VIOMUNDO

Diário da Resistência

Sobre


Blog da Mulher

Como Marta Lamas sou uma feminista inconveniente, vamos negociar?


22/12/2010 - 19h03

Por Conceição Oliveira do Blog Maria Frô, twitter: @maria_fro

Sou mulher isso me torna feminista?

Não sou uma intelectual do feminismo, quero crer que tenho uma prática de combate ao sexismo na convivência diária com homens e mulheres, próximos ou distantes. Digamos que as condições materiais me fizeram refletir sobre minhas próprias ações e discursos e a prestar muita atenção em como me educar, educar meus companheiros e educar uma menina que pari para que ela saiba que merece todo o respeito de seus semelhantes, assim como deve respeito a todos os seus semelhantes. Desejo e me esforço educando-a para que ela aprenda que tem direitos iguais aos homens, que consiga identificar sinais de opressão e reagir a eles do modo mais eficiente possível.

Eu enfrentei uma gravidez sozinha, porque me separei no primeiro mês de gestação. Não fiz aborto e defendo a discriminalização do aborto. Não acho que por ser mulher eu esteja automaticamente qualificada a falar com propriedade sobre o feminismo. Mas acho que entendo um pouco o que é ser mulher numa sociedade sexista e como mãe de uma garota de quatorze anos eu queria compartilhar dois eventos recentes.

Adolescer num universo sexista

Não é fácil ser adolescente do sexo feminino num mundo machista onde do vendedor de pastel do zoológico a um atrevido cliente de um restaurante ambos se sentem no direito de  ignorar a diferença de idade, o comum acordo que se estabelece em situações de paqueras (azaração ou o termo que sua faixa geracional preferir) e investir no assédio de mão única.

O vendedor de pastel passa uma cantada, ela se mantém firme percebendo a inadequação, o amigo ri e ela educa o amigo: “Se o pasteleiro disse que para mim o queijo quente era quatro reais, você ao invés de rir poderia perguntar a ele — “Senhor e para mim, quanto custa?” E educa novamente: “Isso é sério, fulano, não ria”. Ela não riu, ela intuiu que qualquer ação de simpatia ali poderia ser lido como consentimento e ela não queria consentir. Comprou seu lanche e se afastou do engraçadinho.

Na mesa do restaurante com sua mãe presente, dois casais de amigos, mais duas adolescentes e uma jovem universitária, ela era a mais jovem. Um rapaz de 28 anos se deu ao direito de ir à mesa para incomodá-la. Estávamos sentadas na mesma fila de cadeiras, mas em pontas opostas. Conversando com os casais, não percebi a investida. Uma de minhas amigas foi a primeira a entender e me chamou a atenção, eu pensei que era o garçon. Quando compreendi, antes que eu me levantasse para perguntar ao sujeito o que ele desejava e talvez lhe dar uma joelhada no saco, ele se afastou da mesa.

Fui conversar com minha filha e ela sequer olhou para o indivíduo, não me pediu socorro e conseguiu impor limite ao assediador inconveniente, desrespeitoso e sem a menor noção de perigo.

Eu tive uma mãe que, à sua maneira, ensinou-me que somos merecedoras de respeito e que precisamos descobrir um modo de impô-los aos desrespeitosos. Também já fui inúmeras vezes assediada por sujeitos inconvenientes que se acham no direito de nos dizer gracinhas, fazer gracinhas que não tem nenhuma graça. Em um carnaval em Salvador um sujeito se achou no direito de beliscar a minha bunda. Eu me achei no direito de procurar uma pedra e atirar em sua cabeça. Sou boa de pontaria.

Acompanhando o crescimento de minha filha, vejo como esta objetificação do corpo feminino é duradoura, persistente, agressora e parece pouco incomodar o mundo adulto masculino que consome tranquilamente as ‘gostosas’ com nomes de frutas e seus simulacros em revistas, shows, programas de tv… O problema é quando a ‘gostosa’ é nossa filha e tem apenas quatorze anos.

Vão pensando aí pais e mãe de ‘gostosas’ ou futuras ‘gostosas’ se é agradável, aceitável, confortável vermos nossas crias assediadas, sem consentimento das mesmas e, lembrem-se que nem sempre a  filha está acompanhada do pai; a irmã do irmão; a namorado do namorado, a esposa do marido. Lembrem-se, a gente precisa ter direito de ir e vir sem precisar ter um homem a tira colo para que sejamos respeitadas!

As feministas no centro do debate?

Na semana passada  um erro do jornalista e blogueiro Luis Nassif desencadeou a reação das feministas e no meio de tantos ruídos, teimosias, um certo oportunismo e uma profunda generalização a blogosfera tornou-se um lugar de muitas intolerâncias.

No auge do quiprocó ouvi de feministas blogueiras e de blogueiros de ‘esquerda’ uma cobrança de tomada de posição: eu como feminista deveria me opor ao Nassif, não bastava que eu deixasse claro que considerava o termo feminazi inadequado, que não aprovava o tratamento dado no twitter às mulheres diante dos primeiros enfrentamentos e sugerisse a ele algumas leituras. Assisti um pouco incrédula Nassif virar chacota na rede e meter os pés pelas mãos.

Também o vi se desculpar, mas para algumas e alguns isso não foi suficiente, mesmo que a pessoa que ele efetivamente agrediu e magoou, ele tenha telefonado para se desculpar diretamente e a pessoa tenha ficado feliz com o ato (é sempre bom ouvirmos desculpas sinceras).  Tenho cá para mim que a partir de agora os leitores de Nassif terão chance de conhecer o belo trabalho da Marcha Mundial das Mulheres. De minha parte isso é muito importante. Mas há os descontentes.

Continuo assistindo incrédula que após um equívoco e a inabilidade de se lidar com o erro possa ser transformados na  ruína moral de uma pessoa e inúmeros blogueiros e blogueiras contrários aos machistas progressistas (e descontentes com a Amélia progressista que vos fala) transformem Nassif e mais 300 blogueiros e blogueiras em Judas de sábado de Aleluia.

A guerra teve alguns protagonistas, todos se consideram acima de qualquer suspeita e no direito de colocar o dedo na fuça do outro e estabelecer os parâmetros de conduta e fazer julgamentos em praça pública e impingir estereótipos. Foram raríssimos os textos equilibrados que, sem desconhecer a razão das mulheres, consideraram o julgamento de Nassif em praça pública virtual algo excessivo.

Colocou-se em questão o caráter das pessoas, avacalhou-se com as mulheres que não resolveram linchar o Nassif:  ‘nassifetes’ nos tornamos, achei curioso, eu, por exemplo, não sou leitora diária do Nassif e me aproximei mais dele durante esta contenda. Tenho para mim que é sempre bom ouvir as pessoas, dialogar, mostrar nosso ponto de vista, mesmo quando discordamos.

Na semana seguinte, de ambos lados da contenda investigou-se as posições políticas, as ideologias, decretou-se que os blogueiros progressistas são machistas (eles não linkam blogs femininos e feministas em seu blogroll, mesmo que entre os blogueiros da comissão organizadora três deles apenas tenham blogroll); eles não chamaram blogueiras para a entrevista com o presidente (mesmo que os três grandes ‘blogueiros progressistas machistas’ não estivessem na entrevista e mesmo que Rovai que ficou com a batata quente na mão nas negociações com o Blog do Planalto tenha sim feito o convite para quatro mulheres e elas por diferentes motivos não tenham ido e a amélia progressista aqui (uma das convidadas) tenha avaliado que por ser uma entrevista com blogueiros fazer a questão pela twitcam não me tornava menos mulher ou menos blogueira. Com a entrada de Idelber no debate exige-se também que escolhamos o lado, as armas.

Investigou-se de que lado esteve A ou B na contenda X e Y, quantos links tinham, quantos livros leu… Com campos assim tão delimitados ai de você sendo mulher ou homem que ousasse discordar dos grupos em contenda: vira macho sexista, amélia progressista, feminista barraqueira, intelectual de araque e por aí vai.

Assisti durante essas duas últimas semanas uma verdadeira cruzada contra reputações. Desculpem-me os que adoram ver o circo pegar fogo, que não conseguem entender que a internet ficou monocórdica, que faz tempo que este debate deixou de ser em torno do uso equivocado de um termo por um blogueiro e que dificilmente algum lado sairá vencedor. Para mim deu, faz tempo que meu limite para esta contenda ultrapassou.

As blogueiras feministas

A blogosfera brasileira (de esquerda, pois parece que virou palavrão falar progressista) tem muita mulher, eu não conheço todas, mas este embróglio me fez conhecer várias delas.

Estas blogueiras não têm tabus, em suas diferenças discutem de tudo deste universo dos seres que sangram todo mês em idade fértil se não estiverem em gestação. Quando eu digo tudo é tudo mesmo: falamos de literatura, arte, estereótipos, propaganda, hábitos, desabafamos, debatemos calorosamente. Por vezes um post nos anima a discutir ou a discussão vira um post.

Já debatemos, por exemplo, como nos incomodam as propagandas sexistas que atormentam nossos meninos e meninas desde a mais tenra infância estimulando um consumismo extremo, com mundos divididos em clube do bolinha e da luluzinha, com meninas sendo educadas para vestir rosa, para a maquiagem, a maternidade, as tarefas domésticas e os meninos para voarem até à lua e lutarem com monstros alienígenas. Nós estamos em pleno século XXI e parece que os publicitários não dão a menor bola para que os educadores falam e parece que nossos políticos não estão muito preocupados não. A Bárbara fez um post interessante sobre isso esses dias (A Alma do Negócio). Além do que ela aponta e a discussão proposta pelo vídeo selecionado no seu post ao assistir canais infantis e ver as propagandas salta aos olhos como são raros os brinquedos onde meninos e meninas podem brincar juntos, compartilhar e se sujar! É impressionante como o discurso publicitário insiste em convencer os pais a comprar o tal brinquedo asséptico que não vai dar trabalho!

Nós também falamos de depilação para homens e mulheres, falamos de coletores menstruais. Coletores menstruais? Nunca ouviu falar? A Iara do Foi feito pra isso te explica e talvez leitores e leitoras entendam que com um pouco de habilidade as mulheres podem fazer dar samba dois temas: ciclo menstrual e meio ambiente.

As blogueiras feministas tem um blog coletivo fruto da lista que nasceu de um acirrado e profícuo debate sobre se feministas votavam ou não no Netinho: Blogueiras Feministas.

Claro que a discussão que abalou Bangu da blogosfera também fez parte do nosso debate interno na lista, mas muitas de nós anda achando que essa discussão não tem mais nada a ver com o feminismo.

Reavaliando nossos discursos

Somos agredidas simbolicamente e, por vezes, fisicamente. Sujeitos inconvenientes como os que apontei no início deste texto, por vezes, em conluio com outras mulheres, deixam de ser apenas inconvenientes e partem para a pura e simples violência sexual, corpos virgens são rifados para deleite desses seres. Triste mundo onde todos se transformam em mercadorias e mercadores.

