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Ruth Alexandre: Meu aborto e a criminalização


27/11/2010 - 21h41

Por Conceição Oliveira do Blog Maria Frô, twitter: @maria_fro

A jornalista Ruth Alexandre me enviou por mail seu relato no dia em que o publicou em seu blog. Mas no mar de mails, acabei perdendo-o e esquecendo de trazê-lo para cá.

Ruth narra alguns casos de mulheres que tiveram seus direitos à saúde negados por aqueles que deveriam socorrê-las e conta-nos como ela própria quase morreu quando estava na ‘salinha do pau’ – a triagem – sob interrogatório de uma profissional de saúde que a julgava ao invés de socorrê-la.

Talvez, se dermos alguma humanização  para as estatísticas, possamos sentir um pouco a concretude do problema e avaliar o aborto com olhos voltados à saúde pública. Vai pensando aí.

ATUALIZAÇÃO em 05/12/2010: Ruth Alexandre informa que devido a um problema na migração do artigo para o novo site do FalaPovo, as fontes publicadas originalmente  desapareceram na nova plataforma. O problema já foi corrigido no FalaPovo e de lá trago as fontes citadas no artigo original.

Meu aborto e a criminalização
Por: Ruth Alexandre de Paulo Mantoan, no Fala Povo
07/11/2010

J., presa em 2003, algemada na cama do hospital, uma mulher negra, empregada doméstica, que vivia em uma região pobre e periférica do Rio de Janeiro, interrompeu a gravidez de 4 meses, porque já não tinha mais como sustentar seus outros seis filhos. Suas declarações, onde confessa o crime, foram tomadas enquanto recebia tratamento médico. Deixou o hospital e foi diretamente para a prisão, sem receber qualquer orientação jurídica.

Código Penal Brasileiro (decreto-lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940)

Art. 124 – Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque:

-Pena – detenção, de um a três anos.

Art. 125 – Provocar aborto, sem o consentimento da gestante:

-Pena – reclusão, de três a dez anos.

Art. 126 – Provocar aborto com o consentimento da gestante:

-Pena – reclusão, de um a quatro anos.

Durante o período eleitoral uma das campanhas, com a ajuda de setores conservadores de igrejas cristãs, e inclusive do Papa, na reta final, tentaram impor a discussão do aborto, com o claro objetivo de favorecer a candidatura de sua preferência. Eu que teimosamente continuo católica , confesso que senti muita vergonha de ver minha religião usada como ferramenta de pressão no processo de decisão eleitoral. Mas a então candidata Dilma Rousseff não se deixou pressionar pelos salteadores que tentavam jogá-la contra a opinião pública. Até Mônica Serra, esposa do então candidato José Serra, chegou a afirmar que Dilma era a favor de “matar criancinhas”, para depois se calar quando suas ex-alunas vieram a público afirmar que ela, Mônica Serra, já havia contado às alunas a experiência dolorosa do aborto que provocou no passadao. Não vou retomar todo o farisaísmo e cinismo praticado pelos que tentaram usar a discussão sobre a discriminalização do aborto para obter seus proveitos. Quero sim jogar luz sobre essa discussão tão importante e controversa para mulheres e homens.

Antes de mostrar alguns números pesquisados quero falar rapidamente da experiência com o fato, tanto a minha pessoal, como a de pessoas próximas.

Ainda adolescente acompanhei o caso de uma garota de classe média alta que engravidou de um rapaz que a família não aceitava. Os pais a obrigaram a abortar e a reconstituir o hímen. Tudo “resolvido” em uma clínica. Por um tempo, ela entrou em depressão, não falava com ninguém só comigo. Lembro também de uma outra amiga muito querida. Du, nordestina porreta, risonha. Quando ela dormia em casa eu escondia seu maço de cigarros só pra sacanear. Era tão magrinha que um dia a enxurrada a arrastou em uma ladeira. Casou, teve três abortos espontâneos, no terceiro morreu em um hospsital público. Uma outra, casada, três filhos, não sei por qual motivo fez um aborto, católica contou a um padre. Coitada, quase enlouqueceu, me confidenciou. Só conseguiu se recuperrar quando conversou com um outro padre. Conheci também uma mulher jovem, casada que contava sobre os abortos que praticava. Ela tinha inclusive uma mulher para fazer o “serviço”, acho que fixa. Segundo ela a mulher usava uma colher para provocar o aborto. Um dia eu perguntei porquê. Ela respondeu: “Como eu ia explicar pro meu marido um filho japonês”. Achei importante citar também este último caso. Porque às vezes tenho a impressão que este é o quadro que mais agrada a alguns.

