VIOMUNDO

Diário da Resistência


Blog da Mulher

Victor Farinelli: Homens, por que não queremos ser feministas?


26/12/2010 - 10h23

Por Conceição Oliveira do Blog Maria Frô, twitter: @maria_fro

Quando li a entrevista de Lamas no blog do Pedro Ayres, achei desafiador, provocativo e muito interessante para dialogarmos com o episódio ‘feminazi’. Pedi ao Victor pra traduzi-la, pois com a entrevista é longa o texto em espanhol desestimularia alguns.  O exercício de tradução também provocou o Victor que fez um comentário no post e me informou que não conseguiu expressar todas as reflexões que o texto tinha suscitado. Na véspera do Natal ele me encaminha seu texto. Tenho a impressão de que as novas estratégias propostas por Lamas já apresentam seus primeiros efeitos.

Homens, por que não queremos ser feministas?

por Victor Farinelli, enviado por mail

Traduzi a mui interessante entrevista da professora e feminista mexicana Marta Lamas para o Blog da Mulher, algo que foi muito gratificante, aliás. Junto com a introdução da Frô (Conceiçao Oliveira), espero que possa servir, pelo menos prá melhorar a agenda feminista, ou pelo menos prá tirar o foco do que parecia uma guerra deflagrada entre homens de esquerda e feministas.

Concordei em quase tudo o que diz essa interessante feminista mexicana, quem eu não conhecia, e me pareceu bastante inusitado seu ponto de vista. Jamais parei prá pensar o feminismo visto por essa ótica, e quando percebi isso, me dei conta que jamais parei prá pensar profundamente no feminismo – eu e provavelmente a grande maioria dos homens, mesmo os de esquerda e ativistas dos direitos humanos.

Há alguns meses, recebi um email de uma psicóloga inglesa criticando a prisão rosa imposta às meninas desde a infância, que isso que vai influenciar na vida adulta dessas meninas, e que junto com a mensagem subliminar das heroínas princesas – as que são heroínas somente porque arrumaram marido, enquanto as que não se arrumaram são bruxas, madrastas más e irmãs feias e eternamente encalhadas – estabelece logo cedo o paradigma da resignação feminina diante de um mundo movido pelos homens, onde o papel da mulher é o de servir de apoio, sempre dentro dos limites do seu universo paralelo cor de rosa.

Meu filho de quatro anos, com poucos meses de jardim infantil, já foi doutrinado nesse sentido. Estou tentado dizer a ele o contrário agora que é cedo, que ainda da tempo de mudar, antes que ele absorva totalmente esse paradigma, e digo prá ele que deve brincar tanto com os meninos quanto com as meninas, que não deve haver divisão. Não sei se dará certo, já que nado contra a corrente. Moramos no Chile, e não sei no Brasil, mas aqui existe uma nova onda de valorização das princesas Disney, todas voltaram em forma de álbuns, bonecas e desenhos readaptados. As colegas do meu filho já entraram na onda, e já querem ser princesas. Os colegas dele, como ele, já foram escalados prá tudo aquilo do que menina não pode brincar: futebol, jogos de porrada, carrinhos, instrumentos musicais etc. Nenhum deles tem mais de cinco anos e já foram condicionados.

Reenviei o tal email aos meus contatos, mais a amigas que a amigos, achando que estava fazendo minha boa ação do ano para com o feminismo. E só voltei a pensar nele agora, lendo o tópico completo no Blog da Mulher, e pensei: será que essa prisão também não afeta a nós, homens?

Marta Lamas diz, e eu concordo, que as feministas precisam de estratégias prá fazer com que os homens se sintam convocados pelas bandeiras feministas. Mas também me pergunto: por que nós, homens, não tomamos a iniciativa de defender temas como a violência contra a mulher? Por que somos nós, como gênero, os agressores? Os torturadores das ditaduras eram todos homens e não economizamos verborragia contra eles, nem contra a violência que eles exerceram. Sequer nos importa o fato de que eram todos homens, e tampouco titubearíamos frente a esse dado. Os combatemos e queremos punição devido a nossos princípios, por sermos contra a tortura, como conceito, mas não somos sensiveis prá pensar na tortura física e psicológica que muitas mulheres sofrem de seus maridos e namorados, diariamente, e durante anos – e a comparação cabe, infelizmente, inclusive no destino mortal que resultou tanto nas agressões da ditadura, e que ainda resultam todos os dias das agressões domésticas a mulheres.

E se a nós, homens de esquerda, nos preocupa tanto as injustiças sociais, por que raramente nos preocupa o grave problema da inequação salarial entre homens e mulheres? Se nossa utopia é o salário digno para todos, por que ignoramos, ou tratamos como tema menor, o fato de muitas mulheres, com o mesmo trabalho, na mesma empresa, com igual ou maior tempo de serviço que colegas homens, ganham salários menores?