Quando as minhas amigas feministas ‘radicais’ montam o barraco, rodam a baiana, penso que essas e outras questões as movem na indignação, justíssima indignação. Mas parece que há um limite. O que será que nós mulheres precisamos fazer para nos fazer compreender? Parece que estamos sendo ineficientes em nossa luta, em nossa indignação. Parece que não estamos conseguindo deixar claro aos nossos companheiros de luta e àqueles que, de algum modo, não são ogros inconvenientes que a luta pela igualdade de direitos das mulheres (incluindo neles o direito de uma adolescente de 14 anos poder comprar um queijo quente sem ouvir gracinhas ou sentar-se à mesa de restaurante com a sua mãe sem que um sem noção venha chavecar) não é uma luta contra os homens, mas contra a opressão sobre nós.

Lendo a entrevista que a antropóloga feminista mexicana Marta Lamas deu ao Página 12 percebi que muitas das minhas inquietações em torno de um discurso e práticas eficientes contra o sexismo e em prol da igualdade dos direitos estavam ali presentes. Apesar de discordar de algumas questões pontuais (não acho que machismo seja um problema de classe e idade, por exemplo), me descobri uma feminista inconveniente; tem hora que acho que somos chatas e falamos demais e não conseguimos que nos ouçam.

Depois das minhas, fiquem com as provocações da antropóloga feminista mexicana.

A má fama

Por: Flor Monfort Do Página 12, via Crônicas e Críticas da América Latina (em espanhol)

Tradução: Victor Farinelli

19/12/2010

martalamas.jpg

Depois de 40 anos de feminismo, a mexicana Marta Lamas se cansou da horizontalidade que caracteriza o movimento, e também do discurso reativo. Se não houvesse cedido a usar salto e maquiar-se o suficiente, diz, não haveria sido tão escutada na hora de conseguir a descriminalização do aborto no Distrito Federal mexicano, já vigente há três anos. Se por esses detalhes deve ser criticada pelas ativistas do seu país, a antropóloga e docente da Universidade Autônoma do México, criadora do Grupo de Informação em Reprodução Escolhida (GIRE), as critica também, pela intransigência que não serve para somar empenho em prol das conquistas desejadas. Lamas, diretora e fundadora da revista Debate Feminista, uma das publicações que marcaram a agenda de gênero na América Latina, propõe uma revolução na linguagem e no discurso para que o feminismo se faça escutar.

O encontro se deu na ComisSão de Direitos Humanos do Distrito Federal do México. No Dia da Não Violência Contra as Mulheres, Marta Lamas se preparava para acompanhar suas grandes amigas e companheiras de luta, Marisa Belausteguigoitia e Consuelo Mejía, detentoras do Prêmio Hermila Galindo, um reconhecimento aos que impulsionam a igualdade de gênero. “Eu não aceito prêmios”, disse quando lhe perguntei se ela também o havia recebido. “É que não aceito que me premiem por fazer o meu trabalho”, agregou. Tampouco permitiu, na entrada da sala, que lhe pusessem uma fita lilás: “Quando for pela violência contra mulheres e homens, eu a colocarei”, explicou à moça que tentou prendê-la em sua jaqueta. Quando começou o ato, solene e coreografado, Lamas começou a passar recados. “Quando chamarem a Marisa fazemos “el Goya”, lhes dizia a outras mulheres. Dois, três, dez poltronas atrás, as pessoas foram se avisando. Quando Belausteguigoitia, diretora do Programa Universitário de Estudos de Gênero da UNAM, subiu ao palanque,  todas as que escutaram o recado de Lamas se levantaram e quebraram o silêncio com o Cântico que caracteriza a universidade, canto que desde os Anos 40 se usa para salvar o time de futebol, mas que já é um grito de guerra do espírito que caracteriza a instituição.

É que Lamas gosta de agitar, discutir, se chatear e conciliar, repensar estratégias quando as anteriores não dão resultado, mas sobretudo, insiste em reconhecer, no aparato político existente, a matéria com a que deve aprender a negociar para ter resultados visíveis, palpáveis na vida das mulheres.

Filha de pais argentinos tem conhecimento do debate legislativo que transita na Argentina, para descriminalizar o aborto, luta que carregou nos ombros desde 1991, em seu país, e a qual conseguiu, por fim, uma legislação positiva no Distrito Federal mexicano, em 2006.

P12 Como o alcançaram?

– Com uma mudança de discurso. Se eu digo “meu corpo é meu e faço o que quero com ele”, de alguma forma estou irritando muita gente, porque se seu corpo é seu, os demais não se sentirão comprometidos com a sua causa pessoal. Se, ao invés disso, digo, “o aborto é um problema de saúde pública, um problema de justiça social e um problema da democracia”, vou encontrar muita gente que se sente incluída ou comprometida. Então, foi basicamente mudar o discurso, tirar da simples discussão de “Aborto sim ou aborto não”.

Começamos a fazer inserções pagas na mídia, mas conseguindo a adesão de Octavio Paz, Carlos Monsiváis, Carlos Fuentes, para torná-lo um tema da sociedade progressista ilustrada, não meramente das feministas. E, obviamente, houve feministas que não gostou que fizéssemos isso, porque deixou de ser seu tema e passou a ser um tema da sociedade, mas foi justamente quando se tornou tema da sociedade que os políticos se deram conta de que se Monsiváis ou Fuentes diziam que havia que descriminalizar, então não era só um problema das loucas feministas. (grifos nossos). Mas não é fácil, são estratégias. Aos políticos é preciso ajudá-los, armar para eles um discurso, e com isso se deve aprender a não ser protagonista. (essa fala vai revoltar muitas de minhas companheiras)

P12 Por que há tantas mulheres jovens, inteligentes e autônomas que não estão dispostas a lutar pelas causas feministas? Houve um fracasso na militância?

– Creio que é uma reação generacional. As jovens necessitam se diferenciar das que as antecederam, e as jovens, pelo menos no México, não estão se casando antes dos 30 anos (eu me casei aos 19, veja a diferença), e creio que sua vida é diferente. Então até que não enfrentem a discriminação no trabalho ou o peso da maternidade solitária, não terão as condições materiais, como diria Marx, para se dar conta de que existe a discriminação, e que afeta também a elas.

Você se torna feminista porque vê certas situações que machucam. Eu vejo com minhas alunas, que variam entre 22 e 34 anos, têm interesses por outras coisas, como o ambientalismo, por exemplo, outro tipo de lutas sociais. E o feminismo se vê como uma coisa antiquada, do tempo das suas mães. Por outro lado, as coisas que sofríamos há 40 anos não são as mesmas que sofrem as mulheres jovens de hoje em dia. Quando se é jovem, existe a ilusão de que sua vida será diferente do que se conhece, junta uma quantidade de projetos, e depois a vida vai impondo seus limites. A atual geração não costuma escutar as mães dizendo “você fica lavando os pratos para que seu irmão possa ir jogar futebol”.

P12 Certo, mas esse tratamento diferenciado ainda existe, talvez seja mais sutil, mas existe…

– Exato, é mais sutil. Ainda existe, mas não é tão evidente e, além disso, há um discurso social sobre a quantidade de opções que temos. Então, creio que uma mescla de tudo isso resulta no fato de que muitas jovens não se assumam como feministas. E também há o fator deste ser o continente de um feminismo que é muito intolerante, muito sectário. Não necessariamente todas as feministas são sensatas e amáveis; tem algumas que estão muito irritadas e transmitem uma imagem muito agressiva. (grifos nossos) Se temos muitas jovens que querem ter relacionamentos com homens, e isso contrasta com que há um discurso de um setor do feminismo que é muito anti-homens. (nossinhora! Mas não se assanhem fãs do André.)

No Encontro Feminista deste ano, havia um grupo de moças que questionava por que não deixam entrar os homens, se isto também se trata de que eles mudem, ou não? E muitas mulheres diziam que não; houve outro grande debate para ver se entravam as trans. Então, tudo isso está marcado generacionalmente.

P12 Tampouco há uma empatia ou identificação geral com o tema da violência de gênero. Quando uma mulher é morta a golpes por seu parceiro, mesmo após o caso se tornar público, ainda resiste um ar de que faz parecer um crime privado, sobre o qual não se pode opinar.

– Creio que a falta de empatia é com o discurso vitimizante. Isso acontece também aqui na Argentina, e está relacionado com o fato de haver violência de vários tipos. O tema violência é muito complicado, e gera debates como: por que vamos valorizar mais a morte de uma moça assassinada a golpes que a de um sujeito atingido por uma bala perdida da polícia? Sei que são casos diferentes, e problemas diferentes, mas trato de explicar o porquê dessa falta de empatia. Também é verdade que a empatia tem a ver com a identificação, e pode haver muitas mulheres com medo de se identificar com as maltratadas e assassinadas, preferem minimizar, não ver o problema, e o discurso tão vitimizante de “todos os homens são maus” não as convence. Ou seja, alguns homens batem nas mulheres, assim como algumas mulheres batem em seus filhos, e isso tampouco se visualiza. Então, creio que se trata de não reduzir situações sociais complexas a um estereótipo.

P12 Mas a militância também precisa dessas reduções para operar, se não é impossível. Se a militância não exacerba algumas questões, seu discurso termina sendo velado.

– Eu sei, mas veja, creio que o que a militância tem de fazer, e isso foi dito por Celia Amorós, é conceitualizar, porque é a única maneira de politizar as questões. Se você conceitualiza bem o que está passando com esse homem que mata a golpes a essa mulher e se pergunta: quando esse homem era um menino, como sua mão o tratou? E pode ver toda uma cadeia de coisas, e quiçá isso, dê visibilidade ao tema e soe menos redutivo que “o homem que matou a mulher a golpes”. É evidente que pesam também os medos que essas pessoas têm, as resistências…

P12  Parece que o feminismo, como pensamento crítico, não é capaz dessa conceitualização efetiva. Quando uma mulher é estuprada ou assassinada por um homem, se fala de como ela estava vestida, se o provocou o se era ou não atraente. Até mesmo o Estado recebe às vítimas de violência sexual com esse preconceito.

– Sim, é fato. Como também foi dito por Catherine Gallagher, que fala muito a respeito de como se necessita falar “das mulheres” para buscar visibilidade, mas como, ao fazê-lo, soa piegas como para não permitir que muitas pessoas se identifiquem, tanto homens como mulheres. Porque existem homens que até se identificariam mais com essa etiqueta que suas companheiras mulheres. Eu diria que tudo está relacionado com a classe social e a idade. Há muitos rapazes que realmente se importam com o tema e se posicionam contra a desigualdade, mas são jovens de classe média alta, universitários, politizados e interessados. O complicado de generalizar é isso. O feminismo deveria poder transmitir uma idéia não essencialista (grifos nossos), com a suficiente complexidade para reconhecer que nem todas as mulheres são vítimas ou boas, há mulheres más e vitimizadoras, e nem todos os homens são maus e vitimizadores, também há os que são solidários e vítimas.

P12 Assumir a diversidade entre os rols mais estereotipados.