Meu aborto e a criminalização – parte 2

Em 1992 eu estava sentada, escrevendo em um caderno na mesa da cozinha e conversando com Marieta, minha fiel escudeira, que lavava louças na pia. De repente senti uma dor muito forte que dificultava até a respiração. No quarto, na parte de cima, meu marido que fizera plantão na madrugada, dormia. De costas a Marieta nem percebeu. Levantei e passei pela sala bem devagar. Subi as escadas com dificuldade, com muito medo. Eu não sabia o que estava acontecendo, só sabia que devia ser muito sério. Acordei meu marido que correu para aquecer toalhas. Eu disse a ele que não eram cólicas menstruais. Era uma dor diferente. Ele ligou para o Dr. Edmund Chad Baracat, meu médico até hoje, ele estava fora do Brasil, em Congresso. Meu marido me colocou no banco deitado do carro e segiu para o Pronto Socorro do Hospital 9 de julho. Eu mal falava no percurso. Agora é que vem o mais interessante para esta discussão. Chegando na triagem, uma moça, não sei se enfermeira, médica ou atendente, começou a me fazer perguntas. Como eu estava com muita dor eu imaginava que ela logo que soubesse já fosse providenciar algum tipo de socorro, qual nada. Eu nunca fui interrogada por um delegado, mas já vi muito em filmes. Só faltou a luz sobre a cabeça e o detector de mentiras. Ela perguntava e tornava perguntar: Você esta abortando? Eu respondia que não sabia. Nem sabia se estava grávida…. Não tinha sangramento. Você tomou alguma coisa? Inqueria a “dra. Delegada de jaleco branco”, até que eu respirei, olhei nos olhos dela (fico emocionada lembrando) e disse: Você não percebe que eu não estou bem. É impossível que minha aparência não demonstrasse o que eu sentia. O tempo não me permite saber quanto tempo durou. Fui levada para a emergência e Deus colocou no meu caminho um médico competente: Fábio Laginha. A esta altura eu já havia começado a desmaiar. A sensação era de morte. O que as pessoas falavam ia ficando longe e escurecia minha visão. O médico diagnosticou: “Eu sou proibido de operar você sem fazer os exames, mas está com uma gravidez ectópica (nas trompas)”. Fizeram uma série de exames e descobriram que eu estava com um sangramento interno. A anestesia não pegou, eu já tinha 1,5 litros de sangue derramado dentro mim. Se pensarmos que temos 4,5 litros, é só fazer as contas. Estive por um triz. Fiz uma cirurgia a sangue frio. Ninguém consegue imaginar o que significa. Não tive sequelas. Oito anos depois dei à luz meu filho caçula.

Fico pensando, será que minha amiga Dú foi atendida de pronto ou morreu porque ficou muito tempo dando explicações “na salinha do pau”, vulgo triagem? Vou ficar com esta dúvida para sempre, com realação à ela e às outras tantas mulheres que morrem por complicações pós-aborto.

Temos que tomar uma decisão. Mesmo que eu tivesse provocado o aborto. É aquele papel desempenhado pela profissional de saúde, que me atendeu, que a sociedade espera quando uma mulher em risco iminente de morte chegar em um pronto socorro? Nossa presidenta eleita, Dilma Rousseff respondeu aos fariseus e cínicos: “Entre prender e atender, prefiro atender”. Eu faço coro: entre prender e atender eu quero que elas sejam atendidas.

