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Infectologista conta como ele, a esposa médica e o filho infectaram-se: “Com covid-19 todo cuidado é pouco”
Mesmo tomando todos os cuidados para evitar a exposição, o médico infectologista Evaldo Stanislau pegou o novo coronavírus. Na sequência, o mesmo aconteceu com a sua esposa, a clínica geral Gláucia, e o filho Evaldo (de óculos escuros). Os três estão bem. Aparentemente o único que escapou foi o filho Vinícius (óculos de grau e barba). Fotos: Arquivo pessoal
Blog da Saúde

Infectologista conta como ele, a esposa médica e o filho infectaram-se: “Com covid-19 todo cuidado é pouco”


01/05/2020 - 03h00

por Conceição Lemes

Evaldo Stanislau, 52 anos, é um dos milhares de profissionais de saúde na linha de frente de combate ao novo coronavírus no Brasil.

É médico infectologista, mora em Santos (SP) e trabalha em quatro hospitais.

Um deles, na capital, é o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP).

Os outros três, na Baixada Santista.

Mesmo tomando todos os cuidados para evitar a exposição, ele acabou sendo abatido pelo covid-19.

“Começou com uma tosse comum pela manhã, daquela que você dá duas, três tossidas e acha que não é nada”, conta-nos.

A tosse prosseguiu durante o restante do dia e um mal-estar foi se instalando.

“De repente, à noite, foi como se eu estivesse sem bateria. Junto, dor enorme no corpo todo, mal-estar geral e febre. Aí, pensei: pode ser covid-19”, prossegue.

Imediatamente, antes mesmo de confirmar o diagnóstico, se isolou no seu quarto, que tem banheiro privativo.  Todos os objetos pessoais, como talheres, prato, xícara, foram separados. E o mais doloroso: deixou de ter contato com o restante da família.

Ficou restrito ao quarto, onde tem um escritório em anexo.

Seu foco principal era que a esposa Gláucia, que é médica clínica geral, e os filhos, os gêmeos Evaldo e Vinícius, 22 anos, não adoecessem. Os dois são estudantes de medicina.

Frustração. Na sequência, Gláucia e o filho Vinícius (de óculos escuros, na foto acima) começaram a ter sintomas de covid-19.  Os testes deram positivos. Felizmente, ambos estão bem.

Após os 14 dias afastado, Evaldo, totalmente recuperado, já voltou a trabalhar nos hospitais da Baixada Santista.

Nesta terça-feira, 28/04, reassumiu no Hospital das Clínicas.

Segue a nossa entrevista:

Blog da Saúde – Como foi voltar à rotina profissional? Mudou alguma coisa entre a tua saída e a tua volta?

Evaldo Stanislau – Na verdade, eu não parei totalmente. Todo o tempo que fiquei afastado trabalhei remotamente por celular, videoconferência, telefone, e-mail.

Por exemplo, eu dou aula na Faculdade. Como nós estamos em tempo de exceção por causa da pandemia, já vinha dando aulas remotas e continuei.

Quanto à minha rotina nos hospitais na volta, nem deu para perceber em que mudei. Ao voltar, a gente já entra a mil por hora.

Blog da Saúde – Assim que suspeitou que tinha pegado o covid-19, o seu objetivo primordial era que  sua esposa e os dois filhos não adoecessem. Não conseguiu. Como lidou com isso?

Evaldo Stanislau — Com receio pela idade dela, tem 55 anos, triste e culpado por ambos. Felizmente eles foram muito tranquilos e tiveram uma evolução favorável. Ajudou muito serem da área da saúde, ela médica, ele quartanista de medicina.

Blog da Saúde – De cara, o senhor suspeitou que era covid-19?

Evaldo Stanislau – Não. Quando dei uma tossida durante o dia, pensei: não é nada; é uma tosse comum.

Você não pensa de imediato que é covid-19. Mesmo sendo médico, a gente tem aquele pensamento mágico de que é outra coisa, como como esses resfriados que a gente tem.

Mas, à noite, quando fiquei como se estivesse sem bateria, além de dor enorme no corpo todo, mal-estar geral e febre, aí, não teve jeito. Pensei, claro: pode ser covid-19.

Blog da Saúde – Nesse momento, teve medo?

Evaldo Stanislau – Acho que o termo adequado não é medo.

Blog da Saúde — Qual seria?

Evaldo Stanislau – Preocupação. Primeiro, porque foi justamente numa época em que vários colegas pegaram e com muita gravidade.

