VIOMUNDO

Diário da Resistência


Blog da Saúde

Orientação sexual não se inverte


11/04/2011 - 22h19

por Conceição Lemes

Independentemente da cultura, quase 10% da população é homossexual, sendo 7% homens e 3% mulheres. Menos de 1% é bissexual. Os 90% restantes são heterossexuais. Isso ocorre em todo o mundo, inclusive no Brasil.

“Ninguém se torna homo, bi ou heterossexual por opção ou escolha”, afirma a psiquiatra e especialista em medicina sexual  Carmita Abdo, coordenadora do Projeto Sexualidade (Prosex) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.  “O que nos conduz para esta ou aquela orientação sexual é um conjunto de fatores biopsicossocioculturais.”

Hoje os especialistas acreditam que o indivíduo nasce com uma carga genética sobre a qual se assentam fatores educacionais, sociais e emocionais, que o vão moldando para a heterossexualidade, a homossexualidade ou a bissexualidade. Muitos estudos demonstram que alguns fatores que vão determinar a orientação sexual estão presentes muito cedo na vida, talvez até já ao nascimento.

E mais. Teoricamente, o que define a orientação sexual de todos nós não é a nossa prática, mas a nossa atração. Ou seja, fazer sexo com alguém do mesmo sexo ou do sexo oposto não é, por si só, determinante de homo ou de heterossexualidade. Por outro lado, sentir-se atraído por pessoa(s) do mesmo sexo ou do sexo oposto é indicativo de orientação homo ou heterossexual, respectivamente.

“Orientação sexual não se inverte”, avisa Carmita. As tentativas para “corrigir” a homossexualidade, “tratando-a” por meio de psicoterapia, técnicas comportamentais e de convencimento, resultaram em depressões profundas, surtos psicóticos gravíssimos e até suicídios.

DE ISMO PARA ADE

Os primeiros passos rumo à visão atual da medicina se deram na década de 1960, nos Estados Unidos. A Associação Psiquiátrica Americana decidiu estudar o assunto a fundo. Em 1980, baseada em evidências científicas, retirou o homossexualismo da lista de transtornos de preferência sexual, como a pedofilia (práticas e fantasias sexuais com crianças) e a zoofilia (sexo com animais). O sufixo ismo, que significa “doença”, foi então substituído por ade, que indica atividade, comportamento.

Em 1992, a Organização Mundial de Saúde (OMS), igualmente embasada em centenas de estudos, pôs a pá de cal sobre a questão: homossexualidade não é doença. Logo, é incorreto o termo homossexualismo; o certo é homossexualidade.

E sexo natural, que antes de 1992, era sexo com adulto, vivo e do gênero oposto, passou a ser aquele aquele que você pratica com ser humano adulto, vivo e cuja finalidade é o prazer e/ou a reprodução. Hoje, a homossexualidade é considerada uma forma natural de expressão da orientação sexual, assim como a hétero e a bissexualidade.

TREJEITOS ENGANAM

Por falar nisso, tem gente que afirma: Pelos trejeitos do homem ou da mulher sempre é possível saber se a pessoa é homossexual. Você concorda?

“Pois essa frase é mais uma das muitas ideias equivocadas sobre sexualidade”, alerta a professora Carmita, que frequentemente atende pais aflitos, achando que pelos trejeitos o filho ou a filha é homossexual. “Não é bem assim.”

Trejeito é um modo de se comportar diferente daquele adotado pela maioria do seu gênero. Numa criança de 5 ou 6 anos, pode ser apenas dificuldade de se identificar com o gênero ao qual ela pertence devido à ausência de modelos suficientemente claros na família. Mas isso não significa homossexualidade.

Como assim? Por exemplo, às vezes o pai é muito “machão” e esse excesso de virilidade pode inibir o filho de manifestar a sua fórmula máscula de ser. Por não se sentir tão poderoso, o menino acaba tendo então comportamento menos exuberante do que é esperado do ser masculino.

Já no caso de a menina parecer mais máscula, outras circunstâncias podem estar em jogo. Às vezes, por exemplo, a mãe é muito bonita e não sobra espaço para a filha como figura feminina. Aí, para não contrariar a expectativa materna ou mesmo paterna, a garota passa a querer ser diferente.

