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Cartas de Minas
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Global Voices: No Brasil, o trabalho doméstico está em transição

06 de janeiro de 2012 às 17h00

Sugestão de texto de Diego Casaes, via twitter.

Brasil: Trabalho Doméstico em Transição

Por: Luiz Henrique, Global Voices

06/01/2011

Discutir o PIB brasileiro e as taxas de juros no país não são referências suficientes para captar as mudanças profundas que a sociedade brasileira tem sofrido recentemente. Novas tendências estão emergindo no tecido social, e a mídia cidadã vem acompanhando esses movimentos.

Um exemplo é o trabalho doméstico. Ao longo de 2011, este tema integrou um debate em torno da inclusão social, das más condições de trabalho, das hierarquias sociais, das questões de gênero e empoderamento.

Novas Tendências

A inclusão social parece ser um elemento-chave para muitas destas transformações. Uma pesquisa pelo Instituto Data Popular colocou em perspectiva a ascensão da ‘Classe C’, “a nova classe média” – um grupo social que se beneficiou de mais acesso à educação, do aumento de renda e de programas sociais. Agora, finalmente visto como um nicho relevante de mercado, vem atraindo a atenção de muitas empresas, interessadas em compreender as características desse grupo.

Sem título (Performance documentada). Pintura de Ana Teresa Fernandez, imagem reproduzida com autorização.

Sem título (Performance documentada). Pintura de Ana Teresa Fernandez, imagem reproduzida com autorização.

A pesquisa identificou uma tendência de empoderamento no perfil de carreira das mulheres; em comparação com a geração anterior, o número de mulheres empregadas como domésticas diminuiu pela metade. A busca por outras alternativas de emprego reflete uma preocupação com o desenvolvimento de suas carreiras. 

O consultor de marketing Luiz Marinho apresentou em seu blog alguns dados que ilustram esse processo: nos últimos nove anos, o número de trabalhadores domésticos aumentou 9% enquanto a população teve um incremento de 13,5%. Os crescentes salários dos trabalhadores domésticos também são resultado dessa situação.

Para colocar isso em números, Espinho no dedo, um blog sobre filosofia e política, replicou os dados publicados em uma matéria da BBC Brasil sobre o assunto: enquanto a renda média do brasileiro subiu 25%, a renda média do trabalhador doméstico teve um aumento de 43,5% no mesmo período.

É importante ter em conta que a questão do trabalho doméstico no Brasil vai muito além da abordagem puramente mercadológica. Há muitos traços sociais e culturais envolvidos, que têm ligação com o papel dos trabalhadores domésticos, sua auto-estima, seus direitos trabalhistas e, também, com o preconceito e as questões de gênero.

Transformação social

Cristina P. Rodrigues, no blog Somos Andando, escreveu algumas reflexões sobre um artigo [en] recente da The Economist sobre o trabalho doméstico no Brasil, afirmando que, de certa maneira, o Brasil está libertando os seus trabalhadores domésticos como parte de um processo de transformação social no qual o pobre não mais se sujeitará às regras dos ricos.

Comba Marques Porto, em Consciência feminista, comenta que o lar, lugar onde ocorrem as relações interpessoais mais íntimas, é também o palco onde se dá uma sutil discriminação de gênero. Desde o começo de sua história, as tarefas domésticas no Brasil foram responsabilidade das mulheres, “uma herança da cultura patriarcal que chega aos tempos modernos, condicionando desigualdades incompatíveis com os novos caminhos democráticos”:

A figura da criada chega aos meados do século XX pela permanência do modelo de desmedida exploração da força de trabalho no âmbito doméstico. Segue-se, assim, uma constante de tratamentos desiguais, de descumprimento das leis, fatos somente explicáveis pelo desvalor conferido ao trabalho nos setores do mercado em que há concentração da mão de obra feminina.

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Waldemar Borges

06/01/2012 - 23h23

A exploração da força de trabalho no Brasil (6ª economia mundial) é muito grande. Com relação ao trabalho doméstico, acho que ainda é um pequeno tipo de escravidão no nosso país. No mais não sei comentar nada. Nasci há 77 anos, na minha família nunca vi essa figura de empregada doméstica. Ah, como eu gostaria de ter uma secretária!

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