obeso e minha esposa também. Eu preparo minha própria alimentação, com muitos vegetais, arroz e feijão, além de carne, geralmente cozida. Comemos moderadamente. Desde a adolescência tenho tendência à obesidade. E de fato, quando eu tinha uns 25 anos, um endocrinologista previu que eu seria obeso após os 40 anos. Atualmente não luto contra a balança, já lutei muito e vou precisar lutar, pois meu esqueleto não aguenta tanto peso.

Responder

    Bruno

    18 de julho de 2011 às 09h57

    Metabolismo lento é complicado mesmo. É muito triste se privar da comida em quantidades "felizes", fazer uma alimentação regrada, e ver que se engorda até mesmo com dietas de 2500kcal/dia.

    Aliás, NUNCA façam dietas muito agressivas, gente. É um choque para o corpo, um mau-humor ímpar… busquem alimentação regrada, em horários certos, 5 ou 6 vezes ao dia, em quantidades moderadas. E bora correr na praça, andar de bicicleta pela cidade (com acompanhamento médico, claro)! Você entra em forma mais rápido, melhora a capacidade cardiorrespiratória e ainda se sente mais feliz e relaxado.

Antonio

16 de julho de 2011 às 13h58

Tratam o obeso como marginal II
E o que ocorre, é que o obeso é tratado como um marginal, um depravado alimentar, um preguiçoso. Não dão emprego a obesos, fazem troça. E as meninas, principalmente, seguindo a moda imposta da magreza, chegam a morrer para não ganharem alguns quilinhos.
Não que eu ache a obesidade legal. Eu sinto o peso nas pernas. Mas o tratamento dado ao obeso é de marginalização, detonação da auto-estima e isso tem que acabar, pois o obeso deverá começar a pedir aposentadoria por invalidez devido à obesidade, pois não consegue emprego. O obeso é considerado um doente que deva estar em repouso. Eu não tenho qualquer problema. Minha sorte é que tenho meu próprio negócio e não preciso de patrão para ganhar dinheiro, porque senão, além de gordo seria desempregado.

Responder

    Conceição Lemes

    16 de julho de 2011 às 14h56

    Antonio, primeiro, aquela história de que é gordo quem quer é mentira. Hoje se sabe que fatores genéticos agindo. Segundo, em hipótese alguma, o obeso deve ser tratado como marginal. O governo do Estado de São Paulo, por exemplo, rejeitou recenetemente professores obesos que tinham sido aprovados em concurso. Absurdo. Terceiro, a ditadura da magreza, especialmente para as meninas, chega a ser criminosa. Quarto, a prevençção da obesidade tem a ver com as consequências para a saúde a curto, médio e longo prazos. Tanto que será um dos temas da próxima reunião mundial da OMS. É por aí que imagino que a questão deva ser encarada, não pelo lado estético, embora, vc sabe muito bem, seja muito valorizado para muitas pessoas. abs e boa sorte pra vc e sua esposa.

    Antonio

    16 de julho de 2011 às 15h13

    Acho que devia haver uma campanha governamental nacional esclarecendo população e empresariado sobre a questão da obesidade. E os empresários e seus recrutadores devem ser conscientizados de que o obeso, como qualquer pessoa precisa trabalhar. Sei que estamos na terra do preconceito, principalmente Sãp Paulo, mas o assunto deve ser tratado ostensivamente e com seriedade.

    Bruno

    18 de julho de 2011 às 10h00

    Abílio Diniz montou uma academia na sede do Pão de Açúcar, na Av. Brig. Luiz Antonio. E só vira diretor quem estiver MAGRO. Por que ninguém o processa por isso?

O_Brasileiro

16 de julho de 2011 às 13h56

Meu filho passa a semana toda comendo alimentos saudáveis. Mas no fim-de-semana a gente libera um pouco para as guloseimas. Afinal de contas, ninguém é de ferro, não é? (É assim que o pessoal da cervejinha do fim-de-semana fala!)
E outra questão é o que fazer se as crianças que comem "junk food" estiverem crescendo mais do que aquelas que comem alimentos saudáveis? Apesar de conter muita gordura saturada, a "junk food" muitas vezes é hiperprotéica, além de levar à hiperinsulinemia. Proteínas são um estímulo para liberação de hormônio do crescimento e a insulina é um importante hormônio anabólico.
Nós, os pais, estamos entre a cruz e a espada! Só muita dedicação para fazermos nossos filhos crescerem bem e de forma saudável.