“Na faixa dos 5 ou 6 anos, é muito cedo para se alarmar”, antecipa Carmita. “O melhor é aguardar que a criança entre na escola.” Em geral, o simples contato com amiguinhos, amiguinhas, professor, professora, pai e mãe de colegas faz com que ela se identifique com modelos não oferecidos em casa e a questão se resolva. Porém, há casos em que os pais são bem resolvidos e mesmo assim a criança tem mais dificuldade para se identificar com o seu gênero. “Portanto, nada de precipitações”, insiste Carmita. “O mais adequado é acompanhar o desenvolvimento dessa criança.”

RESPEITE AS DIFERENÇAS

A adolescência é outra ocasião em que filhos são literalmente arrastados para os consultórios de especialistas por conta de “dúvidas” sobre sua sexualidade. Em geral, o raciocínio da família é o seguinte: Esse rapaz está com 16, 17 anos e não iniciou a sua vida sexual. Então, antes que comece a fazer bobagens, tem de resolver essa vergonha. Só que, em conversa reservada, frequentemente se descobre que ele tem namorado e não vê nada em si para ser corrigido. Porém, não tem ambiente em casa para revelar a sua preferência sexual.

Aí, o caminho é trabalhar a família para entender o que está se passando. É até possível que a orientação sexual não esteja ainda totalmente definida. Às vezes por medo, insegurança ou inabilidade, o jovem inicia a sua vida sexual na homossexualidade, depois percebe que era uma fase de experimentação e parte para a heterossexualidade. Outras vezes se dá o contrário. Devido à expectativa familiar e social, ele tenta, primeiro, a heterossexualidade. Posteriormente, aos 25, 30 ou 35 anos, se dá conta de que forçou a barra e assume a sua real preferência. O mesmo pode acontecer com as meninas.

“Pais e mães não devem se sentir culpados”, enfatiza Carmita. Primeiro, porque a homossexualidade não é uma opção. Segundo, a influência familiar é apenas parcela de uma situação muito mais ampla, que envolve inclusive carga genética. Terceiro, vocês não têm tanto poder quanto imaginam a ponto de definir a orientação sexual dos seus filhos.

Aliás, cabe exatamente aos pais de homossexuais combater o preconceito, dando-lhes força para que sejam respeitados e exijam o respeito pela sua condição. Só assim diminuiremos a necessidade que muitos ainda têm de viver escondidos. Guarde sempre isto: homossexualidade não é doença, é uma orientação sexual. Respeite as diferenças.

*A doutora Carmita Abdo é professora livre-docente da  Faculdade de Medicina da USP e  um dos 70 profissionais de saúde entrevistados por esta repórter para o livro Saúde — A Hora é agora, do qual é coautora.

Leia aqui o que falar com filhos, sobrinhos…sobre troca-troca. É uma entrevista com a doutora Carmita Abdo.

Meu twitter: @conceicao_lemes, siga à vontade.

A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
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A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.

Por Laurindo Lalo Leal Filho



44 comentários

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Armando S Marangoni

20 de dezembro de 2011 às 00h11

Como é que pode haver justiça na opinião de quem não experimentou sobreviver a uma discriminação?
Homosexualismo é um ideal; ou ideologia, se preferir.
Homosexualidade é uma denominação convencionada. Uma característica, um comportamento ou atitude, moldada por uma doutrina aceita por um grupo social significativo através de imposição de normas.
Seguir um ideal pode ser uma atitude natural ou proposital, instinto ou razão, falar do corpo ou da imaginação.
Tudo bem que pessoas nasçam privilegiadas em alguns aspectos e evoluam mais rapidamente, mas daí a achar que se pode estereotipar sem errar há uma bela duma distância.
O crescimento sofrido, a dor de aprender e de deixar o abrigo existirão enquanto o "homem" continuar sendo a medida do homem. Se for assim mesmo, é difícil acreditar que haja uma solução de curto prazo, porque aprendemos todo o tempo, o tempo todo mudamos, ficamos melhores no que queremos ser a cada instante de verdade.
Classificar alguém é encerrá-lo na clausura do que concebemos 'a priori'.
Por quê é que se construiu e se mantém o conceito de homofobia, ou fobia do homossexualismo?
Que medo é esse?
Que perigo representa?
A única ajuda real é não atrapalhar a vida do outro. Tentar construí-la ou controlá-la é um crime. Constrangimento, assédio moral, humilhação.
Concordo com a diferenciação entre direito sexual e de reprodução.
Pelo menos enquanto enquanto permanecer a indiferença
Ou o contraponto da existência,
A essência herdada de uma manifestação.
"Nós" é só um plural com cara de multidão, e
Os "eus" só se juntam por coincidência ou por força de expressão.
Julgar não é o problema, O perigo está em acreditar em sua própria opinião.