Segundo informações do Ministério da Saúde, a partir da década de 1990, o aborto induzido foi a terceira ou quarta causa de mortalidade materna em várias capitais brasileiras.

Apesar de nunca ter provocado um aborto e ser pessoalmente contra, baseada na realidade, penso que lei de aborto não impede aborto. Tanto é verdade que apesar da lei, pesquisa do Ministério da Saúde apontou 5 milhões de brasileiras de 18 a 39 anos que praticaram ao menos um aborto. E que 15% delas se declaram católicas, 13% evangélicas e 16% outras religiões. Na minha forma de ver o pode impedir aborto são políticas sociais.

Meu aborto e a criminalização – Final

Um estudo do Ministério da Saúde, pode ser um indício do que eu e algumas pessoas pensamos. Os métodos abortivos nos anos 80 eram chás, sondas, objetos perfurantes e líquidos cáusticos além do recurso às “curiosas” e clínicas privadas. Em 1990 e 2000, análise dos estudos nacionais mostravam o uso do misoprostol (Cytotec). Enquanto a venda do Cytotec não estava proibida em farmácias no Brasil o estudo mostrou que não houve aumento no atendimento pós-aborto. Ou seja o medicamento não provocou uma “epidemia “, um aumento, de abortos no Brasil.

Segundo dados do Center for Reproductive Rights, organização norte-americana voltada para o tema, em 56 países, que representam 40% da população mundial, o aborto é permitido sem nenhuma restrição até a 12ª semana gestacional. O Brasil está incluído em um grupo de 68 países, com 26% da população mundial, nos quais a prática só é admitida em circunstâncias específicas.

Estudo com 11 mulheres processadas judicialmente por aborto induzido nos anos 2000, mostrou que elas iniciaram o aborto com medicamento e que quase metade foi denunciada à polícia por médicos que as atenderam nos hospitais, muito embora a denúncia seja uma violação de princípios éticos fundamentais à saúde pública e à função médica, as mulheres não têm a garantia do sigilo, durante a fase de hospitalização. Quase todas as participantes do estudo foram processadas.

Três casos de mulheres processadas criminalmente, descritos resumidamente:

O caso J., presa em 2003, algemada na cama do hospital, uma mulher negra, empregada doméstica, que vivia em uma região pobre e periférica do Rio de Janeiro, desesperada decidiu interromper a gravidez de 4 meses, porque já não tinha mais como sustentar seus outros seis filhos. Utilizou o medicamento Misoprostol e ervas para realizar o aborto, o que lhe causou graves danos à saúde. Esses danos foram ainda piores pelo fato de ter sido denunciada enquanto buscava atendimento médico em um hospital público da região. Suas declarações, onde confessa o crime, foram tomadas enquanto recebia tratamento médico. Deixou o hospital e foi diretamente para a prisão, sem receber qualquer orientação jurídica.

O caso G., uma mulher que foi denunciada no Centro-Oeste do país, no ano 2007. A denúncia teve sua origem a partir de uma grande operação policial que inaugurou um novo modelo de investigação deste tipo de crime nas clínicas clandestinas de aborto, no qual se realiza a apreensão das fichas médicas das pacientes. Esta operação culminou na investigação de mais de nove mil mulheres da região, uma delas G., cuja ficha médica foi apreendida e manipulada pelos policiais na delegacia e ao longo de seu interrogatório. Ela teve seu nome publicado no site do Tribunal de Justiça como uma das mulheres denunciadas e tenta, até hoje, esconder de sua família e no trabalho que está sendo demandada criminalmente.

O caso M., data de julho de 2009. Trata-se de um caso de prisão em flagrante, que ocorreu momentos depois da realização do procedimento em uma clínica clandestina em um bairro da zona sul do Rio de Janeiro. M. foi fotografada, pelos policiais, ainda anestesiada, em uma cama ginecológica, as imagens foram utilizadas no processo judicial que a incrimina. Ela foi presa em flagrante e obrigada a pagar uma fiança para responder ao processo em liberdade. Não recebeu nenhuma recomendação jurídica na delegacia onde confessou o “crime”. Atualmente, recebe a assistência da defensoria pública, mas apesar da grande qualidade técnica deste órgão, o mesmo não reconhece as violações de direitos humanos envolvidos neste tema.


