VIOMUNDO

Diário da Resistência


Pedalar é preciso
Amor Nos Tempos de Cólera 03/04/2018 - 10h40

Pedalar é preciso


Por Marco Aurélio Mello

por Marco Aurélio Mello

Até ontem só havia duas marcas de bicicleta para criança no Brasil: Caloi e Monark.
Ninguém falava em ciclofaixa, ciclovia, equipamento de segurança…
A gente pedalava era no meio da rua mesmo.
Está certo que os tempos eram outros.
A vias eram largas e os carros eram poucos.

De bicicleta uma criança ia tomar Coca-Cola de graça na Gledson, na rua Clodomiro Amazonas; ia comprar pipa, na rua das Fiandeiras; ia à feira do bairro, no final da rua João Cachoeira; ia à casa do amigo, perto da avenida Jucelino. Sem os país saberem atravessava a avenida Santo Amaro para ir escondido até o parque do Ibirapuera, na Vila Nova Conceição, bairro ao lado.

Com nove anos de idade ganhei de Natal a minha Berlineta Caloi vermelha.
Ganhei, mas não andei.
Não cabia no carro e passou as férias trancada em casa.
Eu sonhava com ela todos os dias.
Numa bicicleta a gente pode quase tudo.
Na fantasia de uma criança dava até para voar com ela.

No Natal de 1979 ganhei uma Caloi 10.
Queria que fosse prateada, mas chegamos na loja e só tinha dourada.
Foi nela que sofri o mais grave acidente da vida, seis pontos no supercílio.
Foi nela que saíamos em turma para fazer muita coisa errada.
Tenho até vergonha de contar.
Foi montado numa bike que adolesci.

De Natal, em 1993, ganhei uma Caloi Aluminum verde-limão.
No verão do ano seguinte só dava ela na praia em que eu morava, na Bahia.
Que sensação boa pedalar na areia dura quando a maré seca!
O que ela tinha de melhor não era o fato de ser leve, minha magrela não enferrujava.

Depois de 20 anos de intervalo voltei a pedalar em 2013.
Já não era mais Caloi.
Agora o fabricante, ou melhor, o montador, é o neto dele, um tal de Tito.
Comprei uma Tito Bike Urban preta.
Cinco anos depois ainda é a minha bicicleta.
Uso sempre que posso, para tarefas domésticas, para fazer exercícios e pro lazer.

Admito, ficar duas décadas longe do pedal foi um erro.
Descobri que viver sem uma bicicleta à mão é impossível para mim.
Contra o vento, com os braços soltos do guidão…
Não tem mais incrível sensação.
Por isso, a frase que adotei diz assim:
“Se quer manter o equilíbrio, pedale.”

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4 comentários

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Francisco Ary Martins

03 de abril de 2018 às 12h04 Responder

    Marco Aurélio

    03 de abril de 2018 às 17h10

    Obrigado,
    Marco.

Jose Luiz

03 de abril de 2018 às 11h00

Concordo com você : se quer manter o equilíbrio, pedale! Eu Pedalo todos os dias: tenho 61 anos, aposentado, e não tenho mais carro na garagem, só uma bicicleta!

Responder

    Marco Aurélio

    03 de abril de 2018 às 17h07

    Legal!
    Marco.


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