Responder

    Conceição Lemes

    16 de julho de 2011 às 15h17

    Brasileiro, bom senso. Perfeito. Quanto à segunda questão, prefiro consultar médicos que atuam na área antes de te responder. De qualquer forma, fica aí pro vc pensar: de que adianta as crianças crescerem mais (????), se mais adiante terão consequências negativas à saúde, como aumento das gorduras sanguíneas, da pressão arterial, etc? Aliás, o Marcelo Silber, leitor do Viomnundo, é pediatra. Doutor, se vc por acaso ler este post, please, nos ajude. abs e boa sorte.

    beattrice

    18 de julho de 2011 às 12h27

    E a hiperinsulinemia pode levar ao pre-diabetes.

operantelivre

16 de julho de 2011 às 11h04

Conceição, tenho me interessado por comportamento alimentar e outros "saudáveis" há um bom tempo. Este assunto é tão sério não dá para resumir a transigências dos pais. Os pais têm suas responsabilidades mas, assim como outros comportamentos, sofrem outras influências ambientais. E não podemos nos esquecer de que muitos dos pais atuais foram vítimas de um ambiente insalubre, sem ter a oportunidade de esclarecimento. Depois que um comportamento deletério para a saúde é estabelecido não se pode atribuir total responsabilidade por ele aos executores. Isto é bem visível quando se olha para a tabagismo e o sedentarismo. Mudar comportamento há muito tempo estabelecido e mantido por várias vantagens ambientais imediatas é tarefa hercúlea para pais e filhos apenas. O Estado precisa cuidar da segurança alimentar da população, assim como tem que cuidar da educação. E não há que se confundir isto com ingerência do estado na liberdade individual. Com este argumento de liberdade é que a indústria "junk" se enriquece e o Estado gasta cada vez mais em saúde. O espaço aqui é pequeno para dizer que comportamento, seja ele qual for, não coisa tão simples como parece.

Alternativas?

Um exemplo de ação efetiva para mudar hábitos assim é mudar legislação sobre teor de ingredientes (como açúcar e sódio e gordura) em alimentos preparados (biscoitos, macarrão, etc); e também as propagandas, em especial de alimentos que não alimentam. Neste sentido, parece-me que há ou houve iniciativa dos órgãos de regulação para a retirada total de gordura trans dos alimentos industrializados e que houve muita resistência por parte do setor industrial. Recentemente um documentário mostrava que nossos hábitos, paladares são comandados por quatro grandes multinacionais que atuam em toda a cadeia alimentar (desde a produção até a oferta para o consumo) Acho que isto merece uma matéria à parte.

Responder

    Conceição Lemes

    16 de julho de 2011 às 12h22

    Claro que há interferências ambientais,Operantelivre. A TV tá aí, o dia inteiro, pra fazer a molecada se entupir direto dos McDonald's da vida, concorda? Uma coisa é comer tranqueiras de vez em quando. É normal, nada contra, estupidez tentar tampar o sol com a peneira. Outra coisa é esse tipo de alimentação ser o dia a dia. E, aí, entram os pais. Têm de dar o exemplo. Se não comem verduras, frutas, etc, e vivem de salgadinhos, como a criançada vai reagir? Aliás, nem moral pra fazer a criançada comer corretamente tem, certo? abs

    Bruno

    18 de julho de 2011 às 10h07

    Conceição, pergunta: um sanduíche do McDonald's – ou do Bob's, para os americanófobos -, uma vez por mês, faz mal?