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Antonio Lisboa

06 de agosto de 2011 às 14h05

De resto, o que fica explicito é o seguinte: mantem-se o povão, como sempre, na ignorância, para os que buscam informãções, libera somente as que interessam a quem detem o poder de veiculá-las, sempre tendenciosas. É por isso que sempre se diz "segundo pesquisas" mas nunca citam as fontes, como muitos observaram nos comentários. Isto se dá pelos motivos expostos acima.
Um grande abraço a todos.

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Antonio Lisboa

06 de agosto de 2011 às 14h04

A partir dos estudos de Kinsey, a Sociedade Americana de Psiquiatria alterou a terminologia de "ismo" para "ade" e, tempos depois a Organização Mundial de Saúde. O que TODOS os profissionais da área de saúde não admitem é que este é o fundamento cientifico para defenderem a homossexualidade e colocarem-na no mesmo patamar da heterossexulaidade, elevando-a a um status de normalidade, de prática natural, quando ela não o é. E isso é tão verdade que somente recentemente, no Brasi, e após muita pressão, o Ministério da Saúde cogitou aceitou (ou pelo menos prometeu) fazer um estudo sobre a possibilidade de aceitar a doação de sangue de homoafetivos, o que demonstra que até o Ministério, que tem uma das melhores politicas públicas de saúde do mundo para homossexuais, trata com diferença os homos, considerando-os de altíssimo risco.__

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Antonio Lisboa

06 de agosto de 2011 às 14h02

Tudo o que se fala, pensa e pratica em termos de liberdade sexual e de direitos de liberdade de prática e de expressão sobre sexualidade, tem como fundamentos estas duas obras, e todo os desdobramento posterior às suas publicações, e nada além disso. Kinsey definiu e classificou o comportamento sexual humano, pasmem!, a partir de suas observações sobre uma única espécie de vespas africanas, e a partir de sua observações e das conclusões tiradas. elaborou os tais "Relatórios", que eram pesquisas de campo realizadas dentro de um único seguimento da sociedade americana, e do resultado dessas pesquisas ele classificou os seres humanos nos seguintes graus de sexualidade: heterossexual exclusivo; heterossexual ocasionalmente homossexual; heterossexual mais do que ocasionalmente homossexual; igualmente heterossexual e homossexual, também chamado de bissexual; homossexual mais do que ocasionalmente heterossexual; homossexual ocasionalmente heterossexual; homossexual exclusivo; indiferente sexualmente.

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Antonio Lisboa

06 de agosto de 2011 às 14h01

A bem da verdade, toda essa celeuma em torno do tema homossexualismo/homossexualidade, e todo esse bombardeio sobre o tema, se é opção ou preferência, se se nasce pronto ou cresce e "aprende", enfim, as várias mudanças de opinião e o tratamento que passou a ser dado à questão "homoafetiva" (pra ser "moderninho") tem base filosófica e sustentação "cientifica" nos estudos desenvolvidos pelo Prf. Charles Kinsey, que deu origem às obras, nas décadas de 1940 e 1950, "Sexual Behavior in the Human Male " (1948) e "Sexual Behavior in the Human Female" (1953), ambas as obras reeditadas em 1998, suas principais obras sobre a sexualidade humana, que deu origem ao "Relatório Kinsey" e lhe conferiu o titulo de "Pai da Sexologia".