Segundo, porque a gente sabe quais são as complicações da doença.

Terceiro, pelo desconhecido. Nós somos absolutamente passageiros da covid-19.

A gente embarca nela e ela te leva para onde quiser.

Você não tem o que fazer, essa é a verdade.

Blog da Saúde — Essa situação te angustiou?

Evaldo Stanislau – Muito. Eu ficava pensando: embora seja uma pessoa saudável, estou com 52 anos. Eu não sou mais garoto…

Blog da Saúde – O que fazia para tentar driblar essa angústia?

Evaldo Stanislau – Eu pensava: confio no meu sistema imunológico, vou derrotar esse bicho, o meu sistema imune é bom, minha resposta vai ser boa.

Mas você só pode torcer. Não há nada que possa fazer.

Blog da Saúde – Como o vírus é novo, vocês ainda não conhecem as características dele.

Evaldo Stanislau – Exatamente. Então, é bastante angustiante nesse sentido. Você é um agente passivo no meio dessa confusão.

Blog da Saúde — A partir do início dos sintomas, quantos dias depois o teu exame positivou?

Evaldo Stanislau — Eu fui muito racional com tudo. Quando identifiquei que poderia ser mesmo covid-19, a primeira coisa a primeira coisa que pensei é que precisava de um médico que cuidasse do meu caso.  Eu mesmo não poderia cuidar de mim.

Falei então com Esper Kallas, que foi o meu médico e me orientou.

Eu tenho oxímetro digital. Passei, então, a me monitorar.

Ah, não fiz imediatamente o exame para confirmar o diagnóstico.  Acho que isso é até uma recomendação para as pessoas.

Blog da Saúde – Por quê?

Evaldo Stanislau — Porque não adianta. Tem um período para se fazer o exame. Eu esperei 72 horas para colher o meu PCR.

Blog da Saúde — Se fizer antes de 72 horas pode dar falso negativo?

Evaldo Stanislau — Exatamente. E, aí, vão ser dois problemas. Colher uma vez, depois colher de novo.

Além disso, é um exame que tem uma certa dificuldade de obtenção.

Então, esperei 72 horas. E, aí, fiz também uma tomografia.

E fui monitorando a saturação do sangue.

Blog da Saúde – Doutor, qual a diferença entre o PCR e o chamado teste rápido?

Ewaldo Stanislau — O teste rápido só é rápido no nome. Na verdade é uma técnica que detecta anticorpos contra o vírus.

Para ter maior confiabilidade deve ser feito a partir de 14 dias de sintomas. Antes pode ser falso negativo. E, mesmo depois, dada a baixa qualidade técnica dos testes disponíveis, um resultado negativo deve ser visto com cautela se houver uma clínica muito sugestiva.

Já o RT-PCR detecta proteínas do vírus. É o exame padrão para detecção. Deve ser feito entre o terceiro e sétimo dia dos sintomas, período em que o vírus expressa-se em sua plenitude. Mas pode seguir positivo por semanas após a melhora clínica.

Blog da Saúde – O que significa monitorar a saturação? Como é feita?

Evaldo Stanislau —  A principal complicação da covid-19 é uma pneumonia. Portanto, a capacidade de levar oxigênio aos pulmões fica comprometida. Existe um aparelho simples e barato que colocamos no dedo e faz a leitura da concentração de oxigênio no sangue. Quando ela está abaixo de 93, onde cheguei, é um indicativo de internar.

Blog da Saúde – Como foi a sua rotina, a partir do momento em que pensou “pode ser covid-19”? 

Evaldo Stanislau – Eu me isolei socialmente, fiquei no meu quarto, banheiro privativo e um escritório anexo. No Brasil, poucos têm o privilégio de ter uma suíte.

Os primeiros dias eu ficava deitado, ia para a mesa do escritório, fazia o que tinha fazer, mas eu me cansava muito – e rapidamente. Perdi completamente o paladar e o olfato…

Blog da Saúde – Qual foi o pior dia?

Evaldo Stanislau — Do quarto para o quinto dia. Eu estava com muita dor torácica e muita dificuldade para respirar. A saturação de oxigênio caiu. Nesse momento, o quadro realmente me preocupou e pensei seriamente em ir para o hospital.

Mas, aí, eu continuei monitorando. Fiz uma tomografia de controle que mostrou uma pequena pneumonia viral.

Mas, mesmo assim, consegui superar. E, a partir do sétimo, oitavo dia, entrei numa fase de melhora e fui progressivamente melhorando até me recuperar totalmente.