Para muitos homens de esquerda, isso é como falar de depilação ou menstruação. Se pensamos nisso, automaticamente o classificamos como tema segmentado, “problema das feministas”. Prá isso elas existem, certo?

Não seria o inverso a mesma prisão cor de rosa? As bandeiras das feministas é problema delas, não nosso. Elas que lutem pelo aborto, elas que se preocupem da violência contra as mulheres e da inequação salarial. Para que eu, homem, vou me mover, se as feministas já estão se movendo, elas são mulheres, entendem mais disso, é assunto de meninas.

Talvez seja mais fácil para mim confessar, já que nunca fui um ativista propriamente dito – mais bem um entusiasta de diversas causas coincidentes com meus principios – mas não tenho nenhuma vergonha de admitir que muitas vezes pensei assim, e que a prisão cor de rosa também atua inversamente na infância dos meninos: se você usa cor de rosa é um maricas, se é menino tem que brincar com os outros meninos, ou você toma partido agora e para o resto da vida, ou será classificado como anormal. Quando um homem adulto se depara com uma bandeira feminista, seu subconsciente logo traz à tona o menino que não brincava com as meninas por temor a ser chamado de viadinho.

Creio que todos nós, homens, poderíamos aproveitar o fim, enfim, dessa lamentável guerra da blogosfera, prá repensar nossas idéias e atitudes para com o feminismo, ou prá profundizá-las. E sem nenhuma vergonha, eu não sinto remorsos por ter, incoscientemente, tratado o movimento feminista como assunto de meninas, ou quiçá tenha algum remorso que me custa confessar, justamente pelo mesmo temor a ser infantil. Sair dessa prisão custa, mas resolvi me desafiar a pelo menos tentar.

Mas sair dessa prisão abre espaço prá uma incógnita: o que acontece quando um homem resolve adotar uma bandeira de luta feminista? Certamente muitos homens já o fizeram, ainda que sejam grande minoria, mas não creio que tenham sido todos bem recebidos, e digo isso com um pé atrás, porque não conheço profundamente o movimento feminista brasileiro, mas não creio que seja muito diferente do mexicano, que segundo a professora Lamas possui segmentos que nutrem uma rejeição exagerada aos homens.

E eu até acho que parte dessa rejeição é justificada, porque nós também temos a nossa má fama. Como homem, sei que, entre os amigos desse sujeito que adota bandeira feminista, não faltará os que lhe irão golpear o ombro com a clássica ladainha do machismo pícaro: “espertão, tais com essa conversinha só prá chegar junto da mulherada feminista e depois sair pegando, é ou não é?”. Mas, ainda sem ser um especialista na alma feminina, ou feminista, acho que não serão poucas as que pensarão: “esse cara aparece com cara de anjinho, se fazendo de preocupado, só prá dar brecha prá xavecar todas nós quando surgir a primeira oportunidade, os homens são todos iguais”.

Portanto, seria mais fácil combater essa má fama com uma adesão em bloco de homens a bandeiras feministas. E se paramos prá pensar, nos damos conta de que recentemente nós fizemos isso. A cruzada anti-aborto promovida pela campanha tucana obrigou toda a esquerda brasileira a deixar de trololó e assumir postura clara diante do tema. Defendemos a descriminalização, e tenho certeza que sempre a defendemos intimamente, a mesma certeza tenho de que muitos ali estavam reivindicando essas idéias publicamente pela primeira vez em suas vidas.

Deveríamos agradecer a Regional Sul 1, por nos permitir tirar essas idéias do armário, e nos mostrar que não dói nada fazê-lo. Agora, poderíamos agradecer também ao Nassif, que na minha opinião (não na de todos) cometeu um grande erro, mas não maior que os meus e os de todos nós. O ditado diz que errar é humano, e não exclusivamente masculino ou feminino, e o erro do Nassif nos permite, agora, repensar as bandeiras feministas e a relevância delas num Brasil prestes a ver, pela primeira vez, uma mulher como líder maior da república.

Aqui no Chile, o governo da primeira presidenta mulher do país, Michelle Bachelet, fez grandes mudanças em favor das bandeiras feministas, combatendo principalmente a violência contra a mulher e a inequidade salarial. Não fez nada pela descriminalização do aborto (e era impossível, pois sua aliança é formada também pelo Partido Democrata Cristão), mas adotou a distribuição gratuita para mulheres pobres de anticoncepcionais, incluindo a pílula do dia seguinte, pelos consultórios públicos de atenção primária. Espero, sinceramente, que a Dilma tenha o mesmo desempenho a favor das mulheres, e consiga os mesmos bons resultados.