Com informações de:

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34 comentários

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Elas decidiram: três histórias sobre aborto • OCOMPRIMIDO

01 de agosto de 2018 às 09h16

[…] atendimento em três hospitais diferentes, mas teve o socorro negado. Há relatos de que médicos costumam tratar mal ou mesmo negar atendimento a mulheres que chegam ao hospital e eles desconfiam que elas abortaram. No quarto hospital Thaís […]

Responder

Vírus Planetário – Elas decidem: três histórias sobre aborto

05 de junho de 2013 às 16h18

[…] *** Thaís morreu após cinco dias de internação (sete dias depois de ter ingerido os medicamentos abortivos). Como a família não fez uma autópsia, não há meios para comprovar se há ligação entre os eventos. Segundo médico consultado pelos amigos mais próximos, é bastante provável que tenha havido contaminação no procedimento de curetagem. No Brasil os médicos não respeitam a lei e tratam mal mulheres que chegam ao hospital por terem realizado aborto (ou, o que é ainda pior, que tenham os sintomas parecidos). Para mais informações sobre este assunto leia o texto da Conceição Lemos. […]

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Profissão Repórter: Maria, sete horas sem atendimento depois que a bolsa se rompeu | Viomundo - O que você não vê na mídia

20 de agosto de 2011 às 16h06

[…] Ruth Alexandre: Meu aborto e a criminalização […]

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Manter a ilegalidade do aborto é punir ainda mais mulheres pobres e negras | Viomundo - O que você não vê na mídia

20 de agosto de 2011 às 11h44

[…] Cegonha: saúde feminina se reduz à maternidade? E quanto ao aborto seguro? Ruth Alexandre: Meu aborto e a criminalização Sobre a hipocrisia eleitoral: Mônica Serra e a ‘assassina de criancinhas’ 28 de setembro: Dia […]

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8 de março: não há igualdade de gênero sem o aborto | OCOMPRIMIDO.COM

08 de março de 2011 às 18h36

[…] *** Thaís morreu após cinco dias de internação (sete dias depois de ter ingerido os medicamentos abortivos). Como a família não fez uma autópsia, não há meios para comprovar se há ligação entre os eventos. Segundo médico consultado pelos amigos mais próximos, é bastante provável que tenha havido contaminação no procedimento de curetagem. No Brasil os médicos não respeitam a lei e tratam mal mulheres que chegam ao hospital por terem realizado aborto (ou, o que é ainda pior, que tenham os sintomas parecidos). Para mais informações sobre este assunto leia o texto da Conceição Lemos. […]

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Andreza

08 de dezembro de 2010 às 14h27

Achei o comentário da Mariana Andrade perfeito, realmente, se os homens engravidassem, a história seria bem diferente… Apesar dos argumentos apresentados a favor ou contra o aborto, espero que TODOS sejam contra a barbárie de negar socorro médico a uma mulher que sofre um aborto (seja ele provocado ou não). Acredito que as pessoas de bom senso se sensibilizaram com texto de Ruth Alexandre. Trancafiar uma mulher na cadeia não garantirá que seu planejamento familiar seja resolvido. Parabéns à autora.