– E observar: quais são os eixos majoritários de conduta? A maioria das agressões entre um casal se dá de homens a mulheres, e a maioria das agressões a crianças partem das mulheres, sobre seus filhos, então é muito difícil montar um discurso político com tantos matizes, mas no México levamos 40 anos de feminismo. Se, depois de 40 anos, não se pode reformular um discurso mais matizado e mais localizado, as pessoas dirão: “é o mesmo de sempre”. É um problema das feministas em todo o mundo: como fazer para falar de algo que existe – a desigualdade entre homens e mulheres – e, ao mesmo tempo, reconhecer que as coisas estão mudando, e que também há mulheres que se aproveitam disso. Por exemplo, com a lei de guardar vagas. Aqui no México temos garotas que entraram porque o namorado, ou o irmão lhes disse “entra e depois desiste que eu entro no seu lugar”, e enfim, são mulheres. Então, creio que o assunto principal é romper a ideia essencialista do que é uma mulher e o que é um homem, e reconhecer que há muitas maneiras de ser homem, e muitas de ser mulher. (grifos nossos)

P12 E os mitos sobre o amor e o sacrifício? As ficções e os relatos que travam aos adolescentes que mantêm essa premissa do romance como algo doloroso, que se deve suportar para finalmente ser feliz. Não é necessário derrubar também isso? É possível fazê-lo?

– Aí entra o tema da subjetividade, não é só o mito, é que a construção da feminilidade e da masculinidade, na tradição judeu-cristã de Ocidente, leva séculos e exige certo tipo de desenvolvimento, de atitude, de sentimentos, de abnegação, de que as mulheres são ternas e os homens são fortes e valorosos. Toda essa questão que se viu como complemento entre os sexos está começando a se desmontar, mas ainda vamos tardar mais de um século nisso, nós não vamos ver a conclusão dessa mudança.

As mudanças culturais são coisa de séculos, nós começamos na metade do Século XX a fazer mudar temas da sexualidade, por causa dos anticoncepcionais, e ainda hoje existe uma moral sexual dúbia que castiga as mulheres que têm uma vida sexual livre tachando-as de promíscuas, galinhas, putas, etc.; e os homens não. Levamos 50 anos de mudanças impressionantes, também em temas da maternidade, com os ventres de aluguel e a doação de óvulos, mas ainda nos falta. Ademais, a capacidade dos seres humanos de simbolizar não vai se perder, e como se simbolizam a diferença sexual? É claro que existem elementos que não podemos medir, que implicam em uma questão biológica: não é a mesma coisa ter ou não ter certo tipo de testosterona no corpo.

P12 Aí se coloca em jogo o quanto de biologia e quanto de cultura…

– E isso é muito difícil de responder, porque, desde que nascem, meninos e meninas são tratados de formas distintas, em relação à cultura, a linguagem, então, de antemão está a perspectiva de que se é menina se vestirá de rosa e se é menino se vestirá de azul… É muito difícil separar biologia e cultura, talvez seja impossível.

P12 Também há teorias atuais das neurociências, sobretudo nos Estados Unidos, que afirmam, apesar dos 50 anos de luta feminista, que o cérebro da mulher está feito para cuidar e o do homem para triunfar.

– Os ianques têm feito questionamentos muito interessantes às neurociências, desde os quais lhes puseram limites, e por exemplo, nesse caso, evidentemente, não era por aí. Se por um lado o poder da linguagem é impressionante, há sociedades que puderam estabelecer uma espécie de neutro, ao invés de masculino e feminino, e creio que daí foi possível fazer uma série de mudanças simbólicas muito importantes. Em castelhano é muito difícil, temos que dizer “el antropólogo” ou “la antropóloga” (nota do tradutor: a mesma obrigatoriedade do sufixo generativo que impõe o português, “o antropólogo” ou “a antropóloga”), quando digamos “antropologue”… Há um filólogo maravilhoso, morto recentemente, Antonio Latorre, que dizia que temos que começar a usar o “e”: les estudiantes (nota do tradutor: o mesmo poderia ser proposto ao português, um sufixo que simbolizasse uma figura neutra).

P12 No feminismo parece haver uma divisão entre acadêmicas e ativistas. Essa fratura dificulta o trabalho ou o retroalimenta?

– No México, há muitas acadêmicas que estão vinculadas com grupos de indígenas, grupos de trabalhadoras domésticas e não há tanta separação entre teoria e práctica. Aqui, a divisão se deu muito mais entre as chamadas autônomas e as institucionais, as que decidiram formar associações civis ou ONGs, e tentar incidir dali (as reformistas), e as que querem conservar uma certa pureza, então, não querem fazer nada com o governo, querem criar uma cultura só de mulheres feministas.

Creio que todo grupo ideológico tem, no seu seio, diferenças e confrontos. O problema é dar a possibilidade de debater as diferenças e não estigmatizar. Creio que não querer dialogar é imaturidade política: os grupos sectários, para mim, são bastante ignorantes. (grifos nossos). Vejo que no México há muitas feministas acadêmicas que têm uma inserção de ativismo e não ocorre o mesmo com os grupos mais culturalistas, mais radicalizados, que somente funcionam no seu circuito: só lêem umas as outras, só publicam umas as outras, não lhes interessa o pensamento intelectual dos homens, e há homens que também servem para articular nosso discurso, obviamente. Não creio no feminismo, creio nas feministas, distintas e variadas. Creio que necessitamos mulheres políticas, senadoras, deputadas, juízas, intelectuais e funcionárias.

P12 Também está claro que as leis, às vezes, nos servem, mas falta que elas se estabeleçam culturalmente, e para emplacar mudanças culturais é muito difícil trabalhar rápido. Como elaborar estratégias para acelerar alguns processos?

– A lei é como um quadro, não serve para tudo. O que necessitamos é processar a subjetividade, e um debate público. Se tivéssemos, por exemplo, num bom horário televisivo, às duas ou três pessoas mais lúcidas do movimento feminista, juízas, advogadas, psicanalistas etc, falando de como a criação dos filhos fará ou não com que um homem adulto se torne um espancador, estaremos desatando processos na subjetividade. O que necessitamos é de intervenções simbólicas, comunicação social bem pensada (grifos nossos). A lei é letra morta. Eu, às vezes, leio as demandas feministas como uma lista de desejos de uma criança ao Papai Noel, se daí você parte prá “quero um canal de televisão”, “quero uma estação de rádio” etc, estará ajudando a mudar a ordem simbólica, que é o que nós queremos mudar. Imagine se houvesse telenovelas feministas. Não seria maravilhoso? Mas não temos escritoras feministas fazendo roteiros de televisão.

P12 Mas você está agora num programa de televisão muito visto no México, “El Mañanero” (O Madrugador), todas as semanas. Que repercussão teve?

– É em televisão aberta e chega às camadas mais populares do país. Me dão meia hora e os taxistas me reconhecem e me comentam. Sobre isso temos que apontar: venho formando quadros acadêmicos há 40 anos, mudamos leis como a do aborto aqui na Cidade do México, mas entendo que é preciso fazer tudo ao mesmo tempo. A Miss Universo 2010 é mexicana, então quando saiu, disseram à diretora do Instituto das Mulheres do Distrito Federal mexicano, que é uma feminista sensacional, mas que se equivocou, porque disse que o Miss Universo era um concurso de cabeças de gado que lhe dava vergonha. Imagine o choque de toda essa gente que se encanta com o concurso e se sente orgulhosa…

Então teve de se retificar, devido às queixas. Portanto, temos má fama, carregamos um estigma, não temos recursos, não temos poder, não somos uma potência econômica, não podemos impor nossa agenda aos partidos políticos nem nas discussões públicas, não temos canal de televisão… então temos que ser inteligentes e buscar de que maneira fazemos atraente nosso discurso e nossa proposta para as pessoas. (grifos nossos)

P12 Com a violência acontece o mesmo?

– Claro, parece que é um tema somente das feministas, e para mim é um erro. No México, a lei para eliminar a violência de gênero aponta como uma das causas o desamor. Em termos jurídicos, é uma imbecilidade. Os juristas sérios deste país se riem dessa lei. Imagine que se a violência é um ato de desamor, quem define isso? Essa é a lei que as feministas defendem, ao invés de dizer que foi uma primeira tentativa, que é preciso melhorar. Veja, nos dias em que íamos à Câmara dos Deputados fala do tema do aborto, nós púnhamos meias, salto alto, nos pintávamos, toda aquela coisa… e as outras mulheres diziam que essas eram concessões que não estavam dispostas a fazer. Eu sim estava disposta.

Talvez há 40 anos não, mas decidi deixar de fazer meu trabalho dentro das regras do movimento feminista, porque para mim era muito desgastante, a horizontalidade me parece perfeita, aprendi muito e desenvolvi um montão de coisas. Mas, há 20 anos, disse: agora chega, vou fazer uma organização vertical, vou ser a diretora e vou trabalhar de frente com os que tomam as decisões. Quem são os que tomam as decisões no nosso país? Os políticos, os meios de comunicação e os funcionários. Fizemos palestras com jornalistas, falamos com os políticos (grifos nossos) e lhes dissemos: “Olha, o presidente da França acaba de dizer que ainda ele sendo católico, não pode tomar esta decisão em nome de todos os franceses. Vocês, o que pensam disso?

Expor o tema de forma em que os demais possam se convencer. Por que um político se interessaria por essa conversa de que “o corpo é meu”? Mas se eu digo que o presidente da França, se sente interpelado… Tem um livro do Serge Moscovici, “Psicologia das Minorias Ativas”, onde ele diz que uma minoria, por menor que seja, pode chegar a se converter em interlocutor da maioria, na medida em que é constante. Então, se você é sério com o seu tema e lhe trabalha arduamente, em algum momento ele se transforma numa referência. (grifos nossos)

Nós mesmas nos propomos justamente isso no GIRE (Grupo de Informação em Reprodução Escolhida), em 1991, e não conseguimos a descriminalização do aborto porque nossos deputados são bonzinhos e convencidos. Jogamos com a conjuntura política, e quando eles decidiram dar uma brechinha, nós já tínhamos o projeto escrito, ou seja, é preciso estar preparado. Os políticos não se movem pela justiça nem pela vida das mulheres, se movem por seu prestígio pessoal, então, é aí onde é preciso mudar a estratégia.

E isso, para muitas feministas, é quase claudicar, nos princípios. Creio que neste momento, já são três anos com o aborto descriminalizado, temos hordas de garotas que fazem abortos gratuitos e seguros. Que me critiquem minhas companheiras feministas, não me importa. Me importa que estas mulheres não tenham que arriscar suas vidas num aborto clandestino.

Ajude o VIOMUNDO a sobreviver

Nós precisamos da ajuda financeira de vocês, leitores, por isso ajudem-nos a garantir nossa sobrevivência comprando um de nossos livros.

Rede Globo: 40 anos de poder e hegemonia

Edição Limitada

R$ 79 + frete

A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único

R$ 40 + frete

Pacote de 2 livros - A mídia descontrolada e Rede Globo

Promoção

R$ 99 + frete

A gente sobrevive. Você lê!


77 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

Opinião: Do que se trata seu feminismo? « Portfólio – Renata Arruda

17 de agosto de 2011 às 11h10

[…] Oliveira  (que chegou a ser chamada de Amélia Progressista no caso Nassif), eu prefiro ser uma feminista inconveniente, como Marta Lamas. (que de salto de maquiagem, pra horror das feministas mexicanas, foi lá, negociou e saiu com a […]

Responder

Matéria sobre a ideologia das bonecas Barbie, publicada no Blogueiras Feminitas « escrevedora

09 de agosto de 2011 às 14h35

[…] no mundo inteiro. Barbie já provou que pode paradoxalmente, ser uma aliada. Ou talvez aquela “feminista inconveniente” citada por Marta Lamas, a que luta pelos direitos direitos das mulheres sim, mas com as armas disponíveis. Subindo lá de […]

Responder

Estaria a Barbie evoluindo com as mulheres?Blogueiras Feministas | Blogueiras Feministas

23 de julho de 2011 às 11h49

[…] no mundo inteiro. Barbie já provou que pode paradoxalmente, ser uma aliada. Ou talvez aquela “feminista inconveniente” citada por Marta Lamas, a que luta pelos direitos direitos das mulheres sim, mas com as armas disponíveis. Subindo lá de […]

Responder

augusto

16 de junho de 2011 às 12h27

Censurado, não é.
Nao posso dize que foi uma surpresa.