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Giovanna

19 de junho de 2011 às 17h15

Não encaro a homossexualidade como uma doença, não pensamos nem agimos de forma igual aos nossos "irmãos" aqui da terra, temos opniões, caracteristicas e GOSTOS diferentes. então porque não acreditar que alguem tenha nascido gostando do mesmo sexo? assim como existem pessoas que gostam de vermelho e outras de cachorro-quente. a vida é mutavel, podemos perceber isto quando mudamos de opnião por exemplo, mas quando se trata de sentimentos, ai não há forma de mudar. ou vai me diser que voce esqueceu rapidamente aquele amor da sua vida, aquela paixão iludida e lucida….
nao é como cigarros, alcool ou drogas, pois se trata de SENTIMENTOS, e acho que se Deus é amor, ele deveria perdoar as pessoas quem se amam em verdade.
obrigado.
Giovanna…..
(fiz este texto as pressas, deixei de citar algumas coisas e, se ofendi alguem, minhas desculpas.)
[email protected] MSN
vlw bjs'

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Giovanna

19 de junho de 2011 às 17h15

A homossexualidade é de fato um tema "dificil" de ser discutido, sabemos que todos temos o ponto de vista social ( ético e fisico) e o ponto de vista religioso. Realmente, não há como defender o olhar social e tabem defender o olhar religioso.

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    Antonio Lisboa

    06 de agosto de 2011 às 14h16

    Eu diria "delicado" demais…

Nostradamus

23 de maio de 2011 às 13h18

As mulheres que já foram o esteio da boa conduta até os anos 60, hoje estão a serviço do mal. A promiscuidade está à solta. Tomara que estejamos nos útimos dias, assim saberemos quem tem razão. O MEC gastou 3 milhões com esta baixaria. Se isso for apresentado à minha filha, vou até preso, mas destruo a cara do(a) professor (a) na porrada. Mundo imundo. Dos homossexuais que conheci, nenhum tinha caráter. Todos eram aproveitadores. Exemplo: Beto Jesus ontem na Record. Para defender seu "ponto de vista" ele atacou o ministro. Bem feito Haddad, quem mandou dar ouvidos a estes pervertidos.

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    Tatiana

    24 de maio de 2011 às 14h18

    Engraçado como homofobia, machismo e ignorância sempre andam juntos.
    Mas esperar o que de um boçal que assina "Nostradamus"?

    Mais um que faria um bem enorme para a sociedade voltando à caverna de onde nunca deveria ter saido.

Vergonha

23 de maio de 2011 às 13h06

Xô satanás…

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Lazlo Kovacs

16 de maio de 2011 às 17h53

O texto expressa um ponto de vista na qual sou favorável (o seu direito à expressão da sexualidade) com argumentos estranhos. A porcentagem utilizada parece mostrar a existência de um argumento confiável. Vá lá pesquisar a "porcentagem de homo e heteros" às diversas culturas, trabalho de antropólogo. O número é fixo, e pela sua perfeição, insinua achismo.

A psicanálise fez alguns estudos importantes, do mesmo modo que a psiquiatria, embora as interpretações envolvessem questões de ordem moral. O psiquiatra Elsworth Baker, reichiano, considerava que os casos de homossexualidade que iam ao tratamento eram devido à pressão social e não uma não aceitação da própria sexualidade. O próprio Wilhelm Reich, por outro lado, declarava que a dinâmica sexual era sempre objetivando a heterossexualidade.

O termo "orientação sexual" carrega uma série de sentidos que, sinceramente, chegam a me confundir: "orientação" pode significar "escolha livre de ação do agente" (portanto, a sexualidade é deliberada); "orientação", pode significar "determinação genética" (neste caso, sexualidade não se escolhe, mas precisa explicar, então, o problema aos antropólogos). Se é multifatorial, então, o problema recai na determinação qualitativa dos fatores.

"Problemas comportamentais" só tem sentido efetivo na sexualidade como atividade social. Um homem heterossexual que age de modo insidioso contra uma mulher; a competição entre parceiros ou mesmo na busca de um mesmo parceiro (deixando de lado o afeto, mas apenas o valor simbólico do domínio e posse); a mulher que nega a sua sexualidade em função de um ambiente repressor. Quanto mais se verifica a questão da homossexualidade, mais voltamos os olhos à sociedade e às suas atividades. Por isto, o exercício da sexualidade acaba, necessariamente, passando pela esfera do Direito.