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patricio

07 de dezembro de 2010 às 11h27

Se tirarmos Deus da parada, a equação fica mais fácil de ser resolvida, pois é a culpa que alimenta essa discussão estéril. Culpa é coisa de Deus. Deus foi criado para amedrontar e culpar seres humanos, obrigando-nos a adotar a moral da classe dominante.
Um comentarista aqui chega a dizer que matar não pode. Coitado. Reproduz o cardápio moral burguês sem retoques. Uma moral que manda soldados assassinar índios, negros, palestinos, favelados… mas defende a gravidez forçada. São os cruzados de sempre. Por trás de seus estandartes dourados tem sempre um Deus odioso, distribuindo culpas, punições, torturas e mortes.
Hipócritas fantasiados de defensores da vida: saiam da frente. Esse assunto não é de Deus nenhum. Estamos falando de DESCRIMINALIZAR pessoas que praticaram o aborto, quando o fato já foi consumado. Estamos falando de saúde pública quando a gravidez representa perigo de vida à mulher, logo, estamos falando de direito à vida também. Estamos falando do direito da mulher decidir sobre seu corpo. Pode demorar mas esses direitos um dia ainda serão lei, porque são justos.
Em algumas culturas não cristãs, se diz que em casos de gravidez de risco, deve-se poupar sempre mulher da morte, pois ela ainda poderá dar filhos à sociedade no futuro. Nem essa idéia simplista, fraquinha, eles aceitam, os monges medievais de nossos dias.

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Mariana Andrade

06 de dezembro de 2010 às 22h04

Se homens ficassem "grávidos", o aborto já teria deixado de ser considerado assassinato há muito tempo!!!

A propósito, segue um link, que não fala sobre o aborto e sim da Alienação Parental, que é mais uma forma de criminalizar as mulheres:
http://www.cfemea.org.br/noticias/detalhes.asp?ID

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bissoli junior

06 de dezembro de 2010 às 19h34

Só um detalhe: entre a "grande capacidade técnica" das defensorais públicas e sua efetiva atuação em defender aqueles que dela precisam existe uma enorme distância, não percorrida ainda.

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Ronaldo Luiz

06 de dezembro de 2010 às 19h08

Matar é crime. Não tem como negar. Matar um nasciturno, é um crime mais barbaro ainda, pois é cometido contra uma criatura que não tem culpa de estar no lugar errado, na hora errada, e sem nenhuma condição de defesa. Nem chorar vai.
Não entendo como alguem pode defender tal crime. Me expliquem? Será porque o feto ainda não está acabado? Ainda não fala? Pesa poucos quilos? Não tem nome?
Crime é crime. Pecado é outra coisa; só vale para quem acredita. Mas crime não é uma questão de se acreditar ou não.
Até acho que as religiões não deveriam se meter, mas o que fazer quando dá a impressão de que apenas as religiões estão percebendo que matar fetos É CRIME.
A mãe não querer o nasciturno, não amá-lo, não querer criar, tudo bem. Mas matar não pode!
Deixe nascer e entgregue-o.
Para mim qq pessoa que defenda o aborto, ou não sabe o que está dizendo, ou é péssimo de carater.

Responder

    Marcelo Peixoto

    06 de dezembro de 2010 às 20h26

    Está bem Ronaldo. Fique com suas convicções e use-as em sua vida. Não as imponha para quem não comunga das mesmas. O aborto existe desde que o mundo é mundo. Ninguém pode obrigar uma mulher a ser mãe quando ela não deseja. Nem o Estado e nem as religiões. É assim o mundo. Respeite as opiniões diferentes das suas. Em sua vida pessoal siga os seus princípios. Cada um na sua. Você sabe que fetos até 500 gramas não são enterrados, são descartados como material biológico que são? É a LEI!

    Mariana Andrade

    07 de dezembro de 2010 às 11h06

    "Para mim qq pessoa que defenda o aborto, ou não sabe o que está dizendo, ou é péssimo de cárater."
    Quem vc pensa que é pra dizer que pessoas não sabem o que estão dizendo???
    Quem vc pensa que é pra dizer qualquer coisa sobre o caráter de alguém???
    O que vc sabe sobre gravidez??? O que vc sabe sobre carregar alguém por nove meses, sofrer as dores do parto e depois entregá-lo para outra pessoa???
    Já engravidou alguma vez e depois doou seu filho???
    Tem sequelas físicas e psicológicas de uma gravidez não desejada???
    Acho que quem não sabe o que está falando é você.