Responder

augusto

16 de junho de 2011 às 11h25

nestes blogs todos, o que nao pode (é censurado) é discriminaçao e ataque de genero da calça para a saia.
O inverso disso pode.
E repetida e incentivadamente.

Responder

vera

08 de janeiro de 2011 às 11h19

Os desafios de ser mulher

"Antigamente" (há qto tempo, mesmo?) era fácil ser "homem" ou "mulher". A atual ausência de esteriótipos universais tornou um desafio SER mulher, e consequentemente , educar as meninas e meninos. Os homens se movem meio a reboque nas transformações femininas e feministas e é a primeira vez que vejo um discurso que traz o homem para o protagonismo da sua transformação (desejada ou não, pois, como disseram, concessões de poder são sentidas e doloridas).
Me considero feminista e concordo 100% com o maquiavelismo de Lamas! (sou fã ardorosa de Maquiavel! esse cara sabia das coisas!).

Não me importo de usar saltos e maquiagens (no sentido real e metafórico), quando pontos da agenda feminista são tão urgentes e necessários.

Quem sabe, chegaremos ao dia em que debates em torno do uso do rosa/azul, presidente/presidenta, sejam os únicos assuntos da pauta.

SOBRE O NASSIF: acho as desculpas dadas apropriadas e fim.
Tenho um filho e uma filha adolescentes, e de vez em quando, eles me vem com cada uma! Isso pq são criados de uma forma que considero "revolucionária e igualitária" . infelizmente o movimento é sempre contra a corrente.

Responder

Viviane

27 de dezembro de 2010 às 08h56

Olá Conceição!

Interessante esse debate sobre a necessidade de modificar nossas estratégias discursivas para conseguir maior adesão às nossas causas, sejam elas quais forem. Me parece uma questão pertinente – urgente aliás – para todos os movimentos sociais e, mais amplamente, para o campo da esquerda. Corremos o risco de ficar falando "entre nós"… Por sinal, vc citaria algum movimento social que esteja conseguindo uma boa comunicação com setores ainda não sensibilizados para suas causas na sociedade?

Quanto ao movimento feminista, me parece equivocado atribuir à "chatice" do discurso feminista a responsabilidade pelo não convencimento de homens, sejam eles ogros inconvenientes ou companheiros de luta (ou as duas coisas ao mesmo tempo, como estamos já cansadas de encontrar por aí…). Ao meu ver, pesam muito mais outros fatores, tais como a cultura machista (ou poderíamos dizer a "força do hábito"), que dificulta que se enxerguem injustiças naturalizadas e, principalmente, a existência de privilégios para os homens. Abrir mão de privilégios é um exercício muito exigente! Não podemos esperar que isso ocorra apenas através da negociação. Algum desconforto faz parte desse processo, mesmo quando estamos falando de homens com os quais compartilhamos idéias. Não podemos esquecer que, no que se refere às relações de gênero, nossos companheiros de luta são privilegiados… Assim como eu, mulher branca, sou privilegiada no campo das relações raciais… Dói reconhecer isso, até porque porque nós nos acostumamos tanto a nos colocar como "gente do bem" que temos muita dificuldade de nos ver do lado dos opressores aqui e acolá, pelas relações sociais afora. Daí tanto melindre quando alguém aponta uma atitude autoritária, racista, machista, homofóbica. Que tal reconhecer com maior leveza que não somos "ilhas de justiça" e aproveitar os esbarrões para avançar mais e um pouco mais rapidinho?

Um abraço,
Viviane

Responder

@bruxaod

27 de dezembro de 2010 às 02h15

Considerações sobre o qüiproquó feminista
Como ainda tem gente falando disso, deixa eu meter meu bedelho na discussão.

1-Nassif não tinha nada que publicar um texto de merda daqueles.
PORRA, NASSIF!

2-Mulheres explicando os pormenores da expressão feminazi e seu uso equivocado por direitistas notórios com histórico de repressão ao ser feminino blábláblá whiskas sache blábláblá. AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHH!!!! CHEGAAAAAAAA!
Meninas, deixa eu desenhar que é pra vocês entenderem: quem curte discutir a relação e as questiúnculas existenciais da existibilidade do ente existente é mulher (mas mulher bem mulherzinha, mesmo. Daquelas que pouco se atêm ao lado prático do dia a dia). Homem é um bicho mais pá-pum. Funciona na base do comando, de preferência com frases curtas.
E, para usar uma comparação com um mundo bem de macho, é como se você recebesse uma bola na pequena área e, em vez de chutar pra gol e marcar pro seu time (ou de zunir a bola pra arquibancada e defender o seu time de levar um gol), você ficasse lá, na frente do goleiro e de toda a defesa do adversário, fazendo embaixadinha e dizendo: “olha! Eu sou boa, vou chegar a mil embaixadinhas!”
Precisa nem dizer que em meio segundo a defesa adversária te desarmava e você ficava sem a bola, né? Ou seja; tanto trabalho pra chegar na pequena área pra que, no final das contas, a chance do gol fosse desperdiçada. Péssima atacante você é, diriam os machos de plantão. É assim que eles entendem e percebem as coisas do mundo. Estou tentando ver as coisas a partir do limitado ponto de vista masculino justamente pra entender como esse imbróglio tá sendo percebido pela homarada. Sigam meu raciocínio ao invés de baterem de frente contra ele, por favor!
O que eu quero dizer aqui é que esse discurso existencial de existibilidade existente não funciona com o público-alvo dele (ogros machistas). A coisa tem que ser mais prática, mais precisa e mais direta. Marromeno assim:
QUALÉ, SEU PORRA? FEMINAZI É A SUA MÃE, SEU BOSTA! TÁ PENSANDO O QUÊ? SÓ PORQUE TEM FALO VAI FAZER POUCO CASO DA MINHA CAUSA, É? TE CATAR, MANÉ! VOCÊ TEM MAIS É QUE ESQUENTAR A BARRIGA NO FOGÃO E ESFRIAR NO TANQUE, SEU BOCOIÓ, QUE EU TENHO MAIS O QUE FAZER! QUALÉ, NÃO GOSTOU DO MEU DISCURSO? AI, O NENÉM DA MAMÃE NÃO GOSTOU, UIUIUI!

E pronto. Frases curtas, mensagens simples e diretas. Discurso apreendido na hora, sem tergiversações ou mal-entendidos.

3-Nassif reconheceu o erro, corrigiu e pediu desculpas por todo o mal-entendido.
Não fez mais que a obrigação. E ainda bem que fez isso. (Próximo ponto, por favor!)

4-Feminazis feministas mulheres meninas pessoas que se sentiram atingidas pelo texto do Nassif continuam reclamando, batendo na mesma tecla.
PQPVCS! Remodelem o discurso, pô! A homarada de há muito já não escuta mais o que vocês tão falando!
Além do quê, gente, a forma como vcs estão apresentando o discurso é tão falha que desacredita o discurso. Respeitem mais o discurso de vocês, valorizem mais esse discurso, tornem-no mais superior, que vocês terão a causa e os princípios valorizados e respeitados por alienígenas.

Responder

@handherson

26 de dezembro de 2010 às 14h48

Gostei do texto. Um tapa na cara do machismo, do desrespeito e da hipocrisia presente nessa sociedade sacana, descarada e fingida em que vivemos.

Tudo é muito fácil quando a pessoa assediada não é uma das nossas…

Parabéns!

Responder

Gerson Carneiro

26 de dezembro de 2010 às 07h31

E outra, ainda que a garota fosse maior de idade: a garota estava à mesa, no restaurante, com as colegas, com outros adultos, inclusive com a mãe, o sujeito, provavelmente foi a primeira vez que a viu, teve a petulância de se dirigir até à mesa aonde havia pessoas que ele não conhecia, para incomodar a garota.

O que a criatura pensa que é? Partindo para essa atitude abrupta achou que a garota fosse olhar para ele e também abruptamente fosse se apaixonar? Oras, raramente isso acontece em raríssimos filmes.

Ou seja, uma ação tipicamente de otário, de babaca. Penso que não seja esta a forma eficaz e elegante para conquistar uma mulher. Eu por exemplo, para conquistar a minha esposa esperei pelo menos seis meses na tocaia. E olhe que éramos colegas de classe em um cursinho pré vestibular. Usei toda a minha paciência e sabedorias baianas.

Responder

Regina

24 de dezembro de 2010 às 21h54

Ok…Conceiçaõ….Deu prá perceber que o texto naõ era do Azenha.Mas,gostei da iniciativa dele de colocar o material.Ficou perfeito,naõ é?Feliz Natal a todos.

Responder

    Conceição Oliveira

    25 de dezembro de 2010 às 22h36

    Oi Regina, então, mas os blogs da mulher, da saúde e vida digital são de responsabilidade de seus autores, ou seja, Azenha não escolhe os textos.
    abraços
    Feliz Natal

Gerson Carneiro

24 de dezembro de 2010 às 21h47

E as religiões. Como se posicionam nessa?

Pelas minhas observações percebo padres, pastores, papas, aiatolás, dalai-lamas… apenas os homens ditando as regras. Pelo pouco que sei apenas nas religiões africanas, como umbanda etc, as mulheres têm alguma posição de comando.

Não que a labuta das mulheres tenha por objetivo algum poder, não é isso, mas quando tradicionalmente se tem os homens em posição de mando, acaba sim facilitando o machismo. Pegando o exemplo dos apóstolos, só havia homens. Se há mulher na história bíblica com algum poder, tal poder é subjetivo, não efetivo. Será que isso não teria que ser repensado também?

Pois vou relatar um fato que presenciei (vi, ouvi, e senti), em uma cerimônia de casamento, no primeiro semestre de 2010. O pastor olhando para a esposa que acabara de casar, rogou a seguinte praga (é, porque aquilo não foi uma benção, para mim foi uma praga):

"Agora a sra. xyz deixou de ser menina, deixou de ser adolescente, e agora tornou-se mulher. E sendo mulher deverá de agora em diante cumprir sua obrigação de esposa, que é a de ser fiel e submissa ao seu marido".

Então fiquei imaginando que isso é o que acontece em pelo menos grande parte das zilhões de igrejas, comandadas por pastores, ex-pecadores, que experimentaram uma gama de pecados mas que um dia decidiram frear os instintos, acreditando ter Jesus tocado o coração, e pouco tempo após frequentar um intensivão, tornaram-se pastores.