30 comentários

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Flávio

29 de janeiro de 2016 às 01h20

…ai, ai, ai, quanta demagogia barata….toda ação tem uma reação….é algo lógico….se as feministas lutaram agressivamente (e isso é fato) para a segregação a que chegamos (os homens culpados por todos os males do mundo, inclusive estuprando suas próprias esposas, que absurdo) só podemos entender que os homens agora fogem desesperadamente das relações sérias (aliás o direito ao sexo casual foi uma das bandeiras feministas, então não reclamem)….poucos ainda se aventuram em casamentos, esses já condenados ao fracasso antes mesmo de começarem , afinal homem não presta (não foi isso que cresci escutando?)……..moral (que ainda temos) da história: hoje ,nós homens somos extremamente feministas…somos contra o casamento, contra a formação da família, e a favor da libertinagem e sexo casual……adoramos as GPs ( que já avisam quanto vamos pagar antes, bem mais honestas) ……defendemos as mulheres sempre, afinal é para o prazer comum (direitos iguais lembram-se?)….pra que filhos?….vocês nos ensinaram que isso é uma bobagem principalmente se nascerem “machos”……..ou seja, realmente para nós homens foi ótimo porque consolidou nossa vida de boêmios, hoje se tornou comum ver o famoso “cafajeste” (que as feministas adoram, até sonham com os cafajas!)…..tá bom demais, pra que reclamar?….e o mais legal é que dessa vez não foi culpa dos homens, foi uma escolha das mulheres dentro da doutrina feminista….nós apenas cansamos de discutir e aceitamos tal segregação….já nos convenceram, e agora já era, quem conheceu a liberdade não que mais ficar preso não!!!!..só não me adaptei ainda com a ideia de mulher peluda………….

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Renata

10 de setembro de 2011 às 22h26

Parabens pelo texto!!! Sei que este post tem muito tempo, mas não pude deixar de comentar. Sou mulher e estou numa fase de auto-conhecimento. Depois de muito tempo envolvida num relacionamento percebi que estava fazendo daquilo toda a minha vida. Não que eu não fizesse outras coisas, mas coloquei o relacionamento acima de tudo. A questão da prisão rosa é tão marcante que nos persegue pela vida inteira. Somos educadas para servir, para estar ao lado e muitas vezes fazemos disso o sentido de nossas vidas. Atualmente eu fico feliz pela oportunidade que tive com o fim do meu relacionamento. Com isso eu pude perceber que estava muito dependente daquela relação; fazia as coisas para agradá-lo. Atualmente busco fazer o que gosto, realizar os meus sonhos. Enfim, fazer coisas que me realizem. Também comecei a ler mais sobre o feminismo. Por isso acho que, mais do que as lutas pelo direito do aborto e da equidade salarial, uma das principais lutas do feminismo é possibilitar que as mulheres saiam dessa prisão rosa que deixem de basear sua felicidade no fato de terem e agradarem um companheiro. Não é muito melhor uma relação onde os dois parceiros tem suas vidas, seus sonhos e compartilham isso? Isso não é bom para homens e mulheres? Acredito que lutar pelo feminismo seja lutar pela libertação dos rótulos que colocam como "femininos". Isso não significa perder a feminilidade, mas sim deixar de basear a vida no modelo "mulher ideal" . Como colocaste muito bem no texto não são apenas as mulheres que encontram-se enclausuradas em um modelo, mas os homens também. Por isso é crucial discutir sobre o feminismo. Apesar de muitos direitos terem sidos conquistados ainda existe uma pressão social muito forte para que os esteriótipos sejam seguidos. Atualmente busco me desvencilhar deles, mas realmente é difícil.

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Lucio

20 de agosto de 2011 às 17h13

Na minha familia sempre soubemos: mulher nao se agride, mulher nao é escrava, mulher é o alicerce de uma familia, mulher é parceira, nao empregada etc.

ocorre que nunca precisamos de nenhuma feminista para nos ensinar isso.