JCM

06 de dezembro de 2010 às 12h54

O "eterno drama" do aborto 6:

q)- As estatísticas sociais nos mostram claramente , n Brasil, a ocorr~encia de uma aut~entica ceifa populacional na população masculina jovem ( 14 -28 anos) devida básicamente à violência urbana. Há lógica e compaixão na atitude daqueles que impedem que um feto razoávelmente insensível seja retirado do ventre materno para sucum bir, vinte anos depois aos tiros ou ao crack?

É necessário, urgentemente se encetar uma campanha educativa PRÓ-ABORTO e PRÓ Paternidade responsável no Brasil. Estes corvos que abriram as asas na última camanha eleitoral, precisam ter suas penas cortadas mais rapidamente possível

Responder

JCM

06 de dezembro de 2010 às 12h53

O "eterno drama" do aborto 5:

n)- ocorre que, boa parte das religiões de fundo judaico-cristão são contrarias também aos métodos contraconceptivos e ao planejamento familiar. Seu remédio para o mal é uma abstenção sexual mais ou menos ampla que, a crer nas frequentes denúncias da imprensa, não é praticada por seus pastores;

o)- Esta situação, pelo exposto àcima é completamente hipócrita e quem paga o pato desta hipocrisia são as mulheres mais pobres;

p)- É de causar espécie, igualmente, o fato de que, dentre aqueles que se posicionam CONTRA o aborto, há muitos favoráveis à instituição da PENA DE MORTE!

Responder

JCM

06 de dezembro de 2010 às 12h43

O "eterno drama" do aborto 04:

l)- O que não ppoderão fazer é IMPEDIR, pelo braço do Estado, que esta decisão seja tomada e executada, tal como podem hoje, configurando um evidente, injustificável e INTOLERÁVEL abuso das religiões contra o estado laico;
m)- Há, na sociedade uma pluralidade de entendimentos sobre a questão. Há religiões que toleram o aborto; há uma considerável parcela da população brasileira que não é religiosa ou é atéia ( cerca de 15%). Ao menos para tal parcela, existe, em tese, o direito ao aborto livre;

n)- É hipócrita esbravejar-se contra o aborto e, ao mesmo tempo ser contra qualquer medida em prol da paternidade responsável. A divulgação e o livre acesso de métodos anticoncepcionais. Uma educação efetiva sobre o tema, sem dúvida, minorariam muito a incidência do problema

Responder

Alex Ribeiro

06 de dezembro de 2010 às 12h38

As pessoas vivem suas vidinhas pautadas no seu bem estar pessoal e esquecem que existem umas tantas outras Marias que vivem em situação de total abandono social, político, religioso… Os benefícios sempre se limitam a essa massa dominante e seu ditames. Mas a punição, não, essa anda a espreita pronta para condenar a quem quer que seja independente dos motivos, razões, sem qualquer visão da perspectiva destas mulheres. A mídia condenou o aborto de uma forma criminosa, indistinta, colocando no mesmo barco pessoas que tem históricos absolutamente diferentes, criou na sociedade um ponto de vista que está longe de refletir nossa realidade e o poder público, assim como em outros méritos, apenas varre a sujeira para baixo do tapete, se preocupar-se em fazer a sua parte como estado.

Responder

JCM

06 de dezembro de 2010 às 12h38

O eterno "drama" do aborto 3:

h)- as religiões são livres para terem a opuinião que bem entenderem sobre o tema;
i)- O que não podem, de forma alguma, numa sociedade laica, é impor seus padrões particulares a um problema que é universal; mesmo porque, está provado que mulheres católicas ou evangélicas praticam o aborto, tal como outras;

j)- cabe ao Estado prover as condições necessárias para a interrupção voluntária da gravidez. A 12a. semana é geralmente, tida como umbom prazo para tanto;

k)- as "plílulas do dia seguinte" se divulgadas e regulamentadas, evitariam muitos problemas e dramas morais, pois impediriam o aninhamento do óvulo fecundado recentemente que, até mesmo segundo Tomás de aquino, não possui "vida independente" técnica ou religiosamente.k)- Os padres, bispos, pastores, bonzos, rabinhos, mulás e demais mebros das veneráveis corporações clericais terão o direito de estrebuchar e espernear à vontade, poderão até mesmo "excomungar" as ovelhas que abortares;