Responder

Aline Nogueira

24 de dezembro de 2010 às 15h01

Conceição

Viver é perigoso mesmo! E vc enfrentando o perigo, nesses tempos conturbados, traz ao debate a sua visão pessoal sobre alguns aspectos das relações entre os sexos, o que é muito instigante e , ainda por cima, traz Marta Lamas, uma feminista que muito admiro. Parabéns!
Penso que o importante, para as meninas, é que recebam dos pais tranquilas e verdadeiras informações sobre a sexualidade humana,sobre o afeto e sobre o fato de que há uma igualdade essencial entre os seres humanos. Para o bem e para o mal. E também que sejam informadas sobre tudo que rola no pedaço.
Por exemplo: recentemente chegou às folhas aqui no Rio, o caso da professora, casada, que foi presa após ser denunciada pelos pais de uma menina de 11 anos. Após um astuto processo de sedução, a professora passou a um assédio sexual à menina e passou a manter encontros com a mesma em móteis. Presa, a professora declarou que estava apaixonada pela menina e que tinha "boas intenções"com ela, "desejava manter um relacionamento estável." Isso foi amplamente noticiado.
Caso raro, excepcional? Não. Como estudante de Medicina, colaboro em uma clínica que presta assistência à adolescentes de menos de 16 anos que engravidam ou têm problemas de traumas decorrentes de "eventos" sexuais de qualquer tipo ou agressões físicas, emocionais,morais etc
O quadro que vejo não é de opção sexual livre. Há uma situação de indução pervertida por parte de toda a mídia comercial e de diversão, no sentido de que todos os comportamentos doentios( ou seja que causam dificuldades no viver e sofrimentos) sejam aceitos como corriqueiros e justificáveis à luz da ética de que tudo pode e deve ser consumido.
Ou seja, nem o homem nem a mulher existem como sujeitos ,mas sim como objetos de consumo, para um lado e para o outro.
É tão forte esse comportamento, que uma das fontes de banalização dos famosos é a sua transformação em símbolo sexual ou como máximo desejo de consumo.
Dois autores que refletem sobre essas questões em termos que considero válidos são Robert Kurz e Roswitha Scholz.
Do primeiro, encontrei hoje, um excelente texto, também publicado no blog do Pedro Ayres: http://pedroayres.blogspot.com/2010/12/seres-huma

Responder

    Ramiro

    24 de dezembro de 2010 às 22h18

    Muito interessante o post da Conceição e anima conhecer o pensamento lúcido e útil da antropóloga Marta Lamas, que não conhecia.
    E o seu comentário Aline, abre uma janela por onde entra muita luz.
    O filósofo Pascal dizia que o ser humano não é anjo nem animal. Se quer fingir que é anjo, torna-se animalesco. Isso vale para homens e mulheres.
    É puro preconceito afirmar que é peculiar somente ou predominantemente aos homens ou, da mesma forma, às mulheres serem assediadores, pedófilos,dominadores, exploradores ou aéticos. Ou igualmente que só elas ou eles são predominantemente puros, decentes ou éticos. Não é por aí. Não é preciso recorrer à Psicanálise para provar isso. É visível a olho nu.
    Advogando há cinco anos,na área cível, também chego a conclusões idênticas às suas, Aline.
    Boas Festas para todos.

    Conceição Oliveira

    25 de dezembro de 2010 às 22h45

    Oi Aline, é a relação de poder do assédio (neste caso de adulto sobre a criança, não importa que seja uma mulher) Na conclusão do meu texto não deixo isso de lado: a virgem rifada teve participação de três mulheres. Marta Lamas toca nesta questão, há mulheres que vitimizam outras e outros.
    Mas estamos indo para questões específicas que resvalam ou são do campo da pedofilia. Para além dela estou notando uma mudança de comportamento relacionada a banalização que vc menciona.
    Obrigada pelos textos, vou lê-los.
    abraços

Gerson Carneiro

24 de dezembro de 2010 às 14h28

Complicado esse mundo velho.
Não tenho filha, e não sei se terei, ainda.
Mas se tivesse, não importa se de 14 ou 60 anos, se um idiota ousasse alguma gracinha e eu percebesse, o imbecil correria risco de morte.
Isso é machismo? Sim. Na medida em que defendo ferozmente a minha filha e me permito proferir gracinhas com a filha dos outros. Por isso a ordem é o auto policiamento igualmente feroz.

Responder

@mariabuarque

23 de dezembro de 2010 às 21h53

Maria_fro, meu primeiro pensamento depois da eleição da Dilma foi de que deveríamos nos preparar para quatro anos de muito sexismo, machismo e preconceito.
Achei que a rede formada pelos blogueiros com os quais me identifiquei e passei a seguir durante a campanha , talvez pudesse oferecer algum tipo de resistência à essas mazelas que vão nos assolar. Achei que fosse conseguir se contrapor às injustiças e inverdades, esclarecer fatos, fortalecer a mulher que tanto lutamos para eleger, inclusive dissolvendo preconceitos tão comuns nessa nossa cultura.
Doce ilusão… Ingênua ilusão…
Isso é o que foi demonstrado nesse episódio “feminazi” e realmente foi o que me entristeceu.
Entre refletir sobre suas limitações (quando apontadas) e defender os “colegas” (seja de classe, seja de gênero) os caras ficarão com os “colegas”, banalizando e deslocando questão? Pois, na verdade, o problema é a mancada e não quem comete a mancada. Ou isso mais uma vez vai se perder na discussão?
Pelo menos para mim, a pergunta que fica é: Como vamos nos comportar diante da resistência sexista que nossa presidenta provavelmente irá enfrentar?
Desejo sorte pra todas nós. Grande abraço!

Responder

    Conceição Oliveira

    24 de dezembro de 2010 às 02h04

    Eu espero que dialogando :)
    O Nassif, por exemplo, foi conhecer a SOF e conversar com a mulherada da MMM.
    abraços

Glecio_Tavares

23 de dezembro de 2010 às 21h23

Feminista precisa deixar de ser feminina? Ser anti-machista necessariamente tem relação com banir o desejo sexual de sua vida? Vivemos uma sociedade que vende sexo pois a maioria das pessoas quer isso.
Obrigar a maioria a fazer o que queremos não é democracia.
Conceição isso não é uma critica a voce. Voce sabe que tenho uma filha que fará doze anos em janeiro, por isso penso muito nos tipos de situações que voce relatou, mas ao mesmo tempo penso se o inverso disso seria bom, pois se ninguém chegar perto dela, ela nunca será feliz. A felicidade esta por ai mas sem se arriscar a vikda passa e nada acontecerá.

PS. O site Cronicas e criticas da america latina é do Pedro Ayres, esse sabe das coisas.

Responder

    Conceição Oliveira

    24 de dezembro de 2010 às 02h06

    Oi Glécio, isto está gerando um ruído. Estou falando de uma situação que consideramos crime: assédio sexual e no caso muito mais problemático com uma menor e um sujeito adulto com o dobro de sua idade.
    Se um guri de 15/16 se aproximasse a situação seria completamente diferente, só isso.

    Glecio_Tavares

    24 de dezembro de 2010 às 13h50

    Concordo com voce, mas acho que para maiores de idade a diferença de idade não deve ser um limite. Claro que sua filha de 14 anos deve ser respeitada pelos homens em geral, mas o importante é que ela esteja preparada para os desprezar pois brigar pode leva-la a uma situação ainda pior.

    Conceição Oliveira

    25 de dezembro de 2010 às 22h47

    Ela está se saindo bem, não? A mãe foi mais brava na adolescência.

    José Adolfo

    25 de dezembro de 2010 às 19h45

    Oi Conceição. Te acompanho há algum tempo e gosto muito de suas opiniões.

    Dependendo da menina é difícil identificar se ela tem 14 ou se ela tem mais de 18 anos. Digo isso pq já vi amigos meus confundindo uma menina de 14 anos achando que ela tinha mais de 18.

    Não consegui entender bem o que o rapaz de 28 anos fez para sua filha.

    Conceição Oliveira

    25 de dezembro de 2010 às 22h51

    Importunou-a bastante,não aceitou as negativas dela. A princípio achei que era o garçon, mas vi a cara dela de desconforto. Quando me levantei ele se afastou.

    Acho que o rapaz não tem noção de perigo, pois se o pai dela estivesse na mesa e visse o assédio o sujeito certamente contaria com outro para se contrapor. Chegamos aonde eu os convido a refletir:
    Lembrem-se, a gente precisa ter direito de ir e vir sem precisar ter um homem a tira colo para que sejamos respeitadas!

    Gerson Carneiro

    26 de dezembro de 2010 às 07h07

    Minha opinião é a de que é possível sim identificar uma menina de 14 anos de idade face a uma de 18 ou mais. Pelas feições físicas, pelo comportamento. E na dúvida, é só tomar por princípio que a garota tenha menos que 18 anos, assumir isso como primordial. Aí entra a questão do respeito, que requer a contenção dos impulsos. Portanto na minha opinião essa conversa de "confundir" é coisa de quem não tá a fim mesmo de respeitar.

    Aconteceu comigo o contrário, o que eu acho mais fácil de acontecer: achei que a pessoa tivesse 14, 15, 16 anos (e não estava afim da garota, não se tratou disso) e descobri, conversando com o pai dela, que ela tinha 19.

Roberto Takata

23 de dezembro de 2010 às 20h13

Bom texto.

Vi que uma postagem minha foi referenciada ao falar do número de blogues de mulheres mencionados nos blogrolls, mas o contexto foi um pouco deslocado. Queria saber se o Vi o Mundo publicaria um texto meu explicando.

[]s,

Roberto Takata
Never Asked Questions

Responder

    Conceição Oliveira

    24 de dezembro de 2010 às 02h14

    Oi Roberto, acabei linkando a sua resposta e não o comentário da Lola que virou post. Já corrigi para o respectivo link.

    Aqui neste espaço o foco é o sexismo, embora o seu texto seja bem bacana, eu particularmente acho que este case blogprog machista, nassif feminazi, blogroll feministas e afins já deu. Na minha humilde opinião de feminista intransigente a subrepresentação feminina na esfera virtual é só reflexo de uma suprepresentação em espaços de poder no mundo offline. Abraços

    Roberto Takata

    24 de dezembro de 2010 às 17h23

    Cara Oliveira,

    Também acho isso da subrepresentação ter raiz no offline.

    Mas, uma vez identificado este problema, acho que podemos tentar resolvê-lo. No caso do blogroll é algo bastante simples. E nem precisa estender demasiadamente a lista. Como há aneis de blogues femininos e outros repositórios e portais de referências, dá pra fazer apenas acrescentando um link a um desses aneis.

    A médio prazo tentarmos trabalhar para que nossas fontes (falo aqui pelo lado masculino) diversifiquem-se, incluindo com mais frequência a questão feminina.

    []s,

    Roberto Takata

    Viviane

    27 de dezembro de 2010 às 08h29

    E como é que se muda essa subrepresentação, dentro e fora da esfera virtual?? Experiências em outros campos mostram que ações afirmativas são um bom começo… É óbvio que a blogosfera não poderia ser uma ilha de igualdade cercada da lama do machismo por todos os lados, mas se não começarmos as transformações nos espaços dos quais participamos, só nos resta mesmo lamentar a vida como ela é! E isso não é postura de feminista ;-)

    Roberto Takata

    24 de dezembro de 2010 às 09h46

    Cara Lemes,

    Ah! Eu havia enviado esse comentário antes do contato pelo twitter. Como era apenas uma questão de link para o texto errado e isso já foi corrigido, acho que o texto ficaria ocioso.

    Agradeço pela correção e pela disponibilização do espaço de todo modo.