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Cidus de Elêusis

11 de maio de 2011 às 21h13

Interessante, no entanto penso que existem tipos de homossexualidade que são de fato doenças, como pessoas que se travestem, alteram o corpo, ou que possuem um comportamento muito exagerado. São pessoas descontroladas em sua maioria e aparentemente doentes. Em minha opinião alguns estudos sobre esse comportamento deveriam ser levados mais a fundo, a abordagem sobre essa questão me parece muito tendenciosa e pouco baseada em informações sérias. Em ponto de vista particular, me parece existir a homossexualidade (pessoa absolutamente normal que possui atração pelo mesmo sexo) e o homossexualismo(pessoa que tem um grave transtorno sexual)

Responder

R.O

10 de maio de 2011 às 14h26

Pois é!
Também inauguramos uma nova fobia. A cristofobia – ódio aos cristãos (e´so a ele, pois ninguem fala dos muçulmanos que tratam com muito "humanismo" os homossexuais nos países onde eles são a maioria da população-sem contar as minorias religiosas, né)

Responder

Luiz Fortaleza

06 de maio de 2011 às 18h17

Um povo que lê muito, o poder de influência ideológica da religião ou de qualquer Igreja fica muito limitado. O processo de dominação das mentes por parte de qualquer instituição é quase zero ou mesmo zero, seja ela religiosa ou política. Viva a liberdade de expressão em todos os sentidos… o bom de do processo crítico-reflexivo é que ele faz circular ideias diferentes. E a circulação de ideias divergentes areja a cultura, deixando de ser monolítica e sim poliformica.

Responder

    José

    22 de maio de 2011 às 20h39

    Esse é um dos fundamentos do cristianismo: leitura e estudo. Essa é a base da verdadeira religião (não devemos confundir religião com grupos denominacionais ou instituições nem generalizá-los). Infelizmente não ocorre hoje na maioria das denominações desvirtuando a religião e dando base para pensamentos intolerantes e erroneos serem introduzidos nas mentes de pessoas que mesmo com boa vontade são verdadeiros bonecos de seus pastores.

Julia

06 de maio de 2011 às 15h07

Sobre as palavras escolhidas por Dra. Carmita:

“Há uma luta das palavras sendo travada diariamente e ela é tanto mais acirrada e importante quanto mais crítico e grave for o momento. Nestas situações, as palavras são escolhidas cuidadosamente, como um general escolhe suas armas e estratégias para o campo de batalha. Essas escolhas podem ser descuidadas, displicentes ou obscuras, mas jamais são inocentes.

Elas revelam nosso lugar e nossa visão do mundo.

Há, quer vejamos ou não, uma batalha conceitual sendo travada todos os dias, em diferentes frentes e de diferentes modos.

Se Deus e o Diabo existem, ambos moram, também, nos detalhes.”

( trechos de um artigo de Marco Aurélio Weissheimer, publicado no blog RS Urgente: ‘A luta das palavras (e pelas palavras)”)

Responder

a mosca na sopa

06 de maio de 2011 às 09h01

"Na faixa dos 5 ou 6 anos, é muito cedo para se alarmar”, antecipa Carmita. “O melhor é aguardar que a criança entre na escola.”??????????????????????????????????
p-ergunto eu: aí eu posso me "alarmar" à vontade????? mas porque eu iria me "alarmar"??????????????
e olha que a autora é a favor, do bem, pessoa bacana e sem preconceito…

Responder

Kleber Oliveira

29 de abril de 2011 às 14h21

Julio do Santos. Você escreveu "Prezada Conceição, Em primeiro lugar", só para lembrá-lo, após vírgula não se utiliza letra maiscúla, a não ser em casos de nome próprio. Mais adiante você escreveu "ganha dinheiro e é menos ruim ser bi". "Menos ruim" é um erro bastante grosseiro, da próxima vez utilize apenas "pior". E sobre o texto em si, achei interessantíssimo.

Responder

Roberto Locatelli

15 de abril de 2011 às 08h16

A configuração genética é apenas parte da explicação. Há homossexualidade entre os animais (leões, baleias, chimpanzés bonobos, pinguins, pássaros e outros). Nesse caso, indícios apontam para o seguinte: toda vez que a população de certas espécies aumenta excessivamente, colocando em risco a sobrevivência, aumenta o índice de homossexualidade. O resultado é que há menos nascimentos, e isso equilibra novamente as coisas. Portanto, talvez a homossexualidade seja um mecanismo natural de controle da natalidade.