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Maria de lourdes

23 de fevereiro de 2011 às 11h16

Bom,como muita gente feminista,sejam homens ou mulheres,a "santidade da mulher" é o que domina o imaginário de todos.Em diversass oportunidades eu vi o movimento feminista fazer vista grossa para as faltas femininas,como a citada pelo Douglas e rebatidas por vcs,e sempre quando estas indagações são levantatadas,imediatamente vcs visualizam a imagem da mulher desamparada e agredida,como se 100% das mulheres do mundo estivessem em tal situação..Ou seja "homem demônio" x "mulher santa/vítima".Tal pensamento está mudando as leis de estupros na Inglaterra,devido ás falsas denúncias de estupro confirmadas.A propria mulher boicota aluta e o movimento feminista faz vista grossa,então,onde iremos chegar? Quem achou "normal" a escrivã ser despida á força naquele episódio lemantável que recentemente vimos na tv foi uma mulher! Se nós negamos a existência de mulheres machistase oportunistas,onde iremos chegar?
E sim,não tem como combater violência contra nós sem combater a forma como somos vulgarizadas,a pornografia,a prostituição,e estes temas são tabus no feminsmo brasileiro,que faz um estardalahço para defender "Geisas" e seus direitos de serobjetos sexuais e se silencia perante a exploração sexual de meninas nas rodovias,onde queremos chegar?
E por que tanta energia gasta com aborto ao invés de campanhas para paternidade responsável e maiores penas para o estupro? Matar um feto nos liberta em que? vamos deixar de ser estupradas e abandonadas por isso?Sem contar com o jeito que muitas feministas tratam as mulheres,com rudeza e ainda dizem que nos defendem!
é por estas e outras manifestaçõers de ignorância que abandonei a luta feminista e acredito que muitas mulheres se sentem na mesma situação…imagina como os homens que se interessam pela causa não se sentiriam perante um quadro desses?
Resumindo: se o feminismo está sem muita adesão,a culpa é das próprias feministas.

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Bernardo

28 de dezembro de 2010 às 14h35

Os homens em sua maioria não querem ser feministas pois enxergam nele um movimento de demandas exclusivamente femininas. Não que não haja até simpatia ou reconhecimento de algumas dessas demandas, mas há outras em que aparece um forte componente sexista, que divide homens e mulheres, e neste caso a maioria acaba se afastando por acreditar que aquilo irá lhe punir num futuro próximo. Há que lembrar a todos que assim como as mulheres, os homens também são humanos e em sua maioria tem reações típicas de humanos como medo, são guiados por emoções, agem precipitadamente, etc.

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    Victor Farinelli

    28 de dezembro de 2010 às 14h52

    Eu acho que tem um pouco disso sim. A entrevista da Marta Lamas, trazida pela Fro no post anterior fala um pouco disso, ou pelo menos ela fala na postura dela de estar disposta a negociar as demandas feministas ou adotar um discurso que possa atrair os homens e também as mulheres não militantes,

Marcelo de Matos

27 de dezembro de 2010 às 09h00

Por que não quero ser feminista? Porque penso que a lei brasileira já protege a mulher de forma mais que suficiente. A Lei Maria da Penha seria desnecessária. Serviu apenas para colocar em um diploma específico normas de proteção já existentes em outras leis. Resultou de motivos políticos – foi uma maneira de o governo reafirmar que tem a intenção de proteger a mulher. A mulher recebe salários menores que o homem? Nem sempre. Trabalhei em um tribunal em que 90% dos cargos mais bem remunerados, de chefia, eram exercidos por mulheres. De duas uma: ou elas são mais competentes, ou gozam da preferência dos juízes, na maioria homens. Por que as mulheres, então, não são a maioria no Judiciário? Boa pergunta. Talvez a carreira exija muito sacrifício e a mulher consiga seus objetivos de forma mais prática. Elas não se interessam, também, por trabalhos pesados. Dominam a área de serviços domésticos. Minha diarista recebe R$ 70,00, mais café da manhã, almoço e café da tarde. Se trabalhar a semana toda, pode receber cerca de R$ 1.600,00.

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    Victor Farinelli

    28 de dezembro de 2010 às 14h11

    Você tem o direito de pensar isso, se quiser, mas acho que percebi uma pequena contradição. Você reclama que 90% dos cargos de chefia num tribunal onde você trabalhou eram ocupados por mulheres. Suponho eu que um cargo de chefia no serviço público não se consegue por influência, deveria haver um concurso ou algum tipo de seleção que comprove que a pessoa tem competência necessária para o cargo. Sendo assim, o dado concreto que você nos dá é o de que as mulheres são minoria no Judiciário, e ele contraria o que você defende – e, desculpa dizer, mas a tua justificativa ("talvez a carreira exija muito sacrifício e a mulher consiga seus objetivos de forma mais prática") soa machista.

    Mariana Andrade

    28 de dezembro de 2010 às 16h13

    Desde quando serviço doméstico não é pesado???
    Você conhece os problemas de saúde que podem afetar uma empregada doméstica/diarista???
    Gostaria muito de saber a opinião de alguns homens depois de passar uma temporada executando serviços domésticos, e cuidando da própria moradia(jornada dupla), afinal, mesmo recebendo R$1600,00 por mês, a referida diarista não deve ter condições de pagar água, luz, telefone, aluguel e outras despesas, e ainda pagar alguém pra cuidar da casa enquanto ela faz faxina.
    Como se vê, dominar essa área específica, não deve ser muito vantajoso.
    Faça-me o favor!