    []s,

    Roberto Takata

Victor Farinelli

23 de dezembro de 2010 às 14h04

Meu filho de 4 anos, com poucos meses de jardim infantil, já foi doutrinado nesse sentido. Estou tentado dizer a ele o contrário agora que é cedo, que ainda da tempo de mudar, antes que ele absorva totalmente esse paradigma, e digo prá ele que deve brincar tanto com os meninos quanto com as meninas, que não deve haver divisão. Não sei se dará certo, já que nado contra a corrente. Moramos no Chile, e não sei no Brasil, mas aqui existe uma nova onda de valorização das princesas Disney, todas voltaram em forma de álbuns, bonecas e desenhos readaptados. As colegas do meu filho já entraram na onda, e já querem ser princesas. Os colegas dele, como ele, já foram escalados prá tudo aquilo do que menina não pode brincar: futebol, jogo de porrada, carrinhos, instrumentos musicais, etc. Nenhum deles tem 6 anos ainda, e já foram condicionados.

Responder

    Conceição Oliveira

    23 de dezembro de 2010 às 16h11

    :) Coisa boa te ler, acho que este comentário tem de virar um post :)
    beijos agradecidos por traduzir Lamas para nós.

    Gerson Carneiro

    24 de dezembro de 2010 às 14h31

    "Todos nascemos originais, mas todos morremos cópias" – Carl Gustav Jung

    Mas pelo menos existe a possibilidade de escolher o que copiar.

Victor Farinelli

23 de dezembro de 2010 às 14h03

Creio que todos nós, homens, poderíamos aproveitar o fim, enfim, dessa triste polêmica surgida a partir do uso ofensivo do termo "feminazi" por um comentário num blog, prá repensar nossas idéias sobre o feminismo, ou prá profundizá-las. E sem nenhuma vergonha, eu não sinto remorsos por ter, incoscientemente, tratado o movimento feminista como assunto de meninas, e que não deve me interessar a mim. ou quiçás tenha algum remorso que me custa confessar, justmente pelo mesmo temor a ser infantil a ser chamado pelos outros meninos de mariquinha, é como nós chamamos aqueles de nós que resolvem se envolver com temas das meninas, certo? Sair dessa prisão custa, mas resolvi me desafiar a pelo menos tentar.

Responder

Victor Farinelli

23 de dezembro de 2010 às 14h02

Mas isso não seria o inverso a mesma prisão cor de rosa? As bandeiras das feministas é problema delas, não nosso. Elas que lutem pelo aborto, elas que se preocupem da violência contra as mulheres. Prá que eu, homem, vou me mover, se as feministas já estão se movendo, elas são mulheres, e isso é um assunto de meninas. Talvez seja mais fácil prá mim confessar, já que nunca fui um ativista propriamente dito. Mas bem um entusiasta de diversas causas coincidentes com meus principios, mas não tenho nenhuma vergonha de admitir que muitas vezes pensei assim, e que não é nada diferente do inverso da prisão cor de rosa que existe sim na infância dos meninos – se você usa cor de rosa é um maricas, se é menino tem que brincar com os outros meninos, ou você toma partido agora e pro resto da vida, ou será classificado como anormal.

Responder

Victor Farinelli

23 de dezembro de 2010 às 14h01

Marta Lamas diz, e eu concordo, que as feministas precisam de estratégias prá fazer com que os homens se sintam convocados pelas bandeiras feministas. Mas também me pergunto: por que os homens não se sentem convocados por temas como a violência contra a mulher? Por que somos nós, como gênero, os agressores? Mas se os torturadores das ditaduras eram todos homens e nós não economizamos verborragia contra eles e contra a violência que eles exerceram, sequer nos importa o fato de serem todos homens, a tampouco titubearíamos frente a esse dado. Os combatemos e queremos punição devido a nossos princípios, por sermos contra a tortura, como conceito, mas não somos sensiveis prá pensar na tortura física e psicológica que as mulheres sofrem de seus maridos e namorados. Se pensamos nisso, automaticamente o classificamos como tema segmentado, "problema das feministas". Prá isso elas existem, certo?

Responder

Victor Farinelli

23 de dezembro de 2010 às 14h01

Reenviei o tal email aos meus contatos, e mais a amigas que a amigos, achando que estava fazendo minha boa ação do ano para com o feminismo. E só voltei a pensar nele agora, lendo a opinião da Fro, a respeito da entrevista da sra. Lamas, a qual já havia lido anteriormente. E pensei, não será que essa prisão também nos afeta a nós homens?

Responder

Victor Farinelli

23 de dezembro de 2010 às 13h57

Muitas coisas a dizer, sobre o que diz a Fro e sobre o da senhora Lamas.

Concordo em quase tudo o que diz essa interessante feminista mexicana, quem eu não conhecia, e me pareceu bastante inusitado seu ponto de vista. Jamais parei prá pensar o feminismo visto por essa ótica, e quando percebi isso, me dei conta que jamais parei prá pensar profundamente no feminismo.

Há alguns meses, recebi um email com uma psicóloga inglesa criticando a prisão rosa imposta às meninas desde a infância, que isso lhe impõe um paradigma que vai influenciar na vida adulta dessa menina, e que junto com a mensagem subliminar das heroínas princesas – as que são heroínas somente porque arrumaram marido, enquanto as que não se arrumaram são bruxas, madrastas más e irmãs feias e eternamente encalhadas – estabelece logo cedo o paradigma da resignação feminina diante de um mundo movido pelos homens, onde o papel da mulher é o de servir de apoio, sempre dentro dos limites do seu universo paralelo cor de rosa.

Responder

Mariana Rodrigues

23 de dezembro de 2010 às 13h11

Prezada Conceição, eu, como velha feminista, com quase setenta anos nas costas, posso dizer que conheço, pelo menos, quem faz feminismo pelo Brasil afora. A sério, de enxada na mão, em todas as classes sociais. è claro que para ser feminista, não precisa ser de nenhuma patota, basta abraçar a ideologia feminista.
Mas talvez por ser velha, por ser daquelas que também ajudou a abrir trilhas, não só aqui nas Alagoas, devo ter pedido algum link. Gostaria de saber quem são, o que fazem, de que vivem, como pagam suas contas, a filiação partidária da moçada que integra o que você chama de Blogueiras Feministas.
Acho pretencioso, até porque supõe que todas as feministas que posusem blogues, é da patota. Falsidade! Enganação! Engano!
Sugiro que mudem para Algumas blogueiras feministas. Fica mais decente, não?

Responder

    Conceição Oliveira

    23 de dezembro de 2010 às 14h28

    :)
    Nomes são sempre problematicos, não é?
    Certamente é uma lista que não é totalizante.
    Minha amiga Fátima de Oliveira, uma das feministas que mais admiro não está lá, está amassando o barro :)

Louise Rosemblatt

23 de dezembro de 2010 às 12h53

Um longo texto para concluir que, no fundo, os obstáculos à igualdade entre homens e mulheres são culpa das "feministas sectárias". Quem dera assim fosse…

Responder

    Conceição Oliveira

    23 de dezembro de 2010 às 15h01

    Ah! Loise, sério mesmo que vc lê a idéia de tentar novas estratégias no fazer político pela igualdade de gênero, no não isolamento como culpabilização das 'feministas sectárias'?

Hans Bintje

23 de dezembro de 2010 às 12h07

Conceição Oliveira:

Adorei a ironia implícita em seu texto. Permita-me piorar ainda mais as coisas.

Uma das comunidades mais feministas que conheço está ligada a uma das tradições católicas mais antigas que existem.

E foi mostrada, por incrível que pareça, no "Globo Rural": o programa fez uma reportagem sobre a abadia de Scourmont, na Bélgica, e do relacionamento que ela possui com os agricultores familiares da região.

É bem diferente da triste situação brasileira que é descrita por Emiliano José ( http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMos… ):

"Há ainda uma longa marcha para a mudança de mentalidade de nossa sociedade. Quem viveu bem mais de três séculos sob a escravidão não pode esperar que o espectro da Casa Grande tenha desaparecido. Esse espectro, aqui e ali, ressurge, e muitas vezes, com força. (…)

Dilma foi um tsunami tão forte quanto Lula. E um tsunami que provocou a recuperação, parcial que seja, dos valores de uma sociedade patriarcal, misógina, homofóbica, autoritária e elitista. A parte da sociedade que assumiu esses valores de modo militante recusa conquistas já consagradas pelas sociedades democráticas avançadas."

Responder

Antônia Vic

23 de dezembro de 2010 às 11h13

Conceição,
Gostei imensamente do seu texto e foi uma grata surpresa a entrevista com a Marta Lanas. Entendi perfeitamente a sua posição: temos que nos posicionar, temos que criticar, mas cuidado para não nos isolarmos. Acredito que a luta das mulheres, dos negros, dos homossexuais pertence a todos. Portanto, devemos ter uma atitude também pedagógica e não só reativa contra pessoas que emitem opiniões e conceitos que ferem os direitos de igualdade e justiça.
Como mulher e negra, utilizo sempre uma frase que não é minha: o preconceito tem cor, mas a luta contra o preconceito não. A entrevista da Marta é uma bela demonstração de que, só avançaremos quando conseguirmos ganhar os corações e mentes de todos e não apenas das mulheres.
Parabéns mais uma vez, pelo texto, pela coerência e pela coragem (sei que este texto pode desagradar que hoje está muito armado ou armada). Mas, o desarmamento também é um ato de coragem.

Responder

    Conceição Oliveira

    23 de dezembro de 2010 às 14h26

    Cara Antônia, Fátima, Hans o caminho é longo.
    Forte abraço

Fátima Oliveira

23 de dezembro de 2010 às 10h32

Escrevi um comentário em "Blogosfera progressista, feminismo e polêmicas":
"Conceição, a polêmica nem sempre é polêmica. Há supostas polêmicas que atendem pelo nome de provocação. Quando é provocação eu não discuto. Não tenho mais idade para gastar meu latim respondendo a provocações desse tipo de gente e de discurso. Vou reler, mas no momento acho que é provocação troglodita, de baixo calão. A pergunta é: a serviço de quem?"
[www.viomundo.com.br/blog-da-mulher/blogosfera-progressista-feminismo-e-polemicas.html]

Responder

Fátima Oliveira

23 de dezembro de 2010 às 10h29

O feminismo não é um bloco monolítico. É um equívoco incomensurável alguém sair por aí se arvorando em fala em nome do feminismo. Ninguém fala em nome do feminismo. E sim enquanto feminista.
No momento, depois de ter lido e relido o texto atual da Conceição Oliveira e a magnífica entrevista com Marta Lamas, que eu conheço pessoalmente e até já visitei a ONG por ela fundada, a Grupo de Informação em Reprodução Escolhida (GIRE), cujo trabalho é focado nos direitos reprodutivos, só posso ficar pasma diante de tantas "inhas", todas decorrentes de "picuinhas" machistóides. Tenho a opinião que cair em provocação de qualquer ordem é pura perda de tempo. Coisa que não me apetece.
A luta contra a opressão de gênero e contra a opressão racial/étnica é, sobretudo a busca de estabelecer novos padrões culturais não-sexistas e não-racistas, todavia os caminhos que nos levarão a tal estágio são múltiplos.
Daí porque, se a ideologia feminista é UNA, os feminismos são muitos. Nenhum melhor que o outro. O mesmo vale para a luta antirracista.