Responder

julia

15 de abril de 2011 às 01h58

A diferença na associação "mulher": a primeira é que a menina "parece", e não "manifesta" o comportamento " másculo". A associação é feita com MUITO BONITA, que aí já não seria um comportamento, nem trejeito. "Não SOBRA espaço"? FIGURA feminina? Sé a aparencia? AINDA?
Mas ela continua: Para NÃO CONTRARIAR ( o quê? a beleza, da figura?) ela QUER SER DIFERENTE?

Alguém, please, me desenha se entende que não há preconceito nestes exemplos? E aqueles beeem antigos?
mulher – bonita, aparência, figura, espaço. Se não for "bonita" "não sobra espaço para a "figuração" feminina"?
homem – poderoso, exuberante, manifestação, "fórmula máscula de ser"? Se não for machão, exuberante, poderoso, INIBE a sua MANIFESTAÇÃO da forma máscula de ser?

Ficou confusa a minha indagação? Pois é, eu também fiquei.

Responder

    Patrícia Monteiro

    16 de abril de 2011 às 13h07

    Também achei preconceituosa a argumentação da Carmita Abdo. Em nome da defesa dos direitos dos(as) homossexuais(as) ela lançou mão dos estereótipos que alimentam o preconceito contra eles(as). Lamentável.

    Roberto Locatelli

    17 de abril de 2011 às 20h08

    Realmente, o texto da dra. Camita Abdo, embora buscando argumentar contra os estigmas que o (a) homossexual e o (a) bissexual sofrem, me pareceu uma sequência de estereótipos e preconceitos.

    Quem disse que o homossexual masculino é sempre afeminado? Isso não corresponde à realidade.

    Quem disse que feminilidade é sinônimo de beleza? Aliás, a que tipo de beleza a mãe se refere? Beleza estereotipada pelo padrão da mídia capitalista, talvez?

    A parte mais polêmica é a frase “Na faixa dos 5 ou 6 anos, é muito cedo para se alarmar”. Mas quem disse que homossexualidade é motivo para "se alarmar"? Se eu tivesse uma filha e, na adolescência, ela me dissesse que é homossexual, eu ficaria bastante aliviado, e pensaria: "Ufa, ainda bem, assim não preciso me preocupar com uma gravidez na adolescência".

julia

15 de abril de 2011 às 01h57

Causou-me "desconforto" a exemplificação", reforçadores, em minha modestíssima opinião, de preconceitos arraigados, arcaicos, sobre "homem" "mulher". Coloquei em maiúsculas o que me "saltou aos olhos":

"Por exemplo, às vezes o pai é muito “MACHÃO” e esse EXCESSO de VIRILIDADE pode INIBIR o filho de MANIFESTAR a sua FÓRMULA MÁSCULA DE SER. Por não se sentir tão PODEROSO, o menino acaba tendo então comportamento MENOS EXUBERANTE do que É ESPERADO do ser masculino."

Associação "explosiva:" machão – excesso de virilidade – fórmula máscula de ser – poderoso – menos exuberante – é esperado do ser masculino. Este é a "fórmula" do macho"?

"Já no caso de a menina parecer mais máscula, outras circunstâncias podem estar em jogo. Às vezes, por exemplo, a mãe é MUITO BONITA e não SOBRA ESPAÇO para a filha como FIGURA feminina. Aí, para NÃO CONTRARIAR a expectativa materna ou mesmo paterna, a garota passa a QUERER SER DIFERENTE."

(continua)

Responder

Walber

13 de abril de 2011 às 22h55

“Na faixa dos 5 ou 6 anos, é muito cedo para se alarmar”, [ou seja, deve-se alarmar depois] “O melhor é aguardar que a criança entre na escola.” Em geral, o simples contato com amiguinhos, amiguinhas, professor, professora, pai e mãe de colegas faz com que ela se identifique com modelos não oferecidos em casa e a questão se resolva [era uma questão a ser resolvida, felizmente o problema sumiu]. Porém, há casos em que os pais são bem resolvidos [ser bem resolvido significa ser heterossexual?] e mesmo assim a criança tem mais dificuldade para se identificar com o seu gênero [ou seja, a divisão entre os gêneros é binária, estanque, homem é assim, mulher é assado]. “Portanto, nada de precipitações”, insiste Carmita. “O mais adequado é acompanhar o desenvolvimento dessa criança.” O preconceito é às vezes sutil!