Responder

JCM

06 de dezembro de 2010 às 12h31

O etrrno "drama" do Aborto 02:

e)-Independentemente do que dizem as religiões, as mulheres sempre fizeram, fazem e, a menos de se mudar a visão atrasada que ainda rege o tema, continuarão a fazer abortos no futuro. MESMO QUE SEJAM RELIGIOSAS;

f)- Isso porque os motivos que regem o aborto são fortes e ponderáveis o bastante para tornar a gravidez indesejada ( falta de condições materiais, "filhos de japonês" como a reportagem bem o mostra, etc.);

g)- Não é , pois, com falso-moralismo e repressão que o problema vai ser resolvido;

Responder

JCM

06 de dezembro de 2010 às 12h28

O eterno "drama" do aborto 01

Pela "n" ésima vez:

A)- aborto NÃO É assassinado pelo simples e bom motivo que nenhum feto humano mde menos que 25 semanas sobrevive fora do ventre materno;

b)- até a 12a semana, o encéfalo, o sistema nervoso central,etc. , ainda não estão formados. Portanto o feto não é ainda uma pessoa;

C)- O insuspeito São Tomás de Aquino, achava que a "alma" só se encarnava no corpo depois da 4a ou 5a semana da fecundação. Até esta fase, portanto, aborto não era crime, nem pecado

Responder

Gina

06 de dezembro de 2010 às 07h46

Gente, esse babado de ser a favor ou contra é de uam maniqueísmo atordoante. O fato é que independente de qualque ropinião, as mulheres abortam e precisam de cuidados e de apoio. Pra que serve o Sistema Único de Saúde? Ou ele não tem atenção universal?

Responder

Cícero

06 de dezembro de 2010 às 05h06

Sobre descriminalização do aborto e do uso de drogas, o Vox Populi divulgou pesquisa, encomendada pelo IG. Veja os resultados:
http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/populacao

Responder

José Carlos

06 de dezembro de 2010 às 01h34

O Brasil é um país atrasado devido à falência das instituições educacionais e à péssima qualidade da midia que, ao invés de informar com imparcialidade e garantir a diversidade de pensamentos, prefere reproduzir o discurso conservador fundamentado em dogmas religiosos.
Se recusa a discutir políticas públicas se fica promovendo dogmas em um pais teoricamente laico.
Acredito que ninguém deva ser favorável ao aborto no sentido de faz~e-lo como trocar de calcinha (ou de cueca). Mas fechar os olhos à realidade é miopia. Ninguém vai conseguir impedir que se faça aborto, assim como ninguém poderá impedir que quem quer usar uma droga o faça. Quando se trata de atitudes que dependem do comportamento individual, não se consegue policiar o indivíduo.
Ocorre que teorizam muito e se esquecem de ouvir a mulher e a ciência.
Basta ver o exemplo português. Como dizem os portugueses em uma propaganda:"…e nós que somos os portugueses…".

Responder

ninalete

03 de dezembro de 2010 às 21h04

Nada justifica o aborto.
Aceitem ou não, quem faz aborto comete assassinato.
Portanto é um assassino.
O mais hediondo é que a vítima é morta por quem de direito deveria defendê-la, isto é, sua mãe.
Não ao aborto.