Responder

    TCBelvis

    23 de dezembro de 2010 às 20h31

    Percebi a provovação disfarçada de post feminazi pois assim é como funciona a dor machista e me limitei a ler a logica e argumentos mui ridículos. Entretanto é assim que o preconceito nos atinge, nos puxando para baixo, nos humilhando mutilando e desrespeitando como se fosse a coisa mais normal do mundo. Ontem fui a faculdade pedir a colação de grau de licenciatura na FEUSP. Esperei na fila na minha vez fui atendida por um homem que me solicitou uma assinatura e dados em formulario. O fiz e o senhor atendente me fez esperar atender outro individuo atras de mim. No dia anterior fui ao dentista na Pça da Arvore e o curativo feito pelo dentista caiu na mesma noite e este aceitou me receber no dia seguinte, aquele dia, antes de suas férias. Seu consultorio fica no outro lado da cidade, o xerox da faculdade estava fechado, eu estava a pé, enfim, estava com um pouco de pressa. Como havia esperado na fila enquanto outra pessoa anotava seus dados e o atendente esperava, tinha expectativa do mesmo tratamento, mas me limitei a bater no vidro e dizer que tinha um compromisso e estava com pressa (quando deveria ter dito Ei, eu cheguei antes!). O atendente se limitou a dizer que ja iria me atender e continuou a atender a outra pessoa. Quando finalmente terminou e se dirigiu a mim levantando a voz: voce nao pode vir aqui tendo outros compromissos, deve ter tempo para essas coisas. Eu estou aqui te tratando bem. O maldito me passa um caderno para assinar e vira para atender outra pessoa. Depois se vira para mim e me dá o comprovante. Saí humlhada e com um no na garganta que desatei chorando no meio do caminho. Duvido que alguma mulher nao tenha sido humilhada por um homem em sua patetica posicao de autoridade. Sim a questao da mulher necessita de bastante informação e discussao.

    Mico Jäger

    23 de dezembro de 2010 às 22h44

    Estou de acordo com sua afirmação: o feminismo não é um bloco monolítico. Comporta ideologias de esquerda e, pasmem, também de direita.

    Tenho acompanhado nos últimos dias toda a polêmica iniciada pelo uso do termo "feminazi" em um post no blog do Nassif. Na minha visão a polêmica, como foi administrada por alguns é divisionista e só serve à direita. Inicialmente nem me interessou muito o termo em si; em alguns posts, entretanto, vi feministas – homes e mulheres – arguindo que não existem "feministas radicais" que defendem a exterminação do genero masculino humano, que isso era ficção, factóide, etc, etc.

    Encontrei pelo menos duas referências dignas de debate; estou convencido que defender que não existam feministas radicais que pregam o exterminio do gênero masculino (literalmente) e como defender que não houve holocausto.

    Primeiro, um artigo escrito por Marlene Dixon, feminista histórica nos EUA, que segundo artigo na Wikipedia foi fundadora do Democratic Workers Party. O DWP foi um partido de esquerda nos EUA, extindo em 1986. Nesse artigo de 1977 (http://www.marxists.org/subject/women/authors/dixon-marlene/rise-demise.htm), Marlene Dixon explica a histórida da ascenção e queda do movimento Women's Lib. Em uma parte do texto, ela fala sobre o "feminismo reacionário", e o tipifica como um movimento de direita que pregava a exterminação do gênero masculino. Interessante que isso foi na década de 70, quando clonagem não era algo ainda possível. Essa é uma parte interessante do artigo, em inglês:

    "Reactionary feminism, on the other hand, openly asserted as its fundamental tenet that all men are the enemies of all women and, in its most extreme forms, called for the subjugation of all men to some form of matriarchy (and sometimes for the extermination of all men). It offered a utopia composed of police states and extermination camps, even though reactionary feminists very rarely followed through to the logical outcome of their position.

    Reactionary feminism was not an ideology of revolution (the likelihood of victory seeming remote even to its advocates) but an ideology of vengeance."

    Resumindo, uma ideologia então utópica de vingança contra os "machos", com vertentes que defendiam a exterminação física do gênero.

    Depois, encontrei outro artigo sobre a feminista Mary Daly, ex-professora do Boston College falecida em 2010, que foi demitida por não admitir alunos do sexo masculino em suas aulas. Esse artigo (http://www.equityfeminism.com/articles/2002/mary-dalys-feminist-vision-of-gendercide/) é auto-explicativo sobre as teorias "generocidas" desta mulher, e de outras feministas radicais expostas no texto. Inclui a "utopia" de um mundo onde a população de machos é controlada e mantida em 10% da população total. Admirável mundo novo.

    Enfim, diante da polêmica decidi aprender mais sobre o radicalismo nessa área, e estou estupefato. Posições com da Mary Daly e feministas de direita que a seguem (veja WIkipedia) defendem uma supremacia de gênero que é absurda e remete a uma ideologia derrotada no século 20. Até tenho receio de iniciar um debate sobre isso, pois esse episódio mostrou que os ânimos estão muito exaltados.

Ricardo Wandega

23 de dezembro de 2010 às 08h01

Estou ficando realmente de saco cheio. Frequento o Nassif e o Azenha 3 ou 4 x por dia….e posto diariamente. Nas ultimas 3 semanas participei ativamente de posts sobre TDAH, Medicos, Gays, Laerte, Feminismo, e agora o caso da atriz das Dionisiacas. Esse tipo de problema nao tem somente a ver com feministas….quanto mais esses blogs crescem, mais ficam parecidos com a realidade da sociedade. Comentarios hipocritas , superficiais, levianos, linchamentos de classe, e contra ataque de classe, como nesse caso. Está ficando menos prazeroso discutir. Em todos esses posts que eu citei, tive posicao aberta e sempre fui linchado por uma serie de comentarios preconceituosos e extremamente conservadores. Um cidadao que sai respondendo a todos os posts contrarios a opiniao dele partindo pra ofensa pessoal. Nao esta mais tao agradavel quanto antes. Volto a dizer……a discussão nao é somente de classe…talvez seja muito mais sobre tolerancia e construção de conhecimento….e não de disputa ferrenha da posição.

Responder

    @Laura_Diz

    23 de dezembro de 2010 às 10h36

    Tb ando enjoada de tudo o que vejo.

Depaula

23 de dezembro de 2010 às 07h33

Conceição, como homem que se esduca todos os dias para respeitar as mulheres, entendi seu desabafo. E você acerta quando diz que o direito de ir e vir sem ser incomodada é vital para as mulheres. Nota dez para a entrevista com Marta Lamas que eu não conhecia, mas é uma figura da maior importância do feminismo mundia (fui pesquisar depois de ler a entrevista dela).
Mas sobre esse destempero virtual causado por um post no Nassif, que era inadequado ao politicamente correto (que também acho importante por ser pedagógico, mas parece que virou moda contestar o politicamente correto), chega! Foi um aconteciento que entendo como encerrado. Pra que ficar mexendo nele? " M" quanto mais mexe, mais fede. Espero que quem se diz blogueira feminista entenda que embora seja um ativismo importante, o ser blogueira feminista, não é a única coisa que o feminimo faz. Menos, não se deem tanta importãncia além daquele graozinha de areia que são no areial. O feminismo real amassa barro todos os dias. E amassar barro ainda é a parte que faz toda a diferença na vida das mulheres comuns.

Responder

Nilva

23 de dezembro de 2010 às 02h56

Mas a repercussão do assunto deveu-se mais aos ególatras que acharam uma brecha para criticar quem lhes ofusca, seja por maior audiência, comprometimento com os assuntos que abordam, por perfil ideológico, por serem mais democráticos e participativos, pelo conteúdo dos posts, pela honestidade intelectual, pelo carisma e/ou vários outros motivos que os invejosos não conseguem engolir. Um outro fato que percebo é o quanto a questão de gênero ainda é tabu e o quanto nossa sociedade se nega a enxergá-lo como um problema real que deve ser discutido. O pior de tudo é ver mulheres sexistas, machistas e conservadoras ,que justificam sem perceber as agressões e discriminações a que são submetidas. Ainda temos muito que avançar nesta questão.

Responder

Nilva

23 de dezembro de 2010 às 02h56

Pois é, Conceição, acho que confundiram tudo.O termo feminazi é desqualificador e abrange todas as mulheres em qualquer campo de suas lutas. Mas daí a radicalizar e englobar questões como a entrevista dos blogueiros com o Lula que, diga-se de passagem fui contra quem disse não se sentir representado pelo grupo e pela ausência de mulheres que, assim como você comentei que o convite foi feito e elas não foram por problemas pessoais, de agenda etc..

Responder

Santos

23 de dezembro de 2010 às 01h40

Eu vou comentar e sem medo de você me censurar Conceição.

Sobre sexismo, machismo e feminismo. Para mim, esses coletivismos são conveniências.

Tu citou a adolescência de sua filha. Me lembro da minha. Me lembro das 'gostosas' como você citou não ter receio nenhum ou vergonha em objetificar o corpo na hora de pedir para o então nerd aqui ajudar na prova. Alías, os nerds (meu colega de sala). Era até engraçado, como observadores que eramos, prever o momento certo que as feministinhas vinham na gente.
Meu, funciova melhor que uma função matemática.

Ora Conceição, o que temos hoje não é resultado dos males do machismo. É sim, as virtudes do feminismo.

Eu acho tudo isso ridículo por um simples motivo. Vocês, Nassif, Azenha, e demais os blogueiros, foram agrupados no coletivo 'progressistas' por seus leitores e VOCÊS MESMOS.

O que assisti recentemente e é relatado por você aqui é um coletivo contra outro coletivo. E o indivíduo, que são os blogueiros, estão enrascados como indivíduos. Parecem que perderam o direito de serem indivíduos. Aliás, a continuar assim, parecem que nós vamos perder o direito de serem indivíduos.

E é esse o mal do coletivismo, é pegar a menor minoria de todas as minorias, que é o indivíduo e negar essa minoria. Esmagar essa minoria. Essa barafunda de meio século de feminismo x machismo, não resolveu muito os problemas individuais.

É individual sua lutar por uma educação decente para sua filha. É individual minhas escolhas de com quem vou ficar, e como vou ficar com tal e tal.
Eu quero que os feminismos e machismos e sexismos danem-se. Não resolvem porcaria nenhuma.

E não quero ser catalogado por nenhum coletivista (mais do que já tenho sido).

PS: Não pode mais chegar nas meninas Conceição? Que broxante, hein?

Responder

    Conceição Oliveira

    23 de dezembro de 2010 às 02h03

    Bem Bruno se vc tiver o dobre de uma guria de 14 anos, acho melhor ter cuidado, especialmente se não tiver o consentimento da própria.

    Coralina

    25 de dezembro de 2010 às 13h02

    Conceição, que paciência você está tendo…!! Nooossa! Na resposta abaixo "Meu deus…" explicando o que você quer dizer com 'negociar' e, aqui, tendo que lembrar que existe a Lei, justamente porque o senso de IGUALDADE não está devidamente entendido em muitas pessoas ("progressistas" e de esquerda), ou seja, não é integralmente respeitada. De toda essa conversa disparada pelo "feminazzi", pode-se concluir, de novo, o quanto temos que aprofundar e ampliar sobre Democracia. Minha esperança é que de fato a Dilma leve a cabo o que tem falado (e me parece que esta é a questão subjacente ao que diz): "vou governar com Igualdade para [email protected]". O que deve ser radical, é a democracia, e isso implica revermos os padrões de tudo! que foram cultural e historicamente construídos; como os papéis sociais de gênero.
    Uma sugestão (também ao bom número de homens que, aqui, parecem dispostos a isso), é conhecer a Revista de Estudos Feministas – http://www.cfh.ufsc.br/~ref – e o Instituto de Estudos de Gênero – http://www.ieg.ufsc.br/. Estas produções, pautadas em investigações na vida real e concreta, entre outros temas, refletem sobre a intrinsecabilidade do gênero com classe, etnia, geração, o mundo do trabalho, sexualidade, subjetividade, etc.