André Oliveira

27 de dezembro de 2010 às 08h00

De qual feminismo estamos falando ?? O que é o feminismo, esta criatura etérea e onipresente que sofre todas as agressões da luta de gênero ?? Colocar o fato de uma menina gostar de bonecas, de aniversários de 15 anos e festas de casamento como um ato determinístico de subserviência eterna é estranho para mim. O que me surpreende mais no fim de tudo é que certo blogueiros lutaram para preservar os seus próprios rabos no final das contas e não estão muito preocupados com o terrível fato de que a Lei Maria de Penha se tornou uma piada, pois todos os dias aparecem nos programas policiais cincou ou seis mulheres que foram mortas a despeito dos montes de BOs que fizeram contra seus parceiros e familiares…

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André Oliveira

27 de dezembro de 2010 às 08h00

Quanto mais leio mais sobre este tema, mais me dá a sensação de que a verdadeira ditadura é negar a mulher o direito dela ser o que ela quiser (Pequena Sereia, Valeska Popozuda, Dilma Roussef, dona de casa, esposa e mãe, advogada, médica, atriz pornô, policiais, etc ) e que parte delas, militantes de um feminismo que não é consenso nem entre as mulheres, tentem impor a todas as outras a sua agenda com o argumento totalitário de que: "Quem não é por nós é uma coitada, subserviente ao macho que ela conseguiu na bacia de Santo Antônio". As mulheres que eu conheço, respeito, defendo e pelas quais eu luto, e que também lutam comigo, e estas não são poucas, nunca ouviram falar delas. Há consenso na luta feminista ??? Quem deu a elas o direito de falarem por todas as mulheres ??? Todas as mulheres são favoráveis a prática do aborto (para mim o maior dos crimes) onde, quando e como se quiser ???

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    Victor Farinelli

    28 de dezembro de 2010 às 13h58

    Também não acho que todas as mulheres sejam a favor do aborto, ou da despenaliação dele, mas o proposto no texto é uma reflexão sobre por que as bandeiras feministas devem ser específicas das mulheres, e porque os homens as ignoram pelo simples estigma de ser "coisa de mulher". Tampouco creio que exista consenso entre as feministas ou qualquer outro tipo de movimento humanista. Os consensos são mais comuns nos grupos formados por interesses que nos formados por ideais.

Douglas da Mata

26 de dezembro de 2010 às 18h06

Auxiliadora,

Sim, presenciei casos com auto-lesão, e há outras possibilidade de prisão em flagrante, como ameaça, injúria e até o dano (utensílios). Lembre-se que não há prisão prevista apenas para lesão física, mas sim, violência ou coação psiquíca. Nesses casos, é mais comum utilizar uma discussão áspera como ofensa.

Mas eu apenas utilizei esses exemplos como forma de realçar as nuanças que se escondem por trás das leis e de ótimas iniciativas. Não generalizei, e no texto deixei claro que repudio e não justifico a violência por essas exceções.

Mas a violência (de gênero ou não) é um problema multifacetado e deve ser enfrentado como tal, sem simplismos e maniqueísmos.

Não compactuo e tenho repulsa pelo comportamento violento contra mulheres ou quem quer que seja. Meu trabalho é combater isso, e não julgue aquilo que não conhece. Na delegacia regional fomos responsáveis pela instalaçãode um núcleo multidisciplinar ( NEAM, núcleo especializado de atendimento a mulher)de atendimento a casos de violência, inclusive com atendimento ao agressor, para que se readapte e mude sua visão e conduta(quando possível). Tudo isso, com convênio com a prefeitura local e sem apoio das autoridades estaduais, que no fim, são quem gerem as polícias.

Perdoe minha ironia, é só questão de estilo. Eu concordo com você, mas creio que a "vitimização" também não ajuda, pois a história (inclusive a da Maria da Penha que empresta seu drama e dá nome a lei)mostra que a luta é que determina o papel que a mulher desempenhará, na relação e na vida.

É isso que disse quando falei: fazer por merecer.

Veja que há reserva de 30% de vagas para mulheres nas nas nominatas dos partidos e só 6 ou 7 % dessas vagas são preenchidas, embora vocês sejam 45 ou 50% dos "chefes de família" no país.

Não acho que alguém goste de apanhar, mas tenho certeza que deixar de apanhar também é uma escolha.

Não desrespeito o movimento feminista, mas minha pouca experiência em militância poítica já me revelou que há determinados grupos, nesses movimentos, que temem que a causa de sua luta acabe, e por fim, deixem de ter relevância. Acontece nos movimentos étnicos, de gênero e outras "minorias".

Não é incomum nesses movimentos um discurso "intolerante", que reforça a identidade de grupo e dá coesão, mas afasta a possibilidade de integração e superação das diferenças que dizem combater.

Um abraço.

Responder

    Douglas da Mata

    26 de dezembro de 2010 às 18h08

    PS: Auxiliadora,

    Há casos, inclusive, de mães que denunciam falsos abusos sexuais pelas filhas(os)para afastar os pais.