    Eu ACHO que, em uma base pouco regular, não, não faz mal. Assim, não acho que seja SEMPRE junk food. Tem que ser considerado uma opção de lazer para a família: hoje come um paillard de frango com brócolis, cenoura e molho de alcaparras (delícia), semana que vem vai no McDonald's, na outra chama a criança para participar da confecção, na cozinha de casa, de uns wraps de atum (light) com mostarda acompanhados de salada de folhas, e por aí vai. Acho que faz parte da educação inserir este tipo de alimento "junk" como parte de uma rotina longa, e é mais salutar que simplesmente nunca permitir um hambúrguer à gurizada. Faz parte de um processo de educação amplo ("você pode, mas sempre em quantidades moderadas") que é mais seguro que simplesmente proibir.

    Conceição Lemes

    18 de julho de 2011 às 10h27

    Bruno, questão de bom senso — sempre! Comer cachorro-quente, hambúrguer, chocolate, bolo, etc, etc, de vez em quando, tudo bem. Não se pode ignorar que essas comidas, doces, existem, estão aí, são gostosos. O problema é que o consumo se torna rotineiro por uma porção de fatores, e a comida saudável vai pro espaço. Concordo com o teu raciocínio. Proibir é o pior caminho, pois é irreal. A tua estratégia é otima. É a saída. É o que o pessoal sério que trabalha com nutrição, obesidade, defende. abs

    Bruno

    19 de julho de 2011 às 09h46

    Pensei em uma analogia com o consumo de drogas e, em especial, o do cigarro. Me parece que hoje em dia o consumo do tabaco caiu muito pela anunciação de seus males – e em parte também pela perda do sinal de status que ele carregava. Claro que aumentar impostos ajuda, mas a mera proibição pelos pais não faz um filho não querer começar no vício. Talvez com comida o processo seja parecido.

dukrai

16 de julho de 2011 às 09h05

segunda-feira vou começar uma dieta rs mas falando sério, a Elisa minha filha só agora com 23 anos come salada, falha nossa, dos pais.

Responder

    Conceição Lemes

    16 de julho de 2011 às 09h50

    Então o puxão de orelha serviu pra vc, Dukrai, rs? Abs. Beijo na Elisa.

    dukrai

    18 de julho de 2011 às 11h21

    obrigado, Conceição, a Elisa está aproveitando o câmbio baixo rs e está indo pra ôropa, frança e bélgica. brioche engorda?

    Bruno

    18 de julho de 2011 às 10h09

    Ponha exercícios nesta dieta, dukrai! As endorfinas liberadas pelo exercício compensam o mau humor que a falta de açúcar dá no começo :)

    dukrai

    18 de julho de 2011 às 11h17

    comecei andando 20 minutos por dia, procê ver a minha capacidade física. quando cheguei aos 50 minutos de caminhada diária e tava adorando os parafusos do meu fêmur começaram a reclamar e tenho que ir agora a um ortopedista antes de retomar a caminhada. de quebra engordei 5 quilos, a minha creatinina, medida da minha insuficiência renal, foi a 1,55 quando o máximo é 1,20 e colesterol e tudo mais foi pro limite.
    véi, cheguei a conclusão que se não andar eu morro da pior maneira possível :(

Gustavo Pamplona

16 de julho de 2011 às 00h39

Conceição… o problema é outro.

São os próprios pais que se entopem de baboseiras e guloseimas na frente dos filhos, como ensinar os filhos a comerem adequadamente se os pais já fazem errado.

—-
Gustavo Eduardo Paim Pamplona – Belo Horizonte – MG
Desde Jun/2007 entupindo de baboseiras e guloseimas no "Vi o Mundo"! ;-)

Responder

    Conceição Lemes

    16 de julho de 2011 às 09h26

    Com certeza, Gustavo. O problema sao os pais, a criançada, a consequência. Os pais precisam começar a pensar seriamente nisso, pois podem comprometer a saúde futura dos filhos. abs

    Eduardo Guimarães

    16 de julho de 2011 às 15h21

    Essa eu não entendi, Gustavo. Como "o problema é outro" se foi exatamente isso que a Conceição escreveu, que os pais é que acostumam os filhos a comerem errado?
    —-