Blog da Saúde – O Instituto Central do HC foi transformado num grande Instituto de Covid -19, que logo ganhou o apelido de covidário. O senhor chegou a trabalhar lá?

Evaldo Stanislau — Eu brinco que queimei na largada. Peguei a transformação do Instituto Central para virar covidário, mas no dia em que ia começar a trabalhar lá, eu já estava doente.

Isso me frustrou. Ao mesmo tempo, me senti um pouco ridículo e me questionei: caramba, como eu, que sou infectologista, uso EPI [equipamento de proteção individual], ensino as pessoas a usarem EPI, fui pegar esse negócio?

Blog da Saúde – Como explica isso?

Evaldo Stanislau – Estão aí duas lições que aprendi a duras penas:  a gente tem que prestar mais atenção às coisas e não existem verdades absolutas.

Blog da Saúde – Como assim?

Evaldo Stanislau – Como você identifica o infectologista?

No HC, costumávamos brincar, dizendo que infectologista é o médico que não está de máscara, porque a gente acha que o vírus não se transmite além do contato com o paciente. E, nesse sentido, a gente é muito estrito no uso do EPI. Só usava quando precisava mesmo, no contato com paciente.

Só que o novo coronavírus está desmontando isso. Tudo indica que  tem capacidade de disseminação muito maior e o ambiente é importante. Tanto que, nós mesmos, quando estamos conversando entre nós podemos transmitir o novo coronavírus.

Consequentemente – e disso não tenho dúvida –, a gente vai ter, agora, que usar máscara o tempo inteiro e no hospital todo. Esse é um  dos aprendizados da pandemia.

Blog da Saúde – Um infectado pode transmitir para quantas pessoas mais?

Evaldo Stanislau – Inicialmente os estudos indicavam um para três. Hoje, sabemos que uma pessoa infectada pode transmitir até para outras seis.

Ou seja, tem grande capacidade de transmissão.

Além disso, consegue perdurar por mais tempo em suspensão no ar. E, aqui, entra o ambiente inanimado, que a gente costumava não valorizar muito.

Mas, como o vírus consegue perdurar por mais tempo em suspensão no ar, equipamentos como mouse, celular, teclado, bancadas e mesas de trabalho, por exemplo, onde ele se deposita são realmente muito importantes na disseminação.

Blog da Saúde – Explique melhor.

Evaldo Stanislau — Inicialmente, sabíamos que a transmissão desse vírus era pessoa a pessoa, pela proximidade, via gotículas de saliva.

Só que hoje sabemos que o novo coronavírus tem uma capacidade de permanecer em suspensão por algumas horas.

Para complicar, a gente vive em ambientes fechados, que não favorecem a circulação de ar.

E em ambientes de confinamento, você fica mais exposto às partículas em suspensão no ar.

Então, provavelmente nesses ambientes fechados onde você tem vírus circulando, é possível que a gente tenha transmissão mais efetiva dele.

Tudo indica que o ambiente de uma maneira geral amplifica a capacidade de transmissão desse vírus.

Temos, portanto, que redobrar os cuidados com a higiene de superfícies, dos aparelhos de uso cotidiano.

Blog da Saúde – Nesse caso, de que forma a pessoa se infectaria?

Evaldo Stanislau –Inalando.

Quando o médico, por exemplo, está na área de risco, ele normalmente está todo paramentado, com todos os EPIs necessários, toma todos os cuidados.

Mas, quando está fora da área de risco – por exemplo, conversando socialmente com colegas, onde o vírus pode estar presente eventualmente –, você pode se contaminar.

Acredito que a gente negligenciou manuseando teclado, mousse, celular, por exemplo.

Por isso, a mensagem que eu quero dar mais claramente é a seguinte: Com a covid-19 todo cuidado é pouco.

Se a gente já faz bem feito, tem agora que fazer três vezes melhor.

Se a gente usa a máscara quando está com paciente, agora tem que usar o tempo inteiro no ambiente hospitalar.

É possível, repito, que esse vírus tenha potencial transmissão muito acima daquele que se imaginava.

Blog da Saúde – Todo esse risco que relatou até aqui diz respeito apenas ao ambiente hospitalar ou vale também para a população em geral?

Evaldo Stanislau – Tudo o que falei até agora refere-se ao ambiente hospitalar.

Blog da SaúdeO senhor tem ideia de como e onde se infectou?

Evaldo Stanislau — É difícil estabelecer porque trabalho em vários hospitais e unidades de risco. Mas, com certeza, foi em um ambiente de trabalho, mas não necessariamente de um paciente, como expliquei antes.