    Outra ponta do problema é que advogados orientam as clientes a registrar casos de violência para "apressar" a estipulação de afastamento e determinação dos alimentos devidos.

    Victor Farinelli

    28 de dezembro de 2010 às 12h40

    Me desculpe, mas essa história de que "determinados grupos temem que a causa de sua luta acabe" é muito preconceituosa, caricaturizada, e muito pouco séria, porque quem milita mesmo sabe que a luta nunca acaba, ainda que você tenha todas as conquistas, sempre aperecem novas bandeiras pelas quais lutar, ou simplesmente certificar de que as conquistas estão tendo os resultados e as consequências desejados. E por último, a irrelevância é muito melhor que a violência e a discriminação contra si, isso qualquer um sabe.

    Os movimentos sociais têmr problemas internos (a instituição na qual você trabalha também tem um monte), e isso diz respeito, entre outras coisas, a brigas internas pelo poder, aí eu estou de acordo, mas não com essa alegoria.

    E recupero as não respondidas perguntas da Auxiliadora: o que você quis dizer com "fazer por merecer" (o poder, pelas mulheres)? E quando e por que o homem "fez por merecer" o poder?

Binah Ire

26 de dezembro de 2010 às 15h23

Sou uma feminista por convicção, no meu pouco conhecimento sobre o movimento sei que a luta principal é de que todos tenham direito à dignidade e ao tratamento igual perante a sociedade. A luta das mulheres é para que possam ser tratadas com respeito, que seja lhe dado o poder de decisão sobre suas vidas como a de qualquer ser humano, macho ou fêmea, sem ser impedido de nada por ser um, ou outro.
Creio ser esta uma luta de todos, uma questão primordial na nossa evolução enquanto seres humanos, na busca por um mundo mais justo para todos.
Comemoro que os homens reflitam a prisão imposta também a eles no comportamento do "macho agressivo", que nada teme e tudo pode. Se compreendermos o universo uns dos outros, e nos respeitarmos mutuamente, estaremos mais perto de sermos, de fato, civilizados.

Responder

    Victor Farinelli

    26 de dezembro de 2010 às 20h23

    É por aí mesmo, Binah, mas seria legal e eu convido as feministas brasileiras que leiam isso a falarem do movimento no país, pois como disse, apenas tenho uma noção de que deva ser assim também no Brasil, e minha resposta surgiu da entrevista da profa. Marta Lamas, que fala de como são as coisas no México.

    Sempre é mais fácil se uma minoria luta por suas bandeiras com forte apoio dos seus opostos. Os trabalhadores e os nordestinos do Brasil celebram importantes mudanças nascidas do exitoso governo de um operário retirante. No próximo domingo, já não seremos um país comandado por homens, pela primeira vez em 188 anos de vida independente. A mulher terá sua primeira chance, e seria justo esperar que algumas das bandeiras do feminismo tenham lugar nesse governo que chega. Como também seria lógico imaginar que a boa disposição e compreensão dos homens a favor dessas causas facilitaria sua implementação.

Florival Scheroki

26 de dezembro de 2010 às 14h33

Cada um vê pela lente do meio em que se criou. Minha lente, para alguns opaca, me mostra que essas dicotomias entre homens e mulheres são similares às demais, tais como os de Deus e os do Diabo, dos brancos e dos não brancos, dos ricos e dos pobres, para citar alguns. Essas dicotomias escondem algo de fundo que nos permeia, me parece, que é o domínio de quem pode dominar sobre os que ainda não podem dominar. No tocante à violência contra as mulheres, nao me parece diferente de qualquer outra violência, contra segmento ou pessoa "sem condições de se defender". Penso que a bandeira deva ser ampla como contra a violência e não contra a violência em relação a um grupo (religioso, sexista, político, científico…) para que não se corra o risco de perenizar e justificar o ódio e a violência para que a evitemos. Digo assim porque, embora não seja um profundo conhecedor da violência contra mulheres, sinto e vejo violência e sua dor em outros domínios. E não consigo imaginar que o motivo da violência afete a minha dor em função de meus grupos de pertencimento. Enfatizar a violência ao invés da tolerância pode criar fiés seguidores de um deus que temem quando poderiam fazer parte de uma comunidade de pessoas que amam seus deuses.

Responder

    Victor Farinelli

    26 de dezembro de 2010 às 20h02

    Entendo seu ponto de vista, mas, o que eu defendo é justamente que rompamos com esses paradigmas que a natureza e ou a sociedade nos impõe, para que possamos prá que nossa luta pelos direitos humanos seja mais ampla e verdadeiramente irrestrita. Eu sou homem, branco, heterossexual e sulamericano. Se me proponho somente a lutar contra a discriminação que afeta a mim diretamente, só poderei me indignar contra o preconceito sofrido por "sudacas" na Europa e nos Estados Unidos. O resto deveria ser problema só dos gays, só dos negros ou só das mulheres. Sinceramente, acho que não é por aí. Prá que a sociedade seja realmente civilizada, precisa tratar essas dicotomias como diferenças que devem ser, não toleradas, senão respeitadas em suas diferenças, e isso implica, entre outras coisas, em não aceitar qualquer tipo de injustiça sofrida por um diferente, com a mesma ênfase que se usaria prá rebater as injustiças contra os iguais.