    Conceição Oliveira

    25 de dezembro de 2010 às 22h55

    Oi Coralina, conheço sim, ótima indicação.
    É preciso ter paciência temos muito ainda o que mudar pela frente, né?
    abraços

    Santos

    26 de dezembro de 2010 às 02h13

    Quanto a provocação no PS…
    Eu posso ser anti-coletivista, não gostar do discurso politicamente correto, mas não sou sem noção: Na minha atual idade o conceito de 'menina' gira na faixa de 20 até 25 anos.

    Mas concordo com um colega que afirmou que tem muitas meninas de 14 com aparência de 19, mas numa conversa de 3 min a gente saca a real idade.

    O mais importante é não jogar no coletivo, o sem noção que estava 'dando idéia' na sua filha é apenas UM INDIVÍDUO SEM NOÇÃO.

    Jairo_Beraldo

    23 de dezembro de 2010 às 07h02

    Concordo em genero, numero e grau…principalmente porque, li comentario da Sra. Conceição, aqui no Viomundo certa vez, sobre suas preferencias em quem dá opiniões por aqui. Foi de uma indelicadeza ímpar, por ser ela "progressista", ou seja, não discriminatória, humanizada, respeitosa e imparcial. São as pegadinhas que a vida nos dá, para cairmos em contradições. "Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço", como li em reportagem de Isabel Allende, conhecida colunista feminista, que em sua vida pesoal era submissa inconteste.

    Conceição Oliveira

    23 de dezembro de 2010 às 11h27

    Jairo, poderia ser mais específico?
    Volto a insistir, vocês realmente acham normal o assédio?

    dukrai

    23 de dezembro de 2010 às 16h11

    o seu comentário é um poço de preconceito, desinformação, mal escrito e truncado.
    "feministinhas" eram as gostosas que só azaravam vc e seus amigos cdf na hora das provas. é uma baita insegurança achar que mulher só age por interesse e que vc e seus amigos eram um lixo. Eu acho que neste caso vc está parcialmente certo.
    vc faz uma oposição primária de feminismo e machismo, um equívoco elementar já desfeito em dezenas de posts e eu não vou perder o meu tempo em repetir.
    simplesmente não dá pra entender quando vc diz "o que temos hoje não é resultado dos males do machismo. É sim, as virtudes do feminismo."
    Desta doidice pula pra outra: "Eu acho tudo isso ridículo por um simples motivo. Vocês, Nassif, Azenha, e demais os blogueiros, foram agrupados no coletivo 'progressistas' por seus leitores e VOCÊS MESMOS."
    eu não sei porque nós somos ridículos em sermos "progressistas", o oposto de reacionários e tendo ao centro os conservadores. esta imagem é similar à esquerda e direita no seu desenho original, mas vc deve ter matado essa aula de história na sétima série. em tempo, nós não fomos "agrupados por seus leitores e vocês mesmos" [gritos], o termo foi votado na plenária do encontro em SP, pelos trezentos e tantos blogueiros presentes.
    o papo furado de indivíduo e coletivo eu deixo pra lá, a ideologia liberal está moribunda, o Vampiro Brazileiro continua assombrando que nem uma alma penada mas os seus náufragos ainda elegem geraldinho opusdélico e cia.

Sil Aba

22 de dezembro de 2010 às 23h43

Eu sempre acompanho seu blog. Não acho que isso me dê o direito de dizer o que vc deve escrever, mas vc percebe o que está fazendo? Percebe que está dizendo que é melhor a gente calar a boca?

Responder

    Conceição Oliveira

    23 de dezembro de 2010 às 11h24

    Meu deus, onde negociar, buscar formas de criar uma sociedade anti-sexista é aconselhar a calar a boca, Sil?

    Sil Aba

    25 de dezembro de 2010 às 10h37

    Veja bem. Escrevi uma resposta bem brava.

    O que quis dizer é o seguinte: aqui não se está negociando nada sério.

    Ninguém está criticando mulheres que usam maquiagem, e não houve grande revolta pelo fato de a Dilma ter escolhido uma posição mais aceitável pela nossa sociedade machista em relação à questão do aborto.

    A questão aqui é somente a birra de pessoas machistas em escutar e respeitar o discurso do "outro", nesse caso a "outra" feminista.

    Tenho amigos e amigas, colegas, vizinhos e parentes machistas assumidos enrustidos, até porque a nossa sociedade incentiva o machismo. Não aceito a opinião, discuto às vezes de forma acirrada e às vezes deixo quieto porque vejo que não tem jeito, mas não precisei cortar relações com ninguém, ao menos até agora, por isso.

    Eu defenderia um machista injustiçado, sim. Mas não defenderia uma agressão gratuita, contra quem quer que fosse. Por uma questão de princípios,

    Mas essa discussão descambou para um lado surreal, agora os agressores são as vítimas, e se dizer ofendida por ser chamada de feminazi é ser muito agressiva. Puxa, eu concordo que é preciso negociar, mas em que termos seria essa negociação? Aceitar a agressão e pedir desculpas por existir?

    Enfim, sério, se for para ler a respeito de como devo me moldar ao mundo machista para obter vantagens pessoais eu vou ler Claúdia e não o teu blog, Conceição.

@Laura_Diz

22 de dezembro de 2010 às 23h36

Gostei do seu desabafo. Gostei da entrevista, só q o sono… tenho q ler depois.
Fro, esta briga, estes desentendimentos, me deixam c pé atrás, c vontade de dar um tempo do virtual, sabia? Detesto confronto deste tipo. Sou boa no confronto de ideias, mas qd misturam tudo… dá enjoo, cansa.
Tb acho radicalismos o fim. Sou uma mulher livre, detesto precisar tomar partido.
Enfim, vamos ver se os ânimos abrandam, né?
Um bj Elianne

Responder

Carlos Arrikitown

22 de dezembro de 2010 às 23h07

Acho que o Nassif aprendeu do erro, não é democrata cristão tudo o que brilha. Agora só resta que ele mande uma mensagem direta ao Aecio para incluir o aborto libre e gratuito no programa do PSDB. Alto, claro e sem medo.

Responder

Regina

22 de dezembro de 2010 às 22h09

Maravilhoso o texto…Enfim,bom senso na rede.Brigas por palavras,por questóes pessoais naõ mobiliza ninguém,todos saem perdendo.Até complementando,há uma grande mudança social ocorrendo, do Patriarcado para o Matriarcado.Em toda transiçaõ é perfeitamente natural perder um pouco dos limites e da capacidade de julgar…Uma vez que, ainda nada foi definido.È importante durante o processo manter a diginidade de uns e dos outros.Continuo admirando todos os blogs,porque partem das mesmas idéias,só que usam palavras diferentes.Que bom haver diversidade,apreendemos mais.Muito bom,Azenha.

Responder

    Conceição Oliveira

    23 de dezembro de 2010 às 11h26

    Oi Regina os textos do Blog da Mulher não são do Azenha :)
    Abraços
    Conceição Oliveira

dukrai

22 de dezembro de 2010 às 22h05

Quando a dona Mônica acusou a Dilma de assassina de criancinhas eu não vi nos mais de 70 blogs do meu reader um fuzuê como esse que pretendeu detonar com o Luis Nazif, como o chama uma das desagradáveis feministas.
Inclui vários blogs dessas militantes agora, o do Idelber eu já lia esporadicamente, mas confesso que os leio que nem a falha de sp, só pra saber o que andam falando as inimigas. Ainda bem que rolam textos e entrevistas como estes que mostram que uma micro-minoria não é dona assim do pedaço e que essa briga também é nossa.

Responder

    Paulo Silva

    24 de dezembro de 2010 às 16h55

    Dukrai
    Além desse episódio das calúnias da Mônica Serra, vimos a Presidente Dilma ser criminosamente caluniada, injuriada, difamada, assediada moralmente não só por poderosos órgãos de nossa imprensa, como por blogs da direita , via internet e via telemarketing. E ainda tinha os panfletinhos dos religiosos e dos partidos apoiadores do Serra.
    Deveríamos realmente ter assistido um fuzuê das feministas unidas bem maior do que essa escandalização espetaculosa do que mais parece um mal entendido ou então algo proposital para destruir um dos maiores defensores do verdadeiro jornalismo na blogosfera.
    Ainda está em tempo! Fica a minha sugestão: escandalizemo-nos todos, mulheres e homens com o massacre realizado contra a dignidade e a honra de Dilma Rousseff e vamos juntos à Justiça exigir punição para os culpados. Uma causa comum iria mostrar na prática quem é quem em termos políticos e éticos.

    Conceição Oliveira

    25 de dezembro de 2010 às 22h57

    Paulo e Dukrai, desculpem-me, mas o fato de vocês não terem lido, não quer dizer que as feministas não se posicionaram, aqui mesmo no blog da mulher, no Maria Frô e nos muitos blogs da mulherada o debate aconteceu.
    Fátima de Oliveira puxou as orelhas das feministas do PSDB, enfim, não faltou texto sobre o assunto e a luta das feministas de esquerda no embate eleitoral.
    Abraços

Horacio V. Duarte

22 de dezembro de 2010 às 21h38

Não acompanhei o caso 'feminazi', só esta semana lí um post do Nassif sobre o assunto. Não sei avaliar se agiu corretamente, mas para mim é um jornalista com crédito.

Mas senti falta desta indignação em relação a bispos católicos, bispos e pastores evangélicos de diferentes confissões, que indiferentes a miséria e sofrimento humano gerador e motivador do aborto só condenam as mulheres. A solução para o aborto é o cinto de castidade e prisão para aquelas que o cometerem sem direito a serem atendidas por médicos (exceto os particulares). E isto sob a aprovação de um candidato. Não houve manifestações, nem uma única voz se elevou.

Tivemos um caso de repercussão nacional a pouco tempo. Uma mãe jogou sua filha, recém nascida, na lagoa da pampulha em BH. Um caso constrangedor sem dúvida. A mulher, mãe solteira e desempregada, foi exemplada em um linxamento midiático e foi condenada. Achei que o caso levaria a discussão do aborto, afinal a mulher tinha outra filha e tinha dificuldades de mante-la. Agiu por puro desespero e despreparo. Mas não assisti a essa discussão e Tomas de Torquemada falou sozinho.

Horacio V. Duarte

Responder

    Andréia Freire

    24 de dezembro de 2010 às 02h11

    Você lê blogs de feministas pra saber se esses assuntos foram discutidos? Acho que não, né? Senão você saberia que esse assunto é muito bem discutido.

    Paulo Silva

    24 de dezembro de 2010 às 14h40

    Andréia

    l


Deixe uma resposta

Apoie o VIOMUNDO - Crowdfunding
Loja
Compre aqui
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação e traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.