Blog da Saúde – Isso vale para os teus colegas infectologistas que também pegaram o covid-19?

Evaldo Stanislau  — Certamente.

Blog da Saúde – E para esposa e filho?

Evaldo Stanislau – Minha esposa é médica e está, como eu, na linha de frente. Pode ter pego no trabalho. Ou, de mim, quando eu incubava a doença, pois o vírus transmite-se já nessa fase.

Meu filho certamente infectou-se de mim ou da mãe, pois ele não saiu de casa. E meu outro filho, igualmente em convívio conosco, não apresentou nenhum sintoma. Ou foi assintomático ou beneficiou-se das medidas de prevenção. Vamos testá-lo para saber.

Blog da Saúde – Como foi lidar com o contágio deles, já que tomou todos os cuidados para isso não ocorrer?

Evaldo Stanislaw — Como disse, mais receoso em relação à minha esposa, pela idade dela. Os meninos foram mais tranquilos. Ajuda muito os três serem pessoas muito leves, alto astral. Foi uma benção termos evoluído bem. Uma pena que tantos não tenham tido a mesma sorte. Muito triste mesmo!

Blog da Saúde – Qual o risco fora do ambiente hospitalar, por exemplo, ir ao banco ou supermercado?

Evaldo Stanislau — Se o ambiente for bem ventilado, amplo e, em tese, não tenha um doente lá, a circulação do vírus é bem menor. Mas não existe risco zero.

Então, é importante usar máscara, álcool gel, evitar aglomerações e manter o distanciamento social.

Blog da Saúde – Durante o período que ficou no estaleiro por causa do covid-19, que outras lições tirou?

Evaldo Stanislau – A primeira: definitivamente não é uma gripezinha. Em hipótese nenhuma, a gente pode subestimar essa doença.

Se eu que me considero  uma pessoa saudável, não tenho doença crônica, faço atividade física regular, sofri, que dirá uma pessoa que não tem a mesma saúde?

Não é uma doença comum. A dor no corpo, a falta de ar, a tosse muito seca, irritativa, nada disso é desprezível.

A segunda lição: ser humilde, pois a nossa fragilidade é imensa diante do covid-19.

Eu sempre procuro me colocar no lugar do paciente. Isso é fundamental. Nunca menosprezo a queixa dele.

Agora, quando se tem uma doença sem tratamento específico, que ela vai te levar para onde quiser seja quem você for, isso te força ser mais humano,  ser mais humilde.

A terceira lição, que foi muito marcante: a solidariedade.

Embora tenha até vergonha de falar sobre isso, já que há muitas pessoas estão morrendo por causa da covid-19, e o que passei não é nada perto do sofrimento delas, confesso que o carinho que recebi fez toda a diferença.

Blog da Saúde – Doutor, imagino há pessoas que tiveram covid-19, se recuperaram e, agora talvez, estejam pensando em ir a shopping, cinema, academia, correr na rua, e “azar de quem não teve”. O que diria para elas?

Evaldo Stanislau — Parece loucura, mas tem gente pensando os outros que se danem. Isso vai ser muito complicado.

Veja bem. A doença começou por pessoas das classes A e B, que trouxeram a covid-19 do exterior e se cuidaram nos melhores hospitais,

Na hora em que doença estiver correndo solto nas periferias, entre a população mais humilde e os mais idosos, será que essas pessoas vão ter a grandeza de se identificar?

Eu posso ter superado, mas tem muita gente que ainda precisa do distanciamento social.

Então, a minha mensagem para essas pessoas que estão se achando protegidas agora é a seguinte: não importa se você já teve ou não teve, não importa quem você é; a covid-19 é uma doença de todos. Então, a gente tem que tomar medidas para proteger todos.

Blog da Saúde – Teme que as pessoas,  conforme adquiram a doença e se curem, passem a engrossar o coro contra o isolamento social?

Evaldo Stanislau – É o meu grande receio. Por isso, acho que a gente tem que ter muita responsabilidade, humanidade e solidariedade com os mais necessitados que ainda não tiveram a doença e precisam de proteção.

E, para finalizar, reproduzo aqui o que a Organização Mundial de Saúde (OMS) tem enfatizado muito: a gente só pode sonhar com a perspectiva de sair do distanciamento social, quando a covid-19 estiver sob controle.

Quem manda, ao menos enquanto não tivermos uma vacina, é o vírus, não, os nossos desejos.

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