Laura

26 de dezembro de 2010 às 14h31

Gozado, o homem também é vítima do machismo! Acho que essa cultura atrasada vitimiza mulheres e homens! A primeira delas é um tipo de maneira de ser homem muito primário e sem sofisticação, tá louco!
Ser homem é ser macho, sim, mas há que se poder ser sensível, emotivo e complexo em sua maneira de compreender o outro e a sí mesmo.O machismo a antiga prevê um brutus homem, relativamente perdido no reino da casa e necessitando afirmar-se perante uma mulher submissa. quanta insegurança sob a capa da valentia!Tá louco, que pobreza!. Isso já mudou e muito.
Afinal, achar que há que ser provedor em um mundo que não comporta mais salários capazes de sustentar uma família; meninos tendo que ser insensíveis, não podendo chorar; homens tendo que abrir espaço para as mulheres em siituações de perigo;homens morrendo de coração e cedo por excesso de stress na vida pública; só os homens fazerem exército, enfim…. não deve ser fácil não. Dividir o sustento da família com a mulher já é um fato da vida, pois os salários- dE TODOS- rebaixaram e não se vive um sem o outro. O mundo mudou( para pior, mas acarretou uma melhor distribuição de renda intra-generos, pois o homem também ganha menos hoje!).
A misoginia é ainda um fato, e tenho sido sistemáticamente vítima dela, oriunda muitas vezes de homossexuais latentes ou de fato com sérios problemas com mulher-um ódio brutal de mulheres( o que não pode ser dito, mas precisa ser dito, pois pode ser insuportável para nós mulheres!. anoto que não são todos os homossexuais não, muito pelo contrário. Mas que los há, los hay, algo absurdamente reprimido socialmente) mas o fato da misoginia já ser 'moralmente condenável" socialmente já ajuda muito.
Vivi e continuo vivendo tais ódios na academia e recomendo que todos, homens e mulheres tentem observar esse tipo de misoginia reprimida e insuportavel em seus ambientes de trabalho muitas mulheres são vítimas dela e quando isso acontece, é MUITO DIFICIL de se defender. Mais difícil do que a misoginia do típico machão, em decadencia.
As mulheres também mudaram e já fazem parte da vida pública. Falta muito, mas uma presidenta e algumas reitoras nas universidades mostram que o mundo mudou.Quanto a blogueiras e blogueiros, que todos ( homens e mulheres) conquistem seu espaço, simplesmente. Que conquistem espaço os que tem algo a dizer, inclusive no que se refere a comentar a politica propriamente dita.

Responder

    Lênin

    26 de dezembro de 2010 às 15h25

    Concordo com vc Laura.
    O homem sofre e muito com essa postura de machão.
    Misogenia é duro, pois as origens são diversas. Mas concordo que a principal origem ainda é a política do "machão que não aceita rejeição".
    Academia, principalmente no Brasil, infelizmente ainda é vista como coisa de macho.

    Belo artigo, parabéns Conceição!

    Victor Farinelli

    26 de dezembro de 2010 às 19h39

    A misôginia também é um problema, por supuesto. Humildemente, creio que á prisão rosa invertida que propus é um dos elementos que a origina – ou pelo menos creio muito menos provável que desenvolva esse sentimento um menino que, desde a infância, aprende a lidar com um ambiente em que meninos e meninas compartilham as mesmas brincadeiras e os mesmos ensinamentos.

    Isso nos pode levar a outro debate: estão nossas escolas preparadas para lidar com crianças que estão descobrindo suas primeiras e mais básicas noções de sexualidade? Estamos nós, pais, preparados prá isso? Eu confesso que não, e tenho buscado leituras ao respeito prá correr atrás da bola, mas acho que também a escola do meu filho precisa estar na mesma sintonia. A Frô talvez tenha sugestões a respeito, e acho que esse é um dos pontos onde deveríamos lutar por uma mudança, com a mesma convicção que adotamos a importantíssima bandeira da #InfânciaSemRacismo.

    Victor Farinelli

    26 de dezembro de 2010 às 19h44

    Esqueci de agradecer a Lênin e Laura por seus respectivos comentários. Muito obrigado!

    Laura

    28 de dezembro de 2010 às 11h43

    Caros Lênin e Victor, obrigada a vocês por seus posts.
    Estamos todos no mesmo barco! Abs e Feliz Ano Novo a todos nós.