    Conceição, nesse aspecto eu e a Tina fizemos o dever de casa. Basta ver os nossos filhos. As duas meninas crescidas têm quase 1,70 de altura e pesam 50 quilos e o rapaz, 1,75 com 65 quilos. Aliás, a mãe, aos 50 anos, pesa o mesmo que pesava quando tinha 16 anos (50 kg). O único degenerado da família sou eu, que comi porcarias a vida inteira (fora de casa) e, em 30 anos de casamento, engordei 20 quilos – sem falar que cheguei a pesar 40 kg a mais e depois emagreci. Mas as crianças tinham que se alimentar saudavelmente na marra. Só que, na verdade, o mérito é da patroa. Beijos, minha amiga

    Conceição Lemes

    16 de julho de 2011 às 15h50

    Realmente, Edu, vc é o degenerado (rsrsrs) da família. Mas o legal é que vc não se opôs à que Tina fizesse a criançada comer direito. Isso é muito importante. Ás vezes a mãe dá um duro, mas o pai, os avós "estragam" tudo, concorda? Beijos pra Tina e vc.

    Gustavo Pamplona

    16 de julho de 2011 às 16h33

    Respondendo a vocês dois, Conceição e Eduardo…

    Todos nós sabemos que comer demais leva a obesidade, doenças cardíacas e morte, mas o que eu não consigo entender é porque as pessoas fazem isto.

    Será que elas não têm auto-estima?

    Além do mais isto é de certa maneira um "desleixo" contra a própria aparência num mundo hoje onde a aparência é mais importante do que tudo.

    Bom… eu lembro de um artigo de um professor universitário aqui no "Vi o Mundo" que não conseguiu emprego pelo fato ser obeso.

    Eu sou um magrelo, sou daquele tipo físico díficil de engordar e muito fácil de emagrecer (leia-se metabolismo acelerado) mas mesmo se eu não tivesse esta bençao com toda certeza eu não faria isto comigo mesmo. Falo de comer demais e engordar.

    Eu não acredito em doenças que podem levar a obesidade, não me venham com esta… Isto para mim é falta de vergonha na cara mesmo!

    Ninguém nasce obeso, bom… se bem que tem casos de bebês que nasceram com mais de 4 kgs, caso de uma notícia que li outro dia no G1 de um bebê que nasceu com mais de 7kgs, mas aquilo é outra história.

    Eu eu pergunto: Para quê, para depois sofrer de piadinhas, não se locomover direito, ter mobilidade reduzida e outros problemas relativos a obesidade.

    Além do mais várias pessoas passam fome no mundo, será que estes obesos não tem consciência disto? Porque não cedem o 2° prato de comida a um faminto?

    Tirando as minhas provocações que faço por aqui de vez em quando, eu costumo dizer que sou o mais racional dos leitores aqui e realista até demais…

    Abraços []'s

    Conceição Lemes

    16 de julho de 2011 às 18h31

    Gustavo, não é assim que a banda toca. Sorte sua de ser magrelo. Não é questão de vc acreditar ou não se existe alguma coisa no metabolismo que faz com que algumas pessoas comam mais, desgastem menos, etc. Existe. Ponto. A medicina que antes condenava o gordinho, taxando-o de "culpado", hoje sabe que estava errada. Mais algum tempo todos os mecanismos estarão desvendados. Por enquanto, sugiro que passe a enxergar os gordinhos com outros olhos, mais humanos inclusive. Vc estará se antecipando ao que ciência provará cada vez mais de forma cabal. abs.

    Bruno

    18 de julho de 2011 às 09h52

    Acho que vale dizer que existem gorditchos saudáveis também – que se alimentam bem, mas tem problemas de peso crônicos. Acho que é mais comum em mulheres, questões hormonais e tal, mas acontece com alguns homens também.

    Ah, e é claro que não é meu caso. Eu me acabo na cerveja e no leite condensado para estragar as boas e saudáveis refeições que faço no resto do dia.

    JOSE DANTAS

    17 de julho de 2011 às 11h54

    Tem muito mais gente que não consegue emprego pela própria incompetência do que pelo fato de ser gordo.