Responder

gus

13 de abril de 2011 às 14h13

Pelos comentários da maioria, a professora Carmita já percebeu que tem muitos clientes em potencial. Eita povo desorientado… para não dizer ignorante!!! Ai tem depressão e vai dizer que é encosto!

Responder

Arthur Schieck

13 de abril de 2011 às 10h22

A coisa que me deixa mais irritado com relação homofóbicos e aos próprios defensores do direito gay é que ambos consideram homosexualidade uma opção. Um acha que temos de convence-los a mudar de ideia, outro acha que devemos respeitar a opção. Nem uma coisa nem outra. O começo da reportagem é taxativo: no mundo inteiro o percentual é igual, e isso só pode indicar uma coisa: homosexualidade é genético. Ponto.
Querer mudar isso é o mesmo que querer transformar destro em canhoto. Um desrespeito.
Já li sobre estudos nesse sentido. Quem os citava era o Richard Dawkins, que não tem nada de conservador.

Responder

    Roberto Locatelli

    15 de abril de 2011 às 08h10

    Pois é, Arthur. No Japão, os canhotos são classificados como aleijados. O preconceito humano parece não ter limites…

Júlio dos Santos

13 de abril de 2011 às 10h02

Prezada Conceição, Em primeiro lugar quase 10% da população são homossexuais e não é homossexuais. Que jornalista é essa que não sabe escrever. Agora essa vai para a Doutora. Não existe bissexual, pois não existem 3 sexos. O garoto de programa se diz bissexual porque ganha dinheiro e é menos ruim ser bi do que ser gay. Então o bisexual masculino é gay. As mulheres são outra história completamente diferente. Bi não existe. É coisa de americano para estimular o consumo..

Responder

    Conceição Lemes

    13 de abril de 2011 às 10h17

    Júlio, escrevi: Independentemente da cultura, quase 10% da população é homossexual,. Portanto, está concordando com população. Quanto ao que vc observou sobre a professora Carmita Abdo, sem comentários.

    Adilson

    19 de abril de 2011 às 22h50

    É inacreditável isso aqui:

    Apontar erro de português é de uma deselegância sem igual.

    Apontar erro que não houve é de uma estupidez igualmente sem igual.

    Fazer isso de forma grosseira então nem se fala…

    Agora, nada pode superar apontar erro que não houve, de forma grosseira falando besteira e ainda errando no português.

    Que mundo maluco, meu Deus!!! é cada um..rs

Ronaldo

12 de abril de 2011 às 21h34

Ela deve ser cientista, e cientista não trata de espíritos.

Muitos gay e lésbicas são assim por influência de espíritos.

Conheço muitas pessoas que se tornaram gays ou lésbicas depois de se começarem a frequentar templos de uma determinada religião.

Aliás, em determinadas religiões os gays são muito mais que esses 10%. A começar pelos seus líderes, ou gurus.

Também conheço ex-gay e ex-lésbica, a maioria deles após mudar de religão.

O assunto é muito complexo e não há uma fórmula padrão para se determinar a sexualidade.

Exemplo: Minha mulher é professora e um ex-aluno dela de cerca de 12 anos se tornou gay depois que o pai largou a esposa para viver com outro homem.

Detalhe: o irmão dele mais novo agora é aluno dela, e é hétero, completamente diferente do irmão.

Responder

    Dimas

    13 de abril de 2011 às 00h33

    nunca ví tanta beateira em tão poucos parágrafos…

Jair

12 de abril de 2011 às 18h28

"Independentemente da cultura, quase 10% da população é homossexual, sendo 7% homens e 3% mulheres. Menos de 1% é bissexual. Os 90% restantes são heterossexuais. Isso ocorre em todo o mundo, inclusive no Brasil."

De onde a senhora tirou esses dados?