Douglas da Mata

26 de dezembro de 2010 às 12h28

Vitor, não queremos porque ninguém cede "poder", e a relação do machismo com as mulheres é, antes de tudo, uma relação de poder, como um subtipo das relações políticas que tentamos travar com quem convivemos, nesse caso as mulheres: mães, esposas, filhas, irmãs, vizinhas, amigas, colegas de trabalho e por aí vai.

Seria, em uma analogia pobre, como perguntar por que não discutimos o racismo, caso sejamos a parte dominante branca?

No entanto, no caso do gênero feminino, há um componente "cultural" mais complexo, mediado por questões comportamentais, que tornam essa discussão mais improváve. Se no racismo, fingimos ignorar o tema sob o manto da hipócrita "democracia racial", com a questão feminina, fazemos o contrário, pois ainda é socialmente aceito (subliminarmente ou não)o comportamento sexista.
Basta ver como a indústria cultural e de propaganda trata a mulher, ou como a tentativa de implantar leis que coíbam a violência de gênero esbarram em vários retrocessos da sociedade, aí incluída, infelizmente, uma parte das mulheres, e pior ainda: dentre essas, as vítimas.

Nos negamos a discutir feminismo, porque o machismo dá certo e ainda domina. Como nos negamos a discutir, de forma séria, e sem clichês, a tortura pelos agentes do Estado, no passado recente. Porque ainda funciona a violação de direitos como ferramente de segurança pública.

Uma parte dos homens, dentre eles me incluo, enxerga a necessidade de enfrentar a "entrega" de parte da hegemonia(desde decidir onde jantar, até quem vai governar o país), e tenta realizar uma transição "segura", rsrs.

Mas outra parte, não sem uma boa dose de sincero pânico causado pelo comportamento "feminazi", se nega a "entregar a rapadura", e busca no comportamento segregacionista e sectário de parte desse movimento aplo e heterogêneo que é o feminismo, justificar as práticas seculares de dominação.

Trabalho em Delegacias, e posso te afirmar: Não é incomum que mulheres utilizem a Lei Maria da Penha como vingança.
Não é incomum também, que a dependência econômica e emocional as façam admitir a violência física.

Mas isso não autoriza a permanência do ambiente de violência que estão submetidas a maioria delas.

Porém, discutir e enxergar esses "limites humanos", e o nuanças que se escondem atrás das imposições legais, é fundamental para avançarmos.

O desejável é que deixemos de "idealizar" as relações homem x mulher: sem preconceitos, mas sem clichês e excessos de politicamente correto com vitimização.

Eu estou disposto a compartilhar o "poder" com as companheiras, mas que façam por merecer, rsrs!

Responder

    Auxiliadora

    26 de dezembro de 2010 às 15h28

    Douglas, como alguém usa a lei Maria da Penha por vingança? Forja uma agresão e se vinga denunciando? Ou é agredidade e se " vinga" denunciando? Isso é comportamento feminazi? Admitir violencia física é comportamento feminazi?
    O que você chama de fazer por merecer? Sua postagem é cheia de sarcásmo e ironia e desrespeito ao movimento feminista. Se você trabalha em dele gacia deve ser daqueles que dizem: "apanha do marido por que quer". Como se esse tipo de comportamento incutido culturalmente de geração para geração não fizesse muitas mulheres acreditarem no poder inato do macho e isso dificulta a sua capacidade (da mulher) de superar uma separação de um homem agressor e viver sozinha e sustentar a si mesma e seus filhos.

    Victor Farinelli

    26 de dezembro de 2010 às 20h15

    Auxiliadora, reforço sua pergunta: o que é "fazer por merecer"?

    E acrescento, dentro desse pensamento: quando e por que o homem "fez por merecer"?

    Victor Farinelli

    26 de dezembro de 2010 às 20h12

    É que eu não estou falando de "poder", cara. Que o poder ainda é masculino, isso eu não pus em discussão, e tampouco defendo uma previsão sobre se isso vai mudar ou não num medio ou longo prazo.

    O que eu questiono é: por que os homens que defendem os direitos humanos e a igualdade social plena (repare que não falo de todos os homens, senão uma gama específica de gente consciente dos problemas da nossa sociedade) trata os temas feministas com indiferença, e não acho uma analogia pobre se falamos também nos brancos que ignoram o racismo ou os heterossexuais que ignoram a homofobia, mas penso que nossas consciências não podem ser baseadas num ativismo de arquibancada, do tipo: que todos sejam felizes, mas se mexer no meu espaço eu penso duas vezes.

    E não nos esqueçamos que uma das clássicas desculpas do homem prá agredir as mulheres é o inverso da mesma vitimização: "eu dou de tudo prá essa ingrata e ela não faz o que eu quero, como você quer que eu me sinta? Como você quer que eu reaja?".


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