Um apelo ao diálogo

Tempo de leitura: 2 min
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Por Marco Aurélio Mello

por Marco Aurélio Mello

Você é surpreendido por uma onda grande, daquelas que te arrastam.

Você rodopia dentro dela, engole água, tem medo de se afogar.

Quando a cabeça encontra o ar, você toma fôlego rapidamente até que outra onda te alcança e te pega de volta.

A humanidade parece ter entrado numa ressaca de maré como esta que acabamos de descrever.

É um sufoco, uma sucessão de acontecimentos assustadores.

Temos a impressão de que o mar revolto virou a regra, não é mais a exceção.

A história coleciona momentos de transformações profundas, como os de agora.

No entanto, como nosso tempo é o presente, é a nossa vez de engolir água e tomar fôlego.

Por isso, por mais sábia que seja, a experiência alheia do passado não nos acolhe, não nos serve de guia.

Em momentos assim, como pedir calma e tranquilidade?

Pedir compaixão… empatia?

Fica parecendo piada, não é mesmo?

Ante a iminência de um afogamento o que vale é a máxima “salve-se quem puder”.

Calma, é difícil dizer isso para quem está tomado de pânico.

Pânico é aquele medo irracional, que vem das entranhas.

Em pânico não há protocolo, não há pudor, nem vergonha.

É em pânico que fazemos o tal papel ridículo, do qual chegamos a rir de nós mesmos depois.

O Amor Nos Tempos de Cólera é uma coluna modesta, aqui num cantinho do Viomundo.

O propósito é sugerir um caminho alternativo, oferecer uma reflexão.

É difícil acreditar neste novo jeito de olhar, eu sei.

Somos movidos por impulsos: de fúria e ódio.

Nossos instintos são primitivos, muitas vezes indomáveis.

Ninguém aqui é Jesus Cristo para amar o inimigo, não é este o propósito.

Mas se continuarmos a alimentar a onda de ódio que se levanta, podemos estar certos de que os canhões estarão apontados para nós quando a guerra começar.

Estamos do lado mais fraco, seremos as vítimas, contaremos mortos, feridos e refugiados.

Por isso, não podemos abandonar os sentimentos que nos fazem tão fortes, entre eles, a solidariedade.

Ódio e vingança não nos interessam.

Nossa arma mais forte ainda é o diálogo.

Precisamos conversar com aqueles que ainda prezam por nossa opinião, que nos respeitam e que podem nos ouvir.

Temos que procurar “ex-amigos”, parentes que bloqueamos ou com os quais deixamos de conversar…

Temos a obrigação de estender a mão aos que estão caminhando em direção à onda.

Porque ela atingirá a todos igualmente.

A palavra está gasta, mas não tem outra melhor, nós precisamos urgentemente de amor.

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Marco Aurélio Mello

Jornalista, radialista e escritor.


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