Responder

    mariano

    13 de abril de 2011 às 13h15

    Posso lhe garantir que do seu texto é que nao foi>

    (p) R. Vdss

    14 de maio de 2011 às 03h49

    Caro Jair, imagino que a autora, independente de suas convicções pessoais, tenha tirado esses dados do mesmo lugar que diversos cientistas, médicos, psicólogos, sociólogos, e pessoas de bom senso tiram dados para sustentar teorias e opiniões:
    De informações de pesquisas científicas. Pesquisas essas, feitas em diversas áreas do conhecimento humano. Lamentavelmente e de modo geral, não são pesquisas brasileiras, considerando que nossa sociedade ainda está na Idade da Pedra nessa área. Há exceções, é claro.
    Geralmente NÃO gosto da Wikipédia, mas visitando suas páginas sobre sexualidade, especialmente Homo- e Bi- sexualidades, em inglês (as páginas em português são muito limitadas, infelizmente), descobri que há ali fontes e referências suficientes para MESES de leituras.
    Um coisa é certa: Qualquer cético, preconceituoso ou ignorante (no sentido literal) que tiver a coragem de ler tais documentos com isenção, irá, no mínimo aprender a respeitar o seu próximo, seja ele quem for, tenha a sexualidade que tiver. Simples assim. http://en.wikipedia.org/wiki/Homosexuality http://en.wikipedia.org/wiki/Bisexuality

Marcelo Fraga

12 de abril de 2011 às 18h18

Reclamam tanto do politicamente correto por defender as minorias como os homossexuais, portanto eu venho aqui reclamar do religiosamente correto. Isso que por muito tempo foi chamado de "moral e bons costumes".

Responder

Gustavo Pamplona

12 de abril de 2011 às 12h15

E não nos esqueçamos da Assexualidade e da Pansexualidade já que também são orientações sexuais.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Assexualidade
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pansexualidade

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cesar

12 de abril de 2011 às 11h03

Este assunto é muito complicado face aos séculos de uma educação engessante, que não permitia ao ser humano entender-se consigo mesmo. a questão da sexualidade vem sendo pesquisada a fundo, e muitas das conclusões vão diretamente contra posicionamentos pregados pela moral vigente, que impõe um modelo para a maioria e classifica aqueles que nele não se encaixam como doentes. A professora Carmita Abdo é uma voz atuante e respeitada nos meios que pesquisam as nuances mais profundas do comportamento humano e na sexualidade. Essa voz nos traz grandes contribuições. Dentro da educação infantil as manifestações da sexualidade das crianças muitas vezes parecem chocantes, e muitos educadores logo tendem a a tecer diagnósticos, o que não é de suas especialidades, principalmente porque, muitos ainda acreditam nos velhos chavões do senso comum, em preconceitos disseminados pela visão religiosa ou pela sociedade conservadora, valores enaltecidos pela classe média dos anos 1950-60 e que perduram com força nos dias de hoje. Novos paradigmas para o comportamento sexual estão lançados aí, é preciso atualizar-se constantemente, sob pena de ficarmos escravos de idéias cristalizadas pelo tempo, mas sem nenhum fundamento científico. Carmita Abdo, essa é uma voz que merece ser ouvida…

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henriq

12 de abril de 2011 às 10h29

Muito pouco se fala dos bissexuais (quem sabe por ser apenas menos de 1% da população). Acho que estes sofrem até mais preconceito. Talvez não seja preconceito a palavra adequada… é ele fica tão pressionado por ambos lados (?) que não sabe mais o que é. Sua identidade evapora junto ao julgamento de outros. “Você tem de ser isto ou aquilo".

O que eu espero é que o pensamento puritano em nossa sociedade se dissolva. Quanto menos repressor for ambiente melhor. Ouvir mais palavras de compreensão e menos de exigência. Sexualidade mexe com toda uma personalidade, com toda uma vida.

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damastor dagobé

12 de abril de 2011 às 07h55

"Na faixa dos 5 ou 6 anos, é muito cedo para se alarmar" o que me alarma, em qualquer idade, são os tais psicologos…

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    escrivão

    06 de maio de 2011 às 16h31

    E as pedagogas. Já imaginou uma psicopedagoga, então? Alarme-se duplamente…

Benjamin Malucelli

11 de abril de 2011 às 22h55

Muito esclarecedor e pertinente o assunto num momento em que a homofobia está aí presente. Parabéns à professora Carmita pelo artigo e que sirva de orientação para pais, mestres, jovens, adultos.

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