    Hoje em dia ninguém quer ser gordo, porém não se tem o direito de dizer que o outro não tem vergonha na cara porque não consegue fazer uma dieta que não agrada, principalmente quando no passado essa pessoa já chegou ao ponto de se abster de comer o que gosta por falta de condições financeiras.

    Não sou obeso, porém acima do peso e não me culpo por isso, até porque ser gordo não é o maior e muito menos o único defeito da humanidade. Conheço um monte de esbeltos(as) que são um verdadeiro porre e mesmo magérrimos(as) não conseguem mostrar beleza, nem na carcaça.

    Gustavo Pamplona

    17 de julho de 2011 às 23h25

    Amigo… não quis dizer isto… e muito menos estou discriminando obesos…

    Você falou em dietas, bom… eu às vezes vejo gordinhos que "sofrem" fazendo dietas eu apenas questiono o seguinte:

    Por quê será que chegaram a este ponto, falo de engordar, para depois ter que emagrecer… é de uma "redundância" total.

    Eu tenho um caso na minha família de uma pessoa que comia adoidado, principalmente de doces e hoje está diabética e tem retinopatia diabética (ou seja pode ficar cega) e hoje nem pode comer qualquer açúcar e gasta somas de dinheiro com produtos sem açúcar além que volta e meia tem que ir ao oftamologista fazer exames períodicos

    Ou em outras palavras, a qualidade de vida se degrada bastante, não acha?

    "Sabe que vai fazer mal, então para que faz ou mesmo fez, então?"

    Apenas tire as suas próprias conclusões disto… tudo bem? ;-)

    JOSE DANTAS

    18 de julho de 2011 às 07h30

    O que você diz realmente é correto, porém assim como alguns valorizam ir ao cinema ou teatro, outros preferem uma churrascaria, alguns comem para viver e outros vivem para comer, essa é a realidade.
    Contrai a dengue e perdi cinco quilos em duas semanas e, sem abusar da dieta, nas duas seguintes peguei os cinco de volta, enquanto isso, conheço pessoas que comem muito mais que eu e não ganham peso.
    A própria cultura brasileira concorre para essa “infidelidade”. Geralmente quando se convida alguém, pelo menos na nossa região, se oferece uma comida mais saborosa e sabor você sabe que tem um custo, como qualquer outro prazer nessa vida. A maioria que faz dieta em casa adora comer na casa do amigo, pois assim encontra uma justificativa para fugir da folhagem.
    Procuro administrar isso porém só penso naquilo, afinal a barriga foi feita para empurrar a vida, já que o paladar, assim como o sexo, foram desenvolvidos por Deus para nos dar prazer. Depois não precisaremos mais deles e nem da balança.

    Marcelo Fraga

    18 de julho de 2011 às 10h49

    "Além do mais isto é de certa maneira um "desleixo" contra a própria aparência num mundo hoje onde a aparência é mais importante do que tudo."

    Para responder à sua afirmação, deixo aqui uma pequena citação:

    "Não é demonstração de saúde ser bem ajustado a uma
    sociedade profundamente doente." -Jiddu Krishnamurti

    Bruno

    19 de julho de 2011 às 09h49

    Gostei.

    Eduardo Guimarães

    16 de julho de 2011 às 20h11

    É que a Tina era "fascista", minha amiga. Vou contar só pra você: eles faziam frescura pra comer cebola e ela, um dia, pôs os 3, ainda pequenininhos, para comerem uma cebola inteira cada um. Ainda me lembro deles chorando, cada um com uma cebola nas mãos… Ficava com o coração cortado, mas nunca interferi. As duas meninas e o menino, hoje, têm uma saúde de ferro. Não ficam doentes. Nunca vi nenhum deles doentes. Já a Carla e o marido estragam a minha neta de todas as formas que você escreveu. Ela está gorduchinha, mas a teimosa da minha filha diz que não fará com ela o que a mãe fez consigo. Vou fazê-la ler seu artigo e o seu livro. Beijão

    Bruno

    18 de julho de 2011 às 09h46

    Alimenta direito a rapaziada ai, Mr. Guimarães. Excesso de magreza é tão ruim quanto excesso de banha.


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