Responder

    Clara

    03 de dezembro de 2010 às 22h42

    "Aceitem ou não" já é um ótimo argumento. Mas falar que a mãe é quem, por direito, deve defender a criança é fantástico. Cadê o pai na divisão desta responsabilidade? Ou ele está isento e as mulheres agora adotaram a politica das leoas, parem, criam, caçam e lutam para defender a si e à cria enquanto os machos palitam os dentes?

    ninalete

    11 de dezembro de 2010 às 00h41

    Então, se ele vai ficar paltando os dentes eu não sei, mas com certeza se ele é conivente com o aborto do próprio filho ele é tão culpado quanto a mãe.
    Agora convenhamos, nós mulheres é que decidimos se queremos ou não abortar.
    Nós somos donas de nosso nariz, somos donas de nosso corpo, somos donas de nossa vontade.
    Mas nós NÃO somos donas da vida de quem quer que seja. E as mães tem o dever, a obrigação de zelar pela segurança e bem estar de seus filhos principalmente quando eles ainda se encontram no útero, nesta fase a soberania é da mãe, o pai é mero coadjuvante.
    Vai ser dificil alguém me convencer que a maioria dos abortos o pai obriga a pratica do mesmo. Ele pode ser conivente mas obrigar só em raras exceções.

    ebrantino

    05 de dezembro de 2010 às 16h58

    Não concordo com suas palavras. Se voce é religiosa, prepare-se para explicar a Deus, quando se apresentar ao julgamento, a sua falta de bondade e a sua intransigência. Ebrantino

    ninalete

    11 de dezembro de 2010 às 00h18

    Eu infelizmente terei muito que me explicar com Deus, mas com certeza não será por essa minha opinião.
    Deus é claro quando diz não matar.

Clara

02 de dezembro de 2010 às 22h04

Neste aspecto, a legislação de Portugal é muito mais avançada que a nossa na defesa dos direitos fundamentais da mulher enquanto ser humano. Dêem uma olhadinha neste site:
http://www.aborto.com/legisla%C3%A7ao.htm

Responder

Clara

02 de dezembro de 2010 às 21h51

É horrível demais pensar que, pela má sorte de ter nascido mulher, eu corro o risco de ser mais uma tratada feito vaca parideira. Então temos as seguintes opções:
1- como citou a Andreza, morrer de dor de cabeça, náusea e efeito sanfona com tratamentos anticoncepcionais que não tem 100% de eficácia. Se não funcionar, parabéns: você foi sorteada.
2- Celibato. (…)
3- Procedimentos irreversíveis.

É absolutamente ASQUEROSO imaginar uma mulher algemada na maca, ainda mais outra sendo fotografada numa cama ginecológica. É revoltante demais, é terrível… Nada justifica isso, nem a morte da criança, nada…

Parece que a função primordial da mulher na sociedade ainda é a reprodução, porque parece que os direitos fundamentais deixam de existir a partir do momento em que você se recusa ao processo caro, perigoso e doloroso, humilhante e prejudicial à estrutura física da mulher, que é a gravidez.

Maravilha.

Responder

Andreza Palhares

01 de dezembro de 2010 às 10h06

Como ninguém faz filhos sozinho, o companheiros das mulheres a serem punidas por aborto também deveriam ira para a cadeia, pois certamente não as ajudaram na anti-concepção e no planejamento familiar. Culpar só as mulheres e abarrotar as cadeias é muito fácil, contudo todas nós sabemos que não existe métodos contraceptivos 100% seguros e salutares. A maioria das mulheres que conheço sofrem horrores com efeitos colaterais dos medicamentos como enxaquecas atrozes e náuzeas constantes. Não defendo o aborto como contraceção, mas atire a primeira pedra a mulher que nunca teve dificuldades ao fazer o planejamento familiar.

Responder

Laura Antunes

28 de novembro de 2010 às 13h23

Conceição, obrigada por essa materia. É preciso que alguem tenha coragem de dizer como as coisas acotecem em cenários de horror

Responder

Gina

28 de novembro de 2010 às 00h55

Cenas de terror do cotidiano das mulheres. Infelizmente

Responder

Mauro A. Silva

27 de novembro de 2010 às 23h30

Relatos de filme de terror… Mas isto é só uma parte da história… Tem muitos casos em que as mulheres sofrem nas mãos das enfermeiras: elas fazem a curetagem sem anestesia, e ainda dizem que isso é uma forma de punir as mulheres suspeitas de provocarem o obortamento… Essa tortura continua em muitos prontos socorros e hospitais públicos em todo o Brasil!

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A mídia descontrolada

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